23 de julho de 2018

Resenha | A Duquesa Feia - Eloisa James


Livro cedido em parceria com a editora.

Autora: Eloisa James

Tradutora: Lúcia Brito

Série: Contos de Fadas #3

Número de páginas: 272

Ano: 2018

Editora: Arqueiro

Skoob: AQUI

Compre: Amazon
Sinopse: Como ela ousa achar que ele a ama, quando Londres inteira a chama de Duquesa Feia?

Theodora Saxby é a última mulher com quem se poderia esperar que o lindo James Ryburn, herdeiro do ducado de Ashbrook, se casasse. Mas depois de um pedido romântico feito na frente do próprio príncipe, até a realista Theo se convence de que o futuro duque está apaixonado.

Ainda assim, os tabloides dizem que a união não durará mais do que seis meses.

Em seu íntimo, Theo acredita que os dois ficarão juntos para sempre… até que ela descobre que o que James desejava não era seu amor, mas seu dote. E a sociedade, que primeiro se chocou com seu casamento, se escandaliza com sua separação.

Agora James precisará enfrentar a batalha de sua vida para convencer Theo de que ele amava a patinha feia antes que ela se transformasse em cisne. E Theo logo descobrirá que, para um homem com alma de pirata, vale tudo no amor – e na guerra.


No tempo Antes, ela tinha fé. Tinha amor.
No tempo Depois... teve a verdade.

Um dos últimos pedidos do pai de Theodora Saxby fora para que seu amigo, o duque de Ashbrook, cuidasse de sua filha e de sua esposa, Imogen. A menina, então, cresceu junto com James Ryburn, conde de Islay e herdeiro do ducado de Ashbrook. Eles se tornaram melhores amigos e pareciam inseparáveis, até que, quando Theo completa dezessete anos, as consequências das ações do duque começam a dar as caras.

Ashbrook, conhecido como O Duque Tolo, é famoso por seus maus negócios. Com a situação do ducado cada vez mais difícil, Ashbrook começa a utilizar a fortuna de Theo, mas acaba se metendo em mais um mau negócio e perde todo o dinheiro logo quando Theo começa a receber os primeiros pedidos de casamento. Como não tem como cobrir o dote da jovem, Ashbrook dispensa os pretendentes antes mesmo de Imogen tomar conhecimento sobre eles, já que é ela quem deve aprovar o futuro marido da filha.

Para fugir do julgamento da Câmara dos Lordes, Ashbrook bola um plano: James precisa se casar com Theodora. Inicialmente, James é veementemente contra a ideia, porém, mesmo conhecendo a má índole do pai, não quer que ele acabe no fundo do poço. E se casar com sua melhor amiga não seria assim tão ruim, não é mesmo?

Aos 19 anos, James pensava ter entendido seu lugar na vida. Havia aprendido as lições mais importantes: como montar a cavalo, beber sem perder a compostura e se defender em um duelo.
Mas ninguém lhe ensinara - e ele jamais imaginara ser necessário aprender - como trair a única pessoa com quem se importava na vida. A única pessoa que realmente o amava. E como partir o coração dessa pessoa - no dia seguinte ou dentro de cinco ou dez anos.


Theodora nunca fora conhecida por sua beleza. Por conta de seu rosto anguloso e de seu corpo nada curvilíneo, a jovem é alvo de comentários maldosos desde seu debute. Todos a acham feia, menos James, que carinhosamente a chama de Daisy. Theo sabe que seus maiores atributos são sua personalidade e seu excelente gosto para moda, por isso não vê a hora de se casar, já que assim vai poder, entre outras coisas, escolher suas próprias roupas.

Theo já tem um pretendente em mente: Geoffrey Trevelyan. Como não consegue chamar a atenção do rapaz, Theodora pede para que James a ajude, já que eles frequentaram Eton juntos. Theo tem certeza que sua personalidade conquistará Geoffrey, mas para isso ela precisa fazer com que ele a note. James finge concordar com a ideia, já que precisa fazer com que ela o veja como mais que um amigo, porém, assistir Theo flertando com outro homem muda algo dentro dele. Será que se casar com Theodora seria um erro tão grande?

James, claro, acaba conseguindo fazer com que Theodora comece a enxergá-lo como algo mais e, após uma situação comprometedora, a pede em casamento. O enlace ocorre rápido e Londres só fala sobre o casamento do futuro duque de Ashbrook com o patinho feio da temporada: a futura Duquesa Feia. Theodora fica desolada quando lê as notícias, afinal, os tabloides estão apostando em quanto tempo vai demorar para que James perceba que cometeu um erro. James, por sua vez, começa a substituir a culpa de tê-la enganado por um sentimento genuíno. E se ele sempre amou Theo, mas nunca se dera conta disso? Só que James não imaginava que a verdade viria à tona tão rapidamente...

