27 de agosto de 2018

Resenha | Mas Tem Que Ser Mesmo Para Sempre? - Sophie Kinsella


Livro cedido em parceria com a editora.

Autora: Sophie Kinsella

Tradutora: Raquel Zampil

Número de páginas: 378

Ano: 2018

Editora: Record

Skoob: AQUI

Compre: Amazon
Sinopse: Juntos há dez anos, Sylvie e Dan compartilham todas as características de uma vida feliz: uma bela casa, bons empregos, duas filhas lindas, além de um relacionamento tão simbiótico que eles nem chegam a completar suas frases – um sempre termina a fala do outro.

No entanto, quando os dois vão ao médico um dia, ouvem que sua saúde é tão boa que provavelmente vão viver mais uns 68 anos juntos... e é aí que o pânico se instala. Eles nunca imaginaram que o “até que a morte nos separe” pudesse significar sete décadas de convivência. Em nome da sobrevivência do casamento, eles rapidamente bolam um plano para manter acesa a chama da paixão: de um jeito criativo e dinâmico, passam a fazer pequenas surpresas mútuas, a fim de que seus anos (extras) juntos nunca se tornem um tédio.

Porém, assim que o Projeto Surpresa é colocado em prática, contratempos acontecem e segredos vêm à tona, o que ameaça sua relação aparentemente inabalável. Quando um escândalo do passado é revelado e algumas importantes verdades não ditas são questionadas, os dois – que antes tinhas certeza de se conhecerem melhor do que ninguém – começam a se perguntar: "Quem é essa pessoa de verdade?...”

Um livro espirituoso e emocionante que esmiúça os meandros do casamento e que demonstra como aqueles que amamos e achamos que conhecemos muito bem são os que mais podem nos surpreender.


— ... Amar é achar uma pessoa infinitamente fascinante. — John parece perder-se novamente em pensamentos... e então retorna. — E portanto... não é uma conquista, minha querida. — Ele me oferece um sorriso suave e bondoso. — É, sim, um privilégio.

Sylvie e Dan são o que podemos chamar de o casal perfeito. A sintonia entre eles é enorme e eles chegam a completar as frases um do outro e a estar sempre um passo à frente: quando um está pensando em algo, o outro já o fez. Casados há dez anos e pais das gêmeas Tessa e Anna, eles pensavam que nada seria capaz de abalar suas vidas práticas e confortáveis. Até que uma simples consulta médica o faz. Porém, engana-se quem pensa que uma doença é a causa do abalo em suas vidas aparentemente perfeitas, muito pelo contrário, é o excesso de saúde, que de acordo com Dr. Bamford, os levará a viver mais de cem anos. Ambos com trinta e dois anos, Sylvie e Dan não encaram muito bem o fato de que terão que passar os próximos sessenta e oito anos juntos, e isso desencadeia a primeira crise real em seu casamento.

— Dan. — Cutuco seu pé. — Dan!
— Certo! — Ele volta a si e me dirige um sorriso que é um ricto.
— Não é uma ótima notícia? — Consigo dizer. — Mais sessenta e oito anos juntos! Isso é simplesmente... quer dizer... que sorte a nossa!
— Totalmente! — concorda Dan com uma voz desesperada, estrangulada. — Sessenta e oito anos. Sorte... a nossa.

Passado o choque inicial, Sylvie começa a pensar no que pode fazer para enfrentar os próximos sessenta e oito anos de vida conjugal. Como manter seu marido interessado, como não cair na rotina? É aí que surge a ideia do Projeto Me Surpreenda, onde eles teriam que, vez ou outra, surpreender um ao outro da maneira mais criativa que conseguissem imaginar. Inicialmente Dan fica um pouco cético, desconfiado, sem muita vontade de entrar na brincadeira, mas ele acaba topando e eles começam a colocar o plano em prática. Quem não concorda muito com a ideia é Tilda, vizinha e amiga de Sylvie que tenta aconselhá-la, mas não consegue fazer a amiga mudar de ideia.

