7 de setembro de 2018

Resenha | Nada Escapa a Lady Whistledown - Julia Quinn, Suzanne Enoch, Karen Hawkins e Mia Ryan


Livro cedido em parceria com a editora.

Autoras: Julia Quinn, Suzanne Enoch, Karen Hawkins e Mia Ryan

Tradutora: Ana Beatriz Rodrigues

Série: Lady Whistledown #2

Número de páginas: 320

Ano: 2018

Editora: Arqueiro

Skoob: AQUI

Compre: Amazon
Sinopse: Em Nada Escapa a Lady Whistledown, a cronista eternizada por Julia Quinn continua a revelar os acontecimentos mais apimentados da temporada londrina. Suas colunas são o fio condutor das quatro histórias que formam esta encantadora e divertida coletânea.

Julia Quinn encanta...

A alta sociedade está em polvorosa, afinal a debutante mais promissora da temporada foi rejeitada por seu pretendente... apenas para ser conquistada em seguida pelo charmoso irmão mais velho do canalha que não a quis.

Suzanne Enoch fascina...

Um futuro noivo fica sabendo que o comportamento escandaloso de sua bela prometida foi parar na coluna de lady Whistledown e volta correndo para Londres com o intuito de ganhar o coração da moça de uma vez por todas.

Karen Hawkins seduz...

Um conhecido libertino tem sua amizade mais antiga e seu coração postos à prova quando uma adorável dama se encanta por outro cavalheiro.

Mia Ryan delicia...

Uma jovem é despejada da própria casa por um detestável – embora charmoso – marquês que pretende tomar posse não apenas do imóvel, mas também de sua antiga moradora.


Há tanto a ser dito sobre o baile oferecido por lady Trowbridge, em Hampstead, que esta autora não teria como contar tudo em uma só coluna...

Crônicas da sociedade de lady Whistledown, maio de 1813

Lady Whistledown está de volta neste último volume da parceria entre Julia Quinn, Suzanne Enoch, Karen Hawkins e Mia Ryan. Adianto que achei esse volume inferior ao primeiro, Lady Whistledown Contra-Ataca, mas não deixa de ser uma leitura divertida. Todos os contos são ambientados em uma época em que Londres estava sofrendo com uma onda de frio extremo, nunca antes vista. Como são histórias curtas, repetirei a abordagem da resenha do primeiro volume. 😉

O conto que abre a antologia é o de Suzanne Enoch, intitulado Um Amor Verdadeiro. Nele vamos conhecer Anne Bishop, cuja mão fora prometida a Maximilian Trent, marquês de Halfurst, quando ela era um bebê. Nada anormal em um tempo em que noivados assim eram corriqueiros, só que pouco tempo depois, Maximilian e sua família deixam a cidade rumo à Yorkshire e desde então tudo o que se sabe sobre ele não passam de rumores, vários deles incluindo a possibilidade dele estar falido.

Dezenove anos se passam, e Anne, que está em sua melhor fase, também está inconformada com a falta de notícias de seu pretendente, que só se corresponde com o pai dela. Foram dezenove anos sem uma carta sequer, ela nem ao menos conhece sua aparência e agora ele está em sua casa para vê-la. Como se essa aparição repentina não bastasse, ele ainda pretende casar-se com ela e levá-la embora para Yorkshire o mais rápido possível, tudo porque ele não gostou de algo que leu em uma das colunas de lady Whistledown.

Anne, obviamente, fica revoltada. Como ele ousa dar as caras sem mais nem menos após dezenove anos de completo silêncio? A jovem obviamente recusa a proposta e não pretende facilitar a vida de lorde Halfurst, por mais que ele não seja o gordo, careca, descuidado, baixinho e malcheiroso criador de ovelhas que ela imaginava.

Agora, para conquistar sua futura marquesa, Maximilian terá que correr atrás do tempo perdido...

— Espero que se renda — disse ele, com tranquilidade, estendendo a mão para pegar a dela.
...
Ela o observou endireitar o corpo.
— Se espera que eu me renda — disse ela, a voz ligeiramente trêmula —, caberá ao senhor convencer-me.
Maximilian sorriu.
— Que comece a batalha.

Um Amor Verdadeiro abre o livro com chave de ouro!

