23 de junho de 2016

Resenha | O Lado Mais Sombrio - A.G. Howard


Autora: A.G. Howard

Série: Splintered #1

Número de páginas: 368

Ano: 2014

Editora: Novo Conceito

Skoob: AQUI
Sinopse: Alyssa Gardner tem uma vida conturbada, ela ouve vozes de insetos e flores. A garota mora apenas com o pai, pois a mãe foi internada e considerada insana e instável, e alegava ouvir as mesmas vozes que Alyssa sabe que são verdadeiras. Em uma das visitas, ela descobre que cada dia sua mãe pior, e que o pai havia concordado com o médico em aplicar um tratamento de choque, o que não apenas poderia transformar sua mãe em outra pessoa, como também poderia matá-la.

Para impedir isso, Alyssa terá que mergulhar no obscuro mundo do País das Maravilhas e consertar os erros que a verdadeira Alice deixou pra trás, dessa forma quebraria a maldição sobre sua família. Mas a verdade é que o País das Maravilhas foi totalmente distorcido por Lewis Carrol, e Alyssa vai descobrir um lado sombrio do conto de fadas.


 — Trinco os dentes para não gritar. Não posso acreditar. O Coelho Branco é real.

Em O Lado Mais Sombrio conhecemos Alyssa Gardner é tataraneta de Alice Liddell, a menina que inspirou Lewis Carroll a escrever o famoso clássico Alice No País das Maravilhas. Ela não gosta de carregar essa fama e, para piorar, não é só isso que ela herdou. Todas as mulheres descendentes de Alice carregam uma maldição: elas são capazes de conversar com plantas e insetos. Alyssa não conta para ninguém que é capaz de escutar tais vozes, pois sua mãe, Alison, por alegar escutar o que escutava, foi internada em uma clinica psiquiátrica sob o diagnóstico de esquizofrenia. Alyssa não acha que aquilo é real, ela acha que está ficando louca assim como a mãe e, para silenciar as vozes, começa a caçar os insetos em armadilhas que os sufocam e os utiliza para fazer mosaicos.

Alyssa tem um amigo chamado Jebediah Holt por quem nutre um sentimento secreto. Só que Jeb, como todos o chamam, tem uma namorada e em breve vai partir em uma viagem rumo a Londres para estudar Arte. Em uma certa tarde, Alyssa vai, junto com seu pai, Thomas, visitar sua mãe na clínica psiquiátrica. Chegando lá, uma série de acontecimentos fazem com que ela acredite que toda essa história de escutar vozes e de Pais das Maravilhas possa mesmo ser verdadeira. E Alyssa também descobre que sua mãe está prestes a ser submetida a um tratamento de eletrochoque, o que pode fazer com que ela nunca mais seja a mesma pessoa. Se Alison e ela não estão loucas, se tudo aquilo é mesmo verdade, ela não pode permitir que fritem o cérebro de sua mãe.

Seguindo algumas pistas dadas por sua mãe em um raro momento de lucidez, Alyssa acaba encontrando vários artefatos que pertenceram à Alice Liddell, e a ajuda de um visitante inesperado em forma de mariposa faz com que ela atravesse um espelho e chegue aos pés da toca do coelho. Por um golpe do destino, Jeb vê o momento em que Alyssa atravessa o espelho e acaba atravessando também, embarcando nessa jornada rumo ao desconhecido junto com ela.

Quando olho para trás, Jeb está de barriga no chão, arrastando-se na minha direção com um braço esticado, tentando me alcançar. Entrelaço-me em seus dedos, tropeço para a frente e, me debatendo com uma chave que agora é do tamanho da minha mão, destranco a porta e mergulho de cabeça no País das Maravilhas.

Quando Alyssa finalmente entra no País das Maravilhas, descobre que ele não é igual àquele descrito por Lewis Carroll, é muito mais sombrio, misterioso e perigoso. E no País das Maravilhas, Alyssa encontra Morfeu, a misteriosa mariposa, e relembra fatos de sua infância, da qual ele participou. Morfeu diz para Alyssa que ela não está ali à toa. Ela descobre que para libertar sua família da maldição e voltar para casa, ela precisa reparar todos os danos que Alice Liddell causou.

