28 de abril de 2019

Resenha | A Caça - M.A. Bennett


Livro cedido em parceria com a editora.

Autora: M.A. Bennett

Tradutor: Alves Calado

Série: STAGS #1

Número de páginas: 240

Ano: 2019

Editora: Arqueiro

Skoob: AQUI

Compre: Amazon
Sinopse: O ano letivo começou e Greer ­MacDonald está se esforçando ao máximo para se adaptar ao colégio interno onde ela entrou como bolsista. O problema é que a STAGS, além de ser a escola mais antiga e tradicional da Inglaterra, é repleta de alunos ricos e privilegiados – tudo o que Greer não é.

Para sua grande surpresa, um dia Greer recebe um cartão misterioso com apenas três palavras: “CAÇA TIRO PESCA”. Trata-se de um convite para passar o feriado na propriedade de Henry de Warlencourt, o garoto mais bonito e popular do colégio... e líder dos medievais, o grupo de alunos que dita as regras.

Greer se junta ao clã de Henry e a outros colegas escolhidos para o evento, mas esse conto de fadas não vai terminar da maneira que ela imagina. À medida que os três esportes se tornam mais sombrios e estranhos, Greer se dá conta de que os predadores estão à espreita... e eles querem sangue.


Se uma espécie inferior começar a ficar abundante demais, ela deve passar por abate seletivo.

Greer MacDonald acabou de ganhar uma bolsa de estudos para St. Aidan the Great School, a STAGS, a escola religiosa mais antiga (e cara) da Inglaterra, que existe desde o século VII. A STAGS é uma escola de hábitos antigos, onde a tecnologia é altamente controlada. Internet e televisão são utilizadas somente para fins de aprendizado, nada de reality shows ou redes sociais; e a posse de celulares é desestimulada. Há de se imaginar que em uma escola repleta de adolescentes esta seria uma regra facilmente burlada, mas não. Todos na STAGS seguem o exemplo dos medievais.

Os medievais são os monitores não oficiais da escola. Herdeiros de famílias ricas e prestigiosas, Cookson, Piers, Charlotte, Esme, Lara e o líder deles, Henry de Warlencourt, ditam as regras na STAGS. Todos, sem exceção, seguem seus exemplos.


Greer está tendo dificuldade de se enturmar e passa o período inteiro sem interagir com praticamente ninguém além dos professores, que, por sinal, na STAGS são chamados de frades. Quando o Justitium, as férias de meio período, estão chegando, Greer é surpreendida com um convite inesperado.

— Henry de Warlencourt sempre convida pessoas do primeiro ano para a casa dele no fim de semana do Justitium de Michaelmas, a temporada de caça. Se você se sair bem nos esportes de sangue e se eles gostarem de você como pessoa, no ano que vem, quando entrar no segundo ano, você pode ser uma medieval.

Greer reluta, afinal, os medievais nunca interagiram com ela. Porém, após pensar um pouco, ela decide que esta pode ser uma boa oportunidade para fazer amigos. Chegando em Longcross Hall, a propriedade da família de Henry em Cumberland, Greer estranha a ausência de adultos responsáveis. Os únicos presentes são criados que obedecem toda e qualquer ordem de Henry. Ela também fica a par da dinâmica do fim de semana, do qual ela e os outros dois convidados, Shafeen Jadeja e Chanel Ashton, farão parte.

Serão três etapas: caça, tiro e pesca. Aparentemente uma tradição secular que consiste em abater cervos, faisões e trutas. Mas será apenas isso?

— Então, o que você está dizendo — interveio Shafeen — é que algumas espécies não devem ter permissão de ascender?
— Acertou no alvo.
— Vocês está falando exclusivamente do reino animal?
Henry virou os olhos azuis e frios para ele.
— De que mais seria?

Conforme o final de semana vai se desenrolando, Greer aprende uma lição crucial. Ela aprende que alguns convites nunca devem ser aceitos. Uma bolsista, uma nova rica e um estrangeiro. A caça começou!

••••••••••

Bom, pela minha nota vocês já devem ter percebido que minha experiência com a leitura de A Caça não foi muito boa, né? Mas logo de cara quero destacar que achei bacana a autora, mesmo de uma forma tímida, chamar a atenção para alguns problemas que vêm ganhando território desde o advento da evolução desenfreada da tecnologia. Sabemos que tudo deve ser usado com sabedoria e em A Caça há apontamentos interessantes no que diz respeito a tudo aquilo que o mundo moderno, o mundo conectado e preocupado com as aparências, vem prejudicando.


Há também toda uma organização social dentro da STAGS que parece muito com a que ainda vivemos hoje em dia. Qualquer um que não siga um padrão imposto é considerado um selvagem, um não merecedor do privilégio de estar naquela escola e de conviver com pessoas consideradas superiores.