Anne é uma jovem muito decidida e o que mais a assusta nem é o fato de ter que se casar com um completo desconhecido, e sim a possibilidade de deixar Londres para trás. Ela gosta muito dos eventos e da cidade, por isso não se vê vivendo como uma eremita no interior da Inglaterra. Já Maximilian sabe que errou e por isso a gente não fica com raiva dele - pelo menos eu não fiquei. Ele é sete anos mais velho que Anne e não considerava apropriado corresponder-se romanticamente com ela enquanto ela ainda era uma criança, o que eu achei bem pertinente. Depois ele meio que fica "esperando o momento certo", que nunca chega... até que lady Whistledown, com sua língua ferina, entra em cena.

Sendo bem sincera, foi o único conto que eu gostei do início ao fim. Esse jogo de conquista foi muito bem trabalhado por Suzanne, e ainda que ela possuísse um curto espaço para trabalhá-lo, tudo foi conduzido de uma maneira muito gostosa, com ótimos diálogos e cenas muito envolventes.


Em seguida temos Karen Hawkins com o conto Dois Corações, onde vamos conhecer Elizabeth Pritchard e Royce Pemberley.

Liza, como Elizabeth é chamada, perdeu os pais com apenas três anos de idade. Seu tutor legal era o advogado da família, com quem aprendeu a gerir suas posses. Agora, aos trinta e um anos, Liza é uma mulher de grande fortuna, mas também é uma solteirona que é vista como excêntrica por toda a sociedade, que não vê com bons olhos suas escolhas de vestimentas pouco ortodoxas.

Liza pode até não ter família, mas possui amigos muito leais: Margaret Shelbourne e o irmão dela, Royce Pemberley, um homem adorável, mas um libertino incorrigível.

Quando Liza, repentinamente, resolve se casar com o recém-chegado lorde Durham, Margaret fica muito preocupada, já que não conhece o sujeito e teme que ele esteja interessado apenas na fortuna da amiga. Sendo assim, ela pede para que Royce tente descobrir mais a respeito de Durham, mas Royce acaba descobrindo outras coisas no meio do caminho...

Royce ficou parado, encarando o nada. Era coisa demais para digerir. Há quanto tempo amava Liza? Dias? Meses? Ou quem sabe anos? Será que ele não comparava silenciosamente todas as mulheres que conhecia a ela? Era como se ela sempre estivesse presente em seu coração, escondida em um canto seguro, esperando o momento certo para revelar sua verdadeira beleza.

Esta é aquela típica história de amor disfarçado de amizade. Foi preciso existir a iminência da perda para que Royce acordasse e analisasse melhor seus sentimentos para com Liza. É a história mais madura da antologia, já que os personagens possuem mais de trinta anos (Royce possui quase quarenta), e por mais que eu aprecie essa pegada mais centrada, senti que faltou um pouco mais de paixão. Não é um conto ruim, ok? Apenas não me conquistou por completo.

Temos também alguns momentos divertidos envolvendo lorde Durham e George, o mico de estimação de Liza. Sim, ela possui um mico de estimação! E outra coisa bem bacana é a classe com a qual ela carrega sua personalidade, vista com maus olhos por todos. Ela sabe que seus gostos não são nada convencionais, mas não está nem aí. Essa parte eu adorei!


Mia Ryan assina a terceira história, Uma Dúzia de Beijos, onde vamos conhecer Caroline Starling e Terrance Greyson, marquês de Darington.

Há cerca de cinco anos, lorde Darington expulsou Caroline e sua mãe, Georgiana, da propriedade deixada por seu falecido primo, no Surrey. As mulheres tiveram um par de dias para desocupar a casa sem receber nenhuma cortesia de seu novo proprietário.

Agora Caroline, ou Linney, está noiva de Ernest Wareing, conde de Pellering, e não poderia estar mais infeliz. Ela não poderia se sentir menos interessada por seu futuro marido, e é por isso que está chorando escondida em pleno Theatre Royal. Inesperadamente, um homem surge lhe oferecendo um lenço e Caroline acha suas covinhas encantadoras. Qual não é a sua surpresa quando descobre que aquele homem é a pessoa que a despejou do único lugar que chamou de lar.

Antes de herdar a propriedade no Surrey, Terrance era um soldado. A morte do primo coincidiu com um acontecimento trágico na vida do marquês, por isso seu melhor amigo, Ronald Stuart, teve de agir rapidamente e hoje Terrance colhe as consequências daqueles dias.

