28 de outubro de 2018

Netflix | O Mundo Sombrio de Sabrina


Título original: Chilling Adventures of Sabrina

Lançamento: 26 de outubro de 2018

Episódios: 10

Duração média: 1h

Criador: Roberto Aguirre-Sacasa

Gênero: Horror, Fantasia, Drama

Elenco: Kiernan Shipka, Ross Lynch, Lucy Davis, Chance Perdomo, Michelle Gomez, Jaz Sinclair, Tati Gabrielle, Adeline Rudolph, Richard Coyle, entre outros.

Saiba mais: IMDb - Adoro Cinema
Sinopse: Com a aproximação de seu aniversário de dezesseis anos, Sabrina deve escolher entre o mundo bruxo de sua família e o mundo mortal de seus amigos.


Já quero começar a postagem dando dois recados. Primeiro, se você é saudosista e está esperando algo parecido com Sabrina - Aprendiz de Feiticeira, série que foi sucesso na década de 90, esqueça. O Mundo Sombrio de Sabrina não tem absolutamente nada a ver com a série que foi protagonizada por Melissa Joan Hart. Segundo, se você tem problemas com autoflagelo, possessões, linguajar satânico, blasfêmia e suicídio, passe longe deste reboot.

O Mundo Sombrio de Sabrina é a adaptação da HQ Chilling Adventures of Sabrina, publicada pela Archie Comics, a mesma editora dos quadrinhos que inspiraram a série Riverdale. Riverdale e Greendale, série onde este reboot é ambientado, são cidades vizinhas e a primeira é até mencionada algumas vezes. Chances de um crossover? Acho difícil, mas não impossível.

A série começa alguns dias antes do Halloween, que também vem a ser o dia do aniversário de dezesseis anos de Sabrina Spellman (Kiernan Shipka), uma bruxa adolescente filha de uma humana com um bruxo. Dezesseis anos é a idade do Batismo de Sangue, quando bruxas e bruxos deixam sua infância para trás e tornam-se adultos perante seu clã e perante satã ao assinarem seus nomes no Livro da Besta.

© Netflix
Desde que foi morar com Zelda (Miranda Otto) e Hilda (Lucy Davis), suas tias por parte de pai que comandam uma funerária, Sabrina flutua entre o mundo bruxo e o mundo mortal. Apesar de adorar ser uma bruxa, Sabrina não está pronta para deixar o mundo mortal e todos que fazem parte dele, como seu namorado, Harvey (Ross Lynch), e suas melhores amigas, Rosalind (Jaz Sinclair) e Susie (Lachlan Watson), para trás.

Este é o ponto de partida de O Mundo Sombrio de Sabrina e, apesar de inicialmente ter desconfiado da produção, é com muita satisfação que eu falo que essa proposta mais sombria deu super certo! A série não tem medo de se distanciar daquilo que esperavam que ela fosse. A única semelhança são os nomes dos personagens, nada mais.

Bruxaria se difere - e muito - do satanismo. Cheguei a ler alguns comentários que criticavam o viés satânico da série. De fato, seguidores da Wicca não são adoradores do diabo e a série não faz apologia ao satanismo, muito pelo contrário, há uma crítica ferrenha nas entrelinhas a todo tipo de devoção cega e inquestionável. Ao meu ver, os criadores da história se utilizaram de preceitos do cristianismo e também na maneira como as bruxas eram vistas na época da inquisição, o que justifica muita coisa. Há uma farofada com deuses pagãos e demônios que a série nem se preocupa em explicar, mas que, dentro de sua proposta, funciona bem.


Uma característica super bem-vinda nessa série é o feminismo. Já vi macho reclamando no Twitter e no Facebook e isso demonstra que a série acertou, nada como incomodar a frágil masculinidade. Em um clã extremamente machista, Sabrina se posiciona, questiona e não aceita perder sua liberdade em troca de poder. Quando pergunta o motivo de ter que abrir mão de um em detrimento do outro, ouve como resposta que o diabo jamais permitiria que uma mulher fosse poderosa e livre, afinal, ele é um homem. Nessa hora chegou a dar um arrepio!

A série tem dois grupos bem distintos de mulheres, aquelas que aceitam ser subjugadas em troca de um poder que acham que possuem, e aquelas que querem se fazer ouvir e que querem lutar contra as injustiças mesmo sem possuir, à princípio, poder algum. Sabrina faz parte dos dois lados e luta contra o machismo em ambos!

O Mundo Sombrio de Sabrina conta com um elenco super plural e também é umas das séries com a maior representatividade dos últimos tempos! Temos brancos, negros, asiáticos, gays, lésbicas, héteros, bissexuais, pansexuais... tem coisa mais linda?

