10 de janeiro de 2016

Resenha | Rebirth - Os Novos Titãs - Bianca Landim


Autora: Bianca Landim

Número de páginas: 368

Ano: 2015

Editora: Novo Século – Talentos da Literatura Brasileira

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Sinopse: Quatro crianças foram postas nos caminhos imortais dos deuses do Olimpo e, delas, uma nova geração de titãs surgiu, mostrando-se incrivelmente mais poderosa que os primeiros titãs – derrotados por Zeus e seus irmãos –, e até mesmo que os próprios deuses! Missões lhes foram atribuídas e mundos imortais foram conhecidos, dando-lhes sabedoria, poderes e novos aliados. Acima de tudo isso, o amor único foi alcançado e suas origens, desvendadas, fazendo dos titãs uma nova ordem no Olimpo, com Zeus e os outros deuses, conhecidos como os Doze Olimpianos.

 

A árvore não prova a doçura dos próprios frutos; o rio não bebe suas próprias ondas; as nuvens não despejam água sobre si mesmas. A força dos bons deve ser usada para benefício de todos.

A Titanomaquia foi uma guerra entre os titãs liderados por Cronos, pai de Zeus, contra os deuses olimpianos, liderados pelo próprio Zeus. Após vários anos de guerra, Zeus acaba vencendo seu pai e, com a ajuda de seus irmãos, cria o Olimpo. Cronos é aprisionado em Tersália, mas Zeus estava ciente de que algum dia ele poderia escapar.

Logo no prólogo do livro nós somos transportados para a Atenas de 1.200 a.C., e lá nós temos a revelação de uma profecia. As moiras, seres mitológicos que determinavam tanto o destino dos deuses quanto o dos mortais, revelam para Apolo, Ártemis, Ares e Hefesto, filhos de Zeus, que quatro crianças titãs serão postas em seus caminhos e que caberia aos deuses seu treinamento, pois seriam eles que ajudariam os deuses a deterem Cronos em sua revanche.

Rebirth – Os Novos Titãs é dividido em três partes. A primeira parte se passa na Grécia, dezoito anos após a proferia das moiras. Nessa parte nós somos apresentados aos quatro titãs. Eles são Celes, que cresceu sob os cuidados de Ártemis, Solaris, que cresceu sob os cuidados de Apolo, Discórdia, que cresceu sob os cuidados de Ares e Pyro, que cresceu sob cuidado de Hefesto.

O treinamento dos quatro titãs é pesado, com simulações de combate com os mais diversos seres mitológicos, tudo para fazer deles titãs completos e prepará-los para um possível combate contra Cronos.

Com a convivência diária, Solaris acaba apaixonando-se por Celes, mas é advertido por Hermes, que traz uma mensagem importante das moiras: Solaris não poderia fazer nada em relação a Celes.

Celes, por sua vez, por ser uma titã amazona protegida de Ártemis, não poderia deixar-se envolver por Solaris, pois sabia que sua deusa protetora jamais aceitaria tal relacionamento.

Em uma missão, Celes é mortalmente ferida, e mesmo com o aviso das moiras, Solaris acaba interferindo no destino da titã, curando-a de seu ferimento. Essa interferência muda o rumo de tudo e une ainda mais os dois.

Após vários anos de treinamento, os titãs ganham a honra da imortalidade.

— Somos deuses imortais, garantidos pelo poder maior de Zeus. Mas os semideuses, os titãs e os heróis, só são imortais por causa da maçã dourada que comeram. Mas não significa que não possam morrer; a maçã revela a fraqueza que habita o corpo… — continuou Ares. — Aquiles, por exemplo, era um semideus, mas morreu com uma flechada no calcanhar!

Após morderem a maçã, os pontos fracos dos titãs foram revelados. A garganta de Discórdia, as mãos de Pyro, e os corações de Celes e Solaris, o que confirmava que eles se amavam de verdade.

Romances à parte, Cronos finalmente consegue fugir de Tersália e começa seu plano de vingança. Assim que fica sabendo da existência de Celes e da intensidade dos poderes dela, Cronos começa a nutrir uma fixação pela titã e passa a tentar sequestrá-la. Em uma dessas tentativas, Solaris aparece e consegue salvar a amada. Seus poderes se manifestam de uma forma nunca vista antes,

— Cronos a colocou encostada na pedra, apoiando seu rosto desacordado na superfície dura e gelada. Plantou um beijo em seus lábios, despertando a raiva de Solaris, que lançou um raio solar nas costas do titã supremo, queimando-o. … O titã supremo urrou de dor, focalizando sua raiva em quem lhe proferiu o golpe. Mas, ao virar o rosto para encarar Solaris, viu que o titã estava com os olhos em chamas, da mesma forma que seus cabelos, enquanto seu corpo ficava dourado, e, em suas mãos, o fogo jorrava intensamente.

