6 de novembro de 2016

Livro x Filme | A Garota no Trem

Oi, povo, tudo certinho? O tempo aqui no Rio está completamente maluco! Durante a semana a sensação térmica chegou aos 50ºC, mas do nada o tempo virou e agora estou aqui de calça, meia e casaco! Bom, agora vamos ao que interessa. Sábado passado eu fui ao cinema assistir a adaptação do livro A Garota no Trem, da autora Paula Hawkins, e agora vou contar para vocês quais foram as minhas impressões.

Título original: The Girl on the Train

Gênero: Suspense, Drama

Duração: 1h 53min

Direção: Tate Taylor

Roteiro: Erin Cressida Wilson

Saiba mais: IMDb - Adoro Cinema

Elenco: Emily Blunt, Rebecca Ferguson, Haley Bennett, Justin Theroux, Luke Evans, Allison Janney, Édgar Ramírez e Lisa Kudrow
Sinopse: A Garota no Trem conta a história de Rachel Watson. Todos os dias ela pega o trem para trabalhar em Nova York e ele passa por sua antiga casa, onde morava com seu ex-marido, que ainda mora lá com sua nova esposa e filha. Tentando não se concentrar em sua dor, ela começa a observar um casal que vive algumas casas abaixo – Megan e Scott Hipwell. Ela cria uma vida maravilhosa para eles em sua cabeça, sobre como eles são uma família perfeita e feliz.

Um dia, quando o trem passa, ela vê algo chocante, que a enche de raiva. No dia seguinte, ela acorda com uma horrível ressaca, cheia de feridas e hematomas, e nenhuma lembrança da noite anterior. Ela só tem uma sensação: algo ruim aconteceu. Então a TV anuncia: Megan Hipwell está desaparecida. Rachel envolve-se no caso e tenta descobrir o que aconteceu com Megan, onde ela está, e o que exatamente ela estava fazendo na noite em que Megan desapareceu.

A Garota no Trem foi uma das minhas melhores leituras do ano passado e vocês podem ler a resenha do livro clicando AQUI. Resumindo muito rapidamente, o livro conta a história de Rachel Watson, uma mulher na casa dos trinta que, após um divórcio conturbado, afunda-se ainda mais na bebida e perde o emprego, mas continua fazendo a viagem de ida e volta até lá para manter as aparências. O itinerário do trem que ela pega passa por sua antiga vizinhança, onde ela costumava morar com Tom, seu ex-marido, que agora está casado com Anna, sua antiga amante. Na mesma vizinhança moram Megan e Scott, a quem Rachel observa, invejando suas vidas e sua aparente felicidade. Até que um dia Rachel presencia uma cena que desfaz toda a história que construiu em sua cabeça, o que faz com que ela sinta raiva de Megan. Certa noite, caindo de bêbada, Rachel vai até sua antiga vizinhança e algo terrível acontece, mas ela não consegue se lembrar de nada. No dia seguinte ela descobre que Megan está desaparecida e passa a ser uma das suspeitas do possível crime.

A história de Paula Hawkins me conquistou por diversos motivos, sendo o fio invisível que unia a narrativa das três mulheres o principal deles, e foi isso que faltou na adaptação cinematográfica da obra. A narrativa do livro é dividida entre Rachel, Megan e Anna, sendo Rachel a protagonista e as outras duas suas antagonistas, e essa alternância cria uma colcha de retalhos que vai sendo tecida capítulo a capítulo, criando uma história sólida, sem furos... o que não acontece no filme. Eles quiseram usar o mesmo artifício, mas faltou linearidade, o que tornou o desenrolar da trama confuso, deixando uma sensação de que tudo foi feito às pressas.


A parte da investigação, que no livro é bem explorada, ficou totalmente em segundo plano. Allison Janney, que deu vida a Riley, detetive do caso, virou uma figurante de luxo e perdeu função que tinha. Ao longo do livro, Paula vai soltando muitas pistas e isso vai levantando diversas dúvidas na nossa cabeça, no filme tudo foi entregue de maneira muito mastigada. Aí vocês me perguntam: o filme é ruim? Não, não é, mas definitivamente ele ficou aquém das minhas expectativas, e percebam que eu sublinhei o "minhas". Obrigada. De nada. 😉

Agora vamos falar da parte boa, a interpretação de Emily Blunt, como Rachel, e Haley Bennett, como Megan. Apesar da caracterização totalmente diferente da Rachel do livro, Emily estava entregue ao papel, demonstrando toda a decadência e amargura da personagem. Nas partes em que Rachel está bêbada ela brilha ainda mais, dando a impressão de que realmente bebeu todas para entrar em cena.

Haley, por sua vez, também entregou uma bela interpretação. Megan é uma personagem dissimulada e blasé. Ela sabe que é bonita e usa isso para conseguir o que quer. Seu poder de manipulação e seus altos e baixos foram muito bem captados pela atriz.




Rebecca Ferguson não brilhou muito, sua interpretação foi apática do início ao fim, ela não mudou o tom nem no grande ápice, uma pena. O mesmo pode ser dito dos personagens masculinos, mas no livro eles já não têm um grande destaque, então prefiro acreditar que isso foi uma limitação do próprio roteiro, não dos atores.

Houve algumas alterações aqui e ali, a principal delas na ambientação, já que no livro a história se passa em Londres e no filme se passa em Nova York, entretanto, se isso não fosse mencionado, não daria nem para perceber, pois escolheram um lado bem londrino de Nova York. Até o tempo estava igual ao de Londres, sempre chuvoso e frio, então não consegui entender qual foi o objetivo dessa mudança.


O ritmo do filme é bem lento, o que não quer dizer que ele é chato, pois o próprio livro tem um ar mais melancólico e isso foi bem captado pelo diretor. Então, apesar de ser um thriller psicológico, não espere cenas e mais cenas de ação, a coisa toda é muito comedida e há apenas um grande ápice, que é a grande revelação. Em suma, A Garota no Trem não é um filme ruim, mas é uma adaptação ruim, e eu sei que vocês me entendem.

Observação: Conteúdo postado quando a plataforma do blog ainda era WordPress. Com a mudança, todos os comentários foram perdidos.

Um comentário

  1. Nossa, q bom ler essa resenha, pq saí do cinema achando esse filme maravilhoso. Mas foi uma das vezes que eu não tinha lido o livro. Preciso fazer isso (pq sou masoquista ahahah). Adorei a resenha.

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