9 de outubro de 2016

Resenha | Métrica - Colleen Hoover


Autora: Colleen Hoover

Série: Slammed #1

Número de páginas: 304

Ano: 2013

Editora: Galera Record

Skoob: AQUI
Sinopse: Após a morte do pai, a ausência torna-se a maior companheira de Lake. A responsabilidade pela mãe e pelo irmão a congelam em um limbo de luto e dor. Por fora, ela parece corajosa e tenaz; por dentro, está perdendo as esperanças. E se mudar do único lar que conheceu não ajuda em nada.

Agora em uma nova casa, em uma nova cidade, ela precisa achar seu caminho. E um rapaz apaixonado por poesia pode ser o guia perfeito. Quando conhece o novo vizinho, Layken imediatamente sente uma intensa conexão. Algo que finalmente parece desanuviar um pouco sua realidade.

Mas o caminho da verdadeira felicidade não é feito de tijolos dourados, e logo uma revelação atordoante faz o novo relacionamento ser bruscamente interrompido. O dia a dia vai se tornando cada vez mais doloroso à medida que eles se esforçam para encontrar um equilíbrio entre os sentimentos que os aproximam e as forças que os separam.



Não estou em lugar algum, você poderia fazer com que me sentisse em algum lugar?

Layken Cohen é uma jovem de dezoito anos que perdeu o pai há seis meses. Incapaz de arcar sozinha com os custos do Texas, sua mãe, Julia, decide mudar-se para Ypsilanti, no Michigan. Lake, como é carinhosamente chamada, não queria partir, mas seu irmão, o espevitado e divertido Kel, estava muito animado. Chegando em Ypsilanti, Lake conhece Will Cooper, um jovem de vinte e um anos que vem a ser um de seus novos vizinhos. A conexão entre eles é imediata, eles têm muito em comum e isso faz com que eles tenham muito sobre o que conversar.

Will acaba convidando Lake para assistir a uma competição de Slam, que vem a ser um tipo de poesia falada performática. Basicamente as pessoas sobem em um palco e interpretam suas poesias, dando vida para elas. E é nesse ambiente que Will consegue ser livre, consegue ser quem ele é, e não quem ele precisa ser. É lá que Lake conhece o verdadeiro Will, um jovem que, após a morte dos pais em um acidente de trânsito há dois anos, tornou-se responsável por Caulder, seu irmão de nove anos. Nesse dia os dois aproximam-se ainda mais e beijam-se pela primeira vez.

Will faz uma rápida viagem de três dias, mas quando volta, o que era para ser o ínicio de um relacionamento com Layken torna-se uma grande confusão. A vida prega uma peça em ambos e eles não sabem como lidar com aquele novo cenário.

As palavras dele fazem com que eu me encolha, pois sei que, no fundo, ele tem razão. Isto que está acontecendo entre a gente, seja lá o que for, é mais do que uma paixão qualquer. Neste momento, não sou mesmo capaz de compreender como deve ser ter o coração partido de verdade. Se eu sentir uma dor apenas um por cento mais forte do que a que já sinto agora, abdico do amor. Não vale a pena.

A pessoa certa na hora errada…

Com muita poesia e personagens encantadores, Colleen Hoover nos presenteia com uma história de amor interrompida pela dureza da vida.

••••••••••

Métrica é o primeiro livro da Colleen “Diva” Hoover, e caraca, a mulher arrasa desde então! A maioria de vocês já deve ter lido e já deve saber o que acontece, mas sempre há quem ainda não leu, por isso não tem como falar muito da história em si sem dar spoiler, pois a história começa quando Layken e Will “terminam”, e não dá para falar o motivo da separação, né?

— Eu entendo — digo. — É até ridículo supor que o que nós temos é algo pelo qual vale a pena correr riscos.

Ele olha mais uma vez para o bilhete no console e responde baixinho.

— Nós sabemos que é mais do que isso.