Todos ficam se perguntando o motivo da fixação de Cronos por Celes e também ficam impressionados com o tamanho do poder de Solaris. Mais tarde eles descobrem que tanto Celes quanto Solaris são filhos de deuses, por isso são tão mais poderosos que os outros titãs.

Seria esse o motivo pelo qual Cronos queria tanto sequestrar Celes? Quem eram os pais de Celes e Solaris? A batalha final estava se aproximando, quem venceria? O treinamento dos titãs seria suficiente para derrotar Cronos?

Já a segunda parte de Rebirth – Os Novos Titãs se passa no Egito e em Asgard no ano de 1922. Celes e Solaris estão casados e tem uma filha, Estrela.

Depois do episódio contra Cronos, a vida no Olimpo foi relativamente tranquila, até que um roubo faz com que Zeus, Ares, Solaris, Celes e Estrela se disfarcem de mortais para investigar manchetes de jornal. O artefato roubado é o elmo de Hades, objeto que tem o poder de trazer de volta a vida daquele que conseguir sair do Tártaro, a prisão subterrânea. O objeto foi encontrado em uma escavação e os deuses temem que ele vá parar em mãos erradas.

— Mas os mortais não sabem para que o elmo serve, não é? — perguntou Estrela.

— O problema, minha Estrela, é que eles ainda não sabem. Ou podem estar levando o elmo para quem conhece realmente sua história.

Os deuses voltam ao Olimpo e, chegando lá, Zeus é surpreendido com uma mensagem vinda de terras muito distantes. Os deuses, então, partem em uma nova viagem rumo ao Egito. Chegando lá, eles são recebidos pelo deus egípcio Osíris, que lhes informa que um tesouro também lhe fora roubado. O tesouro em questão é um dos vasos canopos de Tutancâmon. Vasos canopos eram usados para colocar órgãos retirados dos mortos durante o processo de mumificação e, se fossem postos juntos à múmia da qual as vísceras pertenciam, ela poderia voltar ao mundo dos vivos.

Longe dali, em Asgard, uma valquíria informa ao deus Odin que o deus Thor caiu em uma emboscada em Luxor e que o martelo Mjolnir foi roubado. Thor conseguiu sair ileso fora o roubo do martelo. Com a ajuda de Balder, seu irmão, ele parte em busca de seu precioso artefato. Eles rumam para o Cairo, onde também são recebidos pelos deuses egípcios. Lá eles ficam sabendo dos outros artefatos roubados.

Começa então uma busca pelos tesouros. Quem estava por trás disso tudo? Qual era o motivo do roubo desses artefatos? Mesmo sendo tão diferentes, os deuses teriam que se unir para derrotar o inimigo.

A terceira e última parte do livro se passa em 2012, em uma época em que a maioria dos deuses não são mais adorados. Celes e Solaris tiveram mais um filho, Nix, e Estrela, sua primogênita, está mais poderosa do que nunca.

Uma revoada de corvos chega ao Olimpo e com ela chega também um novo inimigo: Nimrod, que foi o primeiro grande deus da Terra. Por conta das diversas maldades que praticou em vida, Deus não permitiu que Nimrod entrasse no reino dos céus, mas tampouco mandou-o para o inferno. Sendo assim, Nimrod ficou vagando entre os mundos enquanto arquitetava seu plano de aniquilar qualquer deus que aparecesse em sua frente.

Asgard, o Egito e o Olimpo correm perigo. Ares, deus da guerra, parte rumo à Índia à procura de ajuda e retorna ao Olimpo trazendo com ele Shiva e Kali, deuses indianos.

A batalha final contra esse inimigo desconhecido traz perdas irreparáveis. Será que todos os deuses juntos, unindo suas forças, vão conseguir derrotar Nimrod? Ou será que Nimrod conseguira executar o seu plano de vingança?

