8 de fevereiro de 2017

Resenha | Fragmentados - Neal Shusterman


Autor: Neal Shusterman

Série: Fragmentados #1

Número de páginas: 320

Ano: 2015

Editora: Novo Conceito

Skoob: AQUI

Compre: Americanas | Submarino

Sinopse: Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria

Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos, desde as mãos até o coração, é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe.

O vencedor do Boston Globe-Horn Book Award, Neal Shusterman, desafia as ideias dos leitores sobre a vida: não apenas sobre onde ela começa e termina, mas sobre o que realmente significa estar vivo.

 

Você aprende uma coisa depois de ter vivido tanto quanto eu vivi: as pessoas não são completamente boas nem completamente ruins.

Em um futuro não muito distante, o embate entre duas ideologias deu início a Segunda Guerra Civil, mais conhecida como Guerra de Heartland. Em tempos em que bebês eram achados facilmente em lixeiras de becos vazios, abandonados por mães que não os queriam, havia o exército Pró-Vida, que era contra qualquer coisa que atentasse contra o direito de uma pessoa viver, dentre eles o aborto, prática tão comum naquela época, e o exército Pró-Escolha, que, como o nome já diz, era a favor das pessoas poderem escolher o que queriam fazer com suas vidas e com as vidas de possíveis filhos.

Para tentar dar um fim àquela sangrenta batalha, foi criada uma lei chamada Lei da Vida, que declarava que nenhuma vida humana poderia ser tirada desde a gravidez até que a criança completasse treze anos. A partir dos treze, os pais que quisessem livrar-se de suas crias podiam abortar retroativamente, que naquela sociedade significava enviar as crianças para a fragmentação, processo no qual ela seria dividida em vários pedaços, pedaços estes que seriam vendidos e transplantados em outras pessoas. Só assim o “aborto” seria permitido, pois acreditava-se que deste modo a criança continuaria viva, vivendo através de outras pessoas. Só havia um meio de escapar da fragmentação: o aniversário de dezoito anos, pois a partir dessa idade a pessoa não podia mais ser fragmentada.

Em Fragmentados nós conhecemos Connor, Risa e Lev, que farão de tudo para chegar aos dezoito anos inteiros, se é que vocês me entendem.

Connor é um jovem de dezesseis anos que acaba de descobrir que seus pais querem enviá-lo para a fragmentação. Ele sabe que não tem o melhor comportamento do mundo, é explosivo e se mete em algumas brigas, mas a atitude de seus pais o magoa profundamente, pois como se não bastasse o fato deles resolverem fragmentá-lo, eles ainda vão embarcar em uma viagem para as Bahamas um dia após o procedimento, ou seja, Connor não significava nada para eles.

Connor fica ali parado por um longo tempo, até o sensor de movimento das luzes se desativar. Ficar sozinho não fazia parte de seus planos, mas ele percebe que já deveria ter entendido. Desde o momento em que seus pais assinaram aqueles papéis, Connor estava sozinho.

Connor resolve fugir de casa e pega carona com um caminhoneiro, mas, para sua infelicidade, ele acaba sendo encontrado pelos Juvis, a polícia que cuida dos jovens fragmentários. Claro que ele não se entregaria assim tão fácil, então ele sai correndo, desviando dos tranquilizantes atirados pelos Juvis, e acaba causando um acidente de trânsito. Quando olha para o lado, Connor vê um menino todo de branco encarando-o com os olhos assustados, sem pensar muito, Connor pega o menino para fazer dele seu escudo humano. Esse menino é Lev, que é um dízimo.

Os dízimos são crianças dadas como sacrifício, pois a Bíblia diz que as pessoas devem dar 10% de tudo aquilo que possuem para Deus. Como Lev é o décimo filho, é ele o dízimo de sua religiosa família. Agora que completou treze anos, Lev abraçou seu destino com muito orgulho, pois, ao contrario de Connor, ele acha a fragmentação uma bênção, crendo que assim ficará mais próximo de Deus. Quando Connor o tira de dentro do carro que estava levando-o ao Campo de Colheita, que é como os campos de fragmentação são chamados, Lev fica enraivecido.

Foi para isso que eu nasci. Foi para isso que eu vivi. Eu fui escolhido. Sou abençoado. E estou feliz.

