8 de julho de 2019

Resenha | Vilão - V.E. Schwab


Livro cedido em parceria com a editora.

Autora: V.E. Schwab

Tradutora: Flavia de Lavor

Série: Villains #1

Número de páginas: 364

Ano: 2019

Editora: Record

Skoob: AQUI

Compre: Amazon
Sinopse: Victor e Eli, dois jovens brilhantes, arrogantes e solitários, se conheceram na Universidade de Merit e logo se deram bem, identificando um no outro a mesma sagacidade e a mesma ambição. No último ano da faculdade, o interesse em comum numa pesquisa sobre adrenalina, experiências de quase morte e poderes sobrenaturais lhes oferece uma possibilidade antes inimaginável: de que uma pessoa, sob as condições certas, seja capaz de desenvolver habilidades extraordinárias. No entanto, quando colocam em prática essa teoria, as coisas dão muito errado.

Dez anos depois, Victor foge da prisão, determinado a encontrar seu antigo amigo ― agora inimigo. Para localizá-lo, ele conta com a ajuda de uma garotinha, Sydney, cuja natureza reservada esconde uma habilidade sem igual, mas extremamente perigosa. Enquanto isso, há dez anos Eli tem uma única missão: erradicar todas as pessoas ExtraOrdinárias que encontra ― exceto sua ajudante, Serena, uma mulher enigmática e persuasiva, capaz de impor sua vontade a qualquer um.

Armado com poderes terríveis e movido pela lembrança da traição e da perda, Victor caça seu arqui-inimigo em busca de vingança e de um embate no qual sabe que um dos dois deve morrer.


ExtraOrdinário.
A palavra que havia começado - arruinado, transformado - tudo.

Victor Vale e Eliot Cardale se conheceram na Universidade de Lockland. Reservado,Victor evita maiores intimidades com quem quer que seja, porém, quando Eliot torna-se seu colega de quarto, ele fica fascinado com a áurea de mistério que o novo colega emana. O vinculo entre eles cresce rapidamente e, mesmo que apreciem a companhia um do outro, há uma certa competição intelectual entre eles, que se acentua ainda mais quando os temas do Seminário Geral de Ciências, ministrado pelo professor Lyne, são divulgados.

Enquanto Victor escolhe os indutores físicos e emocionais da adrenalina, um tema completamente inocente e entediante, Eliot escolhe discutir a possibilidade teórica da existência de pessoas ExtraOrdinárias, ou seja, pessoas com habilidades sobrenaturais. Victor fica muito contrariado, pois o tema de Eliot chama a atenção pela ousadia.

Eli mergulha de cabeça em sua pesquisa e acaba descobrindo que todos os possíveis EOS, como os ExtraOrdinários são conhecidos, passaram por uma EQM - Experiência de Quase Morte - antes de "receberem" seus poderes. Victor, ao saber da descoberta do amigo, começa a achar que Eli pode ter razão. A adrenalina, em momentos de estresse e/ou grande trauma, poderia fazer com que o corpo se modificasse quimicamente. Obcecado pela notoriedade, Victor utiliza os conhecimentos de sua própria pesquisa para tentar convencer Eli de que eles teriam que colocar em prática a teoria recém-descoberta, somente assim eles teriam certeza de que realmente estavam no caminho certo.


Algo pequeno e perigoso tomava forma na mente de Victor enquanto Eli falava. Uma ideia. Uma maneira de fazer com que a descoberta de Eli fosse dele, ou pelo menos deles.
... — Estou tentando encontrar uma explicação científica para o fenômeno dos EOS. Não é como se eu estivesse tentando criar um deles.
A boca de Victor se retorceu, então se transformou num sorriso.
— Por que não?

Victor se oferece como cobaia, mas sua EQM dá errado e ele vai parar no hospital como um possível suicida. A tentativa de Eli, entretanto, é bem-sucedida. Para espanto dele e desgosto de Victor, ele adquire habilidades sobrenaturais. Ele prova a hipótese de sua teoria e faz, talvez, uma das maiores descobertas da humanidade. Invejoso, Victor decide tentar outra EQM por conta própria. Dá certo, ele torna-se um EO, mas algo muito grave acontece e ele acaba indo para em Wrighton, uma penitenciária de segurança máxima.

Lá ele conhece Mitch Turner, um homem grandalhão que acredita ser vítima de uma maldição e que vira uma espécie de guarda-costas de Victor - mesmo que ele não precise de um. Dez anos depois, Victor e Mitch conseguem fugir da prisão. Inicialmente, Victor pensava em seguir seu caminho sem o homenzarrão, mas acredita que ele pode ser útil em seu plano de vingança contra Eli.