Terrance precisa se casar e conta com a ajuda de Stu para escolher sua noiva, mas acontece que ele não consegue tirar Linney da cabeça... e a recíproca é verdadeira. Só que Stu acha que Linney não é boa o bastante para Terrance e um tanto insossa. E o que dizer de Georgiana? Como ela iria encarar o fato da filha estar interessada pelo homem que as expulsou de casa?

Mais do que qualquer coisa, desejo fazê-la feliz. Quero dançar com a senhorita. Ou não dançar. Quero caminhar ao seu lado, ou ficar parado, ou sentar. Qualquer coisa, desde que me permita ficar por perto, sentir sua pele macia sob meus dedos, provar seus lábios e ouvir sua voz.
E, definitivamente, deixe-me tirá-la das sombras e fazer com que o mundo perceba o que está perdendo.

Uma Dúzia de Beijos é o conto mais curto, mas o que possuía a proposta mais legal de toda a antologia.

Linney é uma boa personagem; sonhadora, ingênua e insegura, a jovem sofre com o futuro que lhe espera. Sua mãe também não ajuda, vive colocando a filha para baixo, falando que ela deveria agradecer o fato de um conde ter se interessado por ela, como se ela não merecesse a atenção do nobre. Mas é Terrance que rouba a cena! Ele possui uma questão relacionada a sua capacidade de se comunicar - que não vou falar qual é porque eu considero spoiler - e isso deixa seus diálogos super engraçados. Vê-lo lutando contra suas limitações faz com que a gente tenha vontade de confortá-lo, é muito fofo.

Eu curti o esqueleto da história, mas senti que faltou um pouco de desenvolvimento, principalmente no desfecho. Era muita coisa para ser trabalhada... o noivado de Linney, a história do despejo, a raiva da mãe dela, a limitação de Terrance... não deu tempo de desenvolver tudo de uma maneira mais satisfatória. Este é aquele tipo de enredo que merecia um livro, mas que virou um conto, sabe?


E fechando a antologia temos o conto Trinta e Seis Cartões de Amor, escrito por Julia Quinn.

Susannah Ballister começou a ser corteja por Clive Mann-Formsby durante o baile de lady Trowbridge, em maio de 1813. Qualquer um que os visse juntos tinha certeza que o casamento não demoraria a sair, mas em agosto de 1813, Clive surpreende a todos ao anunciar seu noivado com Harriet Snowe. Envergonhada com a humilhação pública, Susannah parte para a casa de campo da família, em Sussex, onde fica até o início da temporada de 1814.

E qual não é a má sorte de Susannah quando, no primeiro evento ao qual comparece, é não só o alvo das fofocas como também é obrigada a presenciar a felicidade de Clive e Harriet, recém-casados. Quando tem a chance de fugir do salão de baile, Susannah é interceptada por David Mann-Formsby, irmão de Clive e conde de Renminster, que a convida para dançar.

Susannah não entende o que o leva a fazer isto, já que o conde nunca havia demonstrado apreço por sua pessoa, mas David quer apenas se desculpar pelo comportamento inapropriado do irmão. Porém, aqueles poucos minutos de valsa na companhia de Susannah bastam para que David a olhe com outros olhos e para que ele tenha certeza que ela realmente não deveria ter se casado com Clive... Susannah deve se casar com ele!

Se ela ainda amasse Clive, se ainda sofresse por ele, David sabia que a perderia. Não importava se ela aceitasse seu pedido de casamento. Se ainda desejasse Clive, ele, David, jamais teria seu coração de verdade.
O que significava que a grande pergunta era - será que ele seria capaz de suportar? O que seria pior: ser seu marido mesmo sabendo que ela amava outra pessoa ou não tê-la em sua vida?
Ele não sabia.

O conto de Julia Quinn, quem diria, não me conquistou. Não consegui acreditar no interesse repentino de David por Susannah nem por um momento. Ele teve sua parcela de culpa no que aconteceu entre Clive, Susannah e Harriet, e a desculpa para suas ações - ou a falta delas - foi muito pobre.

Susannah é até uma boa personagem e enfrenta tudo o que lhe aconteceu com muita classe, mas infelizmente a história não lhe fez justiça. David é aquele típico nobre que nunca acreditou no amor e que, de repente, se vê apaixonado pela primeira vez. Nada novo, muito pelo contrário, tá cheio de romance de época com protagonistas masculinos assim... mas David é apático, tedioso e desinteressante, não gostei nada dele!