Porém, infelizmente, a autora perde o fio da meada quando tenta juntar muitos elementos em uma história que não tem força nem fôlego suficientes para sustentá-los. Sei que se trata de um livro juvenil, mas eu esperava ao menos encontrar um mistério bem desenvolvido, o que não aconteceu. A história parece uma colcha de retalhos e a fluidez da narrativa é muito prejudicada pela mania irritante de Greer querer justificar qualquer acontecimento comparando-o com um filme. O uso deste artifício, que é utilizado no mínimo umas trinta vezes, foi um grande problema para mim, já que senti que a autora escrevia a passagem pensando em algo que ela já havia visto anteriormente. Foi uma ideia preguiçosa que tirou o brilho do que poderia ter sido interessante caso fosse original.

Ainda sobre Greer, a protagonista é volúvel e chata. É muito fácil fazê-la mudar de ideia e ela inclusive faz isso quando o assunto é seu interesse amoroso. Este fator, aliás, foi outro ponto que me incomodou, pois não havia a necessidade de colocar um "romance" nesta história, quanto mais o ensaio de dois! Ambos são mal desenvolvidos e só reforçam a tese de que Greer não sabe o que quer, o que fala e muito menos o que faz.

Toda a trama que se desenrola em Longcross Hall é muito mal explicada. Não tenho como esmiuçar todos os problemas que eu encontrei, pois para isso eu teria que apontar fatos cruciais da história; mas não houve um clímax, não houve um impacto. Todas as etapas do que deveria ser uma perigosa caçada são decepcionantes e ainda tem aquilo que eu considerei o pior defeito: o esquema do que estava acontecendo é facilmente compreendido pelos personagens que estavam sendo perseguidos. Shafeen até tinha motivos para desconfiar, admito; mas Greer e Chanel digerem tudo fácil demais.

Quanto aos personagens secundários não há ninguém que mereça um comentário. Shafeen é de longe o mais interessante e acho que a história teria muito mais possibilidades se fosse narrada pela perspectiva dele por conta de tudo que ele já sabia. Já Chanel... bom, digamos que se ela não existisse não ia fazer a mínima diferença. Quanto aos medievais, eles são cães que ladram e não mordem. Acho que pelo menos uma apreensão acerca do que eles poderiam ser capazes de fazer deveria ter existido, mas no fim das contas eles são apenas um bando de adolescente mimados e estereotipados mesmo, nada que já não tenhamos visto inúmeras vezes.


A edição de A Caça está muito boa. São trinta e cinco capítulos divididos em cinco partes e a paginação está bem charmosa, com uma fonte que combina com o que nos está sendo apresentado. A história, que é narrada em primeira pessoa por Greer, possui folhas amareladas, diagramação confortável e não encontrei erros de revisão.

A Caça poderia ter sido uma leitura interessante para mim se eu tivesse uns quinze anos a menos e muito menos bagagem literária. Há um segundo livro previsto para o segundo semestre deste ano e honestamente não sei quais rumos a história pode tomar e também não sei se darei uma chance caso o volume seja publicado por aqui pela Arqueiro. E se você chegou até aqui, quero deixar claro que esta é única e exclusivamente a minha opinião. Há diversas outras pessoas que gostaram do livro, então não se desanime, ok?


27 comentários

  1. Amei sua resenha, uma pena a leitura não ter surpreendido, e ter sido mal explicada. Era uma história que tinha tudo para ser incrível!

    https://www.kailagarcia.com

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  2. Oi Tamires.
    Adorei sua sinceridade na resenha. É importante sempre expormos aquilo que realmente sentimos com nossas leituras. Eu vi sobre o lançamento deste livro, mas confesso que não senti vontade de ler. E depois de ler suas observações tenho certeza que a leitura também não é pra mim.
    Beijokas.

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  3. Não é o primeiro comentário que leio que fala que a leitura não foi assim tãooo boa.. pecou em algumas partes. Uma pena...

    www.vivendosentimentos.com.br

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    1. Não foi bom pra mim, mas já vi gente elogiando. Questão de gosto mesmo.

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  4. Oi Tami! Passar no teu blog é certeza de encontrar resenhas impecáveis... quando li a sinopse me interessei pela premissa, mas a nota já me desmotivou e o que encontrei na tua resenha me deu a certeza de que não seria uma leitura prazerosa, pelo fato de ter tantas lacunas, especialmente em relação aos personagens que deixam a desejar. Como comentou, quem sabe há 15 anos atrás...
    Beijos, Adri
    Espiral de Livros

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  5. Olá, Tamires.
    Eu estava interessada nesse livro porque a premissa é interessante. Mas quando vi sua nota no Instagram já desanimei hehe. É uma pena que a autora se perdeu na história e acho que o problema não é sua idade não porque tenho 37 e tem histórias juvenis que amo hehe.

