1 de outubro de 2016

Resenha | When - Victoria Laurie


Autora: Victoria Laurie

Número de páginas: 336

Ano: 2015

Editora: Disney-Hyperion

Skoob: AQUI
Sinopse: Maddie Fynn é uma tímida estudante secundarista, amaldiçoada com uma estranha capacidade intuitiva: ela vê uma série de dígitos únicos pairando acima das testas de cada pessoa que ela encontra. Suas primeiras lembranças são marcadas por esses números, mas é preciso a morte prematura de seu pai para Maddie e sua família perceberem que esses dígitos misteriosos são, na verdade, datas de morte, e, assim como aniversários, todo mundo tem uma.

Forçada pela mãe alcoólatra a usar sua capacidade para ganhar dinheiro, Maddie identifica a data da morte do jovem filho de uma cliente se aproximando rapidamente, mas como sua capacidade única lhe permite ver apenas o quando e não o como, ela é incapaz de oferecer qualquer ideia mais clara. Quando o menino desaparece na data exata, a lei se volta contra Maddie.

Logo Maddie está envolvida em uma investigação de homicídio, enquanto mais jovens desaparecem e são encontrados mortos mais tarde. Uma suspeita para a investigação, um alvo para o assassino, e atraindo a atenção de um jovem admirador misterioso que pode estar conectado a tudo, toda existência de Maddie está prestes a virar de cabeça para baixo. Ela pode consertar as coisas antes que seja tarde demais?

 

— Eu nunca salvei ninguém, nem dei mais tempo para eles. Eu sou apenas a mensageira.

Maddie Fynn nasceu com um dom. Ela é capaz de ver a data exata em que as pessoas irão morrer. Quando era criança, ela fez um desenho dos pais e, acima da cabeça de ambos, escreveu uma série de números em formato de datas, seus pais estranharam, mas não deram muita atenção. Quando o pai de Maddie, que era policial, morre em uma operação no dia exato que estava escrito acima de sua cabeça no desenho, sua mãe, Cheryl, finalmente entende o significado daqueles números.

Após a morte do marido, Cheryl tornou-se alcoólatra e acabou perdendo a licença para exercer a enfermagem, sua profissão. O único meio de sobrevivência delas era a pensão que recebiam do governo, até que Cheryl faz com que Maddie comece a ler a data da morte das pessoas em troca de dinheiro. Maddie acredita que sua mãe a culpa pela morte de seu pai, e acha que ela bebe para encobrir o fato de que é uma mãe que culpa a própria filha pela morte do marido.

Eu não sei exatamente quando comecei a ver os números. Minhas primeiras lembranças são preenchidas com fragmentos de rostos familiares e não familiares, cada um com um conjunto de pequenos números pretos flutuando como sombras, bem acima de suas testas.

Maddie tem apenas um amigo, Arnold, mais conhecido como Stubs. Ambos são muito solitários e têm apenas um ao outro. Ela também tem um tio, Donny, irmão de seu falecido pai. A vida de Maddie era bem diferente da dos outros adolescentes, mas ela lidava bem com isso. Ela já estava acostumada a levar a mãe bêbada para a cama, a cuidar da casa, a fazer as compras, pagar as contas, e ainda assim arrumava tempo para se divertir com Stubs e para estudar, já que seu maior sonho era entrar para Cornell.

Certo dia, ela recebe em sua casa uma cliente chamada Patricia Tibbolt, que quer saber se sua filha, CeeCee, que tem leucemia, vai sobreviver ao tratamento. A mulher mostra uma foto de CeeCee para Maddie, que garante que a menina viverá até o dia dezessete de junho de dois mil e oitenta e nove. A mulher fica muito aliviada e Maddie muito feliz, pois ela não gostava de dar más notícias aos clientes. Mas quando a mulher vai guardar a foto de CeeCee na carteira, Maddie acaba vendo a foto de uma outra criança, um menino, que vem a ser o filho do meio de Patricia, Tevon, e cuja data da morte está muito, muito perto. Patricia começa a fazer as perguntas que Maddie não pode responder: Por quê? Como? Onde? E como Maddie não é capaz de responder tais perguntas, ela acusa a menina de ser uma aproveitadora. Maddie ainda liga para Patricia a fim de alertá-la mais uma vez sobre a iminente morte do menino, mas Patricia diz que chamará a polícia caso ela continue insistindo no assunto.

Por que eu posso ver a data exata em que alguém vai morrer, mas nada sobre o como, o onde e até mesmo o por quê? Que bem faz saber o quando se eu não posso saber ao menos um dos outros três?

Quando Tevon desaparece e é encontrado morto com requintes de crueldade, Maddie torna-se a principal suspeita do assassinato. E enquanto o caso é investigado pelos agentes Faraday e Wallace, outros jovens desaparecem e morrem, o que complica ainda mais o caso dela. Donny, que é advogado, começa a fazer de tudo para defender a sobrinha, mas todas as pistas encontradas apontam para Maddie, fazendo com que ela possa ser presa a qualquer momento.