— Você é nojento. Completamente nojento. E o mais triste é que fiz tudo aquilo porque pensei que estivesse apaixonada e que você também me amasse. Não fiz pelo dinheiro, como você. ...
— Não faça isso — pediu ele, a voz pouco mais que um murmúrio rouco. — Por favor, Daisy, não. Não faça isso.
— Fazer o quê? Falar a verdade?
— Separar dos dois.
Ela esperou, mas ele não encontrou mais palavras.
— Não existe "nós" — disse ela, sentindo-se subitamente despedaçada.

Theo expulsa James de casa, e como a sociedade não sabe o real motivo da fuga do futuro duque, pensam que ele não aguentou ficar casado com uma mulher tão feia. Theo não aguenta ser motivo de chacota e acaba se isolando em Staffordshire. Já James embarca em um navio e parte sem rumo, lidando com as consequências de seus atos.


Sete anos se passam, e quando a Câmara dos Lordes está prestes a declarar a morte de James, o inesperado acontece: James retorna completamente transformado - interna e externamente - e quer de volta tudo o que é seu, inclusive Theodora. Entretanto, não foi só James que mudou. Theodora tornou-se uma mulher elegante e respeitada, o patinho feio se tornou um cisne, e talvez não haja mais lugar para James em sua vida.

••••••••••

Como acabei me decepcionando um pouco com a leitura de Um Beijo à Meia-Noite, as minhas expectativas em relação à leitura de A Duquesa Feia estavam sob controle, entretanto, infelizmente, acabei me decepcionando novamente. Ao contrário do que aconteceu no segundo livro, cuja história em si e os personagens eu não apreciei, nesta tudo estava funcionando... até começar a segunda parte.

O livro é dividido em duas partes, o antes, que é maravilhoso, e o depois, que deixou muito a desejar. Se a Theo de antes era atrevida e espirituosa, a do depois era amargurada e ressentida. Se o James de antes era apaixonado e ingênuo, o do depois era convencido e pedante.

Theodora tinha motivos para ser ressentida? Tinha! Mas a escolha de fazê-la ser assim, ao meu ver, não funcionou diante da proposta da história. Torná-la um "cisne" com o passar dos anos e fazer isso apenas externamente foi um desperdício, já que internamente ela continuava insegura por tudo aquilo que ela ouviu e leu sobre si mesma ao longo de toda sua vida.

Por mais que se mostrasse forte e segura para os outros, ela não era aquela pessoa; era como ler sobre o personagem de um personagem, o que não seria ruim, é um artifício comumente utilizado em thrillers, por exemplo, mas aqui não funcionou, não encaixou, e isso se torna ainda mais nítido na longa cena que temos ao final da segunda parte. E se no antes a química entre Theodora e James explodia, no depois, ao meu ver, não houve tempo hábil para fazer tudo aquilo retornar.

Não vou nem entrar em detalhes sobre o James de depois, pois considero aquilo que ele se tornou uma baita surpresa, ou seja, seria spoiler. Isso por si só teria sido uma parte positiva e não deixou de ser uma grande sacada da autora, mas não foi relevante, não da maneira como terminou. Quando há o grande clímax essa parte tão bacana simplesmente termina, no fim das contas foi apenas uma saída para mantê-lo longe.


Agora vamos falar sobre a parte boa, né? Porque sim, ela existe e tem nome e sobrenome: Theodora Saxby! Ela se tornou uma das minhas personagens favoritas de todos os tempos, mesmo com aquele pequeno porém acerca de suas atitudes no "depois". Tá certo que gostei m,uito mais da Theodora de dezessete anos do que a de vinte e quatro, mas a de vinte e quatro é uma empreendedora! Como não valorizar isso em uma história cuja época onde é ambientada tratava as mulheres como meros seres reprodutores? Após a partida de James, Theodora transformou um ducado falido em um dos ducados mais prósperos de toda Inglaterra. É Theodora que salva o livro e ela merecia um par à sua altura!

Gostei da pequena abordagem sobre a sexualidade feminina. Uma "mulher de respeito", naquela época, não poderia encarar sua sexualidade como algo prazeroso, como algo bom, algo que deveria ser explorado de todas as maneiras que ela quisesse. Algumas coisas eram praticadas apenas com cortesãs, as "mulheres fáceis", e é fazendo leituras assim que nós podemos perceber o quanto nós evoluímos nesse aspecto, mesmo que ainda haja alguns tabus.