Connor começa a arrastar Lev pela rua, quando, para desviar dos meninos, um ônibus bate em uma árvore. Ao olharem em direção ao acontecido, eles veem uma menina sair correndo de dentro do veículo indo em direção a floresta. Essa menina é Risa, e, aos olhos do Estado, ela não é boa o suficiente para continuar vivendo

Risa tem quinze anos e vive em uma Casa Estatal, que é como se fosse um orfanato. Ela toca piano, mas não é excelente naquilo que faz, e as Casas Estatais só mantém vivos aqueles jovens que demonstram excelência em suas aptidões. Risa cometeu muitos erros em seu último recital e isso a condenou. Agora ela será fragmentada, e não há nada que ela possa fazer para evitar isso.

- Eu vou ser fragmentada?
...
- Tudo bem ficar assustada. Toda mudança é assustadora.
- Mudança? - grita Risa. - Como assim “mudança”? Morrer é um pouquinho mais do que uma “mudança”.
...
- Por favor, senhorita Ward. Não é a morte, e tenho certeza de que todos aqui ficariam mais à vontade se a senhorita não sugerisse algo tão absurdamente exagerado. O fato é que cem por cento da sua pessoa ainda estará vivo, só que em estado dividido.

Só que quando está a caminho do Campo de Colheita, o ônibus em que Risa está sofre um acidente ao tentar desviar de dois garotos que estão no meio da estrada. Com a confusão, Risa sai correndo e se embrenha na floresta.

É assim que a vida desses três jovens se cruzam. Dois deles não aceitam de maneira nenhuma a fragmentação, enquanto um deles acha que essa é a maior honra da sua vida... até que se dá conta do contrário. E em meio a fugas, traições, intrigas e armadilhas, eles tentarão viver um dia de cada vez até completarem dezoito anos, pois a partir daí estarão livres desse fim cruel que é a fragmentação.


••••••••••

Eu comprei Fragmentados assim que ele foi lançado, lá em 2015. Sempre fiquei adiando a leitura, mas aí a Novo Conceito lançou a continuação, Desintegrados, e eu vi a oportunidade perfeita para finalmente ler a história de Neal Shusterman. E infelizmente o livro não me agradou tanto quanto eu gostaria. Vou começar as minhas considerações apontando os pontos negativos, que fizeram com que eu retirasse duas estrelas do livro.

Distopia não é lá um dos meus gêneros preferidos, são poucos os autores que realmente conseguem criar um cenário distópico convincente, e o cenário distópico de Neal é cheio de falhas. A maior delas, na minha opinião, é a própria fragmentação. Você não pode mexer em uma coisa concreta sem ter um embasamento que justifique aquilo, e aqui nós vemos um procedimento surreal que não faz sentido algum, é biologicamente impossível a fragmentação ocorrer da maneira que ocorre. Não vou falar o que é de fato, pois não quero estragar a experiência de vocês, mas há um capítulo inteiro narrando uma fragmentação e acho que vocês vão entender meu ponto de vista quando chegarem nele. Vejam bem, licença poética existe e é bem-vinda, mas quando se trata de ciência a coisa muda de figura. Não dá para dar uma justificativa qualquer e esperar que o leitor compre aquilo como verdade absoluta.

Outro ponto que me incomodou foram as personalidades de Connor e Lev. Connor tem um ar muito sabichão, acha que está acima de tudo e de todos. Seu comportamento me irritou demasiadamente, e não sentir empatia por um dos protagonistas não é algo muito legal. Já por Lev senti empatia, mas não senti verdade. Das três histórias, a dele é a que mais me interessou em um primeiro momento, mas ele é quem tem menos destaque. De uma hora pra outra ele sumiu e voltou todo mudado, achando-se o justiceiro, mas o que aconteceu no meio do caminho pra isso acontecer? Só Deus sabe!

Risa, por sua vez, é uma ótima personagem. Todas as suas atitudes condiziam com a pessoa que ela era. Muito centrada e inteligente, é ela a voz da razão entre os três fragmentários fugitivos, para mim o destaque do livro tinha que ter sido ela.

Dito isto, vamos falar agora da parte boa, pois apesar dos pesares, Fragmentados não é um livro ruim. É um livro que possui erros, mas a seu favor há um enredo totalmente inovador e promissor.

O autor não explorou seu cenário distópico, mas criou novas nomenclaturas para coisas do nosso
cotidiano, como por exemplo os negros, que na história de Neal são chamados de Umber. Os brancos, por sua vez, são chamados de Siena, e os homossexuais são chamados de Yin.

Em Fragmentados também há uma coisa chamada Cegonha, que nada mais é que uma entrega de bebês. Mas calma, não é nada disso que você está pensando. A Cegonha é um abandono de bebês “autorizado” pelo Governo. Se uma pessoa não quer o filho que acabou de ter ela pode deixá-lo na porta de alguém. A pessoa que recebe o bebê não poderá renegar a criança, deverá criá-la como se fosse um filho biológico.