Kiernan Shipka segurou a responsabilidade e entregou um trabalho maravilhoso, principalmente quando a cena exigia mais dela emocionalmente. Sabrina é uma personagem em constante transição e Kiernan conseguiu compreender essa volatilidade muito bem. Desde o início, sabemos que o diabo tem planos para Sabrina, só não sabemos quais são, como também é nítido que ela é especial de alguma maneira, talvez parte de alguma profecia, ainda não sei. E não esperem somente atitudes exemplares dela! A personagem tem muitos méritos, mas tem também muitos deméritos. É imprudente e às vezes até egoísta, pois não pensa nas consequências de suas atitudes. Seu final nesta primeira parte da temporada é coerente com o caminho que foi trilhado ao longo dos episódios e estou super animada com as possibilidades que ficaram em aberto.

© Netflix
Miranda Otto e Lucy Davis, que interpretam Zelda e Hilda respectivamente, também estão maravilhosas. Enquanto a primeira beira a vilania e tem devoção cega ao clã, fechando os olhos para todos os absurdos que o mesmo prega e pratica mesmo quando eles afetam diretamente sua família, a segunda tem seus questionamentos e, apesar de possuir um certo medo da irmã, sempre tenta fazer o que acha certo mesmo que para isso tenha que enfrentar as consequências de seus atos.

E para quem, assim como eu, estava reclamando do fato de Salem não falar, li uma teoria que faz MUITO sentido. Ambrose, primo de Sabrina interpretado por Chance Perdomo - aliás, eu amo um homem - é seu substituto! Na série do anos 90, era Salem quem dava conselhos e ajudava Sabrina a flutuar entre os dois mundo. Em O Mundo Sombrio de Sabrina, Ambrose faz a mesma coisa. Quando está em apuros e precisa de ajuda, é ele que Sabrina procura. Quando tem alguma dúvida, é para ele que ela pergunta. Quando Sabrina faz besteira, é ele que puxa sua orelha. Fui uma adição muito bem-vinda e ele tem uma subtrama interessante. No fim das contas dá até para esquecer a existência de Salem... ele não faz nenhuma falta dentro desta proposta.


São muitos personagens e não vou ficar falando sobre cada um deles, mas vale mencionar Prudence (Tati Gabrielle), uma das três Irmãs Estranhas cuja missão na série é infernizar Sabrina. Ela começa a série de maneira tímida e quase medíocre, mas tem um potencial imenso, ainda mais depois que sua origem é revelada. Padre Blackwood (Richard Coyle), o Sumo Sacerdote da Igreja da Noite, também tem bons momentos e um viés rebelde que pode ser interessante. Imagina um homem de carne e osso querendo ser mais poderoso que o capiroto?

Rosalind e Susie também possuem boas tramas. Individualmente, uma precisa lidar com uma doença degenerativa enquanto a outra tem que entender sua sexualidade. Há também situações que estão diretamente ligadas à trama de Sabrina. Com certeza uma encruzilhada, ou até mesmo uma ruptura, vai acontecer no meio dessa amizade e isso vai fazer com que Sabrina mergulhe ainda mais nas artes das trevas.

E por último, mas não menos importante, temos Madame Satã/Mary Wardell, interpretada muito bem por Michelle Gomez. Seu trabalho chega a beirar o ridículo algumas vezes, mas a pieguice de sua interpretação caiu como uma luva. Sua função é fazer com que Sabrina assine o Livro da Besta... custe o que custar.

A produção de arte da série está de parabéns. A fotografia, as cores, o figurino... está tudo maravilhoso! A linha temporal da produção que é curiosa, pois passa por diversas décadas. Seu visual é todo anos 60 e inclusive no início do piloto os personagens estão assistindo A Noite dos Mortos-Vivos no cinema, filme lançado em 1968, todavia, também há referências aos anos 80 e 90. As televisões são de tubo e em preto e branco, não há computadores e a tecnologia é bem limitada, mas curiosamente há um único smartphone na série que pertence a Harvey. A soundtrack está uma delicinha e é mais uma coisa que confere à série essa atmosfera mais antiga.


© Netflix
O Mundo Sombrio de Sabrina, de um modo geral, entrega episódios muito satisfatórios, mas há um certo problema de ritmo. Com episódios de mais ou menos uma hora, ou seja, longos demais, há momentos em que a série se arrasta e momentos em que ela acelera demais. O episódio cinco, por exemplo, é totalmente inútil. Falta o aprofundamento de certos pontos e algumas explicações precisam ser dadas, entretanto, a qualidade do todo é muito boa e foi delicioso maratonar.

O Mundo Sombrio de Sabrina é uma aposta certeira da Netflix, não é à toa que vem recebendo críticas maravilhosas. A segunda parte da primeira temporada entrará no serviço de streaming em 2019, mas não há uma data confirmada.


