25 de fevereiro de 2019

Resenha | A Mão Que Te Alimenta - A.J. Rich


Livro cedido em parceria com a editora.

Autoras: A.J. Rich

Tradutor: Márcio El-Jaick

Número de páginas: 266

Ano: 2019

Editora: Record

Skoob: AQUI

Compre: Amazon
Sinopse: Depois de uma manhã agitada no curso de psicologia forense, Morgan não vê a hora de voltar para casa, no Brooklyn, e trabalhar em sua dissertação. Tudo o que ela queria era ficar sozinha, mas seu noivo, Bennett, está a sua espera. Ao chegar, ela encontra a porta entreaberta. Morgan teme que algum dos seus três cães tenha fugido. Ela abre a porta com o ombro, esperando ser recebida pelos animais. Porém, nenhum deles aparece de imediato. Há marcas no chão, pegadas de cachorros.

Nuvem, o cão da montanha dos pirineus, é a primeira a vir ao seu encontro, mas sem o ânimo habitual. Seus pelos estão vermelhos de um lado, como se ela tivesse se sujado em uma parede com tinta fresca. Sangue. Morgan procura sinais de ferimentos, mas não encontra nada. Nem nos dois pit-bulls, George e Chester.

Ela avança pelo corredor, e as manchas de sangue que encontra parecem cada vez maiores. Por fim, vê Bennett caído no chão do quarto, a perna em cima da cama. Logo percebe que ele está olhando para cima. Ou estaria, se ainda tivesse globos oculares. A pele das mãos foi arrancada. E a perna em cima da cama não está ligada ao resto do corpo, ela foi arrancada.

Bennett foi atacado, destroçado e morto pelos cães. Mas como isso pode ter acontecido, se Nuvem, Chester e George são extremamente dóceis? Algo não faz sentido nessa história, e tudo fica ainda mais estranho quando Morgan, ao tentar localizar a família de Bennett, descobre que esse não era seu nome verdadeiro. Mas mal sabia ela que encontrar o noivo morto foi só o início de seu maior pesadelo.


"O homem gosta da felicidade que sente; a mulher, da felicidade que proporciona. O prazer dele é satisfazer os desejos dela; o prazer dela é alimentá-los."

Ao contrário do que eu normalmente faço, desta vez não haverá o breve apanhado da história antes das minhas considerações. O motivo? Tudo o que poderia ser dito sobre A Mão Que Te Alimenta já foi dito na sinopse. Repetir a mesma coisa seria contraproducente, pois não posso revelar nada além do que já foi revelado. Sendo assim, vamos partir direto para a minha opinião, ok? 😉

Bennett estava caído no chão do quarto, de bruços, enquanto a perna dele continuava em cima da cama. Então percebi que não estava presa ao corpo. A primeira coisa que me ocorreu foi impedi-lo de se afogar no próprio sangue, mas, quando me ajoelhei, vi que ele não estava de bruços. Estava olhando para cima, ou estaria, se ainda tivesse olhos.

A Mão Que Te Alimenta é um thriller psicológico escrito a quatro mãos por Amy Hempel e Jill Ciment sob o pseudônimo A.J. Rich. Com uma proposta inovadora, o livro furou fila e foi lido logo que chegou aqui em casa.


Uma coisa que logo de cara chamou minha atenção foi o fato de Morgan estar se especializando em Psicologia Forense com ênfase em Vitimologia. Esta característica confere à ela uma visão totalmente aguçada e desde o início, mesmo em choque, ela percebe algo errado na cena do crime. Quando ela descobre que Bennett estava mentindo para ela, Morgan se vê no papel de vítima, papel este que ela conhece muito bem. Como assim, Tami?

Bom, Morgan teve uma juventude um tanto quanto conturbada. Seu pai era bipolar e as crises dele eram bem violentas. Quando teve idade suficiente para sair de casa, ela se muda para Nova York e assim que chega passa por uma situação muito complicada. Deste dia em diante, Morgan passa a se colocar em esporádicas situações de perigo. Uma outra coisa que causa certa estranheza é o teor de algumas de suas sessões com Cilla, sua psiquiatra. Juntando isso tudo o que temos? Sim, uma narradora não confiável. O que, vocês sabem, eu adoro.

