17 de dezembro de 2016

Resenha | O Livro de Memórias - Lara Avery


Livro cedido em parceria com a editora.

Autora: Lara Avery

Número de páginas: 352

Ano: 2016

Editora: Seguinte

Skoob: AQUI
Sinopse: Sammie sempre teve um plano: se formar no ensino médio como a melhor aluna da classe e sair da cidade pequena onde mora o mais rápido possível. E nada vai ficar em seu caminho — nem mesmo uma rara doença genética que aos poucos vai apagar sua memória e acabar com sua saúde física. Ela só precisa de um novo plano.

É assim que Sammie começa a escrever o livro de memórias: anotações para ela mesma poder ler no futuro e jamais esquecer. Ali, a garota registra cada detalhe de seu primeiro encontro perfeito com Stuart, um jovem escritor por quem sempre foi apaixonada, e admite o quanto sente falta de Cooper, seu melhor amigo de infância de quem acabou se afastando. Porém, mesmo com esse registro diário, manter suas lembranças e conquistar seus sonhos pode ser mais difícil do que ela esperava.

 

Dizem que minha memória nunca mais será a mesma, que vou começar a esquecer as coisas. Só um pouco no início, depois muito. Então estou escrevendo para lembrar.

Samantha Agatha McCoy é uma jovem de dezoito anos que mora com seus pais e três irmãos mais novos em uma cidadezinha de quinhentos habitantes. Sammie, como todos a chamam, é muito inteligente e já cursou quase todas as matéria avançadas que sua escola oferece. Integrante do Clube de Debate, tem argumento para tudo e detesta ser interrompida. Seu maior sonho era sair de South Strafford para cursar a Universidade de Nova York, e devido ao seu ótimo desempenho acadêmico, Sammie ganha uma bolsa de estudos. Tudo estava caminhando perfeitamente bem, ela ganharia o último torneio nacional de debate, se formaria com méritos, seria oradora na sua formatura e depois faria as malas rumo à Nova York. Seria a concretização de tudo aquilo que ela almejava... se não fosse a NP-C. Vocês não sabem o que NP-C, certo? Vou deixar a própria Sammie explicar:

A Niemann-Pick (são três tipos – A, B e C – e eu tenho a C, comumente chamado de NP-C, o único C que já recebi , ha-ha-ha) acontece quando o tipo errado de colesterol se acumula no fígado e no baço e, como consequência, ocasiona uma série de obstruções no cérebro. O acúmulo atrapalha a cognição, a função motora, a memória, o metabolismo – tudo e mais um pouco.

A NP-C é uma doença inadmissível aos olhos de Sammie, logo ela, que tinha o cérebro como seu maior aliado, agora é diagnosticada com uma doença que vai degenera-lo! Então Sammie decide que vai vencer a doença, sendo assim, ela começa a escrever em seu notebook uma espécie de livro com suas memórias, para que possa registrar tudo que acontece com ela para que a Samantha do futuro nunca se esqueça de nada.

Não sei outra forma de expressar. E não gosto de não saber. Nada. Não gosto de não saber em geral. Eu deveria sempre ser capaz de saber.

E é aí que você entra, Sam do Futuro.

Preciso que você seja a manifestação da pessoa que eu sei que vou ser. Posso vencer isso, sei que posso, porque quanto mais registro para você, menos vou esquecer. Quanto mais escrevo para você, mais real você se torna.

E é através desses registros que a história se desenvolve. Através deles nós conhecemos Stuart Shah, um descendente de indianos e aspirante a escritor por quem Sammie sempre foi apaixonada. Conhecemos também Cooper Lind, vizinho de Sammie que costumava ser seu melhor-amigo-quase-irmão, mas que depois da puberdade e de alguns acontecimentos não muito lisonjeiros, acabou afastando-se dela. E acompanhamos Sammie e Maddie Sinclair, sua quase-melhor-amiga e dupla de debate, na viagem ao torneio nacional da atividade em questão, que é onde Sammie apresenta o primeiro grande e significativo surto da NP-C.

