11 de abril de 2016

Entrevista | Gustavo Ávila

Oi, gente! Tudo bem com vocês? A postagem de hoje é muito especial! Já faz tempo que eu venho falando sobre livro O Sorriso da Hiena por aqui. Sou uma grande admiradora dessa história, que conheci por acaso no Instagram. Assim que li sua proposta, pensei: preciso ler esse livro! E o que eu encontrei foi, na falta de uma expressão melhor, uma história genial, de uma inteligência ímpar, que prende a gente do início ao fim!

Você ainda não tinha ouvido falar sobre o livro O Sorriso da Hiena? Por onde você andou nos últimos meses? 😮 HAHAHAHA’ – Não tem problema, eu apresento o livro novamente!

Sinopse: Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitável psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana. Porém, a proposta feita pelo misterioso David, coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral. Para saber se é uma pessoa má por ter presenciado o brutal assassinato dos seus pais quando tinha apenas oito anos, David planeja repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com a dele, dando a William a chance de acompanhar o crescimento das crianças órfãs e descobrir a influência desse trauma na vida delas. Até onde ele será capaz de ir? É possível justificar um ato de crueldade quando, por trás dele, há a intenção de fazer o bem?

É ou não é genial? Nesse link AQUI vocês podem conferir a minha resenha. Eu não vou me cansar nunca de dizer que ela não faz justiça ao livro. Tive muito trabalho para escrevê-la, e mesmo assim não consegui escrever tudo que eu queria. Sinto que O Sorriso da Hiena será para mim um daqueles livros que, por mais que tentemos, nunca somos capazes de descrever!

Algum tempo após o término da leitura, comecei a conversar com o Gustavo Ávila, autor do livro. O Gustavo, sempre muito atencioso e solícito, muito gentilmente, aceitou dar essa entrevista ao blog! \õ/ A postagem vai ficar um pouco longa, mas nós somos leitores, né? Então os convido a ler a entrevista, pois ela ficou muito bacana.


Quem é Gustavo Ávila?

Um publicitário que abandonou a faculdade de publicidade por achar que não estava ajudando em muita coisa, que aprendeu a escrever dentro de agências e lendo autores muito melhores do que eu. Um cara que está tentando colocar boas histórias no mundo, tentando fugir da rotina comum em que muitas vezes a gente entra e buscando desengavetar os sonhos para dar um verdadeiro sentido à vida. Que é muito chata se não fizermos aquilo que realmente queremos fazer.

Quando você começou a escrever e o que te motivou?

Eu comecei a escrever para pagar as contas, em uma agência de publicidade ainda como estagiário. Escrever foi uma arte (que na publicidade é técnica) que me pegou e comecei a pensar em outras histórias fora da propaganda, mas demorei a realmente sentar para escrever uma. Hoje, a maior motivação para escrever é contar as histórias que surgem na minha cabeça. É maravilhoso ver elas ganhando forma. Talvez a maior motivação seja justamente isso: criar algo. E algo que realmente tem valor e faz diferença para alguém. Saber que aquilo saiu de você. É uma sensação muito boa que quero ter muitas vezes.

O sorriso da hiena fez (e ainda vem fazendo) um grande sucesso. A que você atribui toda essa comoção que ele vem causando?

É incrível ver isso acontecendo e acredito que seja por uma série de fatores. O primeiro deles é a determinação. E não a determinação em escrever, mas em fazer as pessoas olharem para você, para o seu trabalho. Escrever não é fácil, mas tão difícil quanto é fazer as pessoas lerem sua história. Então é preciso muita determinação para não desistir. Dá muito trabalho. Realmente acho que essa é a parte mais importante para tudo isso estar acontecendo e para qualquer coisa boa acontecer: determinação. O segundo fator é a própria história. Eu acredito nela, acredito que existe uma boa história ali e, para o meu bem, muitas pessoas concordaram com isso. O terceiro fator foi a generosidade de muitas pessoas que gostaram tanto da história que a abraçaram como se fosse delas. Essas pessoas ajudaram a espalhar a história pela internet, foi e está sendo um grande boca a boca. Sem muito dinheiro para divulgação, uma boa propaganda foi feita. Não há como agradecer a todas essas pessoas, todo esse carinho. É maravilhoso ver e sentir todo esse apoio.

Sabemos que ser um autor independente no Brasil não é nada fácil. Quais foram as maiores dificuldades que você enfrentou?