O livro é narrado em terceira pessoa e há alternância entre os personagens. Achei meio estranho, pois esse artifício funciona melhor em narrativas em primeira pessoa, mas relevei. Outros personagens chave também têm seus próprios capítulos e eu achei interessante, pois nos dá uma perspectiva maior.

A edição da Novo Conceito está ótima, não encontrei erros de revisão. Também gosto bastante da capa, já que ela combina perfeitamente com o enredo do livro. A história é dividida em seis partes e na sexta há uma guinada bacana onde temos mais ação, tornando a história mais dinâmica.

Em suma, Fragmentados possui um enredo muito interessante, mas peca em não desenvolvê-lo mais profundamente, entretanto, seu desfecho me deu esperança. Agora eu espero que Desintegrados traga mais explicações do que dúvidas.


Observação: Essa resenha foi escrita por mim e foi postada originalmente no The Tony Lucas Blog. 😉

19 comentários

  1. Oie,
    li este livro assim que lançou e confesso que ele não me prendeu.

    bjos
    Blog Vanessa Sueroz
    Canal no youtube

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  2. Oi, Tami!
    Já comentei na resenha no blog do Tony, mas falo de novo: eu até queria ler esse livro, mas esses pontos negativos, sei não... Passo sem medo de ser feliz.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Promoção Quatro Anos de Minhas Escrituras

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  3. Oi, Tami.
    Esse livro não é o que costumo ler, e com esses pontos negativos acredito que não entra na minha lista.
    Beijo

    Te Conto Poesia ♥

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  4. Oi, Tamires. Comprei o livro em meio a um distúrbio de personalidade, porque simplesmente detesto distopias e agora que eu tenho, não faço ideia se algum vou ler ou não. Esse mundo novo que o autor criou me pareceu abusivo, excessivo e ditatorial demais. Como assim se alguém deixa um bebê na minha e eu sou obrigada a cuidar dele? WTF?! E essa pessoa fica dando pra deus e o mundo e depois não quer o bebê? (desculpe o palavreado mas estou revoltada kkk). Agora não sei se vou chegar a ler o livro af
    Beijo! Leitora Encantada

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    1. Distúrbio de personalidade foi ótimo! hahahaha

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  5. Oi Tamires, é um pena uma premissa tão boa ter essas falhas né? De todas as formas continuando achando esse dedo impressionante hehehehehhehe

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  6. Olá, Tamires.
    Que pena que encontrou tantos pontos negativos na história. Eu particularmente gostei bastante e me vi aflita na cena da desfragmentação. E estou ansiosa pelo segundo livro. Apesar de que nem lembro de como terminou o outro de tanto que demoram para publicar hehe.

    Prefácio

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    1. Que bom que você conseguiu aproveitar mais a história, Sil.

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  7. Oi
    uma pena que não gostou tanto, mesmo assim eu quero ler esse livro, porque achei a premissa dele diferente de algumas coisas que já li.

    momentocrivelli.blogspot.com

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    1. Leia sim, Denise. Espero que sua experiência seja proveitosa! ♥

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  8. Oi Tami,
    Tem vários livros da Novo Conceito que vou adiando porque nunca consegui encontrar um que realmente eu gostasse. Não sei o que acontece, mas mais uma vez, vou deixar passar.
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

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  9. Olá!
    lembro que quando esse livro lançou eu fiquei super afim de lê-lo, porém o tempo foi passando e perdi a vontade de ler a obra e seus motivos de não ter gostado tanto assim do livro poderia afetar a mim também se eu for ler, vou pensar bem antes de comprar fragmentados porém devo admitir que o enredo que o autor tenta criar é um tanto interessante.
    abraços!
    squadofreaders.blogspot.com

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    1. É mesmo muito interessante, Micaela. Eu estou com bons pressentimentos sobre continuação.

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  10. Oi Tamires, tudo bem?

    Fui lendo sua resenha e me interessando bastante pela obra, pois parecia uma distopia que tinha muito a oferecer. A istória da fragmentação me soa como algo bizarro e por isso mesmo seria bacana ver como um mundo assim funcionaria. Mas, decobir que o livro possui tantas falhas é desistimulante, não sei se leria. Continuo curiosa para conhecer a sociedade criada, mas como talvez irei me arrepender, não é algo que farei agora haha

    Beijos,

    Gnoma Leitora

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    1. Talvez a leitura funcione melhor com você, Alice. Só lendo para saber, então pensa com carinho! ;)

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