26 de junho de 2019

Netflix | Olhos Que Condenam



Título original:  When They See Us

Lançamento: 31 de maio de 2019

Episódios: 4

Duração média: 1h e 15min

Criadora: Ava DuVernay

Gênero: Drama, Histórico, Biografia

Elenco: Asante Blackk, Caleel Harris, Ethan Herisse, Jharrel Jerome, Marquis Rodriguez, Marsha Stephanie Blake, Kylie Bunbury, Aunjanue Ellis, Vera Farmiga, Felicity Huffman, entre outros.

Saiba mais: IMDb - Filmow
Sinopse: Cinco jovens negros do Harlem são injustamente acusados de estuprarem uma mulher no Central Park. Com criação, roteiro e direção de Ava DuVernay, a série expõe falhas da Justiça dos EUA em um dos mais polêmicos casos de erro judiciário de sua história.


Assim que o primeiro trailer da minissérie Olhos Que Condenam foi divulgado, eu senti que viria coisa boa pela frente. Felizmente, eu não estava enganada! A série criada, roteirizada e dirigida por Ava DuVernay é um tapa doloroso, necessário e muito bem dado na cara da sociedade como um todo. Admiro quem conseguiu assistir aos quatro episódios consecutivamente, pois é preciso ter um estômago bem forte. Eu, em contrapartida, fiquei muito abalada com os dois primeiros e só consegui finalizar a produção hoje à tarde, aos prantos, mas muito agradecida, pois tenho certeza que de hoje em diante eu serei uma pessoa muito mais atenta às injustiças que ocorrem ao meu redor.

Confesso que sequer conhecia a história dos Cinco do Central Park antes da minissérie ser anunciada, mas dei uma pesquisada e fiquei estarrecida com a série de erros, omissões, armações e mentiras que circundaram e marcaram para sempre a vida de Kevin Richardson (Asante Blackk/Justin Cunningham), Antron McCray (Caleel Harris/Jovan Adepo), Yusef Salaam (Ethan Herisse/Chris Chalk), Korey Wise (Jharrel Jerome) e Raymond Santana (Marquis Rodriguez/Freddy Miyares), que, em 19 de abril de 1989, tinham entre 14 e 16 anos de idade.

  

Neste fatídico dia, Trisha Meili, uma mulher branca de 28 anos, saiu para dar sua habitual corrida noturna no Central Park. No meio do caminho, foi atacada, violentamente estuprada e agredida, e deixada para morrer em uma poça de seu próprio sangue. Simultaneamente, em outra parte de um dos mais famosos cartões postais de Nova York, havia um grupo de jovens, em sua maioria negros e latinos. Alguns deles estavam causando certo tumulto, depredando patrimônio e intimidando transeuntes. Horas mais tarde, quando Trisha é encontrada à beira da morte, um grupo de investigadores, cientes de que naquela mesma noite algumas pessoas haviam reportado o mau comportamento do grupo, começa uma busca minuciosa por todos os componentes do mesmo.

Naquele ano, houve muitos casos de estupro em Nova York. Linda Fairstein (Felicity Huffman), procuradora da divisão nova-iorquina de crimes sexuais, estava sedenta por justiça. Quando entra no caso de Trisha, ela encara tudo de uma maneira muito passional, e daí em diante passa a cometer um equívoco após o outro. Ela encorajou a intimidação policial, ignorou evidências claras que excluíam os cinco jovens da cena do crime como, por exemplo, a ausência de DNA, e criou uma nova linha temporal que incluía os "suspeitos" na área onde a vítima foi encontrada.

Em salas separadas, após horas e mais horas de depoimentos torturantes, onde não podiam comer, descansar ou sequer ir ao banheiro, Kevin, Antron, Yusef, Korey e Raymond são coagidos a acusar uns aos outros com a promessa de que poderiam ir para a casa. Mas dali eles só saem para o tribunal, onde são massacrados por Elizabeth Lederer (Vera Farmiga), que mesmo sabendo dos meios escusos das evidências não abandonou o caso e fez tudo o que estava ao seu alcance para que os cinco jovens fossem condenados.

