7 de junho de 2015

Resenha | Caixa de Pássaros - Josh Malerman


Autor: Josh Malerman

Número de páginas: 272

Ano: 2015

Editora: Intrínseca

Skoob: AQUI
Sinopse: Romance de estreia de Josh Malerman, Caixa de pássaros é um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo. Uma história que vai deixar o leitor completamente sem fôlego mesmo depois de terminar de ler.

Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas.

Cinco anos depois do surto ter começado, restaram poucos sobreviventes, entre eles Malorie e dois filhos pequenos. Ela sonha em fugir para um local onde a família possa ficar em segurança, mas a viagem que tem pela frente é assustadora: uma decisão errada e eles morrerão.


Escute!
Aflição. Essa é a palavra que posso usar para definir esse livro, e posso usá-la tanto para elogiar o livro quanto para condená-lo.

Como assim? Bom, o livro é um thriller psicológico, ou seja, o terror não é explícito e sim velado. Não é o que ocorre de fato que nos aterroriza e sim o que pode acontecer. Aliás, não usaria a palavra “aterrorizar” pois acho que é demais. O livro não é nada aterrorizante como vende a sinopse, pelo menos não achei. Como eu disse, aflição seria a palavra mais correta.

Em livros deste gênero literário, nós quase sempre sabemos do que as pessoas tem medo, e esse é o grande diferencial de Caixa de Pássaros. Josh fez um trabalho excelente. Esse mundo apocalíptico criado por ele é apavorante. O que pode ser mais assustador do que não saber do que nós temos medo, do que nós temos que nos proteger?

O livro é narrado em terceira pessoa, no passado e no presente. A narrativa começa no presente, com Malorie decidindo ir embora da casa que a abriga. Ela leva seus dois filhos de quatro anos com ela. Eles tem que ir embora de lá, não podem mais sobreviver sozinhos. Mas para isso eles têm que atravessar o rio que passa atrás da casa. Remando. Vendados. E há algo lá fora, criaturas…criaturas estas que nunca são descritas, não sabemos como elas são. Elas brincam com as pessoas da pior maneira possível, elas não usam força, não os machucam fisicamente, os jogos são totalmente psicológicos. Nos dá a impressão que tudo é feito de propósito, que elas, essas “criaturas”, gostam de jogar com a mente das pessoas, e elas fazem isso muito bem.

A medida que Malorie vai remando rio acima, nós vamos descobrindo através de flashbacks o que levou o mundo a esse caos.

O passado de Malorie era absolutamente normal, ela tinha acabado de se mudar para uma cidade nova com sua irmã Shannon e acabou de descobrir uma gravidez não planejada. A gravidez seria o maior problema que Malorie teria que enfrentar até ali, isso se o mundo não estivesse desmoronando.

Algo está errado. Algumas coisas estranhas começam a ocorrer nos arredores da Rússia e suas adjacências. As pessoas estão surtando, elas simplesmente ficam loucas do nada e se matam. Das piores maneiras possíveis.

O Relatório Rússia, como a situação está sendo chamada, acaba chegando aos Estados Unidos. As pessoas dizem que é algo que não se vê que faz as vítimas ficarem loucas. Elas passam a tapar suas janelas e portas com cobertores, papelão, tábuas, qualquer coisa que as impeça de olhar para fora.

Shannon acredita em tudo o que está acontecendo, Malorie é mais cética, até o momento em que ela sente na pele os efeitos do Relatório Rússia.

— Você me ouviu, Malorie? Essa história está sendo noticiada em tudo quanto é canto. As pessoas estão começando a dizer que está relacionado com o fato de as vítimas terem visto alguma coisa. Não é estranho? Acabei de ouvir na CNN que isso é a única coisa em comum em todos os incidentes. Que as vítimas viram alguma coisa antes de atacar as pessoas e de se matar. Dá pra acreditar nisso? Dá?

No auge dos acontecimentos, Malorie lê em um jornal que há um refúgio para sobreviventes e é pra lá que ela decide ir. Ela dirige vários quilômetros abrindo e fechando os olhos, tudo para não ver o que quer que esteja provocando isso.

Chegando lá, Malorie é recepcionada por um grupo de pessoas que já estão confinadas há um tempo. Eles só saem para pegar água no poço e para jogar fora os baldes onde fazem suas necessidades. E eles só fazem isso vendados.

Tudo o que Malorie não queria era ter que trazer uma criança a esse novo mundo. Mas esse momento chega e já posso adiantar que é o momento mais tenso do livro, o ápice, não pelo parto propriamente dito, e sim por tudo que ocorre enquanto Malorie está parindo.

No presente, a medida que Malorie rema, nós vamos acompanhando sua tensão. Será que alguém arrancará sua venda? E as crianças? Malorie treinou seus filhos a escutar desde que eles nasceram. Eles são capazes de falar se uma tempestade está vindo, se uma folha caiu da árvore, se alguém pisou nessa folha e a amassou.

Em um mundo onde a visão já não vale mais nada, escutar é o que pode mantê-los vivos. Será que elas estão preparadas?

Quantas vezes ela questionou seu dever como mãe enquanto treinava as crianças para se tornaram máquinas de ouvir? Para Malorie, assistir ao desenvolvimento delas era algo horrível algumas vezes. Como se tivesse sido deixada ali para criar duas crianças mutantes. Pequenos monstros. Criaturas capazes de aprender a ouvir um sorriso. Que podiam lhe dizer que estava com medo antes que ela mesma soubesse.

Só achei que muitas perguntas ficaram sem respostas. Caixa de Pássaros é um thriller psicológico, então até entendo os motivos de Josh não ter descrito as criaturas, de ter deixado para a nossa imaginação, mas e o motivo? Tinha um motivo? As criaturas ou seja lá o que elas fossem nunca machucam ninguém, elas fazem as pessoas machucarem elas mesmas e quem quer que esteja perto, por quê?

Há outras perguntas, mas não posso fazê-las aqui. Porém, a falta de respostas não estraga a experiência. Caixa de Pássaros não é um livro que pode ser resenhado da maneira convencional, pois ele não é um livro convencional. Qualquer coisa que eu diga a mais pode comprometer a experiência da leitura. Então eu só posso recomendar a leitura para vocês!

Observação: Conteúdo postado quando a plataforma do blog ainda era WordPress. Com a mudança, todos os comentários foram perdidos.

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