25 de janeiro de 2018

Resenha | Suicidas - Raphael Montes


Livro cedido em parceria com a editora.

Autor: Raphael Montes

Número de páginas: 432

Ano: 2017

Editora: Companhia das Letras

Skoob: AQUI

Compre: Amazon
Sinopse: As evidências indicam que os nove jovens encontrados mortos no porão de uma casa de campo participaram de uma roleta-russa. O que ninguém consegue responder é por que esses jovens, aparentemente felizes e privilegiados, decidiram se envolver em um jogo tão tenebroso. Um ano após o incidente, a delegada Diana Guimarães ainda junta as peças desse quebra-cabeça sangrento e convoca as mães dos suicidas a uma investigação - criminal e emocional - para entender o que realmente aconteceu.


Eu nunca poderia imaginar que dentro de uma cabeça havia tanto sangue.

Alessandro e Zak são melhores amigos desde sempre. Alê, estudioso, responsável e sem graça, não poderia ser mais diferente de Zak, inconsequente, desinteressado e o terror da mulherada. Eles fazem tudo juntos, tudo mesmo, e agora decidiram se matar no porão de Cyrille’s House, a casa de campo da família de Zak onde os amigos viveram muitos momentos juntos. Só que uma roleta-russa com dois participantes não parece muito promissora, e assim Zak convida mais sete pessoas que surpreendentemente topam o suicídio coletivo.

Maria João e Lucas são irmãos e fazem parte da banda sem nome de Alê e Zak. Lucas já tentou suicídio várias vezes, então sua entrada no esquema não é tão surpreendente, mas Maria João sempre foi aquela que estava atenta ao irmão e a qualquer sinal de uma próxima tentativa de suicídio, sendo assim, sua anuência é contraditória.

Ritinha e Noel estudam na mesma universidade de Alê e Zak. Ela já teve um rolo com Zak e chama atenção com sua beleza, já Noel é muito peculiar e morre de amores por Ritinha, o que talvez justifique sua concordância, já que ele quer estar perto dela seja onde for.

E por fim temos Waléria, Otto e Danilo. Waléria foi vítima de uma aposta entre Alê e Zak e essa aposta teve consequências. Otto é gay e está apaixonado por alguém que tem medo de sair do armário. Danilo, por sua vez, possui síndrome de Down e é inocente demais para acreditar na maldade humana.


Hoje é a primeira vez que pisaremos em Cyrille's House sem nossos pais. Também não poderia ser diferente. Não estamos indo para brincar no balanço ou nadar na piscina enquanto nossas mães conversam sobre a última moda em Paris. Dessa vez, vamos por algo muito mais sério. Nós decidimos nos matar.

O local fora escolhido, assim como a arma do crime, uma Taurus 608 que a cada rodada seria abastecida com uma das nove balas levadas por Zak. Tudo parecia bem planejado e Alê iria transcrever todos os acontecimentos na esperança de que, quando fossem encontradas, suas anotações finalmente iriam render-lhe seu tão sonhado livro publicado. E é em meio a muito álcool e drogas que tem início a roleta-russa, mas não demora muito para que as coisas comecem a desandar. Os ânimos vão se exaltando, verdades vão sendo ditas, e o que era para ser um suicídio coletivo vira uma verdadeira carnificina,

Pouco mais de um ano após o fatídico dia, a delegada Diana Guimarães convoca as mães dos jovens suicidas para tentar uma nova perspectiva. Acontece que, na cena do crime, entre os corpos brutalmente violados, a perícia encontrou o caderno de Alessandro, aquele que narrava o passo a passo da roleta-russa. Diana acha que, com a ajuda das mães, algo que a polícia não está enxergando pode vir à tona, mas a reunião é tensa e repleta de acusações.

Será que a pergunta que não quer calar finalmente vai ter uma resposta? Afinal, o que aconteceu em Cyrille's House?

Zak passou a flanela na arma, limpando o cilindro giratório a empunhadura e o cano. Então, escolheu uma das balas. Colocou-a em uma das oito câmaras, guardando as restantes no bolso. Percebendo que todos nós o observávamos, levantou os olhos e arqueou as sobrancelhas.
Num movimento ágil, girou o tambor e, antes que alguém pudesse enxergar em qual câmara estava a bala, o fechou. O revólver fez um clique metálico. Com um sorriso no rosto, Zak sacudiu a arma carregada no ar.
Era hora de começarmos.