Acredito que ser um autor independente em qualquer lugar não seja muito fácil. Mas a questão de ser no Brasil (ainda) tem o agravante que o próprio brasileiro tem preconceito com a ficção feita aqui. Em vários comentários sobre meu livro eu li as pessoas dizendo “Eu sempre tive preconceito com histórias nacionais mas esse me surpreendeu”, “Eu nunca li muito romance brasileiro, mas…” então essa é a primeira dificuldade que é preciso driblar. A segunda (que antes de se arriscar no lançamento independente é a primeira) é a dificuldade em achar uma editora. Há uma quantidade gigante de histórias sendo escritas, muita gente procurando o mesmo que você procura. Então você já tem que entrar nessa sabendo que não vai ser fácil. Isso ajuda a não desanimar com os “nãos”,que aliás serão vários. Essas são as duas maiores dificuldades. E as duas você só vence com determinação e trabalho. Determinação para não desanimar e trabalhando para escrever uma história cada vez melhor.

Como você vê o mercado literário atual para autores nacionais?

Acredito que esteja melhorando cada vez mais. Mas realmente acho que o maior problema seja o preconceito com autores nacionais e uma preferência por livros de fora. Está melhorando, mas ainda existe. Mas estamos no caminho dessa mudança. Vejo muita gente se empolgando quando descobre que tal livro é nacional e muitos procurando histórias escritas aqui no Brasil. Mas essa barreira está aí e precisamos derrubá-la de vez. Uma das coisas que mais acho ridículas é a organização separada em livrarias, onde vemos prateleiras divididas em “autores estrangeiros” e “autores nacionais”. Por que essa divisão? Olha como nós mesmos, em nossas livrarias, não nos colocamos na mesma cesta. Tudo bem que nem todos são separados assim, muitos nacionais dividem espaço com estrangeiros, mas porque não fazer isso com todos? Porque ter um cantinho do nacional? O ideal seria separar apenas em gêneros, já que precisamos de uma forma de organização. Coloca lá a prateleira de romances policiais, de ficção científica, etc., mas não venha separar entre nacionais e internacionais. Essa prateleira de nacionais deveria ser abolida.

Os exemplares físicos de O sorriso da hiena estão esgotados. O que você sentiu quando alcançou tal feito? Há alguma previsão para a reimpressão de novos exemplares?

Foi maravilhoso. Sinceramente, não esperava que as vendas fossem acontecer de maneira tão rápida. Isso me ajudou a ter ainda mais confiança de que estava no caminho certo e me empolgou bastante. Quanto a reimpressão, agora vai demorar um pouco. Como assinei um contrato com a Verus, agora o direito de publicação do livro é deles. Há um processo grande em uma editora deste porte, várias etapas de trabalho, além de entrar na agenda deles. Em contrato, eles tem 15 meses para lançar o livro. Algo que é para deixar o autor aqui mega ansioso. Mas eles sabem bem o que fazem e cada etapa é importante. Ainda não há uma data precisa para o lançamento. Por enquanto, meu foco agora é a próxima história.

(Pergunta feita pela Marina, do blog O que disse, Alice?) Sobre o processo de criação de O sorriso da hiena, você já tinha a história completa na sua cabeça ou tinha um ponto de partida e depois disso você deixou os próprios personagens guiarem seus caminhos e a narrativa? A história foi escrita de maneira linear?

Eu tinha a ideia central, a coisa do estudo do assassino e do psicólogo. Depois fui montando as tramas que rodeiam e preenchem essa coluna do livro. Mas, pelo menos pra mim, eu gosto de montar a história toda antes de sair escrevendo. E, principalmente, ter o final já na cabeça para saber para onde devo ir. Senão é muito fácil se perder. É claro que durante o processo coisas novas vão surgindo e a história pode ir mudando, mas desta forma as mudanças são feitas em movimento, não paradas.

Artur, William e David são personagens muito profundos. Qual deles foi o mais difícil de construir e o que ele representa para você?

Com certeza William. Na verdade, é ele o personagem principal do livro. Por ser um romance policial muitas pessoas acham que o Artur é o principal. Não é. A história contada é a do William, as escolhas dele. Por isso foi o que mais levou tempo de pesquisa e cuidado com os detalhes. Espero ter conseguido criar o personagem que tinha na cabeça.