 

— Divertido? — Tilda parece espantada. — Surpresas não são divertidas.
— São sim! — Não posso deixar de rir da expressão no rosto dela.
— Eu entendo "manter seu casamento animado". Isso eu entendo. Mas surpresas, não. — Ela sacode a cabeça enfaticamente. — Surpresas têm o péssimo hábito de dar errado.
— Não têm não! — replico, me sentindo incomodada. — Todo mundo adora surpresas.
— A vida já nos presenteia com uma quantidade suficiente de imprevistos. Para que buscar mais? Isso não vai acabar bem — ela acrescenta sombriamente, e eu experimento uma leve irritação.

Tilda, entretanto, estava certa. Os tiros começam a sair pela culatra e o que era para ser motivo de união começa a desgastar ainda mais o casamento... muito mais rápido do que Sylvie imaginava. Porém, será que ela realmente conhece os motivos dos recentes atritos? Ou será que ela somente pensa que os conhece? Concomitantemente, os personagens precisam lidar com outros problemas que os deixam ainda mais estressados e que reverberam em seu já estremecido relacionamento.

Sylvie precisa encontrar uma maneira de salvar a Willoughby House, museu no qual trabalha e que está prestes a ser demolido para se tornar um condomínio. Dan, por sua vez, precisa contornar um problema com o qual lida há muitos anos e que vem fugindo de seu controle... de uma coisa estejam certos: dessa surpresa Sylvie não irá gostar nem um pouco!

••••••••••

Finalmente tive meu primeiro contato com a escrita de Sophie Kinsella, aquela que dizem ser a rainha do chick-lit. Quem sou eu para destroná-la, até mesmo porque não há como tirar conclusões sobre uma carreira consolidada tendo como base apenas uma leitura, mas sinto a necessidade de confessar que Mas Tem Que Ser Mesmo Para Sempre? foi um balde de água fria. Não comprei essa sinopse desde o início, mas por conta da fama da autora e do fato deste ter sido considerado um de seus melhores trabalhos até o momento, resolvi arriscar. E não rolou...


Sou uma pessoa romântica, confesso. Não acredito em amores perfeitos, mas acredito em amores duradouros e até mesmo eternos. Dentro da minha casa eu tenho um exemplo de um casamento que já dura quase cinquenta anos, com seus altos e baixos, seus momentos bons e ruins, mas com cumplicidade, respeito e amor. Sempre achei e continuo achando que devemos nos comprometer pensando no longo prazo, ninguém casa e anota na certidão de casamento a data de validade da união, correto? Meu problema todo com a história começou aí, pois uma notícia que deveria alegrar os personagens, que se orgulhavam tanto do tipo de relacionamento que possuíam, os deixou perdidos, sem saber o que fazer. Era algo como "eu te amo, mas não queria passar tanto tempo ao seu lado, foi mal".

A justificativa para tal comportamento também não me convenceu. O grande problema deles era o fato de não saberem como lidar com o tempo, de não saberem como não perder o interesse um pelo outro, mas eles já estavam juntos há dez anos, pelo amor de Deus! O livro começa com Sylvie nos contando como é sua vida com Dan, em como eles são perfeitos juntos, em como tudo é simples e prático... aí depois ela surta? Ela simplesmente esquece de toda simplicidade e praticidade daquele relacionamento porque descobriu que talvez terá que passar mais seis décadas ao lado dele?

Ok, passado esse meu problema inicial, abri minha mente. Pensei "vamos ver como tudo isso vai ser desenvolvido"... mas é aí que está, não foi! O Projeto Me Surpreenda é tão subaproveitado que chega a ser decepcionante. Nenhuma surpresa é divertida e/ou espirituosa, são bobas e dispensáveis. O Projeto, na verdade, só serviu como escada para a introdução do que realmente a autora quis destacar, o tal segredo de Dan, que no fim das contas destoa completamente da história e acaba deixando tudo extremamente cansativo.

Um outro ponto que me incomodou bastante, com ênfase no bastante, foi o excesso de mal-entendidos. Chegou num ponto onde em todo capítulo havia um disse me disse, algo que poderia facilmente ser resolvido com uma conversa. Eu detesto esse artifício, seja qual for o gênero. Um mal-entendido é até aceitável, afinal, muitas histórias partem desse pressuposto, mas vários? E foi exatamente por isso que não consegui gostar de Sylvie, já que ela é a narradora e mostrou-se uma mulher insegura e infantil, incapaz de verbalizar suas preocupações com a pessoa com a qual dividia a vida. Falando nele, Dan até que é um personagem simpático, todavia, faltou um POV dele para fazer com que o leitor entendesse sua perspectiva sobre aquela situação toda, mas devido ao segredo eu cheguei à conclusão que suas preocupações eram muito diferentes e muito mais plausíveis que as de Sylvie.