••••••••••

Raphael Montes é um dos grandes nomes da literatura nacional e tem conseguido cada vez mais destaque fora do país. Não é para menos, Raphael é inteligentíssimo e sabe como prender a atenção do leitor. Com Suicidas não foi diferente. E olha que este livro foi escrito quando o autor tinha apenas dezenove anos, um talento!

A história é dividida de uma forma muito interessante. Uma parte aborda os momentos vividos pelos personagens já dentro do porão de Cyrille’s House e esses momentos são transcritos por Alessandro naquilo que seria sua grande obra post-mortem. Uma outra parte destaca os momentos – dias, semanas e meses – que antecedem a roleta-russa, onde vamos entendendo um pouco aqueles personagens e suas motivações. E por fim temos a parte em que as mães dos nove jovens são convidadas a ouvir a história contada por Alessandro em seu livro, algo bem mórbido by the way...

Os personagens são complexos e ambíguos, algo que adoro quando se trata do gênero em questão. Além disso, são muito diferentes entre si, o que torna o fato de todos terem aceitado aquela situação ainda mais difícil de compreender. Por isso é tão importante prestarmos atenção no antes para mergulharmos ainda mais no durante. Falar sobre cada um deles é contraproducente, acho que o que eu disse no resuminho já dá um vislumbre de como eles são. Para me aprofundar mais sobre suas motivações eu teria que falar coisas que, ao meu ver, são spoilers, por isso me permito a omissão. 💜

O que mais me atrai na escrita do Raphael é sua ousadia. Ele choca com o simples e quando eu digo simples quero dizer que ele não precisa inventar muito para entrar na nossa cabeça e dar uma bagunçada nela. Fazer do simples algo notável é difícil e é algo que poucos conseguem. Sobre as ressalvas, apenas duas coisas me incomodaram um pouquinho. A primeira foi o excesso de personagens; não que isso seja algo ruim por si só, já li livros com até mais, todavia, a organização, para mim, foi um pouquinho incômoda, principalmente a dinâmica das mães, onde eu tinha que ficar indo e voltando para ver quem era mãe de quem. A segunda foi o tamanho do livro, creio que a história não perderia sua força se fosse um pouco mais enxuta. Em alguns momentos ela torna-se levemente arrastada, mas não é algo que faça o leitor parar a leitura, pelo menos eu não cheguei a este ponto.


Eu não gosto muito de livros sobre suicídio, depressão, e afins. Acho que há uma linha muito tênue entre a abordagem segura e a imprudente, mas Raphael, mesmo muito novo, abordou o tema de uma maneira muito responsável, e mesmo com algumas frases mais incômodas nada foi dito de forma aleatória.

Esta nova edição da Companhia das Letras conta com folhas amareladas de boa qualidade e não encontrei erros de revisão. O livro é narrado em primeira pessoa, a não ser a parte da reunião com as mães na delegacia, que é a transcrição da  gravação da reunião. Vi que algumas pessoas não gostaram da capa, mas eu curti.

Em suma, Suicidas é um livro super interessante e, apesar de mostrar um Raphael mais cru, mostra também todo o potencial do mesmo. Não é à toa que ele está onde está e que, com absoluta certeza, mais longe chegará.

52 comentários

  1. Oi, Tami!
    Menina, eu quero muito ler esse livro, mas ainda não estou preparada psicologicamente para o assunto abordado.
    Beijos
    Balaio de Babados

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    1. Vai fazendo o trabalho de preparação então! Hahahab

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  2. Oie Tami =)

    Apesar do Raphael ser um autor bastante elogiado, infelizmente a temática das histórias dele não me chamam muita a atenção.

    Fico feliz em saber que você aproveitou a leitura ^^

    Beijos;***
    Ane Reis | Blog My Dear Library

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  3. Olá, Tamires.
    Eu só li um livro do autor até agora e já quero todos os livros dele. Ele tem muito talento mesmo. E já quero ler esse, mas vou esperar alguma promoção. Eu ainda não tinha lido nenhuma resenha desse e fiquei aqui na curiosidade para saber o que mais aconteceu naquele lugar.

    Prefácio

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  4. Oi, Tami!

