10 de fevereiro de 2019

Resenha | Mais Forte Que o Sol - Julia Quinn


Livro cedido em parceria com a editora.

Autora: Julia Quinn

Tradutora: Viviane Diniz

Série: Irmãs Lyndon #2

Número de páginas: 288

Ano: 2018

Editora: Arqueiro

Skoob: AQUI

Compre: Amazon
Sinopse: Quando Charles Wycombe, o irresistível conde de Billington, cai de uma árvore – literalmente aos pés de Ellie Lyndon –, nenhum dos dois suspeita que esse encontro atrapalhado possa acabar em casamento.

Mas o conde precisa se casar antes de completar 30 anos, do contrário perderá sua fortuna. Ellie, por sua vez, tem que arranjar um marido ou a noiva intrometida e detestável de seu pai escolherá qualquer um para ela. Por isso o moço alto, bonito e galanteador que surge aparentemente do nada em sua vida parece ter caído do céu.

Charles e Ellie se entregam, então, a um casamento de conveniência, ela determinada a manter a independência e ele a continuar, na prática, como um homem solteiro.

No entanto, a química entre os dois é avassaladora e, enquanto um beijo leva a outro, a dupla improvável descobre que seu casamento não foi tão inconveniente assim, afinal...


O amor romântico era algo estranho. Ela nunca sentira nada assim antes e, ainda que deixasse seu estômago revirado, queria se agarrar àquilo e nunca mais largar.

Charles Wycombe, conde de Billington, precisa se casar. De acordo com o testamento de seu pai, se ele não estiver casado até completar trinta anos, ele perderá o título, a propriedade da família e a fortuna do condado. Com seu trigésimo aniversário se aproximando, Charles está quase indo para Londres a fim de fisgar uma debutante, mas ele acaba caindo aos pés da solução para os seus problemas.

Quando um homem cai de uma árvore quase atingindo sua cabeça, Eleanor Lyndon fica sem entender coisa alguma. E a confusão aumenta quando este mesmo homem, cuja identidade ela descobre com assombro, a pede em casamento momentos depois, deixando-a completamente consternada. Como um conde quer se casar com a filha de um simples reverendo?

— Senhor? — chamou. — Está bem?
— Ai... — limitou-se ele a dizer.
— Ah, meu Deus — murmurou ela. — O senhor não quebrou nenhum osso, certo?
Ele nada disse, apenas expirou longamente. Ellie recuou quando o hálito dele a atingiu.
— Minha nossa — queixou-se ela. — Parece que o senhor bebeu uma vinícola inteira.
— Uísque — replicou ele com a voz engrolada. — Um cavalheiro bebe uísque.

Charles é muito honesto e fala os motivos pelos quais quer se casar com Ellie. Ela, por sua vez, pede algum tempo para pensar, pois não gostaria de tomar uma decisão como aquela em um momento impulsivo. Porém, assim que chega em casa, ela é bombardeada com as opções de marido que a Sra. Foxglove, sua futura madrasta, tem para ela. Todas horríveis, claro.


Com seu conhecimento crescente em finanças e investimentos, Ellie fez um pé de meia considerável e pretende usá-lo para sair de casa e se ver livre de um casamento indesejado. Por ser mulher, ela não poderia ter um fundo de investimentos, sendo assim, ela inventa toda uma situação para colocar seu pai como titular da conta. Ela nunca teve problemas quanto a isto, porém, para sua surpresa, descobre que não pode sacar seu dinheiro. Somente o titular da conta pode fazer isso. Seu pai. Que sequer sabe o que a filha vinha fazendo. Sem dinheiro e com medo de se ver em um casamento arranjado com um velho decrepito, Ellie recorre àquele cuja proposta inicialmente lhe deixara ultrajada.

Charles fica muito aliviado e o casamento acontece rapidamente. Ellie se muda para Wycombe Abbey, propriedade de Charles, e, por não possuírem muita intimidade, pede que ele espere até ela estar pronta para consumar o casamento, o que ele prontamente aceita. Ele também promete ajudá-la em relação ao seu fundo de investimentos, deixando-a encantada.

