26 de dezembro de 2016

Resenha | Sete Minutos Depois da Meia-Noite - Patrick Ness

Livro cedido em parceria com a editora.

Autor: Patrick Ness

Número de páginas: 160

Ano: 2016

Editora: Novo Conceito

Skoob: AQUI
Sinopse: Conor é um garoto de 13 anos e está com muitos problemas na vida.

A mãe dele está muito doente, passando por tratamentos rigorosos. Os colegas da escola agem como se ele fosse invisível, exceto por Harry e seus amigos que o provocam diariamente. A avó de Conor, que não é como as outras avós, está chegando para uma longa estadia. E, além do pesadelo terrível que o faz acordar em desespero todas as noites, às 00h07 ele recebe a visita de um monstro que conta histórias sem sentido.

O monstro vive na Terra há muito tempo, é grandioso e selvagem, mas Conor não teme a aparência dele. Na verdade, ele teme o que o monstro quer, uma coisa muito frágil e perigosa. O monstro quer a verdade.

Baseado na ideia de Siobhan Dowd, Sete minutos depois da meia-noite é um livro em que fantasia e realidade se misturam. Ele nos fala dos sentimentos de perda, medo e solidão e também da coragem e da compaixão necessárias para ultrapassá-los.

 

 Você sabe que a sua verdade, a verdade que você esconde, Conor O’Malley, é o que você mais teme...

Conor O’Malley é um menino de treze anos que está tendo que lidar com muita coisa ao mesmo tempo. Sua mãe está muito doente, o bullying que sofre está cada vez pior, sua melhor amiga o traiu, sua avó – com quem ele não tem uma boa relação – vai passar alguns dias em sua casa e, para fechar com chave de ouro seu mau momento, ele vem tendo um mesmo pesadelo todas as noites. Toda noite, quando o relógio marca 00h07, Conor acorda daquilo que vem o apavorando diariamente.

Diante da casa de Conor há um cemitério, e no meio deste cemitério há um teixo. Certa noite, após um de seus pesadelos, Conor escuta uma voz chamando seu nome, quando, de repente, o inimaginável acontece: o velho teixo ganha vida e vira um monstro! Todavia, por mais que o monstro tente, o menino não se assusta com a situação, pois tem certeza que tudo não passa de um sonho, mesmo com as provas da presença do monstro em sua casa, como folhas e frutinhas espalhadas.

— O que você quer de mim? — perguntou Conor.

O monstro colocou o rosto contra a janela.

— Não se trata do que quero de você, Conor O’Malley — disse. — É o que você quer de mim.

O teixo diz que foram poucas as vezes em que caminhou sobre a Terra e que só se levantou porque foi chamado, o que não faz nenhum sentido, pois Conor não chamou monstro algum. Conforme o estado de saúde de sua mãe vai piorando e a situação na escola vai ficando cada vez mais insuportável, o pai de Conor – que abandonou a família e foi morar nos Estados Unidos com a nova esposa – vai visitar o menino e deixa bem claro que o lugar que Conor ocupa em sua vida é bem menor que aquele que o menino gostaria que fosse. Enquanto a vida de Conor vai desmoronando, o teixo monstruoso diz que vai lhe contar três histórias e que, ao final das mesmas, será Conor quem contará a quarta, a história de seu pesadelo, que tanto o apavora e que faz com que ele se sinta culpado.

— Histórias são criaturas selvagens — afirmou o monstro. — Quando você as solta, quem sabe o que podem causar?

Conforme o teixo vai contando as três histórias vamos entendendo como elas vão se encaixando na vida de Conor e como vão, de algum modo, ajudá-lo a enfrentar aquilo que está por vir.

— Você não escreve sua vida com palavras — explicou o monstro. — Você escreve com ações. O que você pensa não é tão importante.

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Comecei a leitura de Sete Minutos Depois da Meia-Noite sem nenhuma expectativa. Primeiro porque não é qualquer livro juvenil que me prende, e segundo porque eu tinha uma visão totalmente diferente daquilo que eu encontrei. O livro não era nada, repito, nada daquilo que eu estava imaginando. Não dá nem para mensurar a profundidade dessa história que é quase uma fábula e que tocou meu coração de uma maneira bela e singular.

Sete Minutos Depois da Meia-Noite é um daqueles livros onde menos é mais, pois apesar das suas 160 páginas, a profundidade da dor de Conor e de toda sua angústia é quase palpável. Eu só queria abraçá-lo e dizer para ele que tudo ficaria bem, mas isso não seria verdade. Ah, a verdade... quantas vezes nós mentimos para nós mesmos a fim de apaziguar as coisas? Seja por medo, por covardia, por tristeza ou por tudo isso junto? O teixo, essa enorme árvore que vira monstro, vem para mostrar que a verdade nem sempre é boa, justa ou suportável, que ela pode ser dolorosa, injusta e insuportável, mas é a verdade, e a verdade sempre deve prevalecer.

Os adultos dessa história não têm nome. A mãe é apenas mamãe, o pai apenas pai, e assim sucessivamente. Os personagens são ótimos e despertam em nós os mais variados sentimentos. Senti compaixão por Conor, pena da mãe, raiva do pai e da avó e simpatia pelo sábio teixo. Uma outra coisa que fez eu sentir raiva foi o fato dos adultos falarem a todo momento que Conor deveria ser forte, que deveria ser corajoso... ele já estava sendo forte, já estava sendo corajoso, mas os adultos, presos em seus próprios problemas, não enxergavam isso.

Permito-me dizer que este livro está no patamar de O Pequeno Príncipe, que muitas vezes é indicado como um livro para crianças, mas que seus ensinamentos e reflexões vão ter muito mais impacto e ser melhor absorvidos pelos adultos. Com diálogos profundos e até mesmo enigmáticos, o livro tem o poder de nos fazer parar a leitura para absorver determinada passagem.

Sete Minutos Depois da Meia-Noite surgiu da mente de Siobhan Dowd, uma autora inglesa que faleceu antes de poder terminá-lo, mas que deixou vários esboços da história. E foi com esses esboços que Patrick Ness desenvolveu a trama de Conor e o teixo. O carinho com que Patrick conduziu a narrativa, em momento nenhum tomando aquilo como mérito próprio, é lindo de se ver. ♥

O livro já havia sido publicado no Brasil com o título O Chamado do Monstro, mas eu confesso que não o conhecia. A edição da Novo Conceito está linda. A capa é o pôster do filme, o que, no geral, eu não curto muito, mas nesse caso eu não poderia pensar em uma capa melhor. O livro, que possui uma diagramação simples e confortável, é narrado em terceira pessoa e eu não encontrei erros de revisão. Os capítulos são curtos e a escrita do autor é super fluida e delicada.

A história ganhou uma adaptação cinematográfica que estreia em Janeiro. O trailer tem um pouco mais de dois minutos, mas eu fiquei impressionada com a fidelidade da adaptação, pois pelo menos no pouco que é mostrado, está tudo IDÊNTICO ao livro!


E aqui, ao final desta humilde resenha que, confesso, não faz justiça ao livro, peço para que vocês deem uma chance para a história de Connor O’Malley e o teixo monstruoso. Vocês não vão se arrepender! <3

Observação: Conteúdo postado quando a plataforma do blog ainda era WordPress. Com a mudança, todos os comentários foram perdidos.

2 comentários

  1. Oi Tam! Este livro é só amor, eu adorei e quero muito ver o filme. O blog está lindo.

    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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    1. Também quero muito assistir ao filme, Cida! Tá com cara de que está maravilhoso!!!
      Obrigada pelo elogio ao blog! ♥

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