O cair da noite chegou, e com ela a quarta revoada de corvos. Nenhum barulho foi feito pelas aves, mas os deuses sabiam que elas estavam ali. Estavam trazendo Nimrod. A batalha iria começar.

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Antes de mais nada quero dizer que sei que a resenha vai ficar relativamente grande. Precisei esmiuçar os acontecimentos das três partes do livro para eu mesma não me perder no meu próprio raciocínio, pois Rebirth – Os Novos Titãs foi o primeiro livro sobre mitologia que eu li na minha vida. E logo de cara me deparo com quatro tipos de mitologias diferentes! Há quem possa achar que juntar elementos de diversas mitologias possa ser perigoso, e creio que seja mesmo. Mas se eu, uma leiga no assunto, consegui entrar no universo criado por Bianca Landim, qualquer um conseguirá. Ela criou um universo único onde tudo se encaixou perfeitamente.

As três partes do livro trazem histórias diferentes, é como se fossem três livros em um só, e cada uma dessas partes traz um novo elemento essencial para a conclusão da mesma. O trabalho de pesquisa da autora é nítido e digno de admiração. Quando surge um elemento menos conhecido, há uma nota de rodapé com a explicação, o que me poupou algumas idas ao Google! 😀

O livro é narrado em terceira pessoa, que não é meu tipo de narrativa preferida, mas Rebirth – Os Novos Titãs não funcionaria com uma narrativa em primeira pessoa. O narrador teria que ser onipresente e, mesmo tratando-se de deuses, ficaria uma coisa muito estranha e sem propósito.

O livro tem romance, mas esse está longe de ser o foco da história. Há também algumas cenas de sexo, mas não achei desnecessário, já que pelo pouco que eu sei sobre mitologia, deuses gostavam muito da coisa! Mas não tem nada muito descritivo, é mais uma coisa sensual e não se repete muitas vezes.

Contudo, tenho algumas ressalvas.

São muitos personagens, MUITOS mesmo, o que é totalmente compreensível devido à complexidade de unir quatro mitologias diferentes. E quando há muitos personagens em uma história é quase certo que alguém será subaproveitado. E isso aconteceu não só com um personagem, mas com alguns.

A proposta do livro era trazer Celes, Solaris, Pyro e Discórdia como os protagonistas da história, mas ao meu ver, os verdadeiros protagonistas da história foram Celes, Solaris, Ares (♥____♥) e Zeus. Achei que Pyro e Discórdia mereciam mais destaque e mais importância. Como eu disse na descrição da história, Celes e Solaris eram filhos de deuses e, por isso, mais poderosos. A partir dessa revelação eles ganharam mais destaque e os outros dois ficaram mais apagados.

Hércules, Hera e até o próprio Apolo também mereciam mais destaque. Mas como eu disse, é uma história muito complexa, e trabalhar todos os personagens em um livro de apenas 368 páginas seria impossível. Talvez a solução seria retirar alguns personagens. Eu fiquei a todo momento esperando Hércules mostrar sua força e acabar com a bagaça toda, mas não aconteceu!

Agora, quanto ao desenvolvimento, achei a primeira história muito boa e ela é a maior das três. Nela nós temos toda a apresentação dos personagens, descobrimos que Celes e Solaris são semideuses e a batalha final também é boa.

A segunda, que é menor que a primeira, mas maior que a terceira, traz uma trama muito interessante. A história do roubo dos artefatos dos deuses daria, na minha opinião, pano pra manga e poderia render até um livro único. Talvez por isso eu tenha tido a sensação que tudo aconteceu muito rápido e que o desfecho tenha sido o mais fraco das três histórias.

A terceira e última parte, a menor de todas, é uma história bem ágil. Só achei o vilão meio sem graça e achei também que a mitologia hindu foi pouco explorada.

A capa é linda e só de olhar pra ela você já sabe que se trata de um livro sobre mitologia. A diagramação está ótima, assim como a impressão, e encontrei poucos erros de revisão.

Rebirth – Os Novos Titãs foi uma grata surpresa e uma boa leitura. Com ele me arrisquei em um novo estilo nunca antes experimentado e não me arrependo. Indico muito a leitura e quero agradecer a Bianca pelo exemplar cedido e pela confiança no meu trabalho.

Agora com licença que eu vou ali comer minha maçã dourada! 😉

Observação: Conteúdo postado quando a plataforma do blog ainda era WordPress. Com a mudança, todos os comentários foram perdidos.

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