9 de outubro de 2018

Resenha | Um Acordo e Nada Mais - Mary Balogh


Livro cedido em parceria com a editora.

Autora: Mary Balogh

Tradutora: Livia de Almeida

Série: Clube dos Sobreviventes #2

Número de páginas: 304

Ano: 2018

Editora: Arqueiro

Skoob: AQUI

Compre: Amazon
Sinopse: Embora Vincent, o visconde Darleigh, tenha ficado cego no campo de batalha, está farto da interferência da mãe e das irmãs em sua vida. Por isso, quando elas o pressionam a se casar e, sem consultá-lo, lhe arranjam uma candidata a noiva, ele se sente vítima de uma emboscada e foge para o campo com a ajuda de seu criado.

No entanto, logo se vê vítima de outra armadilha conjugal. Por sorte, é salvo por uma jovem desconhecida. Quando a Srta. Sophia Fry intervém em nome dele e é expulsa de casa pelos tios sem um tostão para viver, Vincent é obrigado a agir. Ele pode estar cego, mas consegue ver uma solução para os dois problemas: casamento.

Aos poucos, a amizade e o companheirismo dos dois dão lugar a uma doce sedução, e o que era apenas um acordo frio se transforma em um fogo capaz de consumi-los.

No segundo volume da série Clube dos Sobreviventes, você vai descobrir se um casamento nascido do desespero pode levar duas pessoas a encontrarem o amor de sua vida.


Talvez eu não esteja falando de um sonho, Srta. Fry, mas de um objetivo. Sonhos são desejos que provavelmente nunca serão realizados. Eu poderia fazer meus sonhos se realizarem. Na verdade, é o que pretendo.

Vincent Hunt, visconde de Darleigh, ficou cego durante as Guerras Napoleônicas. Desde então, sua família o sufoca com cuidados excessivos, tirando sua liberdade de escolha até no quesito matrimonial. Ele sequer pode exercer seu papel como visconde, título que herdou de seu falecido tio. E quando sua mãe e suas irmãs convocam a senhorita Philippa Dean à Middlebury Park, sua propriedade em Gloucestershire, com o intuito de casá-la com Vincent, é a gota d'água. Ele junta suas coisas e parte em uma viagem com seu valete, Martin Fisk.

— Vamos sair — explicou Vincent. — Partir. Vamos nos afastar o máximo possível de Middlebury para escapar da perseguição. Escapulir. Fugir. Seguir o caminho do covarde.
— A jovem não é adequada? — perguntou Martin.
Rá! Até Martin sabia por que a garota viera.
— Não para ser uma esposa — respondeu. — Não para ser minha esposa, de qualquer maneira. Meu Deus, Martin, nem quero me casar. Não ainda. E se, e quando, quiser, eu mesmo escolherei a noiva. Com muito cuidado. E vou garantir que a escolhida aceite o pedido não apenas por entender e não se importar.

Os dois passam três semanas em Lake District, pois Vincent acreditava que este seria o tempo necessário para que Philippa e sua família voltassem para Londres. Porém, de última hora, ele resolve não voltar para Middlebury Park e sim partir para Barton Coombs, vilarejo em Somerset onde nasceu e cresceu. Porém, se ele pensava que estaria a salvo de armadilhas casamenteiras, ele estava muito enganado.

 
Sophia Fry é uma das moradoras do vilarejo e presencia a chegada do famoso visconde de Darleigh. Ela já tinha ouvido falar dele, da sua sorte de herdar terras e um título, e também da tragédia que lhe roubou a visão. Sophia mora com sua tia Martha e a família dela, que lhe acolheram muito a contragosto após a morte de seu pai. Com a chegada de Vincent, sua tia fica em polvorosa querendo casar Henrietta, sua filha, com ele custe o que custar. Ciente dos planos de suas parentes, Sophia intervém quando, no baile de boas-vindas oferecido a Vincent, Henrietta arma uma arapuca para colocar Vincent em uma posição onde ele seria obrigado a pedi-la em casamento.

Quando fica sabendo da interferência de Sophia em seus planos, Martha expulsa a sobrinha de casa. Assim que descobre que a jovem que o livrou de uma roubada está em maus lençóis, Vincent vai ao seu encontro e lhe propõe algo que Sophia jamais iria imaginar: casamento!

— E a senhorita, se importaria?
— Em me casar com um cego? Não. — Mas o que estava dizendo? Não estava concordando em se casar com ele. — Mas me importaria em obrigá-lo a fazer algo que não quer, com alguém que não conhece e que não trará qualquer contribuição para o matrimônio além do fato de não se importar. 