Há toda uma comoção nacional, muitos acreditam no circo armado por Fairstein e Lederer, mas uma parcela, se não maior, acredita na inocência dos cinco acusados. O viés racista e xenofóbico das acusações não passa despercebido, mas nem a ira da população é capaz de mudar o curso de um julgamento cujo final já estava decidido antes mesmo de começar.

© Netflix
E gente, daí em diante é só revolta. Revolta, dor, sentimento de impotência e vergonha. Como eu disse anteriormente, terminei a minissérie aos prantos, chorando copiosamente. Eu queria abraçar cada um desses jovens, que ao final da produção já são adultos, e dizer: me desculpe! Olhos Que Condenam toca numa ferida que até hoje atrai moscas, que nunca cicatriza. Que é pútrida e malcheirosa. Ela mostra como as ditas minorias são tratadas, de como elas são marginalizadas, de como são culpadas antes mesmo de se provarem inocentes e não o contrário. Como me doeu ver crianças da idade do meu sobrinho mais velho serem tratadas como párias da sociedade. Como me doeu vê-los sendo humilhados, diminuídos e desacreditados. 

Por que eles estão nos tratando assim?
De que outra maneira eles nos tratam?

Ainda que haja muito mais a ser comentado, não vou me aprofundar mais no enredo, pois apesar de ser um caso verídico, cujo desenrolar e o desfecho são de conhecimento público e vêm sendo bastante comentados desde a estreia da minissérie, acho que é importante vocês sentirem o impacto de maneira bem crua e brutal. Reitero que não é fácil assistir Olhos Que Condenam. Caso você esteja passando por um momento complicado, sugiro que deixe para assistir em um outro momento mais propício. É impossível não absorver a carga negativa que a produção emana, é impossível não se sentir enjoado com tanta injustiça. Então evite, ok?

Asante Blackk, Caleel Harris, Ethan Herisse, Jharrel Jerome e Marquis Rodriguez dão conta do recado e entregam atuações maravilhosas, mas quem rouba mesmo a cena é Jharrel. Ele interpreta Korey Wise, o único dos cinco a ir parar em uma penitenciária de segurança máxima pelo fato de já ter 16 anos de idade na época do ocorrido. Então vocês podem imaginar o que vem a seguir, né? Não dei conta...

Felicity Huffman e Vera Farmiga também estão ótimas. Odiáveis, mas ótimas. A primeira se destacou mais quando Fairstein demonstrava o cunho pessoal de suas alegações e a segunda se saiu bem nos momentos em que o conflito ético de Lederer dava sinais de querer se sobrepor aos louros que seriam colhidos caso ela fosse bem-sucedida.

O que uma mãe é capaz de fazer por um filho? A série também dá bastante destaque para a maternidade. As atrizes que interpretam as mães dos acusados deram um show e destaco Aunjanue Ellis e Niecy Nash, que interpretaram respectivamente Sharon Salaam e Delores Wise. Que atuação! Que força! Outro que merece menção honrosa é Joshua Jackson, que interpreta Mickey Joseph, advogado de Antron McCray. Em cena, o ator é um advogado criminalista sem tirar nem pôr. Sua atuação é segura e natural, pena que dura apenas um episódio.

Para não me alongar muito mais, saliento que Ava DuVernay realizou um excelente trabalho. Sua produção foi impecável do início ao fim e espero que ela não seja esquecida nas premiações apenas pelo fato de ser uma mulher! Ava se preocupou em inserir na minissérie manchetes reais da época, inclusive mostrou um jovem Donald Trump incitando a população americana contra os cinco meninos. Há também uma crítica bem sólida ao sistema penitenciário americano, onde manda quem pode e obedece quem tem juízo. Coragem? Tá tendo! 👏👏👏

Os cinco acusados são do Harlem, bairro majoritariamente afro-americano e um vasto centro cultural de raízes negras. Isso se reflete na trilha sonora, onde o RAP, o R&B e o Soul se destacam.