Victor descobre que Eli encontra-se em uma cidade chamada Merit. Mitch e ele roubam um carro e colocam o pé na estrada. No meio do caminho, eles se deparam com Sydney, uma menininha loira caminhando sob uma chuva torrencial. Victor se surpreende ao ver que ela foi baleada e se surpreende ainda mais quando descobre que ela também é uma ExtraOrdinária, uma das EOS mais poderosas que ele já encontrou.

Chegando em Merit, Victor percebe que a situação é muito mais difícil do que ele imaginava. A cidade ama Eli e acha que ele é um herói, a força policial parece obedecê-lo, e não o contrário, e ele também tem uma EO muito poderosa ao seu lado. Assim que descobre as motivações de Eli, Victor decide que precisa agir rápido, mas como vencer algo que parece invencível?

O jornal chamou Eli de herói.
A palavra fez Victor rir. Não só por ser absurda, mas porque continha uma pergunta: se Eli fosse mesmo um herói e Victor estivesse determinado a pôr um fim nele, isso fazia dele um vilão?

••••••••••

Tive duas experiências bem distintas com livros de Victoria/V.E Schwab. A Melodia Feroz não me conquistou, já a leitura de Um Tom Mais Escuro de Magia foi maravilhosa. Vilão veio para fazer a balança pender para o lado positivo, já que a leitura, mesmo com algumas ressalvas totalmente de cunho pessoal, foi muito boa.

Já vou começar falando o que não me agradou, que vem a ser algo que me incomoda em fantasias mais realísticas: a falta de embasamento científico para justificar certas mutações, poderes e afins. Eu sou uma pessoa que torce o nariz para muita invenção e este é o principal motivo que faz com que eu não curta muito fantasia em geral. Porém, quando o assunto é aquele tipo de fantasia que quer se apoiar na ciência, o buraco, comigo, é bem mais embaixo.


Em Vilão, Victoria se utiliza muito da bioquímica, de "reações" catalisadas por uma experiência de quase morte que faz com que a pessoa desenvolva poderes, poderes estes que terão a ver com a personalidade da pessoa em questão e com a maneira com a qual ela encara sua EQM. É criativo, mas não me persuadiu. Não me convenceu porque eu sou uma pessoa muito ligada em ciência e para mexer com ela você precisa me fazer acreditar que aquilo pode acontecer, mesmo que a possibilidade seja ínfima. Esse plot, obviamente, é impossível.

Como eu disse no início das minhas considerações, isso é algo estritamente pessoal, e não um defeito do livro. E tirando esse pequeno porém, Victoria me conquistou mais uma vez com seus personagens interessantíssimos. Nem bons, nem maus: humanos. Ou melhor, ExtraOrdinários.

É nítido que Victoria bebeu de fontes bem conhecidas na criação do enredo de Vilão, mas o que mais me agradou foram as referências bíblicas, principalmente a criação de Eliot Cardale, que se vê como um Messias, mas não passa de um falso profeta com atitudes bem questionáveis. Todavia, ele acredita que faz tudo pelo bem maior. Ele crê veementemente que Deus lhe concedeu seu poder para que assim ele possa manter a ordem natural das coisas. Acontece que Deus não tem nada a ver com isso, tudo foi orquestrado em busca de uma glória pautada em mentiras, em perseguições e em sangue.

Algo que eu curto muito nos livros da autora - e curti inclusive em A Melodia Feroz - é sua capacidade de criar duplas de personagens que se complementam, que conquistam o leitor não apenas com suas individualidades, mas também com aquilo que se tornam quando estão juntos. Muitas vezes eles dependem um do outro para alcançar seu potencial máximo. Foi assim com August e Kate, com Kell e Lila, e agora isso se repete com Eli e Victor.

Victor Vale é um personagem magnífico, com nuances muito delicadas que mudam em um piscar de olhos. Me peguei fascinada por suas motivações, mesmo que, assim como as de Eli, elas não fossem lá muito altruístas. Mas há uma grande diferença entre os dois, já que enquanto Eli se engana achando que é algo que não é, Victor é completamente consciente de todos os seus defeitos e sabe que suas escolhas, e até mesmo a inveja que sentia de Eli, são os responsáveis pelo seu destino.

E a grande pergunta que fica é aquela que o título levanta. Quem é o Vilão? Ambos erraram, ambos foram ambiciosos, ambos têm sangue nas mãos. A divisão da narrativa corroborou muito com minhas dúvidas, já que a história não segue uma linha temporal cronológica. Victoria foi muito inteligente na construção de sua trama, só achei que o reencontro dos dois ficou devendo, não foi um embate à altura de Victor Vale e Eli Cardale.

