9 de fevereiro de 2016

Resenha | O Duque e Eu - Julia Quinn


Autora: Julia Quinn

Número de páginas: 288

Ano: 2013

Editora: Arqueiro

Skoob: AQUI
Sinopse: Simon Basset, o irresistível duque de Hastings, acaba de retornar a Londres depois de seis anos viajando pelo mundo. Rico, bonito e solteiro, ele é um prato cheio para as mães da alta sociedade, que só pensam em arrumar um bom partido para suas filhas. Simon, porém, tem o firme propósito de nunca se casar. Assim, para se livrar das garras dessas mulheres, precisa de um plano infalível.

É quando entra em cena Daphne Bridgerton, a irmã mais nova de seu melhor amigo. Apesar de espirituosa e dona de uma personalidade marcante, todos os homens que se interessam por ela são velhos demais, pouco inteligentes ou destituídos de qualquer tipo de charme. E os que têm potencial para ser bons maridos só a veem como uma boa amiga.

A ideia de Simon é fingir que a corteja. Dessa forma, de uma tacada só, ele conseguirá afastar as jovens obcecadas por um marido e atrairá vários pretendentes para Daphne. Afinal, se um duque está interessado nela, a jovem deve ter mais atrativos do que aparenta.

Mas, à medida que a farsa dos dois se desenrola, o sorriso malicioso e os olhos cheios de desejo de Simon tornam cada vez mais difícil para Daphne lembrar que tudo não passa de fingimento. Agora ela precisa fazer o impossível para não se apaixonar por esse conquistador inveterado que tem aversão a tudo o que ela mais quer na vida.

 

O desespero na voz de Simon lhe disse tudo o que ela precisava saber. Ele a queria. Desejava. Estava louco por ela.

Os Bridgertons são considerados a família mais fértil da sociedade inglesa. A viscondessa Violet teve nada mais, nada menos, do que oito filhos com visconde Edmund, seu falecido marido. Foram quatro homens e quatro mulheres, todos batizados seguindo a ordem das letras do alfabeto de acordo com a ordem de seus nascimentos: Anthony, Benedict, Colin, Daphne, Eloise, Francesca, Gregory e Hyacinth.

O Duque e Eu conta a história de Daphne Bridgerton, uma jovem sonhadora e impetuosa, e de Simon Basset, o duque de Hastings, um jovem amargo e sedutor. Simon teve uma infância muito complicada. Seu pai queria muito um filho, mas todas as tentativas da duquesa de Hastings em conceber um herdeiro para o famoso e respeitado ducado fracassaram. Após mais uma tentativa em vão, o duque foi informado que a duquesa poderia não suportar mais uma tentativa, mas a duquesa, mesmo ciente dos riscos que corria, decidiu que daria um herdeiro para o duque, mesmo que isso fosse a última coisa que faria na vida.

E de fato foi. A duquesa finalmente conseguiu levar a gravidez adiante, mas não sobreviveu para ver o filho crescer. O duque, em êxtase por finalmente ter um herdeiro para dar continuidade ao ducado, mal podia esperar a hora em que ensinaria ao filho todas as responsabilidades de um Basset. Mas para sua surpresa, Simon Arthur Henry Fitzranulph Basset, como fora batizado o bebê, não falou uma única palavra até os quatro anos de idade e, quando finalmente conseguiu emitir algum som, foi acometido por uma gagueira incontrolável.

Simon sentiu no âmago a rejeição do pai. Experimentou uma espécie peculiar de dor tomando conta de seu corpo e envolvendo seu coração. E, conforme o ódio lhe invadia e transbordava pelos seus olhos, ele fez uma promessa solene. Se não podia ser o filho que o pai queria, então seria exatamente o oposto.

O duque, furioso, renegou o filho. Para ele, Simon não passava de um idiota incapaz de administrar o ducado. Ele decide ir embora para Londres, deixa o filho sob a responsabilidade de uma ama e recusa-se a responder as cartas que o filho lhe envia. Simon decide então provar para o pai que ele estava errado. Que ele não era um idiota. Ele passa a treinar sua fala sofregamente, até que passa a gaguejar somente quando está nervoso ou irritado. Além disso, ele entra em Oxford e passa a receber muitos elogios por seu desempenho. Ciente da evolução e das conquistas do filho, o duque faz de tudo para reaproximar-se de Simon, mas o rapaz não dá abertura para o pai que o renegou quando ele mais precisou.

Sabendo que seria difícil esquivar-se das investidas do pai, Simon decide viajar o mundo. E assim permanece por seis longos anos.

Daphne é a quarta filha da família Bridgerton e a mais velha das meninas, ou seja, a primeira a ter que se casar. Após duas temporadas fracassadas, sua mãe está empenhada em fazer com que sua filha arrume um bom pretendente. Desse modo, Daphne tem que frequentar praticamente todos os bailes oferecidos pela sociedade, onde tem que ser apresentada por sua mãe a todos os possíveis candidatos a marido. O amor não é algo que ela almeje em um primeiro momento, isso viria com o tempo, entretanto, ela gostaria de poder ao menos sentir alguma simpatia por seus pretendentes, mas isso não acontece... até que Simon, o novo duque de Hastings, retorna de sua longa viagem.

