25 de setembro de 2015

Resenha | A Garota no Trem - Paula Hawkins


Autora: Paula Hawkins

Número de páginas: 378

Ano: 2015

Editora: Record

Skoob: AQUI
Sinopse: Todas as manhãs Rachel pega o trem das 8h04 de Ashbury para Londres. O arrastar trepidante pelos trilhos faz parte de sua rotina. O percurso, que ela conhece de cor, é um hipnotizante passeio de galpões, caixas d’água, pontes e aconchegantes casas. Em determinado trecho, o trem para no sinal vermelho. E é de lá que Rachel observa diariamente a casa de número 15. Obcecada com seus belos habitantes – a quem chama de Jess e Jason –, Rachel é capaz de descrever o que imagina ser a vida perfeita do jovem casal. Até testemunhar uma cena chocante, segundos antes de o trem dar um solavanco e seguir viagem. Poucos dias depois, ela descobre que Jess – na verdade Megan – está desaparecida. Sem conseguir se manter alheia à situação, ela vai à polícia e conta o que viu. E acaba não só participando diretamente do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos. Uma narrativa extremamente inteligente e repleta de reviravoltas, A Garota no Trem é um thriller digno de Hitchcock a ser compulsivamente devorado.


 De manhã, embarco no trem das 8h04, e, na volta, pego o das 17h56. É o meu trem. É nele que viajo. É assim que as coisas são.

Rachel Watson é uma mulher na casa dos trinta e poucos anos que é alcoólatra. Ela nem sempre foi assim, ela gostava de beber, mas algumas circunstâncias fizeram ela fazer isso com cada vez mais frequência, até que beber era tudo o que ela fazia.

Cansado dos constantes vexames, escândalos e das constantes perdas de memória de Rachel – ela passa a sofrer de amnésia alcoólica, uma condição que faz ela esquecer-se das coisas que faz quando está embriagada –, Tom, seu marido, envolve-se com outra mulher a acaba divorciando-se de Rachel. Agora, Tom é casado com Anna, com quem tem uma filha, Evie.

Depois do divórcio, Rachel vai morar com uma antiga amiga da época da universidade, Cathy.

O alcoolismo não faz Rachel perder só o marido. Ela acaba sendo demitida após chegar caindo de bêbada na empresa onde trabalhava. Por medo de ser despejada por Cathy, Rachel omite este fato e, para não levantar suspeitas, continua agindo como se nada tivesse acontecido. Todo dia ela sai de casa, pega o trem das 8h04 e, na volta, pega o trem das 17h56, tudo para manter as aparências até que ela não possa mais esconder a situação, pois o dinheiro vai acabar.

Há várias casas beirando a linha férrea, inclusive aquela onde Rachel costumava morar com Tom e na qual ele vive agora com Anna e a filha. Mas a casa que mais chama a atenção de Rachel é a casa de Jess e Jason, que são os nomes que Rachel deu para um casal aparentemente muito apaixonado que habita uma das casas que beiram a linha férrea. Rachel acha linda a forma como eles se olham, se tocam, se completam.

Eles formam um par, uma dupla. São felizes, está na cara. São o que eu era. São como Tom e eu éramos, há cinco anos. São o que eu perdi, são tudo o que eu quero ser.

Um dia, enquanto olha para a casa de Jess e Jason, Rachel vê uma coisa que muda completamente sua opinião a respeito do casal.

Certa noite, depois de beber um bocado, Rachel resolve bater na sua antiga casa à procura de Tom. Só que no meio do caminho acontece alguma coisa, pois ela acorda em sua casa com um galo na cabeça, com a boca sangrando e com vários machucados pelo corpo, só que ela não se lembra de absolutamente nada do que aconteceu. E, para completar, Rachel descobre que Jess, que na verdade chama-se Megan, desapareceu naquela mesma noite, da qual ela não se lembra, e perto do lugar onde ela estava.

Algumas horas de pesquisas na internet hoje de tarde confirmaram minhas suspeitas: a hipnose não costuma ajudar na recuperação de horas de apagão porque, conforme indicavam minhas leituras anteriores sobre o assunto, não armazenamos nenhuma lembrança durante essas amnésias alcoólicas. Não há nada a ser lembrado. É, e sempre será, um buraco negro na minha linha do tempo.

Rachel resolve ir à polícia contar o que viu acontecer na casa de Jess/Megan antes dela desaparecer. Só que devido ao seu alcoolismo, ela passa a ser considerada uma testemunha não muito confiável. E passa a ser considerada, inclusive, suspeita.

Rachel decide tentar desvendar esse mistério por conta própria, e, quanto mais ela se envolve no caso, mais risco a sua vida passa a correr.

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Gente, para tudo! Que livro foi esse?! Há muito tempo eu não lia um thriller tão legal. Devo confessar que o começo da leitura foi um pouco arrastado. Rachel passa uma parte do início do livro narrando sua decadência pessoal e, por isso, o livro demora um pouco para pegar no tranco, mas depois que isso acontece, haja fôlego!

A Garota no Trem ficou entre os mais vendidos em todos os países onde foi publicado. Ele é descrito como sendo uma mistura de Garota Exemplar e Janela Indiscreta. A própria Paula, autora de A Garota no Trem, é comparada com ninguém mais, ninguém menos que Gillian Flynn. Até Stephen King falou que A Garota no Trem é um excelente suspense.

O livro é narrado não só por Rachel, mas também por Megan (Jess) e por Anna, atual esposa de Tom, ex-marido de Rachel. A narrativa é bem interessante, pois os capítulos retratam dias corridos, e esses dias são divididos em períodos – manhã, tarde e noite. Às vezes uma das personagens está narrando o passado, depois a narrativa muda para o presente.. por isso a gente tem que prestar bastante atenção nas pistas que são dadas.

Agora, como não poderia deixar de ser, vamos falar das duas coisas que não me agradaram.

As folhas são muito finas. Dependendo da iluminação dá para ver o que está escrito do outro lado, sabe? Também achei que o final merecia mais capítulos, mais uns dois ou três. Não foi ruim, muito pelo contrário, mas o livro merecia! Porém, essas pequenas coisas não estragam a experiência, que é maravilhosa. Se você gosta de um bom thriller, leia A Garota no Trem.

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