Agora vou enaltecer uma pequena notável: Sydney Clarke. Com apenas doze anos, é ela a ExtraOrdinária mais poderosa e o grande trunfo de Victor. Eu não estava preparada para a sua grandiosidade e fiquei completamente apaixonada por sua força, já que ela teve que lidar com muita coisa, como, por exemplo, o abandono afetivo parental e a traição da própria irmã, Serena. Esta última, aliás, também é muito poderosa, porém, possui um grande desvio de caráter e aliou-se à pessoa errada.

Percebam que eu não estou mencionando o poder de ninguém, pois acho que seria bacana se vocês conseguissem ler o livro mais no escuro. Se vocês puderem evitar essa informação, melhor. Acho que ficaria mais divertido. 😉


A edição da Record está excelente. Amo a capa e ela tem tudo a ver com a história. Internamente, a qualidade se mantém. As folhas são amareladas, a diagramação é confortável e não encontrei erros de revisão. O livro é dividido em duas partes e os capítulos curtos contribuem muito com a fluidez da narrativa, que já é ótima devido à escrita de Victoria.

Em suma, mesmo com meu ceticismo, Vilão foi uma ótima leitura! Espero que o segundo volume não demore tanto quanto o terceiro da série Tons de Magia.


20 comentários

  1. Oi Tami, eu amei a leitura, Victoria arrasou demais nesse livro, simplesmente não conseguia parar de ler e já quero a continuação.

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  2. Oi Tami,
    Eu gostei da sua resenha exatamente por gostar de ler 'no escuro', gosto de me surpreender e esse livro promete ser uma ótima leitura para mim.
    Estou ansiosa por ele!
    beijos
    https://estante-da-ale.blogspot.com/

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  3. Olá, Tamires!

    Nossa! Tem muito tempo que não leio fantasias, estou até ''desacostumada'' com o gênero. Este livro parece ser muito intenso e diferente de tudo o que já li. Engraçado que eu não tinha parado para pensar sobre as justificativas dos autores, eu simplesmente lia e era isso aí. Adorei a resenha, está bem completa e envolvente!

    Beijos
    Cantinho da Escrita

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    1. Eu sou chata, quando mexe com uma coisa que eu entendo eu quero justificativas que me convençam. Hahahaha

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  4. Oi Tami
    Eu vi outra resenha da obra mas não me interessei muito pelo enredo, eu adoro a escrita da autora mas é do tipo que eu preciso ler aos pouquinhos senão perco facilmente o interesse. Ainda não me senti cativada por Vilão mas pretendo dar uma chance futuramente.
    Beijo!

    http://www.capitulotreze.com.br/

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  5. Oi Tami, td bem?
    Gostei de saber que a trama se utiliza de referências bíblicas! Tbm não sou tão chegada em fantasia, e especialmente em ficção científica. Mas essa história conseguiu atiçar a minha curiosidade, nunca li nada da autora. Quero conferir!
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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  6. Olá, Tamires.
    Eu já amei a autora em A Melodia Feroz hehe. E também não me incomodo em ter embasamento em nada não, quanto mais fantasioso e inacreditável melhor hehe. Gostei muito desse livro e dei nota máxima para ele. A Sidney foi meu personagem favorito e até agora não sei para qual dos dois eu torço hehe. Vou ver se consigo ler Um Tom Mais Escuro de Magia porque vai que a editora resolve lançar o ultimo hehe.

    Prefácio

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    1. Oremos por isso. Tinha um boato que ia sair no segundo semestre... vamos ver.

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  7. Oi Tami! Eu prefiro bem mais A Melodia e O Dueto que Um Tom Mais Escuro de Magia, embora goste de todos e também da série da Guardiã de Histórias. Em suma sou bem apaixonada pelos livros da autora e este também me deixou impressionada, e não foi o lance dos poderes, e sim do caráter e do que era de fato certo ou errado. Eu fiquei bem envolvida. Aguardo ansiosa a continuação. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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    1. Não sou fã de YA, por isso os mais adultos dela têm mais apelo comigo.

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  8. Oi, Tami!
    Eu amei demais esse livro!!! E devo dizer que achei genial essa tese de criação dos EOs. Infelizmente não curti tanto assim a continuação, mas a história no todo foi bem boa.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  9. Olá Tamires,

    Li muitos comentários positivos desse livro e é um gênero que gosto demais, já está na minha lista de desejados, excelente resenha.....bjs.


    https://devoradordeletras.blogspot.com

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  10. Ola
    Muito boa resenha atiçou a minha curiosidade
    Parece que há um embate entre esses dois
    Como será que termina? Essa e a pergunta que não quer falar rs e
    Dica anotado e quando surgir a oportunidade pretendo adquirir o livro

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