Vamos junto com Sammie em sua primeira festa - ela não era muito sociável -, testemunhamos seu primeiro beijo e presenciamos sua formatura e seu discurso... até que ela tem o segundo grande surto, que é quando ela finalmente percebe que seus planos, tão sonhados e programados, poderão ir por água abaixo.

Eu poderia ficar melhor ao invés de piorar. É provável? Não. É possível? Com certeza. Bem, o fato de eu ter essa doença já foi contra todas as probabilidades. Um em cento e cinquenta mil. Era provável? Não. …

Muitas coisas não são prováveis. Tudo é possível.

••••••••••

Já vou logo falando que favoritei o livro, ok? O Livro de Memórias me proporcionou uma das leituras mais lindas que eu já fiz em toda minha vida, sem exagero. Não é uma obra-prima da literatura, mas a forma como foi escrito e a história que ele conta, tocaram no fundo da minha alma. Terminei a leitura destroçada, mas com uma sensação muito boa de gratidão. Gratidão por ter podido conhecer Samantha Agatha McCoy, uma das personagens mais aprazíveis dos últimos tempos. E olha que durante os cinco primeiros capítulos eu fiquei na dúvida quanto ao seu comportamento, estava receosa quanto ao rumo da história, mas quando compreendi que ela estava em negação tudo começou a caminhar perfeitamente.

Eu não costumo gostar de livros que têm doenças como ponto de partida, sempre tenho a sensação de que o autor usa a doença para justificar qualquer atitude do personagem, sabe? E além de O Livro de Memórias abordar uma doença bem diferente e rara - saindo da mesmice do câncer -, Lara criou uma personagem deveras real. Sammie é uma personagem forte e decidida, e por mais que ela seja a “sofredora” em questão, ela também é o alívio cômico de toda a história, é praticamente um dois em um, foram diversas as vezes em que eu dei risada com suas tiradas!

O fato dela narrar o livro para a “Sam do Futuro” caiu como uma luva. Ela não narra o livro para nós, ela narra o livro para ela mesma, e eu achei muito bacana. Não consigo imaginar o livro sendo narrado de uma outra forma.

Os personagens são ótimos e bem construídos, senti simpatia por todos. Stuart é um sonho! Bonito, inteligente, bom de papo, atencioso, compreensivo, ou seja, o sonho de toda garota. Já Cooper começa a história meio perdido, mas ao longo da mesma vai se encontrando e vamos entendo o que aconteceu com ele. A família de Sammie é muito unida, aquela típica família grande que, apesar das dificuldades, está sempre de bem com a vida.

Outra coisa que eu gostaria de pontuar: os personagens não são estereotipados! Stuart é um descendente de indianos, com a pele bem morena, bem diferente da maioria dos interesses amorosos nos livros hoje em dia. Maddie é uma lésbica assumida que usa um moicano e não está nem aí para o que os outros vão pensar. Sammie tem cabelos cacheados e usa óculos. A representatividade mandou dois beijos!

O livro, como já mencionei, é narrado em primeira pessoa pela Sammie para a própria Sammie. Os capítulos são curtos e a escrita de Lara Avery é super fluida, li quase metade do livro em algumas horas. A revisão está impecável, não achei nenhum erro, e a diagramação é simples e confortável. A capa, por sua vez, tem tudo a ver com a história.

Em suma, O Livro de Memórias é extremamente tocante e traz varias lições valiosas. Tenho certeza que vocês vão parar para pensar em muita coisa ao término desta leitura. É uma história profunda, intensa e triste, mas ao mesmo tempo é bela, leve e sensível. Vocês vão chorar, mas, acima de tudo, vão sorrir, pois Samantha Agatha McCoy vai lhes ensinar que é durante as adversidades que nós descobrimos quem realmente somos e onde mora a verdadeira felicidade.

Observação: Conteúdo postado quando a plataforma do blog ainda era WordPress. Com a mudança, todos os comentários foram perdidos.

2 comentários

  1. O livro parece ter uma história bem bacana, e só lendo mesmo para saber e tirar nossas próprias conclusões. E essa capa é muito bonita.

    Beijos
    http://aguardandoogatobranco.blogspot.com/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Essa capa é maravilhosa mesmo, e a história é mais maravilhosa ainda! Leia, pois você não vai se arrepender! ♥

      Excluir