13 de novembro de 2018

Resenha | Princesa das Cinzas - Laura Sebastian


Livro cedido em parceria com a editora.

Autora: Laura Sebastian

Tradutor: Raquel Zampil

Série: Princesa das Cinzas #1

Número de páginas: 352

Ano: 2018

Editora: Arqueiro

Skoob: AQUI

Compre: Amazon
Sinopse: A jovem Theodosia tem seu destino alterado para sempre depois que seu país é invadido e sua mãe, a Rainha do Fogo, assassinada. Aos 6 anos, a princesa de Astrea perde tudo, inclusive o próprio nome, e passa a ser conhecida como Princesa das Cinzas.

A coroa de cinzas que o kaiser que governa seu povo a obriga a usar torna-se um cruel lembrete de que seu reino será sempre uma sombra daquilo que foi um dia. Para sobreviver a essa nova realidade, sua única opção é enterrar fundo sua antiga identidade e seus sentimentos.

Agora, aos 16 anos, Theo vive como prisioneira, sofrendo abusos e humilhações. Até que um dia é forçada pelo kaiser a fazer o impensável. Com sangue nas mãos, sem pátria e sem ter a quem recorrer, ela percebe que apenas sobreviver não é mais suficiente.

Mas a princesa tem uma arma: sua mente é mais afiada que qualquer espada. E o poder nem sempre é conquistado no campo de batalha.


Eu era uma princesa feita de cinzas, nada mais resta de mim para queimar.

Há muitos anos, os kalovaxianos abandonaram a infértil Kalovaxia e começaram a invadir terras prósperas. Eles dominavam o território, destituíam os soberanos e tomavam o poder. Dizimavam grande parte da população e, aqueles que não eram mortos, tornavam-se escravos. Eles permaneciam no país durante anos, até que sugassem tudo que o lugar tinha para oferecer. Depois, ateavam fogo em tudo e em todos para em seguida invadirem outro território. Foi assim com Rajinka, Tiava, Yoxi, Goraki... não demora muito para chegar a vez de Astrea.

Astrea é um país auspicioso onde o povo acredita em deuses elementais. Suas minas possuem pedras preciosas que conferem poder aos chamados Guardiões, pessoas escolhidas pelos deuses que usam seus poderes para servir e proteger o povo de Astrea. Isso tudo, claro, chama a atenção de Corbinian, o kaiser da Kalovaxia. Assim que invade Astrea, ele ordena que seu theyn, uma espécie de chefe do exército, execute a Rainha do Fogo na frente de sua herdeira, a princesa Theodosia. Neste instante, Theodosia Eirene Houzzara deixa de existir. Em seu lugar surge Thora, a Princesa das Cinzas.


A última pessoa que me chamou pelo meu verdadeiro nome foi minha mãe, em seu derradeiro sopro de vida. ...
— Você sabe quem você é — disse-me ela. Sua voz não vacilou, mesmo quando gotas de sangue brotaram onde a lâmina cortou sua pele. — Você é a única esperança do nosso povo, Theodosia.
E então cortaram-lhe a garganta e tomaram meu nome.

Não demora muito para que Theodosia, ou melhor, Thora, compreenda os motivos que levaram o kaiser a não executá-la. Corbinian a usa para conter qualquer sinal de rebelião dos agora escravos astreanos. Ao menor sinal de revolta, ela é açoitada e usada como exemplo. Se a Princesa das Cinzas perece, não serão escravos que conseguirão deter o kaiser. Thora passa seus dias de cabeça baixa, sendo seguida para cima e para baixo por suas três Sombras e sequer se permite olhar nos olhos das pessoas. A única exceção é Crescentia, sua única amiga que por ironia do destino vem a ser a filha do theyn, o assassino de sua mãe. Crescentia lhe estendeu a mão em um momento muito difícil e, por incrível que pareça, sua afeição pela filha do homem que lhe causou a maior dor de sua vida é real.

Crescentia sonha em se tornar kaiserin; para isso, precisa se casar com Søren, filho de Corbinian. Mas acontece que ele só tem olhos para Thora, que finge não perceber os olhares do jovem prinz. Søren, por sua vez, é muito mais respeitado pelo povo do que seu próprio pai, que tornou-se um acomodado e a cada dia perde um pouco mais do respeito dos kalovaxianos. O prinz também não concorda com o tratamento que Thora recebe, mas por enquanto nada pode fazer a respeito.