Em suma, Nada Escapa a Lady Whistledown é um bom livro, porém, como eu disse no início da resenha, na minha opinião, é inferior ao seu antecessor. Faltou paixão e faltou espaço para trabalhar melhor as histórias. Todavia, preciso ressaltar a qualidade da escrita de todas as autoras, pois por mais que eu não tenha curtido tanto assim alguns contos, é nítida a preocupação que elas tiveram em construir histórias coesas, que acrescentassem algo umas às outras.

As tramas se cruzam em três momentos: no Theatre Royal, no evento de patinação no gelo dos Morelands e no baile dos Shelbournes. É muito bacana ver os personagens das quatro histórias interagindo, mesmo que brevemente. E ainda temos a participação especial de Penelope Featherington em uma cena bem rapidinha.

A edição da Arqueiro está linda, amo a capa! Acho-a clássica e elegante. As folhas são amareladas, a diagramação segue a qualidade da editora, as histórias são narradas em terceira pessoa e, honestamente, não lembro se há algum erro de revisão, li muitos livros depois dele e misturei o fio da meada! 😂

E se no volume anterior lady Whistledown estava distribuindo veneno, neste ela está mais calminha. Agora é torcer para que a fofoqueira mais famosa de Londres não pare por aqui!


Leia mais:

Lady Whistledown Contra-Ataca


20 comentários

  1. Oi, Tami
    Eu ainda fico com um pé atrás quando o assunto é vários contos compondo um livro, não curto histórias assim, mas eu achei esse livro mais interessante do que o primeiro, mesmo com as ressalvas. Ainda quero ler apesar de tudo, vou ver quando começar porque a preguiça reina.
    Beijo
    http://www.suddenlythings.com/

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  2. Oi Tami
    Não li muitos romances de época mas das resenhas que já vi, sei que tem muita gente que gosta dos livros dessas autoras. Acho legal essa ideia porque quem não conhece muito do gênero pode descobrir alguma autora de quem gosta pra procurar mais livros.

    Att.,
    Eduarda Henker
    Queria Estar Lendo

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    1. Exatamente! Conheci a Suzanne no primeiro volume e quero ler mais coisas dela.

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  3. Oi Tami.
    Eu também gostei mais do primeiro, mas curti as histórias como um todo e você tem razão, o conto da Mya Ryan merecia ser um livro! Ótima resenha como sempre! Bjus
    www.docesletras.com.br

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  4. Oi Tami, eu não sei bem qual eu prefiro, oras esse, oras o primeiro rsrsrsrs Mas sei que gostei mais do conto da Julia nesse que do outro rs E adorei a pista de patinação rsrsrs

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  5. Oi Tami,
    Não esperava que o da Julia Quinn não te conquistasse, confesso.
    Eu não sei, acho que tudo tem um limite e tenho medo da Lady Whistledown ter chegado ao seu. :(
    Tomara que eu esteja errada...
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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    1. Ahhhh eu acho que não tem um limite pra ela... ela só introduz as coisas, não acho que seja cansativo. :)

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  6. Oi Tami, tudo bem?
    Pena que o livro não ganhou 5 estrelas. :(
    Mas eu não leria, provavelmente. Nunca li nada da Julia Quinn, não conheço a personagem e, por consequência, acaba não sendo uma leitura que me cause muito interesse.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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    1. Você tá começando nos romances de época... não vai conseguir fugir da Julia por muito tempo! Hahahah

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  7. Olá, Tamires.
    Eu tenho esse e o outro livro aqui, mas ainda não li nenhum deles. Que pena que deixou a desejar em algumas coisas, mas como ultimamente tenho me decepcionado com os livros da Julia, não estou com as expectativas muito altas não e talvez eu acabe gostando. Só li um livro da Suzanne Enoch até agora e amei. As outras eu não conheço ainda.

    Prefácio

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    1. Tenho que ler um da Suzanne inteiro. E as outras duas são ótimas também! :D

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  8. Oi, Tami!

    Não sou muito chegada em contos, por isso tenho um grande receio de me arriscar na obra, mesmo adorando a Julia Quinn. Uma pena esse volume ser inferior ao anterior, agora é torcer pro próximo compensar né haha

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com

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  9. Oi
    tenho curiosidade em ler, mas não é prioridade no momento, eles parecem ser bons contos e fiquei curiosa, que bom que gostou mesmo o anterior sendo melhor.

    http://momentocrivelli.blogspot.com

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    1. Pois é, foi uma leitura divertida no fim das contas.

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