Coadjuvantes existem, mas não têm uma função muito relevante. Tilda é a que tem mais destaque, mas seu papel é o de ouvinte, nada mais. A Sra. Kendrick, chefe de Sylvie no museu, até que é divertida e em suas poucas aparições conseguiu a proeza de me fazer dar alguns sorrisinhos. Já Robert, sobrinho da Sra. Kendrick que foi introduzido na história de maneira promissora, não teve função nenhuma na trama. Como ponto positivo tenho que destacar Tessa e Anna, as filhas gêmeas de Sylvie e Dan, que são crianças espertas e adoráveis.

E o que falar sobre essa capa, né? Linda! Fiquei bem satisfeita da editora ter saído do padrão dos livros da autora, já que eu não gosto nadinha das capas dos livros dela. Espero que os próximos continuem seguindo essa mesma linha. A edição está bem diagramada, as folhas são amareladas e foram poucos os erros encontrados.

Como vocês puderam perceber, a leitura de Mas Tem Que Ser Mesmo Para Sempre? não funcionou para mim, mas isso não quer dizer que o mesmo vai acontecer com vocês. Se você tem interesse de fazer essa leitura, faça! Sua experiência pode ser completamente diferente da minha. 😉


29 comentários

  1. Oi, Tami
    Eu vi algumas resenhas mesmo sobre esse não ser o melhor livro da autora. Infelizmente você deu uma má sorte porque todos os livros que li dela eu adorei! Então mesmo assim, não desista e tente ler outras obras, tipo O segredo de Emma Corrigan ou Fiquei com seu número, que são realmente bons.
    Beijo
    http://www.suddenlythings.com/

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    1. Vou ler esse da Emma por causa do filme, espero não me decepcionar novamente...

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  2. Oi Tami!
    Eu já li um livro da autora, Fiquei com o seu número, e eu amei demais, é muito bom!
    Mas n sei se irei curtir tds os outros dela...
    Um pena q esse n funcionou com vc!
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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  3. Oi Tami,

    Há alguns anos atrás tentei um outro livro da autora e confesso que tive que abandoná-lo. Não sei se no momento não estava no clima ou se todos os livros dela tem a mesma pegada do que eu comecei, mas lembro bem que tinha achado meio sem sal comparado a outras autoras do gênero. Mas como você disse, não podemos julgar lendo um livro só.
    Coloquei esse na lista, vamos ver se dessa vez vai rs.
    Bjs e uma boa semana!
    Diário dos Livros
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    1. Espero que dessa vez a escolha funcione, Jess.

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  4. Oi Tami! Primeira resenha que leio sobre o livro que, até então, estava me interessando, mas não tanto assim e foi bom saber um pouco mais sobre a história. Acho que eu iria me incomodar muito com esse excesso de mal-entendidos, realmente é muito irritante quando a trama se desenvolve em cima de vários deles. Vou repensar sobre o livro.
    Beijos
    http://espiraldelivros.blogspot.com/

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    1. Ah, mas vai que com você funciona? Nunca se sabe... ;)

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  5. Oi, Tami!
    Eu comecei a ler esse livro, mas parei nas primeiras páginas. Não porque não estava gostando, mas porque chegaram outros muito mais importantes por aqui e tive que deixar esse de lado por um tempo. No pouco que li, também não entendi o motivo de duas pessoas casadas não gostarem de passar mais tempo juntas haha isso não entrou muito bem na minha cabeça...
    Sou apaixonada pelas tramas da autora e já dei várias risadas com outros livros dela, mas você não é a primeira que não gostou muito desse. Pelo menos, vou voltar a leitura com a expectativa mais baixa e dessa forma, posso me surpreender no final hahaha
    Ah, se quiser tentar outra da autora, vá com Fiquei com o seu Número. É o meu preferido!
    Beijinhos,