Os conflitos que o livro possui são inéditos? Definitivamente não, mas o que mais admiro na CoHo é que ela consegue fazer de um enredo, digamos, batido, algo extremamente apaixonante, e isso acontece porque essa mulher tem o dom de criar ótimos personagens. Sabe aquela sensação de querer que aqueles personagens sejam reais? Eu sinto isso em todos os livros dela. Quem acompanha a Colleen nas redes sociais sabe que ela é uma mulher muito observadora, questionadora, sarcástica, criativa e divertida, e essas qualidades, dentre tantas outras que ela demonstra possuir, são inseridas em seus personagens, uns possuem mais, outros menos, mas elas estão lá. Eles são sempre ímpares, sempre diferentes uns dos outros, mas carregam a essência de sua criadora e transmitem isso pra gente.

Layken passa por muita coisa, e quando pensa que a vida tinha, finalmente, começado a sorrir para ela, a bendita vem e lhe dá outra rasteira. Saber lidar com aquela situação exigiu muito dela, afinal, ela tinha apenas dezoito anos. Ela não guarda nada para si, ela bota pra fora, grita, xinga, chora, fala o que quer com todas as letras, por isso algumas atitudes dela podem soar um pouco imaturas, mas na proporção em que as responsabilidades dela vão aumentando – e vocês vão descobrir o motivo ao ler o livro – nós vamos acompanhando seu amadurecimento.

Will não fica atrás no quesito responsabilidade, e ele sabe que qualquer deslize dele pode colocar tudo a perder. Vi que muitas pessoas ficaram irritadas com a inconstância dele, sobre ele querer e não querer, poder e não poder, mas será que essas pessoas entendiam a gravidade daquela situação? Há uma coisa nessa vida que se chama prioridade! Will sabia as dele e, por mais difícil que fosse, Layken não era uma delas, não naquele momento, não quando tanta coisa estava em risco.

Sobre os coadjuvantes, dois roubam a cena. Kel, o irmãozinho de Layken, é o frescor da história. Ele é extremamente cativante e em certos momentos eu gargalhei com suas tiradas. Ele tem umas manias estranhas como falar de trás para frente e querer se fantasiar de pulmão com câncer! Eu não costumo gostar de personagens crianças, mas Kel é fenomenal. Já Eddie, a menina que torna-se a melhor amiga de Layken, tem uma história um pouco pesada de abandono, abuso e negligência, mas ela não se faz de coitada, é super louca, já teve vários nomes e às vezes não fala lé com cré!

Eu não sei quantos de vocês leem em inglês, mas quem já leu o mesmo livro em inglês e português e tem mais percepção, consegue captar que, no processo de tradução, particularidades da história são “perdidas”. Nos livros da Colleen isso acontece muito e no caso de Métrica isso aconteceu na tradução das poesias. A tradução literal está perfeita, mas quando você compara a original com a tradução dá para perceber que no original o impacto é maior, pois nem sempre o que está escrito é aquilo que o autor quer dizer, dá pra entender? 😀 No começo de cada capítulo há trechos em inglês de músicas dos The Avett Brothers, banda favorita da CoHo, e eles conversam com os capítulos que abrem... claro que eu não sou louca de querer que a editora coloque o texto em inglês no meio da histórias sem mais nem menos, mas nesse caso em particular acho que teria sido legal colocar os poemas originais em um apêndice, sabe?

Para aqueles que não leram livros da Colleen por causa das cenas de sexo que os livros dela geralmente possuem, Métrica é uma exceção, não tem sexo. 😉 A edição da Galera Record está bacana, e como já faz um tempinho que li, não lembro se encontrei ou não erros de revisão. A diagramação está boa, assim como a qualidade da impressão, do papel e afins. Como todos devem saber, esse é o primeiro livro de uma trilogia, e eu já soube por fontes muito confiáveis que os dois livros seguintes não seguem o mesmo padrão de qualidade, mas eu lerei e tirarei minhas próprias conclusões.

E é sem sombra de dúvidas que eu indico o livro. Métrica é um livro que trata das relações familiares, é sobre encarar os reveses da vida e seguir em frente.

É sobre viver.

É sobre sofrer.

É sobre escolher.

É sobre aprender.

É sobre amar.

Agora com licença que eu vou ali comer uma basanha! 😉

Observação: Conteúdo postado quando a plataforma do blog ainda era WordPress. Com a mudança, todos os comentários foram perdidos.

Nenhum comentário

Postar um comentário