Artur, um dos personagens do livro, possui a Síndrome de Asperger. Há algum motivo específico por trás dessa característica, como por exemplo, a personalidade que você gostaria que Artur possuísse?

Dos três personagens centrais, o Artur foi o último que criei. Como disse antes, ele não é o personagem principal, então não criei uma história para um detetive “X” resolver. Quando fui criar o detetive, foi um grande desafio porque ele tinha que ter um motivo para existir, um motivo além de investigar o caso do livro. Eu estava demorando para chegar nas características do detetive. Ele tinha que ter algo tão forte quanto os outros dois personagens já tinham. Eu não conhecia a Síndrome de Asperger até assistir um filme chamado “Adam”. Quando conheci a síndrome pensei: é isso! Porque assim, no fim das contas, os três personagens querem a mesma coisa: eles tentam entender como funciona a cabeça das pessoas. Isso dá um sentido para o Artur estar na história. Muito mais do que ser divertido ou esperto, é algo mais profundo.

(Pergunta feita pelo Alfrêdo, do blog Paginou) O livro sempre se chamou O sorriso da hiena ou você mudou o nome durante o processo criativo?

Sim, sempre se chamou “O sorriso da hiena”. Pensei no nome enquanto construía o William e vi uma matéria falando sobre... não posso falar para não dar spoiler (rs).

Muitos autores se inspiram em outros autores, isso acontece com você? Quem é a sua maior inspiração (se houver) e por quê?

Eu não tenho um autor preferido. Eu tenho um livro preferido que é “O médico e o monstro” que foi uma grande inspiração. Inspiração para tentar escrever uma obra que fosse mais do que uma história. Mas, honestamente, ainda me falta muito para escrever algo tão genial quanto o que Robert Louis Stevenson escreveu. Ele realmente escreveu algo que existe dentro de nós. E isso é incrível.

Você já está trabalhando em um novo livro? Se sim, pode adiantar algo sobre a história?

Estou sim. Eu tenho a ideia de outros dois livros (por enquanto). Um que foge da literatura policial, embora tenha um certo tipo de investigação, e outro romance policial que é com o detetive Artur, o mesmo de “O sorriso da hiena”. Eu ia escrever o primeiro, mas resolvi escrever a outra história com o Artur. O que posso dizer dela é que não tem nenhuma ligação com o caso de “O sorriso da hiena”. Aliás, se passa antes dele. E o motivo do crime dessa nova história será muito mais frio e calculista (rs). Por enquanto é só isso que posso dizer.

Há pouco tempo você divulgou que a agência de autores MTS irá representar o seu trabalho. Quais são as vantagens de ser representado por uma agência como esta e o que você espera dessa união?

As vantagens são inúmeras. A maior delas é que a agência se encarrega de ir atrás de uma editora. E isso facilita muito encontrar uma, afinal eles tem muito mais contatos e portas abertas. O processo é mais ágil. É claro que não adianta nada se não existir uma boa história nas mãos. E elas, a Marianna e a Luciana, acreditaram que existia uma boa história. Foi com o ótimo trabalho da agência que já conseguimos uma editora para “O sorriso da hiena”, a Verus, do Grupo Editorial Record, um dos maiores do Brasil. Mas além de ir atrás de uma editora, a agência faz muito mais do que isso. Elas estão me orientando em diversos assuntos. Ainda estamos no começo da nossa relação, mas essa parceria já está sendo muito gratificante.

Gostaria de deixar alguma mensagem para os leitores do Meu Epílogo?

Primeiro eu gostaria de agradecer o espaço para falar um pouco mais do meu trabalho. Muito obrigado. Aos leitores do Meu Epílogo, muito obrigado também pelo carinho, pelo tempo em ler o que eu tinha a dizer, obrigado a quem leu “O sorriso da hiena”, espero que tenham gostado; e quem pretende ler,espero que goste. Obrigado por me ajudarem a compartilhar meu trabalho, acreditem, isso ajudou e ainda está ajudando muito. Se hoje eu tenho um espaço para falar dele é por causa disso, por causa desse abraço coletivo em volta do “O sorriso da hiena”. Muito obrigado. E muitas boas histórias a todos!

Observação: Conteúdo postado quando a plataforma do blog ainda era WordPress. Com a mudança, todos os comentários foram perdidos.

Nenhum comentário

Postar um comentário