18 de agosto de 2016

Resenha | O Ano em que Te Conheci - Cecelia Ahern


Livro cedido em parceria com a editora

Autora: Cecelia Ahern

Número de páginas: 336

Ano: 2016

Editora: Novo Conceito

Skoob: AQUI
Sinopse: Bem-vindos ao mundo imperfeito de Jasmine e Matt.

Vizinhos, eles não têm o menor interesse em tornarem-se amigos e nunca haviam se falado antes. Estavam sempre ocupados demais com suas carreiras para manter qualquer tipo de contato.

Jasmine, mesmo sem nunca tê-lo encontrado, tem motivos para não suportar Matt.

Ambos estão em uma licença forçada do trabalho e sofrendo com seus dramas familiares. Eles precisam de ajuda.

Na véspera de Ano Novo, os olhares de Jasmine e Matt se encontram de forma inusitada pela primeira vez. Eles têm muito tempo livre e precisam rever seus conceitos para poder seguir em frente.

Conforme as estações do ano passam, uma amizade improvável lentamente começa a florescer.

Uma história dramática, original e divertida como só Cecelia Ahern é capaz de escrever.

 

Milagres só crescem onde você os planta.

A personalidade forte de Jasmine Butler começou a ser moldada aos cinco anos de idade quando, no enterro de seu avô, ela soube que também morreria um dia. Workaholic assumida, ela acaba de ser demitida de uma empresa que ajudou a construir, a Fábrica de Ideias, uma startup que ajudava outras empresas a evoluírem. Jasmine sempre teve a intenção de vender a empresa quando esta se consolidasse no mercado, mas seu sócio, Larry, não concordava. Quando Larry descobre que ela estava tendo encontros com um possível comprador, ele a demite sob um regime de licença remunerada, prevista em contrato, onde ela ficaria recebendo o salário, mas ficaria impedida de trabalhar por doze meses, o que garantia que ela não iria trabalhar para a concorrência tão rapidamente. Jasmine sempre trabalhou muito, o que fazia com que ela quase não tivesse tempo para nada, e agora que tempo é o que ela tem de sobra, ela não sabe o que fazer com ele.

Eu me sinto como se estivesse apenas me aproveitando do mundo. Eu sei que a situação é temporária, que posso interpretar meu papel de novo, mas é assim que me sinto no momento. O principal é que já faz quase dois meses e estou entediada. Eu sou daquelas que fazem e acontecem, e eu não tenho feito muita coisa.

Matt Marshall é um locutor de rádio cujo programa, O Trombone de Matt Marshall, é o mais famoso de toda a Irlanda. Esse programa sempre promove debates calorosos sobre os mais variados temas, a maioria deles muito polêmicos. Na véspera de Ano Novo, após uma situação que chocou diversos ouvintes, Matt é afastado da rádio para averiguação de sua conduta. Antes desse episódio, Matt já tinha problemas com a bebida e era agressivo com sua família, mas após esse afastamento as coisas pioram e sua esposa sai de casa levando os três filhos do casal.

Jasmine e Matt são vizinhos, mas nunca se falaram, e por causa de uma coisa dita por Matt em seu programa de rádio há alguns anos, Jasmine não o suporta. Quando o mundo de ambos desmorona, eles acabam se aproximando. No começo a animosidade é grande, mas quando eles vão se conhecendo melhor, acabam percebendo que as pessoas, vistas de longe, podem passar uma ideia errada sobre o que elas são. E que aquilo que fizemos no passado não pode se tornar um rótulo, afinal, pessoas são muito mais do que um momento.

Uma amizade improvável surge entre Jasmine e Matt, e, ao longo de um ano inteiro, nós somos convidados a acompanhar suas descobertas e seus renascimentos.

— Todos nós temos momentos marcantes em nossa vida, períodos que influenciaram mudanças pequenas ou profundas dentro de nós. Posso pensar em quatro momentos transformadores para mim: o ano em que nasci, o ano em que soube que ia morrer, o ano em que minha mãe morreu e agora tenho um novo, o ano em que te conheci.

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Eu sempre tive vontade de ler algo da Cecelia Ahern. Os livros da autora sempre têm um feedback positivo e isso sempre chamou minha atenção. Isso sem falar nas adaptações cinematográficas de sucesso que os livros da autora tiveram. Por esses motivos, minhas expectativas para a leitura de O Ano em que Te Conheci eram bem altas, mas, infelizmente, elas não foram alcançadas.

A proposta do livro é até muito interessante, pois faz uma analogia do cultivo e o florescer de um jardim, com o transformar e o renascer dos personagens. Só que Jasmine e Matt não são personagens carismáticos. Tenho quase certeza que a intenção da autora foi criar anti-heróis para depois redimi-los, mas essa redenção ocorreu, ao meu ver, tarde demais. Eu já estava tão farta das atitudes da Jasmine que não fiquei comovida com a virada dela. Minha relação com Matt foi mais amistosa, mas não menos incômoda. A única personagem que me conquistou de fato foi Heather, irmã mais velha de Jasmine que tem Síndrome de Down. Apesar dela aparecer pouco, ela marca território. É uma personagem doce, sensível, esperta, cheia de vontade de aprender e cheia de coisas para ensinar.

Uma outra coisa que me incomodou foi o jeito como a história foi contada. Jasmine não narra a história para o leitor, ela, em grande parte do livro, narra a história para Matt. É como se ela estivesse escrevendo uma longa carta endereçada ao vizinho. E Jasmine também divaga bastante, sobre tudo, e isso ocupa grande parte da história.

O livro é dividido em quatro partes: inverno, primavera, verão e outono, e em cada uma delas os personagens fazem constatações e descobertas sobre quem eles foram, quem eles são e quem eles querem ser, e essa foi uma parte boa da leitura. É gostoso vê-los se transformando, como lagartas em casulos, e é bonito ver como um ajuda o outro, mesmo quando nem eles se dão conta disso. Se não fosse o marasmo da história, ela teria sido muito proveitosa.

A edição do livro está belíssima, com uma capa fosca maravilhosa onde só as letras são brilhantes. A diagramação também está muito boa e o papel de impressão é meio poroso, gostoso ao toque. Encontrei alguns erros de concordância, mas nada muito grave.

Seja por sua narrativa arrastada ou por seu objetivo confuso, O Ano em que Te Conheci foi uma leitura bem mediana. Como eu disse anteriormente, foi meu primeiro contato com a escrita da autora, então não sei se as demais narrativas seguem o mesmo ritmo paradão. Mas eu não deixo de indicar o livro, pois a mensagem que ele passa é muito válida, basta ter paciência ao longo da leitura.😉

Observação: Conteúdo postado quando a plataforma do blog ainda era WordPress. Com a mudança, todos os comentários foram perdidos.

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