23 de fevereiro de 2016

Resenha | Proibido - Tabitha Suzuma


Autora: Tabitha Suzuma

Número de páginas: 304

Ano: 2014

Editora: Valentina

Skoob: AQUI
Sinopse: Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis.

Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes.

Eles são irmão e irmã.

Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade.

 

 — Como o nosso amor pode ser considerado horrível, quando não estamos fazendo mal a ninguém?

Lochan (lê-se Lorram) e Maya são os mais velhos de cinco irmãos. Ele, com dezessete anos e ela, com dezesseis, têm nas costas a responsabilidade de criar os três irmãos mais novos, Willa, de cinco anos, Tiffin, de oito anos e Kit, de treze anos.

O pai deles foi embora de casa quando Lochan e Maya tinham doze e onze anos respectivamente. Desde então, a mãe deles passou a comportar-se como uma adolescente inconsequente, saindo de casa todos os dias e só voltando de madrugada - quando voltava - e, quase sempre, bêbada. Conscientes de que se forem descobertos pelo Serviço Social eles serão separados, Lochan e Maya assumem as rédeas da casa.

Agora, cinco anos depois, eles fazem tudo. Levam as crianças para escola, preparam as refeições, educam, brincam, colocam as crianças menores para dormir... e ainda têm que cuidar da própria vida, pois Lochan está prestes a entrar para a universidade e Maya tem que se preparar para exames importantes.

Lochan e Maya decidem tudo juntos quando o assunto é a casa ou os irmãos. E com o tempo, o amor fraternal que eles sentem um pelo outro vai se transformando em algo maior. Os dois acabam se envolvendo, e Maya, otimista, acredita que os dois podem ficar juntos, afinal, eles não estão fazendo mal a ninguém, mas Lochan, apavorado com os seus sentimentos, enfrenta uma terrível batalha interna.

— Vamos combinar, tudo isso é muito doentio. Talvez o resto do mundo tenha razão. Talvez nós sejamos só dois adolescentes desajustados, emocionalmente perturbados...

Só que o amor que sentem um pelo outro é forte demais para ser ignorado.

No fim das contas, o que importa mesmo é o que você pode suportar, o quanto pode resistir. Juntos, não fazemos mal a ninguém; separados, nós definhamos.

Os dois, então, mergulham de cabeça nesse sentimento proibido, mas eles nunca, nem por um segundo, poderiam imaginar onde esse sentimento, outrora tão bonito, acabaria os levando.

Não consigo pensar em nenhum outro tipo de amor que seja tão unanimemente rejeitado, embora o nosso seja profundo, apaixonado, generoso e forte a tal ponto que uma separação forçada nos causaria uma dor intolerável.

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Comecei a leitura de Proibido com a mente bem aberta. Já havia lido inúmeras resenhas positivas e estava curiosa para saber o porquê de uma relação incestuosa estar conquistando tanta gente. Bom, descobri.

Proibido é, antes de mais nada, uma história de amor. Sim, de amor. Um amor condenado desde o início, mas um amor verdadeiro e emocionante. Tabitha não nos deixa esquecer em nenhum momento que Lochan e Maya são irmãos. E o mais importante, ela não deixa que os dois irmãos se esqueçam disso também. São vários os momentos em que eles se condenam. Eles sabem que estão fazendo algo muito errado e anormal... mas o que é normal?

Todo tipo de amor é normal? Não, não é. Mas normal é uma palavra muito abrangente. Por exemplo, nos países árabes é normal as mulheres serem submissas e maltratadas. Na China é normal comer escorpião e carne de cachorro. Nos Estados Unidos é normal haver massacres em escolas. Normal é aquilo que é recorrente, aquilo que é comum ou natural. O que é normal para algumas pessoas é anormal para outras. A questão aqui não é debater se esse relacionamento é normal ou não, e sim se ele é aceitável ou não. E na minha concepção, Tabitha criou uma história completamente aceitável.

As circunstâncias fizeram com que eles se aproximassem dia após dia. Eles não tinham uma relação de irmão e irmã há muito tempo, eles tinham responsabilidades que a maioria das pessoas só têm quando se casam e tinham um no outro um porto seguro. Dividiam frustrações, conquistas, e, quando se olhavam, não importava quão difícil o dia tinha sido, sentiam-se aliviados, pois sabiam que podiam contar um com o outro. O amor foi surgindo aos poucos, não é uma coisa sem propósito!

O livro, apesar de ser uma história de amor, trata muito mais do lado psicológico da situação. Ele nos mostra quais foram os fatores que deixaram o relacionamento chegar onde chegou e quais são as motivações que levam Lochan e Maya a acreditarem que não estavam fazendo nada de errado.

Os personagens do livro são maravilhosos. Willa é uma fofura de criança. Tiffin é um menininho muito esperto e fera no futebol. Já Kit é um adolescente intragável. A mãe é digna de nojo. Ela deixa as crianças jogadas em casa sem ao menos se importar se eles têm ou não o que comer.

Sobre a parte física, gosto da capa, mas prefiro a original. Há também erros de revisão bem bobos que passaram por falta de atenção. As folhas são amareladas, mas poderiam ser mais grossas. O livro é narrado em primeira pessoa e a narrativa se alterna entre os dois irmãos. Me conectei muito mais com os capítulos do Lochan. Lochie, como era carinhosamente chamado pelos irmãos, é um personagem muito profundo e muito problemático. Era ele quem mais sofria, quem mais relutava, quem mais se condenava... fiquei com um bolo na garganta por diversas vezes!

É impressionante a sutileza com a qual Tabitha conduz a história. Eu já sabia o rumo que o livro tomaria antes mesmo de chegar na centésima página, mas isso não quer dizer que o final tenha sido menos impactante. E antes que me acusem de estar sendo conivente com algo tão “abominável” quero deixar claro que não apoio o incesto de forma alguma, ok? O que estou analisando é uma obra de ficção onde foram apresentados todos os aspectos dessa relação... cabe ao leitor aceitar ou não, entender ou não.

Eu aceitei. Eu entendi.

E eu sofri.


Observação: Conteúdo postado quando a plataforma do blog ainda era WordPress. Com a mudança, todos os comentários foram perdidos.

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