5 de maio de 2016

Resenha | O Que Restou de Mim - Kat Zhang


Autora: Kat Zhang

Número de páginas: 320

Ano: 2014

Editora: Galera Record

Skoob: AQUI
Sinopse: Addie e Eva são híbridas duas almas no mesmo corpo. Em sua realidade, todos nascem assim mas, ainda na infância, uma das almas torna-se dominante. Mas isso nunca acontecia com as duas. Considerados instáveis e perigosos, os híbridos foram perseguidos e eliminados das Américas. E quando o segredo delas é ameaçado, Eva e Addie descobrirão da pior forma que há muito mais sobre os híbridos do que os noticiários de TV e os livros de história contam.


 

Por um instante, apenas um instante, um milésimo de segundo, todos ficaram imóveis. Um segundo. Um instante de medo, suor e sangue.

Muitos anos antes da época em que se passa a história, o mundo todo era híbrido, ou seja, todos possuíam duas almas em seus corpos. Porém, durante a última Grande Guerra, os líderes revolucionários, sob o pretexto de que nunca poderia haver paz em uma sociedade onde as pessoas possuíssem duas almas, resolveram fundar as Américas, um país onde os habitantes nasceriam híbridos, mas que não possuiriam essa característica por muito tempo. Uma alma dominante e outra recessiva se alternavam no corpo da criança até que ela completasse cinco anos. A partir dessa idade, a alma dominante começava a tomar o controle do corpo e a alma recessiva ia enfraquecendo, até desaparecer por completo.

Só que isso não acontece com Addie e Eva, que, até os doze anos, ainda não tinham se definido. Por este motivo, elas estão prestes a serem enviadas para uma instituição de tratamento, mas seus pais, desesperados, acabam conseguindo mais algum tempo junto ao Governo. Durante este período, Eva, a alma recessiva, vai ficando cada vez mais fraca. Ela perde o controle motor sobre seu corpo, mas não desvanece completamente. Após passarem por mais alguns testes, os médicos constatam que Eva desapareceu. Isso é um grande alívio para seus pais, que finalmente veriam sua família longe do radar do Governo.

No primeiro ano, todos acreditavam que Addie tinha nascido com a alma dominante. Ela podia nos mover para a esquerda quando eu queria ir para a direita, recusar-se a abrir a boca quando eu queria comer, gritar não quando eu queria desesperadamente dizer sim. Ela podia fazer tudo isso com pouquíssimo esforço e, conforme o tempo passavam eu ficava cada vez mais fraca enquanto o controle dela crescia.

A partir daquele momento existiria apenas Addie, o nome de Eva nunca mais seria mencionado. Só que Eva ainda estava lá, na mente de Addie, prisioneira naquilo que um dia também fora seu corpo. Mas aquilo era melhor do que desaparecer para sempre, certo?

Depois de estarem, aos olhos da lei, livres para ir e vir, a família de Addie resolve se mudar para uma nova cidade, e, na nova escola, Addie acaba chamando a atenção de Hally, uma aluna que, por ser estrangeira, não tem amigos. Depois de algum tempo, Hally confessa para Addie que também é híbrida, que sabe o segredo que ela esconde e que pode ajudar Eva a tomar o controle do corpo novamente. Amedrontada, Addie sai correndo, mas é convencida por Eva a procurar Hally, pois se havia uma chance dela poder voltar a se mexer ela queria tentar.

— E se alguém descobrir, Eva? E se nos levarem embora e…

— Addie — falei. — Se fosse você... se fosse você presa aqui dentro. Se fosse você que não conseguisse se mover, eu voltaria lá. Voltaria sem pensar duas vezes.

