23 de novembro de 2016

Resenha | Um Perfeito Cavalheiro - Julia Quinn


Autora: Julia Quinn

Série: Os Bridgertons #3

Número de páginas: 304

Ano: 2014

Editora: Arqueiro

Skoob: AQUI
Sinopse: Sophie sempre quis ir a um evento da sociedade londrina. Mas esse é um sonho impossível. Apesar de ser filha de um conde, é fruto de uma relação ilegítima e foi relegada ao papel de criada pela madrasta assim que o pai morreu. Uma noite, ela consegue entrar às escondidas no baile de máscaras de Lady Bridgerton. Lá, conhece o charmoso Benedict, filho da anfitriã, e se sente parte da realeza. No mesmo instante, uma faísca se acende entre eles. Infelizmente, o encantamento tem hora para acabar. À meia-noite, Sophie tem que sair correndo da festa e não revela sua identidade a Benedict.

No dia seguinte, enquanto ele procura sua dama misteriosa por toda a cidade, Sophie é expulsa de casa pela madrasta e precisa deixar Londres. O destino faz com que os dois só se reencontrem três anos depois, Benedict a salva das garras de um bêbado violento, mas, para decepção de Sophie, não a reconhece nos trajes de criada. No entanto, logo se apaixona por ela de novo. Como é inaceitável que um homem de sua posição se case com uma serviçal, ele lhe propõe que seja sua amante, o que para Sophie é inconcebível.

Agora os dois precisarão lutar contra o que sentem um pelo outro ou reconsiderar as próprias crenças para terem a chance de viver um amor de conto de fadas. Nesta deliciosa releitura de Cinderela, Julia Quinn comprova mais uma vez seu talento como escritora romântica.

 

Então, quando se virara e a vira, soube no mesmo instante que ela era o motivo pelo qual ele estava lá naquela noite, o motivo pelo qual morava na Inglaterra. Diabo, o motivo pelo qual ele havia nascido.

Aos três anos, Sophie Beckett foi deixada nos degraus da casa do conde Richard Gunningworth, o conde de Penwood. Só de olhar para ela já era possível perceber de que tratava-se da filha bastarda do conde, que, obviamente, nunca admitiu isso. Para todos ele dizia que ela era a filha órfã de um velho amigo, e todos, é claro, fingiam acreditar. A própria Sophia sabia que era uma bastarda, mas nunca disse uma palavra a respeito disso. Por mais que não a reconhecesse como filha, o conde de Pennwood dava para a menina todo o conforto que a casa podia proporcionar, só que o mais importante, o carinho, Sophie só recebia dos criados, que a adoravam.

Alguns anos se passam e o conde resolve casar-se novamente. Sophia fica exultante ao saber que a futura esposa do conde, Araminta, tem duas filhas mais ou menos da sua idade, Rosamund, de onze anos, e Posy, de dez. Assim que coloca os pés na casa do conde, Araminta conhece Sophie, e só de olhar para a menina ela consegue matar a charada. Desse dia em diante, Sophie passa a ter menos importância do que já tinha, e quando o conde morre repentinamente, a vida da menina vira um verdadeiro inferno. Araminta começa a tratá-la como criada, impedindo-a, inclusive, de continuar a ter aulas com Rosamund e Posy. Sem ter mais ninguém no mundo, Sophie acaba aceitando sua nova realidade.

O ano agora é 1815, Sophie tem vinte anos e continua trabalhando de criada para Araminta. A pobrezinha não faz mais nada a não ser lustrar pratarias e sapatos, costurar vestidos e arrumar cabelos, sua única diversão é ler as Crônicas da Sociedade de Lady Whistledown, a fofoqueira da sociedade inglesa. Araminta e Rosamund tratam Sophia com o maior nível de hostilidade que podem emanar, já Posy é mais amável, ela não gosta de ser malvada.

Longe dali, Lady Bridgerton planeja um baile de máscaras na esperança de que seu segundo filho mais velho, Benedict, arrume uma esposa. Já está mais do que na hora do rapaz se casar, mas ele foge do casamento como gato foge da água. Lady Bridgerton envia convites para todas as damas de boa família, e claro que um convite acaba chegando na casa que agora pertence a Araminta. Sophie logo se anima com a possibilidade de ir ao baile, mas essa ideia logo é descartada, ela era apenas uma criada, afinal. O grande dia finalmente chega e Sophie passa o dia inteiro ajudando Araminta, Rosamund e Posy a ficarem belas e apresentáveis, e enquanto observa as três partindo em direção ao baile, sente-se muito triste, pois não pode fazer parte daquilo.