Agora condessa, Ellie está animada para começar sua vida em Wycombe Abbey, mas coisas estranhas começam a acontecer, sempre de uma maneira que dá a impressão de que a culpada pelo ocorrido é sempre ela. Quanto mais acidentes acontecem, mais ela tem certeza de que alguém não quer sua presença na propriedade. Mas quem? E até onde esta pessoa está disposta a ir?

Concomitantemente, Ellie e Charles vão ficando cada vez mais próximos, mas ela fica magoada com o fato dele não acreditar nela quando ela diz que há algo de errado acontecendo. Agora Ellie terá que provar que não é um desastre ambulante antes que seu inimigo consiga o que quer: afastá-la de Wycombe Abbey de uma vez por todas.

Naquele exato momento, Ellie concluiu que o amava. Tanto quanto se pode concluir essas coisas, é claro. Perceber aquilo foi um choque, e, em algum lugar de sua mente confusa, ocorreu-lhe que aquele sentimento vinha se formando desde que ele a pedira em casamento. Havia algo de muito... especial em relação a Charles.
No jeito como ele ria de si mesmo.
No jeito como ele a fazia rir de si mesma.


••••••••••

Experiência é algo muito importante em todas as profissões e isto é um fato. Quanto mais fazemos algo, mais competentes ficamos. Quando a Arqueiro começou a lançar estes livros mais antigos da Julia, muito se falou sobre a qualidade das histórias, mas assim que a editora começou a publicar a série Os Rokesbys o amor pela autora retornou, por quê? Eu fico chateada quando vejo alguém diminuindo a escrita da autora - ou de qualquer autor - sem ao menos pesquisar de quando é o livro.

Mais Lindo Que a Lua e Mais Forte Que o Sol foram publicados originalmente em 1997, há mais de 20 anos, antes até de Os Bridgertons. E mesmo se não fosse este o caso, um autor tem o direito de errar, de escrever algo não tão bom assim, não é mesmo? E eu estou falando isso porque li comentários como "ela perdeu a mão", "nem parece a mesma autora", sendo que sim, é a mesma autora, mas com bem menos bagagem. Uma coisa é a gente falar isso de livros que são lançados com intervalos pequenos, outra bem diferente é comparar uma obra recente com outra que foi escrita há décadas.

Mais Forte Que o Sol é melhor que Mais Lindo Que a Lua, o primeiro livro da duologia, mas eles pecam em coisas distintas. No primeiro, meu problema foi o casal, que, ao meu ver, não funcionou. Aqui o casal funciona, Ellie e Charles têm química, mas o excesso de desventuras em Wycombe Abbey faz tudo se tornar caricato e cansativo. Com um pouco de conversa e um ou outro interrogatório tudo seria esclarecido rapidamente, mas aí não haveria história. O que houve aqui foi um prolongamento de algo que só foi interessante até certo ponto.


Ellie já tinha me chamado a atenção no livro anterior com seu tino para investimentos e eu estava torcendo muito para ver todo seu potencial ser desenvolvido nesta história. Infelizmente, sua perspicácia fica totalmente em segundo plano. Seria muito mais legal vê-la se envolvendo nos negócios do marido, que menciona mais de uma vez que manter Wycombe Abbey custa muito caro. Quão bacana seria vê-la fazendo mágica com as finanças de Charles?

Ele, por sua vez, tem características que prezo muito como, por exemplo, apreço familiar. Charles é justo, mas cabeça dura. Qualquer coisinha o tira do sério, o que faz com que ele saia gritando impropérios para quem quiser ouvir. Porém, ele tem um coração enorme e admira genuinamente o talento de Ellie.

Como todo casamento por conveniência, passamos por todos aqueles estágios que já conhecemos com a diferença de que aqui não há a consumação do casamento logo após o enlace. Gostei de ver que Charles aceitou e respeitou as escolhas de Ellie, não forçando a barra em nenhum momento. Ele se empenha em fazê-la ver que ela o quer tanto quanto ele a quer, mas sem nunca avançar os limites impostos por ela. Eles têm bons momentos juntos e as interações entre os dois sempre são interessantes, pois Ellie não se intimida com o mau temperamento do marido, o que o deixa louco, já que o conde de Billington não estava acostumado a ser contrariado.

