12 de novembro de 2016

Resenha | Três Vezes Nós - Laura Barnett


Livro cedido em parceria com a editora

Autora: Laura Barnett

Número de páginas: 384

Ano: 2016

Editora: Novo Conceito

Skoob: AQUI
Sinopse: Uma jovem mulher com uma bicicleta quebrada após desviar de um cão. Um homem que ela poderia facilmente ter deixado passar, sem parar, levando consigo uma vida inteira, uma vida que poderia nunca ter sido dela.

Eva Edelstein está no segundo ano do curso de Inglês na Universidade de Cambridge. Ela namora David Katz, estudante e aspirante a ator. A vida de Eva parece bem encaminhada, quando, no campus da universidade, ela conhece acidentalmente Jim Taylor, estudante frustrado de direito.

Há três versões, três realidades diferentes para o futuro de Eva e Jim, dos anos 1950 até os dias atuais. Se o nosso futuro é uma encruzilhada, gostaríamos de saber qual caminho seguir? E depois, ficaríamos felizes com a nossa escolha?

Três vidas. Três histórias. Três destinos… permeados com traições e ambições, mas também com amor e arte.

Três vezes nós explora a ideia de que há momentos em nossas vidas que poderiam ter sido diferentes e como pequenos fatos ou decisões que tomamos podem determinar o rumo da nossa vida para sempre.


A pintura retrata as muitas escolhas que não foram feitas, as muitas vidas que não foram vividas. Ele a chamou de Três Vezes Nós.

Em Três Vezes Nós conheceremos as histórias de Eva Edelstein e Jim Taylor. Vocês não leram errado, são as histórias, no plural, porque há três versões da mesma.

Versão 1 – Cambridge, outubro de 1958 → Eva, uma jovem estudante de Inglês que sonha tornar-se uma grande escritora, está a caminho de uma aula na universidade quando sofre um acidente de bicicleta. Jim, estudante de Direito, mas aspirante a artista plástico, vê a cena e vai ajudá-la. Os dois conversam um pouco e Jim a convida para dar uma volta. Eva hesita, pois é comprometida com David Katz, um jovem ator com um brilhante futuro pela frente, mas acaba aceitando. Alguns dias depois, Eva termina seu relacionamento com David para ficar com Jim, e em agosto de 1960 eles se casam. Em maio de 1968 nasce Jennifer, primogênita do casal, e em 1975 nasce Daniel, o caçula.

Mas será que é só isso que acontece?

Eva observa o rosto de Jim e sente uma certeza que não consegue explicar – e nem mesmo tentar – de que este é o momento: o momento depois do qual nada voltará a ser como antes.

Versão 2 – Cambridge, outubro de 1958 → Eva sofre o acidente de bicicleta e Jim vai ajudá-la. Ela agradece a gentileza e continua seguindo o seu caminho. Eva namora David, que parece amar mais a si próprio. Os dois se casam em agosto de 1960, quando a carreira de David começa a ascender exponencialmente. Em janeiro de 1963 nasce Sarah, única filha do casal. David vai ficando cada vez mais distante.

Jim, por sua vez, conhece uma mulher chamada Helena, uma excêntrica artista plástica que o incentiva a abandonar a carreira para ir morar com ela em uma comunidade de artistas na Cornualha. Algum tempo depois eles têm um filho, a quem dão o nome de Dylan.

Mas será que é só isso que acontece?

E ele sabe, lá no íntimo, que esse fato traz consigo seu próprio encanto especial, que nunca poderá ser igualado pelos ritmos monótonos do dia a dia.

Versão 3 – Cambridge, outubro de 1958 → Eva sofre o acidente de bicicleta e Jim vai ajudá-la. Ele a convida para ir em um pub beber alguma coisa e ela aceita, pois algo naquele rapaz não permite que ela diga não. Ela termina seu relacionamento com David para poder viver a paixão que sente por Jim. Entretanto, em dezembro de 1958, um acontecimento faz com que Eva volte para David. Eles se casam e têm dois filhos, Rebecca e Sam. David é muito reconhecido no meio artístico e, a medida que os papeis vão surgindo, ele começa a passar cada vez menos tempo em casa com a família.

Jim conhece Helena e tem com ela uma filha chamada Sophie.

Mas será que é só isso que acontece?

Uma mulher jovem com uma bicicleta quebrada. O homem que ela poderia facilmente não ter percebido; sem parar, passando por ela, levando com ele uma vida inteira, uma vida que poderia nunca ter sido dela.

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Ufa, eu li esse breve resumo umas dez vezes para ver se não estava confundindo uma versão com a outra! 😀

Três Vezes Nós é um livro único, eu nunca me deparei com uma história como esta. Já vou logo avisando que neste livro não há grandes acontecimentos, pois a história de Laura Barnett é serena, cálida, contemplativa... o ritmo é sempre o mesmo, sempre linear, o que poderia ser um defeito, mas não é o caso. Apesar de não haver ilustrações, eu tive a sensação de estar vendo um álbum de fotografias ganhando vida diante dos meus olhos, pois o livro nos situa no tempo e no espaço a todo momento. Parece que Laura quis fazer com que nos sentíssemos íntimos àquela história, e ela conseguiu.

Como eu disse lá no começo da postagem, a história do livro é interessante, mas o que me matou foi a narrativa. Só que eu não vou culpar apenas o livro por isso, pois apesar das versões estarem intercaladas, nada me impedia de ler cada uma delas separadamente, ler o livro na forma em que as versões se encontram não é algo obrigatório. Só que a pessoa aqui só foi se dar conta disso após ter lido mais da metade do livro! Então aqui vai uma dica: leiam o livro por versão, pois a leitura intercalada é um pouco confusa. O livro tem até um apêndice para o leitor ir anotando os acontecimentos de cada versão para não se perder!

Apesar de haver três versões diferentes, as personalidades de Eva e Jim, assim como a de outros personagens da história, sofrem poucas alterações, e embora venda-se a ideia de que esta é a história dos encontros e desencontros do casal ao longo do tempo, o livro acaba tratando muito mais dos encontros e desencontros de Eva. Ela é sempre o elo mais forte, tudo gira ao seu redor, e por esse motivo foi por ela que me afeiçoei mais.

Três Vezes Nós nos permite acompanhar quase sessenta anos da vida de Eva e Jim, o livro começa em 1958 e termina em 2014! É muito bacana acompanhar suas escolhas, seus erros, seus acertos, suas frustrações... suas – três – vidas! Minha versão favorita é a terceira, foi ela que me passou mais verdade.

A edição da Novo Conceito está belíssima, a capa tem tudo a ver com a história. As folhas são amareladas e porosas ao toque. A história, que é ambientada no eixo Inglaterra/França/Itália, é narrada em terceira pessoa. Achei que essa foi a melhor escolha, ainda que este não seja meu tipo preferido de narrativa.

Três Vezes Nós vai responder as seguintes perguntas: Qual é o impacto de uma escolha? Será possível mudar o rumo do destino? É possível reparar um erro e começar novamente?

Em suma, Três Vezes Nós é uma boa história presa em uma narrativa confusa. Se eu recomendo o livro? Sim, pois como eu já disse, é uma história super diferente e eu acho que vale a pena dar uma chance. Mas lembre-se: se por um acaso você começar a leitura e sentir que ela está empacada, pare, marque as versões, e leia uma por uma. Acredito que a experiência será muito melhor! 😉

Observação: Conteúdo postado quando a plataforma do blog ainda era WordPress. Com a mudança, todos os comentários foram perdidos.

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