Falar sobre a edição dos livros da Arqueiro acaba se tornando repetitivo, pois a editora sempre nos presenteia com edições lindas! Eu adorei a capa do livro, tem tudo a ver com a história, eu só abriria mão das penas ao redor da máscara, pois elas quase não se destacam. O livro é narrado em terceira pessoa e encontrei apenas dois erros de revisão, nada grave.

 
Como vocês puderam perceber, a leitura de A Duquesa Feia teve mais baixos do que altos, mas é como eu sempre digo: não se deixem levar por uma opinião negativa! Se você está com vontade de ler, leia, pois sua experiência poderá ser mil vezes melhor que a minha! 😉

Leia mais:

Quando a Bela Domou a FeraUm Beijo à Meia-Noite


22 comentários

  1. Oi, Tami! Tudo bem?

    Já tinha visto fotos do livro, mas não sabia do que ele falava e sinceramente, só de ver que era um casamentos, meio que "falso" para não perder uma herança e tudo mais, me desanimou. Li um livro assim e foi maravilhoso (é um dos meus favoritos da vida), mas já enjoei desta mesma premissa básica, entende?
    Pelo que você falou, acho que eu também não iria gostar do depois dos personagens, mas é bom ver a mulher, em uma história de época, sendo empresária e também a questão de falar sobre a sexualidade feminina.
    Mesmo assim, acho que eu não leria este livro, pelo menos por agora.

    Beijos,
    Magia é Sonhar
    Conheça o nosso Canal

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  2. Hey Tami! Tudo bom?
    Eu não conhecia esse livro, e apesar de não gostar muito de romances de época eu achei A CAPA LINDA demais!
    Obrigada pelo comentário lá no meu blog.
    Volte sempre!

    ~ miiistoquente

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  3. Olá, Tamires.
    Eu quase que não leio a resenha depois que vi a nota. Eu li sua resenha de Um Beijo a Meia-noite, fui sem muitas expectativas e mesmo assim decepcionei. E estava achando que esse ia apagar essa má impressão mas pelo jeito não. Mas como já tenho ele vou ler, quem sabe dessa vez nossa opinião é diferente.

    Prefácio

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    1. Aiii tomara que você goste, Sil, de verdade!

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  4. Oi Tami, eu não passei por decepção com a Eloisa James rsrsrs Na verdade eu gosto bastante do segundo livro da série, mais que esse inclusive. de qualquer forma, a parte ressentida da protagonista não é o ponto forte mesmo da trama, mas eu adorei o que acontece com o James rsrsrs

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Que bom que não passou, Mi. Mas a autora ainda está com saldo positivo comigo...

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  5. Oi, Tami!
    Eu vi a resenha de um desses livros e fiquei bem curiosa para ler e saber o rumo que a autora daria à trama. Agora aconteceu a mesma coisa com essa sua resenha! Mesmo com as suas ressalvas, quero tentar a leitura.
    Beijinhos,

    Galáxia dos Desejos

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  6. Oi, Tami!
    Pois eu amei Um Beijo À Meia-Noite. Porém, vou com calma nesse aqui porque né... vai que não é bom pra mim também.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  7. Oi, Tami
    Sendo bem sincera, não acho os livros da Eloisa James os melhores que li, tem autoras que conseguem ser melhores. Eu li essa versão de Portugal ano passado e até dei nota 4 porque gostei, mas sabe quando você sente que algo faltou? Alguma coisa me incomodava na história e eu não sabia o que era, acho que é exatamente isso que você falou. A nova "personalidade" dos personagens é muito diferente das que eles tinham antes e não funcionou. Theo era ressentida horrores, o que atraía James pra ficar perto dela e seduzi-la, mas poderia ter sido melhor trabalhado.
    Beijos
    http://www.suddenlythings.com

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  8. Concordo muito com você nessa resenha, eu fui super ansiosa na leitura, a primeira parte foi muito boa, mas a segunda deixo muito a desejar... Concordo sobre a capa tbm, sem as penas seria uma capa 10x mais bonita kkkkk estou ansiosa pelo próximo livro...

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  9. Confesso que não gosto de ler muitas histórias assim e por ela não ter te surpreendido já me desanimou também. Mas, é como você falou, para quem está curioso para ler vale a pena conhecer!

    www.kailagarcia.com

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  10. Oi Tami! O primeiro é meu favorito e estava com esperança que esse fosse tão bom quanto ele. Tomara que me agrade. Pena não ter dado certo para você, Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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    1. Torço para que sua experiência seja melhor, Cida!

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  11. Esse é um tipo de série que não me atrai, ainda mais você não gostando do livro anterior e enfim, não tenho vontade de ler rs.

    Tenha uma ótima noite!

    Abraços,
    Naty
    http://www.revelandosentimentos.com.br

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    1. Que pena, romances de época são maravilhosos!

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