    Nossa, lendo sua resenha eu entendi tudo o que tinha me deixado confusa em 100 páginas do livro hahaha sério, sua resenha foi extremamente esclarecedora, e eu queria que o livro tivesse sido um pouco assim, melhor organizado, então talvez por esse motivo acabei deixando a leitura de lado. Adoro os livros do Raphael, concordo sobre ele chocar com o simples e esse ser um dos grandes talentos na escrita dele, mas devido ao número grande de personagens e da leve confusão no início me senti meio perdida e pouco entusiasmada a prosseguir na leitura. Ainda assim, tenho muita curiosidade em saber a resposta pra essa grande questão, quanto ao que será que aconteceu de fato naquela roleta russa. Show de resenha Tami, adorei!!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br

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    1. Que bom que gostou da resenha, Carol, fico feliz! <3

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  5. Oi, Tami. Tudo bem?
    Eu ganhei o livro na caixa do Skoob mas ainda não me decidi se vou ler, isso porque eu nunca li nada do autor e fico com aquele receio de acabar achando a leitura entediante, justamente pelo excesso de páginas e pelo tema, já que é outro que eu não gosto muito de me aprofundar.
    Me lembra também um colega de escola que morreu em um jogo desses, CRUZES! Enfim, mesmo assim vou tentar ler algum dia e quem sabe eu não goste?
    Beijos
    http://www.suddenlythings.com/

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    1. Tenta ler alguns capítulos, Mi. Se não der certo você deixa pra lá. ;)

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  6. Olá Tami! Tudo bem?
    Sou louca para conhecer esse livro do Rapahel Montes, mas por ser curiosa mesmo, nunca tinha lido resenha.. e amei a sua! explicou bem tudinho e me deixou mais animada para ler! ^^ eu gosto disso que você falou dele da ousadia... acho ele super inteligente também! fiz um curso com ele e fui a um bate papo de lançamento e ele falou muita coisa interessante! inclusive que ele não queria ficar diminuindo muito o tamanho desse livro na revisão heheh
    beeijo

    http://lecaferouge.blogspot.com.br/

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  7. Oi Tamires!
    Diferente de vc, eu gosto da temática, mas não consigo gostar do estilo do Raphael. Já li algumas coisas dele, mas acho tudo muito exagerado e até previsível na tentativa dele de surpreender ao extremo. Não funciona para mim, mas que bom que a sua relação com as obras dele é outra.
    Beijos,
    Alem da Contracapa

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    1. Que pena, Mari. Eu não acho previsível, mas é questão de gosto mesmo, super compreensível. ;)

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  8. Oi Tami, eu tenho bastante curiosidade em conhecer a narrativa do autor, que é sempre super elogiada. Acho que não é muito fácil mesmo organizar muitos personagens numa história, mas ainda assim quero conferir.

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  9. Oiii Tami

    Realmente é um tema pesado, que inclusive é complicado de retratar e agradar o leitor, fico feliz em saber que o autor soube lidar com a trama que tinha e elaborou uma boa história, expondo o tema de maneira coerente e responsável. Já ouvi falar muito do Raphael Montes, quero ler algo dele com certeza.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  10. Oi Tami,
    Vixi, o Raphael está lançando vários livros e eu só consegui ler o primeiro até agora, rs.
    Não é um gênero que eu estou acostumada, mas gosto da escrita do autor, então quero dar continuidade a essas leituras.
    Beijos
    estante-da-ale.blogspot.com.br

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    1. Eu acho até que ele lança pouco livro, Alê... hahahaha

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  11. Excelente resenha, bem completa, esse não é um género literário que aprecie muito. :)

    MRS. MARGOT

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  12. Oi Tami,

    Confesso que a história do livro não me chamou atenção a ponto, acredito que deve ser o tema abordado, pois não é algo que eu curto ler.
    Mas que bom que você gostou e deu uma boa nota para a história.
    Bjs e um bom Domingo!
    Diário dos Livros
    Siga o Instagram

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  13. Oi.
    Nunca li nada do Raphael Montes... mas esse e Jantar Secreto estão na minha listinha. Bom saber que gostou!
    Adorei a resenha!
    Bjão

    http://www.cafeidilico.com

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  14. Oi Tami, tudo bem?
    Uau! Esse livro parece intenso.
    Eu só li O Vilarejo do Raphael e curti muito, e desde então quero ler outras obras dele. Contudo, essa foi disparada a que mais me chamou a atenção. Salvei no Skoob pra não esquecer. ;)
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  15. Esse tipo de livro carrega uma carga emocional.. Que bom que o autor soube abordar de uma forma interessante o tema. Mesmo assim é um assunto bem pesado..

    www.vivendosentimentos.com.br

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    1. Super pesado, tem que saber abordar muito bem!