13 comentários

  1. Amei sua resenha e mais ainda conhecer essa série, adoro histórias do gênero e essa parece ser ótima! Já quero ver!

    www.kailagarcia.com

    ResponderExcluir
  2. Oi, Tami
    Eu assisti muito Sabrina quando era mais nova mas eu não lembro bem a história então acho que poderia assistir a série sem problemas, no caso eu já vou ver porque vi muitas indicações e parece ser realmente boa.
    Beijo
    http://www.capitulotreze.com.br/

    ResponderExcluir
  3. Uau, você foi rápida em assistir, eu recém coloquei em meus favoritos hehehe

    www.vivendosentimentos.com.br

    ResponderExcluir
  4. Oi, Tami!
    Eu amaaaaaaaava Sabrina dos anos 1990, assistia sempre, mas achei meio pesada essa, sabe?
    Toda essa história de bruxaria, satã, paganismo e etc não é para mim.
    Fiquei curiosa, confesso, mas eu era muito apaixonada pela versão antiga (por falar nisso, você viu o Harvey daquela época? Minha nossa, embarangou demais, deu tristeza, hahahaha).

    Beijoooos

    www.casosacasoselivros.com

    ResponderExcluir
  5. Oie Tami =)

    Eu amava a Sabrina dos anos 90 e confesso que estava super animada com esse reboot. Porém depois de saber que a temática ia para o lado mais sombrio desanimei um pouco. Tipo eu sou medrosa e não gosto de coisas que envolvem satanismo.

    A parte do paganismo e bruxaria em si não me incomoda pois tenho amigos praticantes de Wicca e sei que a maioria das coisas que as pessoas falam o acreditam sobre eles é mito. Agora satanismo é meio que demais para mim.


    Mas, fico feliz em saber que você curtiu a série. Para quem gosta de uma temática mais sombria parece ser uma ótima opção.

    Beijos;***
    Ane Reis | Blog My Dear Library.

    ResponderExcluir
  6. Oi Tami! Comecei a assistir esse final de semana e estou indo para o episodio. Menina, eu não vi a versão antiga e não sei nada sobre a história, mas estou bem empolgada com esta versão dark e essa pegada feminista e emponderada. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

    ResponderExcluir
  7. Olá!
    Assisti Sabrina e concordo com você em diversos pontos, os personagens foram muito bens construídos e deram um brilho a mais a série. Também amei o Ambrose e estou ansiosa pelo que vai vir em seguida
    Beijos
    https://focadasnoslivros.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  8. Ahh, estou muito louca para ver, mas a faculdade não me dá um descanso =(
    Quando vi o anúncio dessa série fiquei muito nostálgica, pois sempre gostei dos filmes e do desenho da Sabrina... Mas depois que fiquei sabendo que é baseado em uma história em quadrinho, pirei!
    Que bom que você gostou Tami, me deu ainda mais vontade de ver =D

    ResponderExcluir
  9. Oi Tami,
    Que bom que a série valeu a maratona. Essa quantidade de episódios mais o tempo ser decepção seria demais haha.
    Eu gosto dessa atriz desde Feud, achei bem simpática e espero curtir a série também. Gostei dessa teoria do amigo ser um 'substituto' do Salem. Minha timeline no Twitter só tem elogios a esse menino haha.

    até mais,
    Nana e Leticia - Canto Cultzíneo

    ResponderExcluir
  10. Oi, Tami! Tudo bom?
    Eu era APAIXONADA por Sabrina, Salem meu ícone de infância e role model pro futuro. Fiquei um pouco decepcionada quando me contaram o que ele é e como ele tá nesse reboot? Fiquei, mas vida que segue :v
    No momento não tô com taaanta vontade de assistir, então vou guardar pra quando estiver na vibe de maratonar.

    Beijos,
    Denise Flaibam.
    www.queriaestarlendo.com.br

    ResponderExcluir
  11. Olá, Tamires.
    Eu não assisti a primeira versão por isso não estava esperando nada da série hehe. Mas agora meio que desanimei quando você falou sobre essas partes mais satânicas, eu parei de assistir Supernatural por causa disso, então acho que nem vou me aventurar. Esses machistas não podem ver uma personagem feminista que já começam a reclamar. E não sabia o que era pansexual, fui pesquisar hehe.

    Prefácio

    ResponderExcluir
  12. Oi, Tami!
    Ambrose rei, dono e proprietário da série! EU AMO UM HOMEM!!!
    Eu parei no episódio 3 mas vou usar o feriado para continuar.
    Beijos
    Balaio de Babados

    ResponderExcluir
  13. Oi Tami, não sei porque mais estou vendo essa série bem lentamente,uma hora vou terminar.
    Eu adorei todos os personagens, mas o meu preferido é a Tia Hilda, ela é um amor. As questões sociais também é algo que deve ser ressaltado nesta série.
    Ameio o post.
    Até mais!
    Lídia
    https://www.depoisdaleitura.com.br/

    ResponderExcluir