    Galáxia dos Desejos

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  6. Oi, Tami!
    Nunca li nada da autora e já sei que não vou começar por esse.
    Eu não sou uma pessoa romântica, mas acho bonito esse lance do duradouro e tudo mais. Então eu já não ia comprar esse surto do casal.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Concorra a um exemplar autografado de O que eu tô fazendo da minha vida
    Sorteio de aniversário Balaio de Babados e O que tem na nossa estante. São quatro kits; um para cada ganhador

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  7. Oiii Tami

    A sinopse já não me convencia muito e as várias resenhas alertando que esse não é o melhor da Kinsella ja haviam me deixado com o pé atrás. Li recentemente Minha vida (não tão) perfeita e gostei demais, pretendo ler outras obras da KInsella, mas esse certamente vou riscar da lista.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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    1. Eu tenho Minha Vida (Não Tão) Perfeita, mas não li. Espero gostar como você. #oremos hahahaha

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  8. Oie Tami =)

    Acredita que eu nunca li nada da Sophie? Sempre leio resenhas maravilhosas dos livros dela, e me sinto uma ET por até hoje não ter dado uma chance para as histórias da autora.

    Preciso resolver isso logo rs...

    Beijos;***
    Ariane Reis | Blog My Dear Library

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    1. Acredito, pq eu mesma nunca tinha lido nada! Hahahah

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  9. Olá Tamires,

    Faz um tempo que eu não leio nada do gênero, tenho muita vontade de conhecer a escrita da autora, uma pena o livro não ter superado as suas expectativas...bjs.


    http://devoradordeletras.blogspot.com

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  10. Olá, Tamires.
    Eu já li 7 livros da autora e só teve um que não gostei tanto, A Lua De Mel que por acaso foi o mais recente dela que li. Dos lançados depois dele não li nenhum ainda. Eu não sei porque, mas tem autores que depois que alcançam um patamar começam a escrever coisas ruins. Conheço vários autores famosos assim. Eu não sei se vou ler esse porque assim como você tenho o exemplo dos meus pais que ficaram mais de 60 anos juntos até meu pai falecer e esse enredo não me convenceu. Só a capa hehe.

    Prefácio

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    1. Pra gente que convive com pessoas casadas há décadas fica difícil de engolir, né? Hahaha

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  11. Oi Tamires!
    Que pena que a sua primeira experiência com a autora foi esse balde de água fria. E realmente...parece que foram várias coisinhas difíceis de engolir. Como vc disse: "uma passa, mas uma atrás da outra..."
    Mas e aÍ? Vc arrisca outros livros da autora?
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

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  12. Oi Tami! Todos que li da autora eu curti, mas esse quem leu no blog foi a Marise. Ela curtiu, mas não achou o melhor da Kinsella. O enredo me agrada, só quem convive muitos anos com a mesma pessoa sabe como é difícil rsrsrsrs mas caso eu leia, vou alinhar as expectativas!

    BJs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  13. Gosto muito da Sophie Kinsella, aquelas leituras fúteis mas gostosas de ler, não conhecia esse livro, mas já estou a aguardar que ele seja lançado aqui em Portugal, eu entendo quem não goste do tipo de escrita dela ou das histórias, mas eu gosto de um chick lit básico. :)
    A capa é linda :)

    MRS. MARGOT

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  14. Oi Tami,
    Tenho uns livros da autora aqui, um até comprei errado, mas ainda nem li.
    Fui lendo sobre e fiquei imaginando se tinha um POV do marido, mas que pena! Faria muita diferença mesmo na história. Não imagino o segredo dele, mas já fiquei com a pulga atrás da orelha com essa notícia dos cem anos haha.

    até mais,
    Nana - Canto Cultzíneo

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  15. Oi Tami, como vai?
    Uma pena que não funcionou para você. Esse está na minha lista, mas já não estou mais tão ansiosa para ler.
    Eu só li dois livros da Sophie até hoje e gostei muito dos dois. O Segredo de Emma Corrigam foi o primeiro que li e gostei tanto que já reli uma três vezes no mínimo, sempre indico para as amigas. Lembro que ele me fez até passar vergonha... Estava lendo no ônibus e de repente me vi dando altas gargalhadas com as loucuras da mocinha. O outro que li foi Os Delírios de Consumo de Becky Bloom. Se algum dia resolver tentar a autora de novo, leia o da Emma. Bjus
    www.docesletras.com.br

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