Se você chegou até aqui, obrigada! Reforço que recomendo muito a minissérie, mas apenas se você estiver se sentindo preparado para o impacto que ela vai causar. Quando assistirem, não deixem a mensagem passar em vão. Abram os olhos para o que está ao redor de vocês, não se omitam! Combinado?


17 comentários

  1. Oi Tami, tudo bem?
    Essa é uma daquelas séries necessárias. Soco no estômago, mas necessárias. E o mais triste é perceber que, mesmo tantos anos depois, pouca coisa efetivamente mudou no que diz respeito a racismo estrutural. :(
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  2. Olá
    Não conhecia essa série mas fiquei muito interessada em assistir
    Gosto muito desse tipo de série ou minissérie que e baseado em fatos reais
    E triste ver tanta injustiça mas ela está presente na nossa realidade infelizmente ,
    Já assisti Chernobyl e fiquei muito brava com tantas mentiras descasos com a vida humana Fica até difícil de acreditar que tudo aconteceu de verdade
    Obrigada pela dica

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  3. Oi Tamires, tudo bem?
    Ainda não conhecia a série, mas com certeza ela traz uma mensagem necessária. Ótima critica.

    *bye*
    Marla
    https://loucaporromances.blogspot.com.br/

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  4. Olá, Tamires.
    Por coincidência minha amiga estava me indicando essa série hoje mesmo. Quando ela começou a me falar sobre o que era já me deu uma dor no peito. infelizmente isso aconteceu, acontece e vai continuar acontecendo enquanto continuarmos omissos como você frisou no fim da postagem. Vou assistir sim e espero que muita gente assista para ver se alguma coisa muda.

    Prefácio

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    Respostas
    1. Seria ótimo se as pessoas abrissem os olhos depois de assistir, Sil...

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  5. Oi, Tami!
    Hoje mesmo dei play nessa série, mas logo depois interrompi. Pela sinopse eu já imaginava os socos no estômago que estão por vir e a sua resenha só reforçou isso. Mas vou ver. Como você disse, tapas assim são necessários.

    Beijos, Entre Aspas

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  6. Oi Tami, eu vi que está na Netflix, mas não imaginava que seria algo tão forte, é do tipo que verei aos poucos pra ir digerindo tudo. Gostei bastante da dica!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  7. Oi, Tami! Tudo bom?
    Só o trailer dessa produção já foi um soco no estômago muito bem-vindo, só imagino o impacto da história toda. Eu quero muito assistir, mas tô num período emocionalmente instável então é melhor guardar pra outro momento.

    Beijos,
    Denise Flaibam.
    www.queriaestarlendo.com.br

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  8. Oi Tami!
    Nem tava sabendo dessa minissérie mas poxa, ja vou marcar pra ve. Muito boa apesar de parecer bastante pesada. Espero que consiga ve de boas.

    Abraços
    David
    http://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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  9. Oi Tami, td bem?
    Eu tbm qnd vi o trailer já pensei "lá vem tapão", rs
    Nunca tinha ouvido falar tbm nesse caso.
    Eu tô preparando o estômago ainda pra começar a assistir, mas farei isso logo logo XD
    Bjs
    A Colecionadora de Histórias - Blog -> Tá rolando SORTEIO DE LIVROS p/ 5 ganhadores!

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  10. Amei a dica Tami, nem preciso dizer que fiquei doida para me aprofundar na história, né?

    https://www.kailagarcia.om

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  11. Olá Tamires,

    Essa série é incrível e revoltante, o ser humano é complicado, também recomendo a todos e espero que isso nunca mais aconteça...bjs.


    https://devoradordeletras.blogspot.com/

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