Sophia, lógico, nega a oferta. Ela não quer que ele se sinta responsável pelo que lhe aconteceu e não pretende impor sua feiura, característica que sempre lhe foi atribuída, à ele. Porém, Vincent lhe mostra que o plano pode ser benéfico para ambos. Casando-se com ele, Sophia não ficaria à mercê da própria sorte e no futuro, caso quisesse, eles poderiam viver separadamente, mantendo apenas as aparências. O plano era simples, ele precisava de uma esposa, precisava permanecer casado por algum tempo, pois achava que assim, talvez, sua família ia deixá-lo viver a própria vida. Elas não queriam que ele se casasse? Pois ele lhes daria uma esposa, uma que ele escolheu.

Quando se torna Sophia Hunt, viscondessa de Darleigh, Sophia descobre um lado seu que nem ao menos conhecia. Ela passa de uma jovem sem voz a uma jovem que usa sua criatividade para melhorar a acessibilidade de Vincent em Middlebury Park. Ela, aos poucos, começa a conquistar a confiança da família de Vincent e o plano, que inicialmente era temporário, passa a ganhar outros contornos. Mas será que Vincent sentia o mesmo?


Ele, por sua vez, passa a admirar a esposa mais e mais a cada dia. Ele admira sua coragem ao encarar sua família desconfiada; admira sua vontade de aprender; admira a maneira com a qual ela lida com as maldades que falam sobre sua aparência; admira o que ela se tornou sem deixar de admirar o que ela era. Algo dentro dele começa a mudar. Mas será que Sophia sentia o mesmo?

Os dois terão que colocar as cartas na mesa mais cedo ou mais tarde. Tudo começou com um acordo, mas será que haveria algo mais?

••••••••••

Um Acordo e Nada Mais, segundo volume da série Clube dos Sobreviventes, consegue manter o bom ritmo de seu antecessor, Uma Proposta e Nada Mais. Eu já havia mencionado a maturidade tanto da escrita quanto dos personagens da autora na resenha do volume anterior e neste novo livro essas características se repetem, o que me deixou muito satisfeita. Vincent e Sophia são bem mais jovens que Hugo e Gwendoline, mas são tão maduros quanto eles. O que mais tem me agradado na escrita de Mary é o fato dela não arrumar subterfúgios para causar dramas desnecessários e também sua escolha em se concentrar mais no romance e na superação das diferenças entre o casal principal.

Vincent já tinha roubado meu coração em suas poucas aparições no livro anterior e após a leitura deste volume declaro meu amor eterno por ele. Ele poderia ter se tornado um jovem amargurado, poderia reclamar e colocar a culpa de todos os seus infortúnios em sua cegueira, mas não. Ele nos dá uma baita lição e nos mostra como às vezes a gente realmente reclama de barriga cheia. Vincent é um personagem tão puro, tão bondoso, mas sem cair na caricatura de uma inocência forçada. Ele simplesmente é um ser humano bom, um ser humano que não deixou a tragédia que lhe roubou a visão fazer dele alguém de quem não se orgulharia.

Sophia também é um amor! Assim como Vincent, ela não se deixou abater pelas circunstâncias da vida. Apesar de tudo que enfrentou, Sophia nunca deixou de ser sonhadora e não se permitiu ser intoxicada pela mesquinhez de seus parentes. Ela estava acostumada a ser invisível, estava acostumada a se esconder, a não ter voz e a não ter a mínima importância para ninguém. Testemunhar sua evolução é maravilhoso, e quando ela começa a descobrir seu próprio potencial é muito gratificante.


Confesso que no início da leitura fiquei um pouco incomodada pelo fato da suposta feiura da personagem ser mencionada tantas vezes. Me pareceu uma coincidência muito infeliz o fato de Vincent ser convenientemente cego, mas à medida que a leitura vai se desenvolvendo a gente percebe que, se ele enxergasse, seu interesse por Sophia seria o mesmo. Sem querer ser piegas, mas já sendo, Vincent vê a alma das pessoas, ele vai muito além do que os olhos podem ver.

Os dois juntos é a coisa mais fofa! 💜 É uma mistura de novidade, inocência, medo, confusão, amor, sedução e dúvida que deu tão certo que dá vontade de ler um livro de 1000 páginas só com as interações entre eles. Mary Balogh acertou em cheio no desenvolvimento desse relacionamento, onde ela faz questão de não pular nenhum degrau. Ela sobe cada um deles com a devida paciência, fazendo com que o leitor acredite naquele amor que está nascendo.

E para deixar tudo ainda melhor, temos a participação de vários outros sobreviventes. Hugo e Gwendoline, protagonistas do volume anterior, também possuem um papel relevante neste segundo livro. Foi muito bacana poder acompanhar a evolução dos dois como casal e também individualmente. Hugo continua sendo um ogro, mas podemos observar certas mudanças muito bem-vindas. George, duque de Stanbrook, também aparece e me deixou muito intrigada. Há um certo mistério que o rodeia, algo que vai além de suas perdas, por isso estou muito curiosa para ler seu livro. Martin, o valete de Vincent, merece menção honrosa. Eles têm uma relação muito bonita de amizade e cumplicidade, acho até que ele merecia um conto.