As coisas começam a mudar quando Thora é convocada à sala do trono, o que ela sabe que não é um bom sinal. Lá ela reencontra alguém cuja lembrança estava adormecida, mas que desperta de maneira avassaladora. Quando é forçada a fazer uma coisa monstruosa, algo nela ressurge, uma revolta que ela mal consegue controlar. Mais tarde, no baile do kaiser, usando sua coroa de cinzas, Thora reencontra Blaise, um grande amigo do passado que está ali para cumprir uma missão. Era a única coisa que faltava para fazer com que ela parasse de usar a máscara que Corbinian lhe impôs. Naquele momento, Thora deixa de existir. Em seu lugar, como uma fênix, Theodosia ressurge.


Agora, junto com Blaise e com outros dois astreanos, Artemisia e Heron, Theodosia terá que usar a máscara de Thora somente para o que lhe convém. Ela sempre foi usada... chegou a hora de usar as pessoas também.

Dou uma última olhada no reflexo no espelho. As cinzas já começam a se espalhar pelo rosto e o nariz, me marcando. A tinta vermelha que usei nos lábios parece sangue fresco. Debaixo dela, vejo fragmentos de minha mãe me fitando de volta, mas são fragmentos retorcidos com o ódio e a fúria que ela nunca precisou conhecer. Isso eu não lamento.
Estou com raiva.
Estou com fome.
E prometo a mim mesma que um dia assistirei a todos eles queimarem.

••••••••••

Eu estava superanimada para fazer a leitura de Princesa das Cinzas, primeiro livro da trilogia homônima escrita por Laura Sebastian, mas creio que acabei indo com muita sedo ao pote. Indicado para fãs de A Rainha Vermelha e Sansa Stark, Princesa das Cinzas prometia ser girl power total... mas não foi. A comparação não é feita a esmo, realmente há semelhanças entre as três, mas para chegar aos pés de Mare e Sansa, Theodosia precisa comer muito arroz com feijão!

Juro que levei em consideração o fato da personagem ter apenas dezesseis anos, mas nem isso foi capaz de fazer com que eu compreendesse suas atitudes e, muitas vezes, a falta delas. Seu instinto de sobrevivência fez com que ela suportasse passivamente dez anos de subjugação, humilhações, açoitamentos, castigos e privações, deste modo, claro que em algum momento ou ela surtaria ou iria tentar recuperar tudo aquilo que era dela por direto. Mas é aí que mora o problema: seu despertar foi forçado! Não houve um fio condutor que levasse àquilo que deveria ser um clímax; foi repentino e inverossímil. O retorno de suas lembranças também é muito mal conduzida, em um momento ela não se recorda de nada, no outro lembra de tudo nos mínimos detalhes...

A introdução de personagens importantes e relevantes, como é o caso de Blaise e Artemisia, por exemplo, também deixa muito a desejar. As minas, origem dos mesmos, são mencionadas várias vezes ao longo da história, mas pouco sabemos sobre elas. A trama dos Guardiões e das pedras preciosas também foi bem confusa e subaproveitada, cheguei a ficar perdida em alguns momentos. A impressão que eu tive é de que a história era muito maior, mas que, ao longo do copidesque, várias partes importantes foram cortadas pela autora. As incoerências vão desde personagens falando com propriedade sobre algo que sequer foi mencionado até personagens que pouco fizeram, mas que ganharam um destaque muito aleatório no final.

Uma outra coisa que também deixa muito a desejar são os planos de Theodosia e companhia: são bobinhos demais, não há uma emoção, não há aquele sentimento de "isso vai dar muito errado", o que deixa a leitura muito morna e linear. Há também o ensaio de um triângulo amoroso, um artifício que eu detesto, mas que, quando bem utilizado, eu até relevo. O problema é que são "romances" sem nenhuma química que, dentro do propósito da história, torna-se algo totalmente dispensável.


Como eu já mencionei acima, Blaise é um personagem importante, mas foi introduzido de uma maneira bem equivocada. Acredito que ele terá seu merecido destaque, já que ao final desta história uma revelação promissora é feita. Corbinian, o kaiser que deveria ser implacável, é uma vergonha. Ele parece uma criança birrenta, é deprimente. Crescentia, por sua vez, foi uma personagem que me surpreendeu. Em nenhum momento duvidei de sua amizade para com Theodosia, mas desde o começo sabia qual seria o final desta relação... espero grandes coisas dela no próximo volume.