Aqui não podemos contar com a participação de Robert e Victoria, protagonistas do primeiro livro. Os dois são apenas mencionados, mas não fazem falta. Gostei de ver que o reverendo Lyndon, pai de Ellie e Victoria, aprendeu a lição e mudou sua maneira de tratar as filhas. E ainda há Helen, prima de Charles que se mostra uma verdadeira amiga para Ellie, e Judith, filha de Helen, que é uma criança adorável.

A capa de Mais Forte Que o Sol é ainda mais bonita que a de seu antecessor. As cores são lindíssimas! A edição está caprichada como sempre, com folhas amareladas e diagramação confortável. Encontrei alguns errinhos, mas eles em nada comprometeram a compreensão da história. O livro é narrado em terceira pessoa, como é costumeiro no gênero, e no final há um trechinho de Nada Escapa a Lady Whistledown para degustação.


Em suma, Mais Forte Que o Sol não é um livro ruim, mas peca em aspectos importantes. O bom é que sabemos que ele fez parte do caminho que Julia percorreu até tornar-se o que é hoje: uma das mais aclamadas autoras de romance de época de todo o mundo!


Leia mais:

Mais Lindo Que a Lua

27 comentários

  1. Oi Tami, esse é um livro que quero muito ler! Valeu pela dica!
    Blog Entrelinhas

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  2. Oiii Tami

    Adorei teu raciocinio, realmente tenho lido algumas criticas à respeito dessa série onde dizem coisas como "nem parece que é a Julia Quinn" sendo que as pessoas se esquecem que começo é sempre mais complicado, até adquirir mais experiência, é aquilo que dizem do talento bruto que vai ser lapidado ainda, penso que esse é o caso aí. Não leio muito histórico, mas a Quinn é inegavelmente uma rainha do gênero apesar de eu ter lido apenas um livro dela (justamente dos Bridgerton) e não ter curtido tanto. Essa série da autora não sei se leria no momento, mas caso um dia eu tome goste pelos livros do gênero do romance de época me arriscaria em ler algo dos inícios dela, só pra ter uma noção de como vai evoluindo mesmo a escrita da Quinn, acho bacana acompanhar isso, senti isso por exemplo com a Cassandra Clare (quando comecei o primeiro livro dela e agora já estou mais adiante, quando ela evoluiu horrores e é legal lembrar dos começos de um autor que a gente gosta).

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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    1. Pois é, Alice. Acho que nós que somos blogueiros devemos nos ligar nisso antes de julgar um livro, sabe? Não é que não possamos achá-lo ruim, e sim sobre entender que nem todos os autores vão escrever livros maravilhosos logo no início da carreira.

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  3. Amei sua resenha, sempre leio comentários que dividem opiniões sobre o livro da Julia, confesso que no geral gosto muito das escritas dela. Os livros são profundos e as histórias sempre me seguram até o fim!

    https://www.kailagarcia.com

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  4. Olá, Tamires.
    Nossa opinião sobre o livro foi bem parecida. No primeiro não engoli o casal, nesse o casal era ótimo, mas a história não funcionou. Eu respeito seu ponto de vista sobre os comentários sobre a autora, mas não concordo. Conheço milhares de autores com primeiros livros incríveis publicados, como o King por exemplo que desde o primeiro livro mostrou a que veio, ou até mesmo a Tessa Dare e a Sarah MacLean para citar do mesmo gênero. Pode até ser que tenha acontecido dela ter ido evoluindo ao longo do tempo, mas os livros não deixam se serem ruins por causa disso.

    Prefácio

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    1. Mas em momento nenhum eu falei que o livro não é ruim (neste caso não tão ruim), na própria resenha eu aponto os pontos negativos da história. O que eu disse foi que as pessoas julgam sem procurar saber quando o livro foi escrito. ;)

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    2. Agora entendi sua colocação. Mas isso também é um pouco responsabilidade das editoras que raramente deixam especificado nos livros quando eles foram escritos. E algumas até mesmo vendem como "o novo livro de fulano". Se a gente quer saber tem que ir atrás e a maioria do povo não vai e acha que os livros foram escritos na ordem em que são publicados no Brasil.

