24 de maio de 2016

Resenha | Dançando Sobre Cacos de Vidro - Ka Hancock


Autora: Ka Hancock

Número de páginas: 336

Ano: 2013

Editora: Arqueiro

Skoob: AQUI
Sinopse: Lucy Houston e Mickey Chandler não deveriam se apaixonar. Os dois sofrem de doenças genéticas: Lucy tem um histórico familiar de câncer de mama muito agressivo e Mickey, um grave transtorno bipolar. No entanto, quando seus caminhos se cruzam, é impossível negar a atração entre eles.

Contrariando toda a lógica que indicava que sua história não teria futuro, eles se casam e firmam – por escrito – um compromisso para fazer o relacionamento dar certo. Mickey promete tomar os remédios. Lucy promete não culpá-lo pelas coisas que ele não pode controlar. Mickey será sempre honesto. Lucy será paciente.

Como em qualquer relação, eles têm dias bons e dias ruins – alguns terríveis. Depois que Lucy quase perde uma batalha contra o câncer, eles criam mais uma regra: nunca terão filhos, para não passar adiante sua herança genética.

Porém, em seu 11° aniversário de casamento, durante uma consulta de rotina, Lucy é surpreendida com uma notícia extraordinária, quase um milagre, que vai mudar tudo o que ela e Mickey haviam planejado. De uma hora para outra todas as regras são jogadas pela janela e eles terão que redescobrir o verdadeiro significado do amor.Dançando sobre cacos de vidro é a história de um amor inspirador que supera todos os obstáculos para se tornar possível.

 

Todo casamento é uma dança: complicada às vezes, maravilhosa em outras. Porém haverá momentos em que vocês dançarão sobre cacos de vidro.

Lucy e Mickey se amam incondicionalmente. E esse não é um amor como outro qualquer, pois os obstáculos que ele tem que enfrentar vão muito além daqueles que nós estamos acostumados a ver por aí. Eles se conheceram há onze anos, na festa de aniversário que a irmã de Lucy, Lily, organizou para ela no bar que pertencia a Mickey. Desde o momento em que olharam um para o outro, eles souberam que ali existia uma conexão.

Só que Mickey sofre de um grave transtorno bipolar que, quando fora de controle, provoca nele intensos surtos psicológicos. Ele não quer que ela se prenda a ele, pois não se acha digno do seu amor, afinal, ele é um homem instável. Só que Lucy não desiste e fala para ele que o quer com tudo que vem junto com ele, inclusive a doença, afinal, ela também não tem a ficha limpa, já que vem de uma família onde as mulheres têm um grave histórico de câncer de mama.

Lucy e Mickey se casam e vivem felizes até o momento em que Lucy descobre que o câncer está se manifestando. Mickey surta com medo de perder a esposa, mas ela acaba vencendo a batalha contra essa terrível doença. Por conta de suas saúdes delicadas, Lucy e Mickey resolvem firmar um pacto onde prometem que nunca terão filhos, pois não seria justo colocar uma criança no mundo correndo o risco dela sofrer mais tarde com a herança genética dos pais. Lucy acaba ligando as trompas e eles seguem a vida.

Tomamos essa difícil decisão após um colapso nervoso bastante grave que obrigou Mickey a ficar internado durante sete semanas no Hospital Estadual de Connecticut. Foi no auge da minha luta infernal contra o câncer. Depois que ele teve alta, adicionamos essa cláusula. Sem filhos. Redigida em tinta azul-escuro, sublinhada e selada com nossas lágrimas.

Os anos passam, e durante uma consulta de rotina com Charlotte, sua médica, Lucy acaba descobrindo que está grávida. Ela não sabe como isso é possível, afinal, ela não poderia mais ter filhos, e ela descobre isso na mesma semana em que Mickey sai do hospital depois de passar algumas semanas internado devido à um surto. Com medo dele ter uma recaída, Lucy fica receosa de dar a notícia, mas Mickey aceita a notícia muito bem e fica muito feliz com ela.

