3 de abril de 2016

Resenha | Tudo e Todas as Coisas - Nicola Yoon

Livro cedido em parceria com a editora.

Autora: Nicola Yoon

Número de páginas: 304

Ano: 2016

Editora: Novo Conceito

Skoob: AQUI
Sinopse: Minha doença é tão rara quanto famosa. Basicamente, sou alérgica ao mundo. Qualquer coisa pode desencadear uma série de alergias. Não saio de casa – nunca saí em toda minha vida. As únicas pessoas com quem convivo são minha mãe e minha enfermeira, Carla.

Eu estava acostumada com minha vida até o dia em que ele chegou. Pela janela, olho para o caminhão de mudança, e então o vejo. Ele é alto, magro e veste preto da cabeça aos pés. Seus olhos são azuis como o oceano.

Talvez eu não possa prever o futuro, mas posso prever algumas coisas. Por exemplo, estou certa de que vou me apaixonar por Olly. E é quase certo que será um desastre.

 

Tudo é um risco. Não fazer nada é um risco. A decisão é sua.

Madeline Whittier sofre de IDCG – Imunodeficiência Combinada Grave, ou simplesmente doença da criança bolha. Qualquer coisa pode ser um gatilho que, ao ativado, dá início a uma série de doenças. Por este motivo, Madeline nunca saiu de casa. A última vez em que fez isso era apenas um bebê. Maddy já está acostumada com sua situação e não reclama de nada. Ela tem aulas de várias disciplinas via Skype e seus passatempos preferidos são ler – ela até tem um Tumblr de resenhas chamado Resenhas com Spoilers – e jogar com sua mãe, Pauline.

Basicamente, sou alérgica ao mundo. Qualquer coisa pode deflagrar um ataque de doenças. Pode ser algum produto químico no líquido usado para limpar uma mesa que eu acabei de tocar. Pode ser o perfume de alguém. Pode ser o tempero exótico de algo que eu comi. Pode ser uma dessas coisas, ou todas elas, ou nenhuma, ou alguma outra completamente diferente.

Pauline Whittier, que também é médica, toma conta da menina com mãos de ferro. Ninguém pode entrar na casa e, caso seja extremamente necessário, a pessoa tem que se submeter a exames médicos detalhados e tem que aceitar ser descontaminada. Depois de perder o marido e o filho mais velho em um acidente de trânsito, Pauline vive em função da filha. Com o dinheiro que recebeu de indenização pelo acidente, Pauline fez diversas melhorias na casa, como, por exemplo, a instalação de um moderno sistema de filtros de ar, que troca o ar da casa de hora em hora para que o risco de contaminação seja mínimo. Além da mãe, Madeline conta com a companhia de Carla, sua enfermeira, uma corpulenta imigrante mexicana que trata a menina com muito carinho e dedicação.

Essa é a vida de Madeline. Essas são as pessoas que Madeline conhece. Tudo isso era suficiente pra ela... até a chegada de Oliver.

Oliver acaba de se mudar com a família para a casa ao lado. Sua família é meio desajustada. O pai dele é muito violento, sua mãe muito submissa e sua irmã parece que está perdida na vida. Depois de algum tempo, Maddy e Olly começam a se corresponder todas as noites através de email e mensagens instantâneas. Carla vira confidente da menina, e, depois de Maddy tanto pedir, acaba permitindo que Olly entre na casa enquanto Pauline está trabalhando, desde que eles não se toquem e mantenham a maior distância possível entre eles. As condições são aceitas e a partir daí Oliver começa a visitar Maddy pessoalmente.

Se a minha vida fosse um livro e eu o lesse de trás para frente, nada mudaria. Hoje é o mesmo que ontem. Amanhã será o mesmo que hoje. No Livro de Maddy, todos os capítulos seriam o mesmo. Até Olly aparecer.

O inevitável acontece e eles acabam se apaixonando, mas qual será o futuro dessa relação? Eles não podem se tocar, não podem se beijar... é extremamente frustrante. Madeline não aguenta mais o fato de não poder ficar perto de Olly e acaba fugindo de casa. Os dois embarcam, então, em uma viagem rumo ao Havaí, lugar que Madeline gostaria muito de conhecer.