Neste ponto vocês devem estar se perguntando qual é o diferencial de A Mão Que Te Alimenta, já que vários thrillers mais recentes usam esse subterfúgio. Primeiro, temos os animais que de fato atacaram Bennett, mas por quê? Depois temos a questão da confiabilidade de Morgan que não é nada inovadora, mas lembram que ela está se especializando em vitimologia? Seus rompantes seriam calculados? Seria uma pesquisa de campo? Seria algo consciente ou inconsciente? Por que Bennett mentiu sua origem, seu nome e até sua profissão para Morgan? Quem é a vítima afinal?

É difícil falar sobre Bennett, já que ele começa a história morto, mas através das lembranças de Morgan nós conseguimos vislumbrar seu comportamento manipulador e dominador. O pior de tudo é que Morgan gostava de se submeter às suas vontades, e aqui entramos novamente naquele comportamento que já abordei acima...

As autoras também abordam a psicopatia, a sociopatia e aquilo que as difere. Enquanto tenta desvendar a misteriosa morte de Bennett, Morgan vai se lembrando de certos comportamentos do antigo companheiro e tenta encaixá-los nas características de um possível transtorno que justificaria suas mentiras.

Os sociopatas representam quatro por cento da população, mais de doze milhões de americanos. Não são necessariamente criminosos ensandecidos. A maioria é sedutora, inteligente e sabe simular preocupação e até amor. Mas eles não têm consciência, não sabem o que é empatia e não sentem culpa nem vergonha pelo comportamento. Também são grandes manipuladores. Durante a infância e a adolescência, nove por cento dos sociopatas torturam ou matam animais.

A questão envolvendo os animais é bem executada, pois tanto Morgan quanto o leitor - pelo menos eu me senti assim - querem acreditar que Nuvem, George e Chester são inocentes. Houve um conflito interessante dentro de mim durante uma das oscilações de culpabilidade da trama. Quando achava que Bennett tinha merecido o fim que teve, eu lembrava que os algozes tinham sido os cachorros e eu não queria que eles fossem os culpados de uma cena tão grotesca. É possível sentir empatia por animais? Esta é uma boa pergunta para o Google.

Os personagens secundários são interessantes, destaco McKenzie, advogado que ajuda Morgan na defesa de seus cachorros, e Billie, uma voluntária do abrigo onde os animais estavam sendo mantidos.


Ainda que eu tenha gostado bastante da história, A Mão Que Te Alimenta não conseguiu fugir do grande problema que a maioria dos thrillers vêm enfrentando: o final corrido. Eu tinha imaginado um desfecho completamente diferente, mas o escolhido fez sentido dentro do contexto da narrativa. O clímax veio no momento certo, mas sua execução deixou um pouquinho a desejar. Também vi a necessidade de um maior desenvolvimento das motivações. Uma outra coisinha que vale mencionar é o papel ínfimo que a polícia tem nesta história. Compreendo que o foco era Morgan e sua capacidade de observação e análise, mas o descaso das autoridades me soou um pouco forçado. Essas ressalvas fizeram com que eu retirasse uma estrela do livro, mas o todo é super interessante e vale a leitura.

A edição da Record está ótima! Não encontrei falha de impressão, apenas alguns errinhos de revisão. O que mais chama a atenção no livro é a capa que, a princípio, pode parecer simples, mas essas patinhas têm uma textura muito parecida com a de sangue seco, dá muita agonia! A narrativa feita em primeira pessoa possui um ritmo muito ágil, li sem sentir e quando percebi já havia lido metade da história.

A Mão Que Te Alimenta traz um frescor para o gênero e acerta na maioria dos artifícios que utiliza. É uma boa pedida para quem curte o gênero e está à procura de algo diferente, recomendo!