A partir daí, Addie e Eva passam a frequentar a casa de Hally, que agora já não esconde mais sua outra alma, Lissa. Hally tem um irmão mais velho chamado Devon, que também é híbrido e cuja alma recessiva se chama Ryan. A cada dia que passa Eva vai ficando mais forte, chegando até a começar a mexer alguns dedos e a falar algumas palavras. Só que um incidente faz com que Hally e Devon sejam capturados e, por estar sempre perto deles, Addie acaba levantando suspeitas também. Um funcionário de uma clínica especializada em híbridos acaba indo até a casa de Addie. Ele explica a situação para os pais de menina que ficam muito surpresos, pois não faziam ideia que Eva ainda existia. Addie acaba sendo levada por esse funcionário para ser submetida a um tratamento.

Chegando na Clínica Nornand, Addie e Eva deparam-se com um estabelecimento muito moderno. É lá onde também estão Hally, Lissa, Devon, Ryan e onze outras crianças e adolescentes híbridos. Não demora muito para Addie e Eva descobrirem que os procedimentos pelos quais elas passariam não seriam aqueles mencionados aos seus pais. Seriam procedimentos invasivos e cruéis. Elas precisam fugir antes que tentem arrancar Eva à força... e precisam levar todos os outros com elas.

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O Que Restou de Mim é uma incógnita. A única coisa que nós sabemos é que houve uma guerra e que houve a separação dos híbridos e não-híbridos, mas os motivos para essa guerra não são esclarecidos. Todos nós estamos cansados de saber a fórmula das distopias: governo opressor, povo subserviente, recursos escassos, etc. Porém, apesar de ser vendido como uma distopia, O Que Restou de Mim não tem um cenário distópico.

A escrita de Kat Zhang é muito imatura. O modo como as – poucas – informações nos são fornecidas é muito desconexo. Ela, em momento nenhum, mostra pra gente como funciona aquela sociedade, não nos mostra o papel do Governo, não nos mostra como eles controlam as coisas, não nos mostra absolutamente nada.

Os personagens não são cativantes e não se desenvolvem, muito pelo contrário, parece que eles retrocedem, como é o caso dos pais de Addie e Eva, que tomaram uma atitude muito mesquinha em relação a filha. Falando em Addie, ela é outra personagem que não cresce. Ela comete muitos erros bobos e injustificáveis. Hally e Devon, por sua vez, vão perdendo a função que tinham e passam boa parte da história sendo dois pesos mortos. A única personagem que conseguiu ter a minha simpatia foi Eva. Não há vilões nesse livro, nem sequer a sombra de um! Como assim uma distopia sem alguém para odiar? 

Para não dizer que não gostei de nada, gostei da narração. O livro é narrado por Eva, a alma recessiva, e isso é feito na primeira e terceira pessoa do singular e também na terceira pessoa do plural. Ficou confuso? Eu também fiquei no começo, mas depois acostumei. Gostei também das diferentes personalidades das duas almas. Enquanto Addie é mais fechada e egoísta, Eva é altruísta e compreensiva. Outra coisa que achei interessante foi o ensaio de romance entre Eva e Ryan. Enquanto as duas almas recessivas estão a cada dia mais apaixonadas, as almas dominantes, Addie e Devon, não se bicam. Vai ser interessante acompanhar o desenvolvimento desse relacionamento a quatro.

Em suma, O Que Restou de Mim pecou pela falta. Kat Zhang, infelizmente, não soube desenvolver o incrível enredo que tinha em suas mãos. O segundo livro, Um Dia Existimos, foi lançado ano passado e o terceiro, Echo of Us, ainda não tem data de lançamento definida. Continuarei lendo a trilogia apenas pelo fato de eu ter começado. Entretanto, acredito que As Crônicas Híbridas possam ter salvação se Kat Zhang souber, ao longo dos dois livros seguintes, conduzir melhor a história. Veremos! Como sempre gosto de reiterar nas minhas resenhas mais negativas, essa é única e exclusivamente MINHA opinião, com você a experiência da leitura pode ser completamente diferente! 😉

Observação: Conteúdo postado quando a plataforma do blog ainda era WordPress. Com a mudança, todos os comentários foram perdidos.

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