Simon vira alvo fácil para todas as mães de jovens em idade para serem desposadas. Só que Simon não quer se casar e muito menos ter filhos. Nunca. Com ninguém. Tentando entrar em um dos bailes da cidade sem ser notado, Simon acaba conhecendo Daphne e a jovem logo chama sua atenção. Mas ao descobrir que ela é irmã de seu amigo Anthony, ele desiste de tentar seduzi-la.

Simon pensou em ser sincero, em contar todos os motivos pelos quais jurara jamais se casar e perpetuar sua linhagem. Mas eles não entenderiam. Não os Bridgertons, para quem a família era algo bom e verdadeiro. Não sabiam nada a respeito de palavras cruéis e sonhos destruídos. Não conheciam a rejeição.

Para fugir de mais uma mãe predadora, Simon tira Daphne para dançar e acaba engatando uma conversa com a jovem. Daphne lhe conta sobre sua rotina com os bailes e sobre sua má sorte com os pretendentes. Simon, então, lhe propõe um acordo. Eles podem fingir que ele está lhe cortejando. Enquanto isso outros pretendentes podem aparecer e Simon também estará livre das mães predadoras querendo atirar suas filhas em seus braços. Em um primeiro momento, Daphne acha um bom plano. Os outros rapazes da sociedade a olhariam com outros olhos ao perceberem que ela estava sendo cortejada por um duque. Só que o coração de uma mulher gosta de pregar peças em suas donas, e Daphne acaba se apaixonando por Simon.

Simon também começa a se apaixonar por Daphne, mas sabe que o que ela mais quer na vida é uma família. Daphne, por sua vez, sabe que para casar-se com Simon teria que abrir mão de seu maior sonho. Será o amor dos dois suficiente para ocupar o espaço de uma família que, se depender de Simon, jamais existirá? Ou será que os fantasmas do passado de Simon farão com que ele perca Daphne para sempre?

— Eu...  eu sempre soube que não era o tipo de mulher com quem os homens sonham, mas nunca imaginei que alguém fosse preferir morrer a se casar comigo.

••••••••••

Antes de começar a resenha gostaria de fazer uma coisa: AWNNNNNNN *—————–*

Que livro mais amor, gente! Eu comprei esse bendito livro em setembro, na Bienal, mas nunca pegava pra ler. Até que, depois de tanto ler e ouvir ótimas coisas sobre esta série, resolvi parar de comer mosca. E Julia Quinn só precisou de um capítulo para ganhar meu coração!

Romances de época sempre têm um enredo muito limitado. Na maioria das vezes há a menina que quer casar, o bom partido que todas querem laçar e os acontecimentos giram em torno disso. Mas na série Os Bridgertons, Julia Quinn conseguiu criar um grande diferencial: os próprios Bridgertons!

Já quero fazer parte dessa família! Anthony, Benedict e Colin foram, além de Daphne, claro, os Bridgertons que mais apareceram. E venho por meio desta resenha informar que quero ler os livros de Anthony e Colin para ontem, ok? Que personagens mais carismáticos, gente! Tenho certeza que morrerei de amores pelos livros de ambos. Toda a família Bridgerton é ótima. Hyacinth, de apenas dez anos, pouco aparece, mas conseguiu arrancar boas risadas dessa pessoa que vos escreve com as poucas palavras que diz em O Duque e Eu.

Daphne, por sua vez, não é aquela típica personagem feminina dos romances de época. Ela possui um ótimo senso de humor e às vezes diz coisas que abalam as estruturas de Simon, que não está acostumado com moças tão espirituosas. Já Simon é um sonho. É cabeça dura, diz umas coisas nada a ver às vezes, mas quando quer ser atencioso e sedutor ele consegue... ôôôô como consegue! 😀

Uma coisa que eu achei muito legal foi o fato de haver um jornal de fofocas na história. As Crônicas da Sociedade de Lady Whistledown aparecem no início de cada capítulo e podemos saber quais rumores andam rondando a sociedade londrina, até mesmo aqueles que envolvem os protagonistas. Lady Whistledown, claro, é a identidade secreta de algum – ou alguma – personagem, mas nesse primeiro livro não descobrimos quem está por trás do jornaleco.

Gostei muito do relacionamento de Simon e Daphne. Em uma época em que as mulheres eram muito submissas, Daphne não tem medo de falar o que pensa. E Simon, por mais machista que possa ser em alguns momentos, sempre leva o que Daphne diz em consideração.

A escrita de Julia Quinn é um primor! Muito fluida e consistente. O livro não perde ritmo em nenhum momento. Sobre a parte física, não tenho do que reclamar. A modelo da capa é do jeitinho que eu imaginei Daphne.

O livro é narrado em terceira pessoa e eu encontrei alguns errinhos de revisão, mas foi coisa boba. Não curti o fato de não haver quebra entre o fim de um capítulo e o começo de outro, mas isso é uma coisa pessoal. Outra coisa que me incomodou um pouco foi o excesso do uso de parênteses para adicionar informações à narrativa. Ficou um pouco repetitivo, principalmente na primeira metade do livro. Em suma, O Duque e Eu foi uma grata e divertida surpresa. Ainda bem que eu tenho os próximos três volumes da série! O segundo conta a história de Anthony, o terceiro de Benedict e o quarto de Colin. Nem preciso dizer que quero lê-los o quanto antes, né?

Observação: Conteúdo postado quando a plataforma do blog ainda era WordPress. Com a mudança, todos os comentários foram perdidos.

Nenhum comentário

Postar um comentário