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  16. Oie,

    parece um bom livro, inclusive nunca li nada do autor.

    https://submundosliterarios.blogspot.com.br/

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  17. Oi, Tamires!
    Eu só vejo as pessoas falando bem dos livros do Raphael.
    Não li O Vilareijo, porque não consigo ler nada de terror, então achei melhor passar longe. Porém, das resenhas que vi de Suicidas, fui ficando mais interessada na trama.
    Está na minha wishlist e espero ler em breve!
    Beijinhos,

    Galáxia dos Desejos

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  18. Oi Tami,
    Mais um do Raphael para lista!
    Fiquei super curiosa sobre o que realmente aconteceu e adorei que tem o envolvimento das mães. Ah, e que também tem uma delegada.
    Mais um que também daria um ótimo filme. Mas, nem dá pra comentar as creepeza porque ainda não li HAHAHA

    P.S.: Não acho que A Forma da Água seja apologia à zoofilia, até porque o final da Eliza deixa meio que claro uma verdades.
    HAHA se não for pra criar monstros e ter bizarrice, Del Toro nem começa. Se você gosta de romance, mais doce, veja e se apaixone pelo peixão tb hahaha

    bjs
    Nana - Canto Cultzíneo

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    1. Bem que a Globo poderia produzir uma minissérie...

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  19. Oi, Tami!
    Gata, a surpresa desse livro me deixou chocado quando li. Não esperava aquilo não, viu.

    Adorei a narrativa também e de fato, nada forçada e totalmente atraente. Pega vocÊ, sabe entreter fácil.

    Amei.
    Diego, Blog Vida & Letras
    www.blogvidaeletras.blogspot.com
    Instagram: @vidaeletras

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    1. Acho que ninguém que lê espera aquilo! Haahahaah

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  20. OOOOOOOOOI

    eu não sei se fico preocupada ou não: mas a temática muito me chama a atenção (junto com transtornos psicológicos em geral). Não sei se fico preocupada mesmo HAHAHAH
    e fiquei morta de vontade de ler esse :( inclusive, já pus na minha lista de prints de livros a serem lidos no futuro <3

    beijo
    www.beinghellz.com.br

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    1. Não precisa ficar preocupada não! hahahahha

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  21. Oi, Tami! Nunca li nada do autor e nem lembro de tê-lo visto por aí, mas olha, só a sinopse já me prendeu de uma maneira incrível! Mulher, que vontade de ler! Gostei muito da temática do livro.

    Beijo!
    www.controversos.com

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  22. Oi, Tami querida!
    Já ouvi falar do Raphael Montes, mas nunca tinha lido nem resenha de livros dele.
    E adorei essa.
    Adoro suspense, adoro thriller, e fiquei bem curiosa com toda essa questão do suicídio coletivo e o que levou tudo isso.
    Autores bons são aqueles que na simplicidade nos abalam.

    Beijooos

    www.casosacasoselivros.com

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  23. Oi Tami, como vai?
    Eu nunca li nada do Raphael, pois seus livros não costumam me atrair, mas achei muito legal ver que você curtiu a leitura. Eu fico muito feliz por ver um autor brasileiro ser tão bem recebido lá fora. Só por isso ele já merece muitos elogios.
    Bjus
    www.docesletras.com.br

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  24. Parece ser uma leitura muito envolvente!

    O Blog da Fênix agora é Cobaia Amiga! Para comemorar a mudança estou sorteando um presentinho para uma leitora lá no blog: http://www.cobaiaamiga.com/2018/01/sorteio-kit-cabelos.html

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  25. Oi
    você acredita que até hoje eu não li nada dele, mas tenho curiosidade e esse parece ser um livro interessante, mesmo com um tema pesado como esse e com personagens complexos.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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  26. Oi, Tami linda!!
    Menina, percebi que o Raphael está ficando famoso lá fora quando entrei em um perfil estrangeiro e vi a menina super feliz por tirar uma foto com o autora de "Dias Perfeitos". Que massa, né?
    Nunca li nenhum livro do autor, mas é pelo simples fato de ter medo de ler livros desse gênero. Sei que não chega a ser terror... mas vou ficar toda impressionada, rs.
    De qualquer forma, um dia darei uma chance!
    Amei a resenha e suas observações! Beijos

    Versos e Notas

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    1. Dá sim, Bah, nem que seja para conhecer a escrita dele.

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