    Prefácio

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    1. Quando eu mencionei a questão da idade foi no intuito de dizer que a Tamires de 15 anos não ligaria para as falhas da narrativa, e não que a Tamires de 30 não gostou só porque é um YA. :)

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  6. Oi Tami. Nossa, achei que fosse um livro melhor confesso, acho que tb não vou curtir a protagonista. Uma pena, tinha uma premissa bacana!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  7. Oi Tami! Eu desanimei logo que vi no seu Instagram a nota que você deu. Agora lendo a resenha acho uma pena a história ter sido desenvolvida de maneira tão simples e como você cita, preguiçosa. Este livro eu desisti de ler. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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    1. Pois é... tanto caminho bom para seguir e a autora escolhe os piores.

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  8. Oi Tami
    Eu achei que o livro tinha uma história boa mas não tinha embasamento para sua criação, sem contar que as mudanças de opinião da protagonista me tiraram do sério. Esperava muito mais da obra infelizmente.
    Beijo!

    http://www.capitulotreze.com.br/

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  9. Oiii Tami

    A sinopse é tão legal, mas se nota que a autora se perdeu total, já vi várias resenhas nesse sentido, que pena, eu adoro esses livros mais teen com pegada de mistério, mas esse terei que deixar passar, mas ainda assim achei legal vc mencionar que a autora consegue abordar alguns tópicos importantes de forma sutil.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  10. Oi Tami!
    Ainda não havia lido nenhuma resenha sobre o livro, mas amei seus comentários! É tão ruim quando um livro tem tudo para ser bom e acaba decepcionando né?
    Um beijo
    EVENTUAL OBRA DE FICÇÃO

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  11. Oi, Tami!

    Quando vi que a resenha era desse livro eu já fiquei animada, mas depois o entusiasmo foi lá pra baixo com a sua nota hahah estou com o livro aqui pra ler, e inclusive já tinha começado, mas agora já vou ler com um pé atrás. A premissa da história é muito boa, uma pena que pelo jeito a "caçada" não seja nada do esperado ou que possamos imaginar. Ultimamente tenho tido experiências do estilo, que eu teria gostado bem mais da obra se fosse em tempos antigos, então provavelmente essa vai ser igual também

    xx Carol
    https://caverna-literaria.blogspot.com/

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  12. Oi, Tami!
    Eu venho lendo muita resenha negativa sobre esse livro. Como nunca tive muito interesse em ler, só fez ressaltar mais minha decisão hahahaha
    Beijos
    Balaio de Babados

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  13. Oi Tami!
    Qnd eu vi esse livro da primeira vez achei a sinopse até promissora, mas dps comecei a ler as resenhas negativas e desisti. Até pelo fato de ser mais juvenil tbm.
    Eu tô aqui pensando, às vezes essa "bagagem literária" deixa a gnt muito chato, hahahah. Mas faz parte!
    Bjs
    A Colecionadora de Histórias - Blog

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  14. Oi
    a capa é bonita, pena que a leitura não foi tão boa como esperava e que acabou sendo um pouco mal desenvolvida, é tão ruim quando a leitura não acaba sendo tão boa, mas pelo menos chegou ao fim da leitura.

    http://momentocrivelli.blogspot.com

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  15. Oi, Tami!
    Quando comecei a resenha, fiquei até empolgada, mas seus comentários desmotivaram de querer ler.
    Definitivamente, pelo que pude ver da sinopse, não tem nada de ambiente para um romance ou dois.
    É uma pena quando o autor pega uma história boa e a transformar em 1/3 do que poderia ser.
    E isso de comparar com filme, fiquei com preguiça só de ver. Parece total falta de criatividade.
    Mas, realmente, a capa e a edição são bem bonitas.

    Beijoooos

    www.casosacasoselivros.com

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  16. Oi Tami!
    Eu não tive coragem de arriscar a leitura só pela sinopse que eu já achei bem fraca. Não me animou não. Agora então, passo bem longe. Thriller já não é meu forte, ruim é que eu não quero mesmo KKK.

    Abraços
    David
    http://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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  17. Oi Tami,
    Achei que esse livro tinha um toque de Jogos Vorazes que talvez me envolvesse, mas depois dessa resenha... Desisti.
    Confesso que fui pega de surpresa, não esperava algo tão fraco. Não vou arriscar a leitura não.
    beijos
    https://estante-da-ale.blogspot.com/

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  18. Oi Tami,

    Poxa que pena que o livro não tenha te agradado.É triste ter uma história interessante e o ator perder o fio da meada durante a escrita, acaba sendo bem desagradável.
    Eu tinha boas expectativas sobre ele, mas mesmo assim quero ler para ver o que acho.
    Bjs e uma boa semana!
    Diário dos Livros
    Conheça o Instagram

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  19. Oi Tami, tudo bem?
    A capa e a sinopse entregam tanto potencial, né?
    Que pena que o livro não atende às expectativas. Talvez a autora precise amadurecer um pouco mais daqui pra frente.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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