Só que Sophie não contava com a ajuda de Sra. Gibbons, a governanta da casa que, junto com outras criadas, resolvem arrumar a menina e dar a ela o prazer de ir ao baile, coisa que ela tanto queria, mas Sophie deveria estar de volta à meia-noite. A garota fica deslumbrante, e ao chegar ao baile de máscaras logo chama a atenção de Benedict, que só consegue ter olhos para ela. Ele mal pode acreditar que aquela bela dama pudesse ser tão espirituosa. Os dois têm uma noite mágica, conversam sobre muitas coisas, sobre seus sonhos, desejos... até que o relógio começa a soar, pondo fim àquele conto de fadas. Sophie sai correndo sem ao menos dizer seu nome, deixando para trás somente a luva que estava usando.

No dia seguinte, Benedict faz de tudo para encontrá-la, ele até chega muito perto, mas as coisas acabam dando errado. Sophie, por sua vez, acaba sendo expulsa de casa por Araminta, e sabendo que Benedict jamais se casaria com uma criada, vai embora de Londres, deixando seu coração para trás.

Dois anos se passam e os caminhos de Sophie e Benedict se cruzam novamente, quando ele a salva de uma tentativa de estupro. Mas para a tristeza de Sophie, ele não a reconhece. Ele acaba levando-a para casa de Lady Bridgerton, que contrata a moça como sua camareira. Com o passar do tempo, Benedict começa a se apaixonar pela moça – outra vez – só que não pode se casar com ela, afinal, ela é apenas uma camareira e a sociedade inglesa jamais aceitaria uma coisa dessa. Como será que Benedict e Sophie lidarão com essa situação?

Ela o encarou direto nos olhos. E foi nesse momento que soube.

Ele não iria reconhecê-la.

Não fazia ideia de quem ela era.

Sophie não sabia se ria ou se chorava.

••••••••••

Sim, você já viu essa história antes. A primeira parte de Um Perfeito Cavalheiro, cerca de setenta páginas, é baseada no conto de fadas Cinderela. Da segunda parte em diante a história passa a caminhar com as próprias pernas. Claro que me apaixonei pela história, né? Não sei qual mágica Julia faz, mas ela tem um dom indiscutível, a escrita dela é deliciosa, não dá vontade de largar o livro, é impressionante!

Em Um Perfeito Cavalheiro, Julia traz para gente a história de duas pessoas que se amam, mas que, de acordo com as regras da sociedade, não podem ficar juntas. Confesso que tive raiva de Benedict em diversos momentos, achei que faltou hombridade, entretanto, entendo que naquela época as coisas eram muito diferentes, por isso não o julgo. Julia escreve romances de época, logo, há costumes e regras estranhas aos nossos olhos, mas normais aos olhos de alguém que viveu no século dezenove. Só que mesmo assim Julia sempre procura empoderar as mulheres, procura fazê-las fortes e questionadoras, e eu admiro muito isso nela.

— Só porque as mulheres não têm permissão de estudar em locais como Eton e Cambridge, não quer dizer que nossa educação seja menos importante – discursou Eloise, ignorando por completo o fraco “eu sei” do irmão. — Além disso… — continuou.

Benedict se jogou contra a parede.

— … acredito que o motivo pelo qual não temos acesso às escolas é que, se tivéssemos, iríamos superar os homens em todas as matérias!

— Tem razão — retrucou ele com um suspiro.

Os personagens que todos nós amamos estão presentes, uns mais, outros menos, ficaria repetitivo falar sobre todos eles em todas as resenhas da série – e ainda faltam seis livros – então nessa darei destaque para a matriarca da família Bridgerton. Eu tenho um carinho especial por Violet, pois ela sempre tem um conselho valioso para dar. E o modo como ela lidou com o fato do filho estar apaixonado por alguém de uma classe social inferior tocou no meu coração.

Como não podia deixar de ser, o livro ainda nos presenteia com momentos bem românticos e sensuais, intercalados com momentos leves e divertidos.

A capa e a diagramação seguem o padrão das edições anteriores. As folhas são amareladas e não há quebras entre os capítulos, eles terminam e começam na mesma folha. Eu tenho TOC, não gosto disso! 😀 Como eu li há muito tempo, não lembro se encontrei erros de revisão, mas, se houver, são mínimos, pois a revisão da Arqueiro é ótima. Só não entendi muito bem o título, pois em grande parte do livro Benedict age como um mané, e não como um perfeito cavalheiro...

Em suma, me apaixonei por mais uma história dessa linda família. Enquanto eu estava escrevendo essa resenha a saudade bateu forte, e assim que acabar minha leitura atual vou correndo ler o quarto livro. Eu diria que minha escala de preferência está assim até agora:
  1. O Duque e Eu - Os Bridgertons #1 → Resenha
  2. Um Perfeito Cavalheiro - Os Bridgertons #3
  3. O Visconde Que Me Amava - Os Bridgertons #2 → Resenha
Observação: Conteúdo postado quando a plataforma do blog ainda era WordPress. Com a mudança, todos os comentários foram perdidos.

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