19 de fevereiro de 2015

Livro x Filme | Cinquenta Tons de Cinza


Depois de mais de dois anos de espera, eis que um dos filmes mais aguardados de 2015 estreou. E aí, a espera valeu a pena? Ao meu ver, sim, valeu.

Vamos deixar bem claro que o filme não é nenhuma obra-prima, ok? Mas ele cumpre seu papel. Muitas pessoas insistem em condenar o sexo presente nas obras de E.L. James, por quê? Fui ao cinema com meu namorado e mais cinco amigos. Dentre meus amigos, três eram homens e duas eram mulheres. Todos os homens detestaram o filme, falaram que se era para ver aquilo era melhor ter ficado em casa para assistir filmes adultos, se é que vocês me entendem…

Minhas amigas e eu tentamos a todo custo colocar na cabeça deles que o filme não se trata só de sexo, que aquilo é uma história de amor, de redenção, de descoberta, mas foi tudo em vão!

Alguma pessoas insistem também em tachar o sadomasoquismo de violência doméstica! Gente, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Sadomasoquismo é, nada mais, nada menos, do que uma prática sexual onde duas pessoas concordam com o que estão fazendo!

Vocês já viram alguém gostar de sofrer violência doméstica? Eu nunca vi! Na relação dominador-submissa de Christian e Ana nada é forçado. Ele, a todo momento, explica que se qualquer coisa for demais para ela que ela pode usar as palavras de segurança e, quando de fato ela usa, ele para o que está fazendo imediatamente! Vocês já viram um homem que bate em sua mulher parar quando ela pede? Violência doméstica é uma coisa muito grave e triste! As pessoas tem que entender que há várias maneiras de sentir prazer. Como Christian diz, aquela é a única maneira que ele conhece.

Mas vamos logo ao que interessa, que é a minha opinião sobre o filme!

O filme começa com a ótima I Put a Spell On You, com ela, nós já vamos entrando no clima do filme. Vemos Anastasia se arrumando para a fatídica entrevista com Christian. Achei a parte da entrevista meio estranha, logo de cara vemos um Christian muito solícito, até simpático, eu diria. Aliás, esse foi meu grande problema com o filme: o comportamento de Christian.

Christian estava muito manso. Eu não acho que esse tenha sido um problema da interpretação de Jamie Dornan, e sim um erro de direção. Sam Taylor-Johnson pecou em muitos aspectos. Quem leu o livro sabe que Christian é mandão, autoritário, fechado e, às vezes, até estúpido. Apenas com o tempo e com o amor de Anastasia é que ele vai se tornando um homem melhor.

Problemas de personalidade à parte, adorei Jamie Dornan como Christian e mordi a língua! Eu queria que Ian Somerhalder fosse escalado… aí escalaram Charlie Hunnam. Dos males o menor, pois Charlie também tinha cara de mau, era lindo e meio intimidador, assim como eu imaginava que o ator que fosse interpretar Christian tinha que ser. Quando Charlie pulou fora e escalaram Jamie eu pensei “sério?”. Jamie também é lindo, mas ao meu ver estava longe de ter todos os atributos necessários para interpretar Christian Grey. Porém…

Jamie foi sexy, soube usar o que tem a seu favor. Aquela cena do gelo… SEM-OR! hahahahah'

Mas a grande surpresa do filme foi, inegavelmente, Dakota Johnson! Ela soube passar toda a ingenuidade de Anastasia apenas com o olhar. Isso sem falar nas cenas engraçadas, como aquela em que ela pergunta se ele é gay ou aquela em que ela liga para ele bêbada, ri demais! Dakota foi um achado, algumas pessoas falaram que não viram química entre eles, pois eu vi química, física, matemática… achei ótimo os dois juntos! Dakota soube demonstrar toda a dúvida e dor de Anastasia quanto àquele estilo de vida, principalmente no final do filme, quando ela fala para Christian não chegar perto dela, esses sentimentos eram palpáveis!

Sobre as cenas de sexo, achei tudo na medida certa! Claro que tivemos apenas Dakota nua, ainda há todo um estigma sobre a nudez masculina e também tinha o fato da classificação indicativa do filme, mas senti falta de algumas cenas, como a do sexo na banheira, por exemplo. Essa parte foi importante para a descoberta da sexualidade de Ana.

Não gostei de nenhum personagem secundário, achei todos avulsos. No livro, a amizade de Ana e Kate tinha algum propósito, não senti nada disso no filme, Kate parecia apenas uma garota com a qual Ana dividia o aluguel…

Uma coisa que também me incomodou foi a edição, novamente, culpa da direção equivocada de Sam Taylor-Johnson. Às vezes as cenas mudavam muito rapidamente, principalmente nas cenas de sexo… uma hora eles estavam em pé, outra hora deitados, depois em pé de novo. E a mudança da Ana para Seattle? Nem percebi!

Enfim, como eu disse, o filme não é nenhuma obra-prima da sétima arte, está longe disso. O filme tem seus problemas, mas eu achei curti. Eu esperava mais? Sim, esperava, mas entendo o caminho que eles tomaram. Porém tenho certeza que eles vão melhorar em Cinquenta Tons Mais Escuros.

E para aqueles que só reclamam e nem ao menos leram o livro, tenho um recadinho da Ana:

It must be really boring! 😉

Observação: Conteúdo postado quando a plataforma do blog ainda era WordPress. Com a mudança, todos os comentários foram perdidos.

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