19 comentários

  1. Oi, Tami!
    Já tinha ouvido falar do livro mas não conhecia de fato. Eu não leio trhriler, como você já sabe, mas fiquei até arrepiada com esse. Eu chega senti dó dos cachorros agora, mas caramba, que cena grotesca!
    A capa é arrasadora também, adorei!
    Beijo

    http://www.capitulotreze.com.br/

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  2. Oi Tami,
    Fiquei sofrendo aqui pelos cães. Primeiro, lendo a sinopse achei que algum deles estaria ferido, depois fiquei em choque em saber da fatalidade que ocorreu com o Bennett. Fiquei curiosa pra saber o que de fato aconteceu.
    Deve ser um livro que nos prende na sua trama. Gosto de livros assim.
    Beijos!
    BorboletraInstagram

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  3. Oi Tami,
    Eu quero comprar esse livro em breve.
    Uma pena o final ser corrido, mas quero arriscar.
    Quando eu li essa sinopse, me deu um arrepio pq tenho medo de cachorros. 😞
    Beijo
    estante-da-ale.blogspot.com/?m=1

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  4. Oi Tami, tudo bem? Apesar do final corrido eu achei a premissa bem interessante, confesso que estou com vontade de ler!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  5. Amei sua resenha Tami, esse livro poderia ter se desenvolvido melhor, mas de qualquer forma, fiquei bem curiosa para conhecer!

    https://www.kailagarcia.com

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  6. Olá, Tamires.
    Acredita que só agora que você falou que percebi que são patas na capa? hehe. Estou tentando comprar esse livro, mas estou esperando alguma promoção hehe. E espero que mesmo com essas ressalvas eu goste bastante do livro hehe. Mas como temos quase o mesmo gosto acho que também vai ser o que vai me incomodar hehe.

    Prefácio

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  7. Oi, Tami!
    Espero que essa narradora não-confiável não seja pinguça porque olha... ainda traumatizada pela Anna em A Mulher na Janela
    Beijos
    Balaio de Babados

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  8. Oi Tami! Esse livro foi uma grata surpresa. Que roubada a protagonista entrou. Fiquei imaginando como ela se sentiu na hora que entrou no apartamento e encontrou o noivo em pedaços. Eu fiquei agoniada com ela, muita dó dessa moça. Mas ela era lutadora, admirei. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  9. Esse negócio de ter os animais na história já me dá um aperto no coração.. imagino se vai rolar muito sangue hehehe...

    www.vivendosentimentos.com.br

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  10. Oi, Tami! Tudo bom?
    Acho que essa coisa de final corrido ser comum em thriller me deixou até meio acostumada e sem expectativa de um fim mais bem desenvolvido xD
    Quando terminei esse livro tava pilhada no desespero, então nem me atentei a isso, de verdade. Mas é real.
    A questão com os cachorros me deixou DESESPERADA.
    Adorei a resenha!

    Beijos,
    Denise Flaibam.
    www.queriaestarlendo.com.br

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  11. Thrillers não são muito o meu género, mas até achei interessante essa história. ☺️

    MRS. MARGOT

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  12. Oi Tami,
    Quando vi o título da primeira vez, achei que fosse livro era de autoajuda.
    Eu jamais ia querer culpar os doguinhos, ainda mais sabendo que o noivo tinha parte de personalidade escrota. Mas achei bem sinistro esse assassinato. Uma pena o final ser corrido.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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  13. Oi Tami, tudo bem?
    Vi a Cida (Moonlight Books) resenhando esse livro e fiquei com muita vontade de ler, e agora vejo elogios aqui também.
    Sou fã de thrillers e achei a premissa muuuito instigante: tanto por envolver a questão dos cachorros como por não sabermos nada sobre o morto.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  14. Olá Tamires,

    Não conhecia esse livro, gostei da premissa e apesar das ressalvas gostaria de ler, não tinha reparado nas patinhas da capa....kkk...bjs.


    https://devoradordeletras.blogspot.com/

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  15. Oi Tami!
    Tbm gosto dessa questão dos narradores não confiáveis (melhor ainda qnd eles não dão sinais disso, hahahah).
    Dica anotada, sempre tem espaço na listinha para um bom thriller! 😉
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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