Vale dizer também que os livros possuem histórias individuais, mas sugiro ler na ordem. Certas ausências no volume anterior são justificadas neste volume e ausências deste volume serão justificadas no próximo volume. 😉


A capa segue o padrão do volume anterior e eu adoro, já cheguei a mencionar que acho o estilo elegante e reitero minha opinião. Achei alguns errinhos de revisão, nada muito grave. O livro é narrado em terceira pessoa e a edição, que possui folhas amareladas e diagramação confortável, ainda conta com o primeiro capítulo do próximo livro da série, Uma Loucura e Nada Mais, previsto para janeiro de 2019.

Um Acordo e Nada Mais foi uma leitura super rápida e gostosa. Mary Balogh definitivamente me conquistou e ficarei aguardando o próximo volume ansiosamente.


Leia mais:

Uma Proposta e Nada Mais

16 comentários

  1. Oiii Tami

    O casal protagonista é bem incomum e eu adorei isso, mas acho que tb me sentiria incomodada por esse começo ressaltando tanto as caracteristicas fisicas da protagonista. De qualquer maneira que legal que o romance convence e o casal tem química. Não sou muito de ler romances de época, é um dos gêneros que menos leio, mas pretendo conhecer algumas autoras que tenho anotada e a Balogh é uma delas, quero ler a série dela dos Beldwyns (acho que é esse o nome...rsrs).

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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    1. Bedwyns ;) Tenho que ler essa série, mas a minha está incompleta.

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  2. Oi Tami.
    Romances de época são meu xodó, mas estou um pouco cansada daqueles que tem uma história perfeitinha com personagens também perfeitinhos (não que eu não goste, mas posso dar um tempo nesse clichezão) e essa série da Mary Balogh parece ser exatamente aquilo que estou procurando no gênero, uma experiência diferente dentro dos romances de época. Concordo contigo sobre as capas que são elegantes e remetem ao tempo.
    Beijos
    http://espiraldelivros.blogspot.com/

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    1. Acho então que essa série é pra você, os personagens são bem diferentes, mais.profundos e machucados.

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  3. Olá, Tamires.
    Eu acho a escrita da autora mais madura do que a de outros autores do gênero. pelo menos nos livros que lei dela eu achei isso hehe. Eu só tenho o primeiro livro dessa série, que ainda não li, mas assim que der vou ler os dois. Eu já li histórias com personagens cegos e por coincidência as garotas não eram exemplos de beleza hehe. Mas depois no desenrolar da histórias vemos que a aparência não teria feito diferença mesmo. Eu também gosto muito dessas capas. Se gostaria mais se fosse capa dura hehe.

    Prefácio

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  4. Oi, Tami!
    Eita que até janeiro de 2019 dá tempo de ler Os Bedwyns e esses dois hahahaha
    Adorei o mocinho ser cego. São poucos os romances que trazem personagens assim. Deve ser um desafio e tanto escrever
    Beijos
    Balaio de Babados

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  5. Oi, Tami
    Eu também adoro a escrita da Mary, mas faz tempo que não leio nada dela. Eu só li uma obra que tinha personagem cego e achei legal a autora trazer essa questão pros romances de época, porque as autoras sempre pintam eles como perfeitos e ás vezes isso cansa. Tenho certeza que vou adorar essa história!
    Beijo
    http://www.capitulotreze.com.br/

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    1. Deu um diferencial bacana essa cegueira dele, achei muito bem construído.

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  6. Oi Tami! Eu gosto dos livros dessa autora pela maturidade das histórias, ultimamente estou meio desanimada com romances de época com casais mais jovens. Eu gostei muito do primeiro, espero que esse seja ainda melhor. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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    1. Sabe que eu também? Acho que estou ficando velha... socorro!!! Hahaha

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  7. Oi Tami, tudo bem?
    Já ouvi falar na maturidade da escrita dessa autora e estou bem curiosa para conferir. Sobre o casal, acho que acharia ainda mais interessante se a mocinha fosse bonita, pra mostrar que a cegueira do mocinho não faz diferença mesmo, enfim. Só um devaneio. =P
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  8. Oi Tami, eu ainda estou lendo e amando os protagonistas! Eu acho a escrita da Mary bem madura e ela desenvolve tão bem os protagonistas que é difícil não gostar! <3

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  9. AAAAAH Tamires, eu não resisto a um peesonagem cego num romance! HAHAHAH
    Puxa vida, uma pena esse estigma da feiura na personagem feminina, mas ok né...
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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  10. Oi, Tami!

    Se eu já estava doida pelo livro antes, agora tô mais ainda! Os personagens parecem ser apaixonantes e a história num geral sem dúvidas vai me conquistar. Quero ler pra ontem!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com

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