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    3. Sim, também tem esse detalhe, mas na catalogação bibliográfica que vem no livro sempre tem o ano em que o livro foi lançado, mas pouca gente se liga naquilo.
      Acho que pelo menos nós blogueiros temos que procurar saber, até mesmo para não sermos injustos na hora do nosso julgamento, né? Eu não julgo um livro que o autor lançou agora com um que ele lançou há mais de 20 anos do mesmo jeito, dos mais recentes espero muito mais! Rs

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  5. Olá!
    Adorei o que você disse sobre experiência e concordo. Que pesado esses comentários. Os autores precisam começar de qualquer forma, podendo ter um início bom ou não. Isso aconteceu com a Elena Ferrante também, que assim como a Julia Quinn atualmente são ótimas escritoras. É normal, os erros devem ser apontados, mas não de forma tão cruel. Nunca li Julia Quinn, mas quero muito. Acho que irei começar com Os Bridgertons, já que é a série mais famosa.
    Beijos
    Our Constellations

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  6. Oi, Tami!
    Ainda não li essa duologia, mas já sei que foi um dos primeiros trabalhos da Julia, então logo não vai ser dos melhores. Concordo e muito sobre o que você falou de experiência. Muito raro alguém acertar de primeira.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  7. Oi Tami,
    Eu vi alguém comentando sobre o ano que foi lançado, e fui dar uma olhada no primeiro. Realmente, tem certa diferença na narrativa.Não é só com ela, já notei de outro autores, inclusive nacionais. Eu acredito mesmo que os autores vão moldando a escrita com o tempo. Como dizem, é tipo bolo.

    Achei legal a premissa desse, bem capaz de eu ler os dois juntos. Também acho a capa desse bem mais bonita.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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    1. A diferença na narrativa é gritante, ela melhorou muito!

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  8. Olá, Tami!
    Tenho os livros aqui mais ainda não consegui lê-los, mas já ouvi falar que a personagem principal dos dois livro são meio que chatas. Quero tirar minhas próprias conclusões. ;)

    Quero conhecer esse lado da escrita da Julia.

    Até mais!

    www.depoisdaleitura.com.br

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  9. Olá Tamires,


    Não li nada da autora ainda e pelos comentários e o sucesso dela por aqui creio que vou gostar dos seus livros, uma pena esse livro não atender as suas expectativas....bjs.


    https://devoradordeletras.blogspot.com/

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  10. Oi, Tami!

    Faz sentido a história não ser tão envolvente por ter sido uma das primeiras obras que ela escreveu. Confesso que eu não sabia o ano em que havia sido publicado, e nem fiquei incomodada com a escrita em si, e sim com a personalidade dos personagens, como por exemplo a protagonista, que me irritou bastante com toda a sua teimosia.

    xx Carol
    https://caverna-literaria.blogspot.com/

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    1. Que pena que ela te irritou. Eu não a achei teimosa, achei persistente. hahahahah

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  11. Oi, Tami!
    Concordo super com o que você disse sobre os comentários negativos a respeito do livro, e de os leitores não levarem em consideração os mais de 20 anos passados desde a escrita deste livro para a série mais recente da autora. Eu não gostei de Mais Lindo que a Lua, mas não foi pela escrita e sim pelos personagens. Não menconeme c em ponto algum com o Robert, achei ele um pé no saco, e enfim... Foi isso. Por causa de toda essa coisa, não estava muito a fim de ler o #2, mas quem sabe! Afinal, é Júlia Quinn, uma hora eu acabo cedendo.
    Beijos!

    renatavarelaescreve.blogspot.com

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  12. Oi Tami, tudo bem? Eu gostei dos dois livros, às vezes gosto mais do primeiro, outras vezes do segundo rsrsrrs Não sei me decidi. Mas que bom que vc gostou tb!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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