— Chega de brincadeira — dispara ele. — É hora de você cumprir seu destino. Não passei o primeiro terço de sua vida treinando-a em vão. Alice deixou perturbações em nosso mundo que só você pode reparar. … Você vai consertar o que ela quebrou, e isso abrirá o caminho para que você quebre a maldição e volte para casa. Até lá, eu dito as regras.

Agora Alyssa tem que correr contra o tempo se quiser quebrar a maldição e salvar sua mãe de um tratamento cruel. Em meio a muitas aventuras, ela descobrirá que a verdade não é uma cortesia oferecida por Morfeu, e que há muito mais coisas escondidas no País das Maravilhas do que ele deixa transparecer.

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Eu não gosto de Alice no País das Maravilhas. Já curti quando eu era criança, mas depois que cresci e vi um documentário sobre o autor falando sobre sua má índole a história perdeu toda a beleza para mim. Sou do tipo de pessoa que não consegue admirar algo de uma pessoa que não é admirável. Isso sem contar que a história de Alice no País das Maravilhas são transcrições das alucinações que Lewis tinha quando estava drogado pelo uso de ópio e haxixe, né? Como a Novo Conceito enviou o terceiro livro, Qualquer Outro Lugar, para todos os parceiros, tive que começar a ler, pois não dá pra resenhar o terceiro livro sem ter lido os outros dois, não é mesmo?

Infelizmente O Lado Mais Sombrio, releitura dark da obra de Lewis Carroll, não foi uma boa leitura para mim. Achei os cenários, apesar de bem construídos, ousados e criativos, extremamente confusos. Não há uma fluidez nos acontecimentos, tudo é muito truncado, não há uma linearidade. Tudo é narrado muito rapidamente, sem profundidade. Não sei como explicar e sei que o que eu vou falar nem faz sentido, afinal, estamos falando sobre literatura, mas acho que A.G. Howard inventou demais e se perdeu em sua própria linha de raciocínio. Senti como se ela quisesse seguir em uma direção, porém, mudou de ideia no meio do caminho, mas esqueceu de fazer algumas mudanças lá atrás, sabe? Ou talvez tudo tenha sido proposital, não sei, tenho que ler as continuações para ter cem por cento de certeza.

Quanto aos personagens, o único pelo qual senti empatia foi Jeb. Não sei o que as pessoas veem em Morfeu, sério! 😀 O cara é manipulador, mentiroso, duas caras e debochado. No final do livro ele até se redime um pouquinho, mas não foi suficiente para fazer com que eu me esquecesse do grande pé no saco que ele foi durante o restante da história. Já Alyssa me irritou profundamente por não saber se gostava de Jeb ou Morfeu. Na verdade ela gostava mesmo era de Jeb, mas Morfeu provoca nela aquelas reações que nós estamos cansados de ler por aí!

Ahh, e o que dizer dos nomes Alyssa, Alison e Alice? Tédio!

Como eu disse, os cenários são bem construídos. A autora conseguiu criar seu próprio País das Maravilhas, muito mais sombrio, muito mais mortal. Aqui temos flores que possuem pernas e braços, um coelho que parece estar em carne viva, duas irmãs que são guardiãs dos mortos, uma caixa que aprisiona pessoas, enfim, o que eu quero dizer é que A.G. Howard conseguiu dar a sua cara para a história e isso é bem bacana.

Eu li o ebook, então não posso falar sobre diagramação e afins, mas posso falar sobre essa capa que é a coisa mais linda. E apesar de não ter gostado tanto assim do livro, vou comprar meu exemplar físico só pra ele ficar bem lindo na estante junto com os outros dois. 😀

O Lado Mais Sombrio não foi uma leitura prazerosa, mas os cinco ou seis capítulos finais começaram a me agradar. Nada que faça muita diferença na minha avaliação final da obra, mas é algo que me dá esperança de gostar mais de Atrás do Espelho, o segundo livro. Lembrando que essa é a MINHA opinião. Se você se interessou pela história, leia e tire suas próprias conclusões! 😉

Observação: Conteúdo postado quando a plataforma do blog ainda era WordPress. Com a mudança, todos os comentários foram perdidos.

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