Seria essa a última viagem da vida de Madeline? Quanto tempo levará até que ela tenha o primeiro ataque? Será verdade aquele ditado que diz que vale tudo no amor?

Ele me envolve em seus braços e, quando estamos embrulhados um no outro, seu rosto se enterra no meu cabelo e meu rosto está pressionado contra o seu peito, nem mesmo a luz do sol passa entre nossos corpos.

— Não morra — ele diz.

— Não morrerei — devolvo.

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Tudo e Todas as Coisas definitivamente não é apenas mais um sick-lit! Eu até diria que de sick-lit ele praticamente não tem nada a não ser o fato de Madeline estar doente, entretanto, esta condição não é remoída ao longo da história como costuma acontecer em livros do gênero. Óbvio que nós temos as devidas apresentações, onde a personagem explica o que é a IDCG e qual é a mecânica de sua doença, com todas as medições e checagens diárias, mas o que o livro mais mostra pra gente, de uma maneira bem pessoal, já que achei o livro quase um diário, é uma menina que queria, acima de tudo, viver.

Quando fiz a divulgação do livro foram várias as pessoas que vieram falar que não gostavam de livros sobre doenças. Algumas até falaram de experiências ruins com ACEDE, por exemplo. Por isso senti a necessidade de fazer essa observação. Eu asseguro para vocês que não há semelhança alguma.

Madeline é uma personagem adorável. No começo do livro ela é bem ingênua e inocente, mas isso é totalmente pertinente, já que a menina não saía de casa desde criança, né? Porém, ao longo da história, nós acompanhamos seu crescimento pessoal. Ela descobre o mundo e nós presenciamos isso, é lindo de se ver. Olly, por sua vez, é aquele tipo de personagem que conquista a gente desde o primeiro momento. Praticante de Parkour, o garoto vive subindo em qualquer lugar que julgue pertinente. Os dois formam um casal lindo. Comecei a torcer por eles logo no início, quando eles ainda se correspondiam através da internet, e fiquei me perguntando a todo momento como aquilo iria funcionar!

Pauline e Carla também são personagens interessantes. A enfermeira de Madeline é muito divertida e, do tipo mãezona, tem ótimos conselhos para dar. Já Pauline é aquele tipo de personagem que irrita um pouco a gente, sabe? Se até eu fiquei sufocada com toda aquela superproteção, imagine Madeline?! Mas Pauline fazia tudo aquilo por amor, ela não queria perder Madeline, ela já havia perdido muita coisa.

A Novo Conceito caprichou nesta edição! O livro está lindíssimo, a começar por essa capa belíssima. Ao longo da história, somos presenteados com lindas ilustrações feitas pelo marido da autora, David Yoon, que demonstram, por exemplo, o que está se passando na cabeça de Maddy. Temos também ilustrações das listas de checagem da saúde da personagem, janelas de email, checklists, ou seja, o livro puxa a gente pra dentro dele de todas as formas possíveis.

A escrita da autora é super fluida e, como falei lá em cima, tem um tom muito pessoal. O livro é narrado em primeira pessoa por Madeline e os capítulos são curtinhos alguns tem apenas cinco linhas. Pode parecer estranho, mas isso se encaixa perfeitamente naquilo que nos está sendo contado. As páginas são amareladas e encontrei poucos erros de revisão. Como ressalva eu só diria que gostaria de saber um pouco mais da relação de Maddy com o mundo novo que ela descobre, mas entendo que esse não era o foco do livro.

Depois de uma grande reviravolta, o livro termina de uma maneira muito singela e bonita. Eu literalmente fechei o livro com um sorriso no rosto! Acho que nem preciso falar que o livro está mais do que recomendado, né? Leiam Tudo e Todas as Coisas, vocês não vão se arrepender!

Observação: Conteúdo postado quando a plataforma do blog ainda era WordPress. Com a mudança, todos os comentários foram perdidos.

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