Mas sabe aquele ditado que diz que depois da tempestade vem a bonança? Às vezes o contrário também se aplica. Lucy acaba descobrindo que o câncer voltou, dessa vez de uma maneira bem mais agressiva. A única maneira de tentar frear a doença é com intensas sessões de quimio e radioterapia, só que o bebê não sobreviveria. Toda a família de Lucy, assim como Mickey e Charlotte, acham melhor que ela faça um aborto para dedicar-se ao tratamento. Lucy até cogita a ideia, mas não consegue seguir em frente, e é aí que a história começa.

Enquanto estudava, eu pedia a Deus que me concedesse um milagre. Nada muito espetacular, apenas mais tempo. Queria dar à luz uma menininha saudável, segurá-la, sentir seu cheiro, ver a primeira reação de Mickey. Então Charlotte e seus pares poderiam enfiar um cateter em todas as minhas veias, se assim desejassem. Poderiam me encher de galões de veneno contra o câncer, me pôr num espeto e me cozinhar com toda a radiação que bem entendessem. Eu estava aberta a isso tudo – mas só depois que a minha filha nascesse, ilesa.

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Eu estaria mentindo se falasse que a leitura de Dançando Sobre Cacos de Vidro foi boa do início ao fim, pois não foi. Ka Hancock dedica boa parte do livro às descrições feitas por Lucy, principalmente as descrições da pacata cidadezinha chamada Brinley e de seus moradores. Isso foi bastante cansativo, tanto que demorei praticamente duas semanas para terminar a leitura. Mas a partir do momento em que Lucy descobre sua doença, a gente entende o motivo de toda aquela descrição. E acreditem em mim quando eu digo que ela é necessária, por mais cansativa que seja.

Lucy é uma das personagens mais corajosas e altruístas que eu tive o prazer de conhecer. É impressionante o quanto ela se doa para as pessoas sem esperar nada em troca. Outra característica marcante desse livro são os relacionamentos. Não apenas o de Lucy e Mickey, mas o de Lucy com as irmãs, com o cunhado, com sua médica e com os vizinhos. Ka Hancock nos mostra todas as nuances do amor, do companheirismo e da amizade.

Os personagens são ótimos, impossível não sentir empatia por todos, até mesmo por Priscilla, irmã bitch e arrogante de Lucy, mas que na verdade esconde seu lado frágil atrás de uma máscara de autossuficiência. Parece que estamos acompanhando o relacionamento de uma grande família, onde um ajuda o outro para o que der e vier.

E quanto a Mickey? Mickey é uma montanha-russa, acompanhá-lo exige fôlego! Ele vai da confiança à insegurança em pouquíssimo tempo, e por muitas vezes ele se sente perdido, pois não sabe como vai conseguir seguir em frente caso o pior aconteça. Lucy é sua estrela guia, seu farol, sem ela ele se sente perdido na escuridão.

No final das contas os dois, tanto Lucy quanto Mickey, têm nas mãos a escolha de Sofia. Como optar quando as opções são igualmente dolorosas?

O livro é narrado em primeira pessoa por Lucy, mas no começo de cada capítulo há algumas declarações de Mickey, como se fossem os pensamentos dele. Os capítulos não têm quebra, eles terminam e começam na mesma página, o que eu não curto muito, pois me dá a incômoda sensação de que o livro possui apenas um único e gigante capítulo! Como eu li o livro mês passado, não lembro se encontrei ou não erros de revisão, mas, caso haja, não são graves, pois eu me lembraria de uma lambança muito grande! A capa do livro é bonita, mas tirei alguns pontos pelo fato da menina ser loira e pelo fato dela ser um grande spoiler ambulante, pois basta ler a sinopse, as orelhas e olhar a capa para saber o que vai acontecer! * O trecho em branco contém spoiler, selecione por sua conta em risco! 😉

Terminei Dançando Sobre Cacos de Vidro com uma dor enorme no peito. Não somente porque o livro é triste, mas porque eu percebi o quanto somos egoístas e o quanto podemos aprender com Lucy. Deixo aqui esse trecho do livro dos Coríntios que traduz perfeitamente a mensagem do livro:

O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.
Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor.
O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
1 Coríntios 13:4-7 

Observação: Conteúdo postado quando a plataforma do blog ainda era WordPress. Com a mudança, todos os comentários foram perdidos.

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