Quem está tentando incriminá-la? Será que Donny será capaz de salvá-la? Será que esse dom, na verdade, é uma maldição?

— O promotor falou para o seu tio que eles pretendem prosseguir uma sentença de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

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Conheci When através das minhas andanças pelo Goodreads. Ele chamou minha atenção por dois motivos: pela sinopse, e por ter me lembrado muito do clipe de Savin’ Me, uma música do Nickelback que eu adorava quando era adolescente e que tem um clipe muito bacana.



Estava com ele no Kindle há muito tempo, mas não conseguia encaixá-lo nas leituras porque mal tenho lido ebooks. Até que finalmente li... e adorei! A proposta do livro é bem original – pelo menos nunca li um livro cujo personagem pudesse ver a data da morte de alguém – e o ritmo que a autora impôs à história foi bem bacana. Eu não pude ir muito além daquilo que a sinopse já fala, pois realmente não tem como, eu teria que soltar alguns spoilers e vocês sabem que eu não sou dessas! 😀

Maddie tem apenas dezesseis anos, mas precisa lidar com muita coisa nesse livro. Fora a mãe alcoólatra e as acusações de assassinato, ela ainda enfrenta um forte bullying na escola por causa do seu dom e pelo fato de ser considerada suspeita, chegando até a ser agredida fisicamente. Gostei muito dela, a menina é uma rocha, pois mesmo com tanta coisa acontecendo ela não esmorece, não se deixa abater, mas ao mesmo tempo é uma menina muito sensível, que não entende o motivo daquelas coisas estarem acontecendo com ela.

Os outros personagens também são muito bem construídos. Cheryl me irritou com sua fraqueza, pois mesmo quando Maddie estava passando pelo pior momento de sua vida, ela não foi capaz de apoiar a menina. Donny também foi um personagem muito legal, ele é a figura paterna da história e cumpre muito bem o seu papel. É muito legal ver o modo como ele coloca Maddie para cima e de como exerce a função do adulto responsável, já que Cheryl não serve pra nada. Ele assume essa responsabidade sem a audácia de tentar tomar o lugar do pai de Maddie, muito pelo contrário, ele sempre usa “seu pai falaria”, “seu pai faria”, “o que seu pai acharia?”. Stubs é um amor, um amigo e tanto, e a amizade deles é muito bonita. Porém, ela não sai ilesa dessa confusão. Já o agente Faraday vai ganhando destaque ao longo da narrativa, e isso dá um gás na parte final da história.

A narrativa da Laurie é ótima, e acho impossível que alguém tenha acertado quem era o assassino! Laurie faz com que várias pessoas sejam consideradas suspeitas na nossa cabeça, mas não na história. Só mais para o final é que os suspeitos vão aparecendo e nós vamos eliminando um por um. A autora também explorou o dom de Maddie de maneira interessante, não fazendo dele o centro de tudo e fazendo com que todos soubessem do que ela era capaz. O dom dela nunca foi um segredo, mas havia quem acreditasse e quem não acreditasse.

Eu tenho apenas uma ressalva em relação a data das mortes. Em certa parte do livro, Stubs questiona Maddie sobre a possibilidade das datas mudarem. Maddie não soube responder, pois isso nunca tinha acontecido, só que em determinado momento acontece algo que explica isso. Eu consegui entender porque eu realmente mergulhei na leitura, mas se o leitor fizer uma leitura mais relapsa ele pode chegar ao final do livro com a impressão de que a autora não deu as devidas respostas. Ela realmente não dá de fato, fica subentendido, é preciso prestar atenção. 😉

Não posso falar sobre diagramação e afins, pois li o ebook. Encontrei uns errinhos de revisão como a falta de apóstrofe para indicar posse, por exemplo, mas dá pra relevar. Gosto da capa, mas já vi tantas capas com essa modelo que ela me dá preguiça. Uma coisa que eu curti bastante na narrativa da autora foi o jeito que ela fez com que nós soubéssemos a data da morte das pessoas, colocando-as entre parênteses conforme os personagens iam aparecendo.

Outra coisa bacana foi ter descoberto, ao final da leitura, que a autora também possui dons. Ela não fala quais são, fala apenas que é uma ex-intuitiva psíquica profissional. Eu acreditei, pois sou dessas que crê que há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia. 😛

Em suma, When foi uma ótima leitura. É uma pena que nenhuma editora nacional tenha comprado seus direitos, pois eu tenho certeza que muitos de vocês iriam adorar.

E aí, o que acharam? Me contem nos comentários, ok?

Observação: Conteúdo postado quando a plataforma do blog ainda era WordPress. Com a mudança, todos os comentários foram perdidos.

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