E entre erros e acertos acabei me afeiçoando única e exclusivamente por Søren. Compreendi seus sentimentos, suas dúvidas e a encruzilhada na qual ele se encontrava. Não tenho uma opinião 100% formada sobre ele, pois ele aparece relativamente pouco, mas mesmo quando errava ele fazia isso tentando acertar. Não sei qual será seu futuro, porém, pelo peso de tudo que ele fez, ele foi injustiçado. #JusticeForSøren

Tami, então você não gostou do livro? Pois é... não sei. ¯\_(ツ)_/¯ Princesa das Cinzas foi aquele tipo de leitura que me deixou naquele limbo entre o curti e o não curti. Se por um lado eu não curti as ressalvas acima, por outro há a escrita da autora, que é super fluida e envolvente mesmo quando está trilhando caminhos tortuosos. Em nenhum momento, mesmo com todos os percalços, senti vontade de abandonar o livro ou torci para ele acabar rápido. Além disso, achei a história muito criativa! Adorei o nome dos personagens e países e curti também o "esqueleto" da trama. Faltou explicação e desenvolvimento, mas a intenção é bacana.

A capa deste livro é deslumbrante, se a coroa tivesse um alto-relevo ia ficar perfeito! As folhas são amareladas, de boa qualidade e encontrei alguns errinhos de revisão, porém, não é nada que atrapalhe a leitura ou que tire a coesão e a coerência do texto. A história é narrada pelo ponto de vista da protagonista e isso também foi um problema para mim. Vocês sabem que eu gosto de narrativas em primeira pessoa, é meu tipo de narrativa preferida, mas minha falta de empatia para com a personagem foi um impedimento. Acho que uma narrativa em terceira pessoa ou uma narrativa onde houvesse mais pontos de vista, como o de Soren e Blaise, por exemplo, iria humanizar mais a personagem. Ahhh, e a edição também conta com dois mapas, um mais geral, quase como um planisfério, e outro somente de Astrea. Eu particularmente amo mapas, e vocês?


Em síntese, Princesa das Cinzas não é um livro cuja leitura eu desaconselho. Como eu falei anteriormente, a escrita da autora é boa e a história flui super bem, entretanto, caso suas expectativas estejam lá nas alturas, dê uma puxadinha na corda. É uma trama bem introdutória que peca em aspectos bem bobos, mas há luz no fim do túnel. Acredito que Theodosia vai evoluir e torço para que em Lady Smoke, segundo volume da trilogia ainda sem previsão de lançamento por aqui, veremos uma outra nuance de sua personalidade e talvez mais um impulso em seu potencial.


32 comentários

  1. Oi Tami!
    Parece ser uma história legal, pena q te deixou no "limbo", é muito chato isso kkk
    Tem alguns outros livros famosos nessa vibe q pretenso conferir, e diante das suas ressalvas, acho que vou deixar Princesa das Cinzas pra depois...
    Bjs
    https://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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    1. Mas tenta ler, não é porque eu não curti que o mesmo vai acontecer com você. ;)

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  2. Oi, Tami! Tudo bom?
    AI QUE DORZINHA NO CORAÇÃO LER TUA RESENHA. Mas pelo menos pode servir pra eu baixar as expectativas quando for ler ele - o que pretendo fazer agora em Dezembro. Coisa mais triste do mundo é ter um baita plot desses e não desenvolver direito por causa da protagonista, tô chateadérrima.
    Pelo menos não foi perda total! Quando ler eu vou comentar contigo.

    Beijos,
    Denise Flaibam.
    www.queriaestarlendo.com.br

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  3. Que pena que no fim os personagens não agradaram tanto e a leitura foi mais ou menos.

    www.vivendosentimentos.com.br

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  4. Olá, Tamires.
    Queria nem ter lido sua resenha porque geralmente a nossa opinião é parecida hehe. Mas por outro lado gosto mais do gênero do que você e talvez eu goste mais. Vou torcer para isso hehe. Eu amo livros com mapas, principalmente de fantasia. E odeio a Sonsa Stark então espero que seja bem diferente dela hehe.

    Prefácio

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    1. Tomara que nessa vez a gente não combine então, Sil! Hahahha

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  5. Oi Tami,
    Eu sou uma dessas que está pisando no freio agora mesmo!
    Eu tinha altas expectativas com a obra e já dei meia volta, mas ainda quero ler. Quero ter essa capa na minha estante *-*
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  6. Oi, Tami!
    Menina, eu estou com esse livro pra ler. Eu já havia lido em algumas reviews gringas que essa Theodosia aí é bem bestinha... Agora já sei que não devo ir com muita sede ao pote.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  7. Oi Tami! Oi Estou com ele aqui para ler este mês e meio que fiquei triste depois da resenha, espero não me decepcionar. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  8. Oi Tami!! Não foi um livro que me chamou tanta atenção nos lançamentos, mas a falta de evolvimento com os personagens às vezes pesa mesmo, espero que os próximos sejam melhores!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  9. O livro me pareceu ser um pouco dentro dos gêneros que gosto de ler, mas no fim, acabou que não sei se eu iria me agradar tanto. Mas, de qualquer forma, as vezes é bom dar uma chance né? Beijos!
    Borboletra

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  10. Oi Tami. Nunca fui das maiores fãs da Mare, mas sou apaixonada pela Sansa. Então fico em dúvida quanto a leitura pela comparação.
    Além disso, sou bem crítica para fantasia. Naquele estilo 08 ou 80. Não irei dar uma chance para evitar possível decepção.
    Beijos.

    Blog: Fantástica Ficção

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  11. Eu tô doida pra ler esse livro! Pretendo compra-lo na black friday.
    Sou nova nessa história de blogger, mas sinta-se a vontade para conhecer o meu!

    A Sereia no Oceano de Concreto

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  12. Oi Tami,
    HAHA indicado para fãs da Sansa.
    A edição parece estar ótima. Eu já não simpatizo muito com o estilo, acho que deixarei passar dessa vez.

    até mais,
    Nana - Canto Cultzíneo

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  13. Oiii Tami

    É horrivel quando a gente vai com sede ao pote e acaba se frustrando, eu ja havia lido algumas resenhas alertando que o livor é mais introdutório e nem tão girl power quanto A Rainha Vermelha, mas agora conhecendo melhor a protagoninsta....aiii não sei não se é pra mim. Sim, ok ela tem dezesseis anos, mas foram outros detalhes que me deixaram com o pé atrás como essa falta de atitude, despertar repentino e planos desconexos.... vamos ver que deicido fazer, ja tenho o livro aqui então sei que vou ler em algum momento mas... não morro de pressas não.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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    1. Mas vou ficar aqui na torcida para sua experiência ser melhor do que a minha, Alice! ;*

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  14. Oi Tamires! Tudo bem?
    Esse livro ta na minha lista a um tempo já e espero não me decepcionar kk.
    Obrigada por comentar lá no blog.
    Volte sempre!

    ~ miiistoquente

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  15. Amei sua resenha, que capa linda esse livro tem. Uma pena que ele não surpreende!

    www.kailagarcia.com

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  16. oi
    já senti isso de não saber se gostou ou não da leitura, ando vendo bastante divulgação desse livro e comentários que deixam até animado, mas fora a capa que é linda a história não despertou aquele desejo de querer ler.

    http://momentocrivelli.blogspot.com

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  17. Olá Tami,
    Eu diria que minha opinião é completamente diferente. Gostei da trama e quando veio falando que Theo seria que nem a Sansa, sabia que os planos dela não seria uma luta de corpo, mas sim um verdadeiro jogo de xadrez. Ela jogou com o que tinha até aquele momento. Acredito que se tivesse sido descrido por outros personagens ou sem um, teríamos tido mais emoção em casos de batalha logo no primeiro livro, mas ainda deu certa emoção em algumas partes.
    O primeiro livro foi bem introdutório ao meu ponto de vista. Foi quase igual quando Sansa estava sendo cativa dos Lannisters, mas ela faz bem mais bem embaixo do teto e do nariz de Corbinian.
    Acredito que Corbinian não será o verdadeiro vilão, até porque o final deixou nas entrelinhas, aquele epílogo quem será a verdadeira vilã ali.
    Crescentia me surpreendeu só um pouquinho com a "benção" que ela recebeu, mas sabia que o final entre as duas seria aquele, não tinha como ser diferente.
    As memórias acredito que foram desencadeadas ao ver pessoas conhecidas da infância dela, a música, etc... é como ver um objeto ou uma pessoa que há muito não se vê, mas que ficou em algum pontinho do inconsciente.
    Entendi muito da Theo, de ela ir e vir, se comportar às vezes de forma imatura ou insegura. Afinal, viver cativa por muito tempo deixa manchas no psicológico de uma pessoa e de certa forma, é como ela diz, foi criada por eles durante dez anos.
    Enfim, estou esperando logo pelo segundo livro e espero que esse nos mostre mais batalhas e apresente também mais da intriga com Blaise.

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