17 de agosto de 2019

Resenha | Ano Um - Nora Roberts


Livro cedido em parceria com a editora.

Autora: Nora Roberts

Tradutora: Simone Lemberg Reisner

Série: Crônicas da Escolhida #1

Número de páginas: 400

Ano: 2019

Editora: Arqueiro

Skoob: AQUI

Compre: Amazon
Sinopse: Quando este mundo acaba, um novo começa.

Tudo começa na noite de Ano-Novo. A doença se alastra rapidamente. Em questão de semanas, a rede elétrica para de funcionar, as leis e o sistema de governo entram em colapso e mais da metade da população mundial é dizimada.

Onde existia ordem, agora só há caos. E conforme o poder da ciência e da tecnologia diminuíam, a magia crescia e tomava o seu lugar. Uma parte dessa magia é boa, como a feitiçaria praticada por Lana Bingham no apartamento que divide com o amante, Max. Outra parte dela, no entanto, é inimaginavelmente maligna, e pode se esconder em qualquer canto, numa esquina, nos fétidos túneis sob o rio ou dentro daqueles que você mais ama e conhece…

Espalham-se rumores de que nem os imunes nem os dotados estão a salvo das autoridades que patrulham as ruas devastadas, então Lana e Max resolvem deixar Nova York. Outros viajantes também seguem esperançosos para o oeste: Chuck, um gênio da tecnologia que mantém o bom humor em um mundo off-line; Arlys, uma jornalista que insiste em buscar e registrar a verdade; Fredinha, uma jovem com um otimismo que parece fora do lugar nessa paisagem desoladora; Rachel e Jonah, médica e paramédico, determinados a proteger uma jovem mãe e seus três bebês recém-nascidos.

Em um mundo em que cada estranho no caminho pode representar a morte ou a salvação, nenhum deles sabe o que encontrarão. Porém, um novo horizonte os aguarda, a concretização de uma profecia ancestral que transformará a vida de todos os sobreviventes.

O fim chegou. O início é o que vem agora.


E a luz resplandece nas trevas; e as trevas não a encobriram. - João 1:5

Ross MacLeod estava passando o fim de ano na Escócia, na fazenda de seu primo Hugh. Os festejos já estavam sendo planejados e faisão seria o prato principal, mas Ross não tinha ideia de que uma simples caçada seria o início do seu fim. Enquanto está limpando uma das aves, Ross machuca o polegar em um dos ossos da mesma e acaba sendo contaminado. Algumas horas depois, Ross começa a se sentir mal e sua esposa, Angie, acha que ele está ficando resfriado. Eles voltam para Nova York e o homem se sente cada vez pior. Ross era o paciente zero de uma praga que já havia contaminado a todos que ceiaram com ele na Escócia, a todos que tiveram contato com ele no aeroporto, no avião e no caminho para a casa. Todas estas pessoas estavam agora contaminando outras pessoas a uma velocidade sem precedentes. Menos de três dias após o contágio, Ross está morto. E então a Catástrofe se inicia.

Ao fim da primeira semana de janeiro, o número oficial de mortes chegava a um milhão. A Organização Mundial da Saúde declarou que a pandemia se espalhava a uma velocidade nunca vista. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças identificaram o vírus como uma nova cepa de gripe aviária, que se espalhava pelo contato entre humanos.
Só que ninguém era capaz de explicar porque as aves testadas não apresentavam sinais de infecção. Nenhuma das galinhas, perus, gansos, faisões ou codornas, confiscados ou capturados num raio de 100 quilômetros da fazenda MacLeod, revelava qualquer infecção.

O vírus - ou seja lá o que aquilo fosse - foi identificado como H5N1-1X e ele era implacável. Uma vacina estava sendo prometida há dias, mas nunca era distribuída. A contagem de mortos aumentava exponencialmente, mas as autoridades mundiais tentavam encobrir a verdade de todas as maneiras. Fontes afirmavam que a contagem de mortos já ultrapassava dois bilhões e meio de pessoas, um terço da população mundial.

Haviam aqueles que eram imunes e aqueles que começaram a desenvolver poderes, os chamados Incomuns. Os imunes corriam perigo, pois eram capturados para servirem de cobaia. Já os Incomuns se dividiam entre os bons e os maus, aqueles que utilizavam seus poderes para ajudar e aqueles que tornavam o cenário ainda mais aterrorizante.

Em meio ao caos, vamos acompanhar três grupos de pessoas, humanos e incomuns, em busca de um lugar seguro para recomeçar, em busca de esperança. Mas mal sabiam eles que o verdadeiro horror ainda estava por vir.

— Há tanto tempo foi escrito que a maioria o esqueceu.
— O quê?
— Que o escudo seria quebrado, o tecido, rasgado, pelo sangue dos Tuatha de Danann. Agora virão o fim e a dor, o conflito e o medo, o princípio e a luz.


••••••••••

Ano Um é o primeiro volume da trilogia Crônicas da Escolhida, distopia pós-apocalíptica de Nora Roberts. O gênero, aliás, só fica mais evidente em torno da página 250, antes disso a história tem uma pegada muito forte de Urban Fantasy. Sendo bem sincera, Ano Um é uma grande farofa, e não pensem que isso é um defeito. E é até mesmo por esse motivo que eu nem quis me estender muito no resumo, já que há três núcleos diferentes, muitos personagens e muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.

Apesar de ter diversos livros da autora, até a leitura deste livro eu só tinha lido suas histórias policiais, que são muito boas. Sendo Ano Um sua primeira empreitada no gênero distópico, Nora se saiu muito bem, ainda que em alguns momentos eu tenha sentido que ela pendeu muito mais a balança para a fantasia do que para a distopia. Durante muito tempo eu não entendi qual era sua intenção e muito menos onde ela queria chegar, mas a medida que a leitura foi se desenrolando, fui me apegando aos personagens e fui comprando o enredo, por mais absurdo que ele possa parecer em alguns momentos.

Ano Um tem uma pegada Darwinista, onde vemos os sobreviventes imunes ao H5N1-X transmutando-se para se adaptarem à nova realidade. Surgem então bruxas, elfos, fadas, metamorfos, feiticeiros, enfim, diversas criaturas que ou já tinha um poder latente ou se viram, do nada, transformados. Há ainda os humanos, que mesmo sem possuir nenhum poder, precisam aprender a viver em um mundo em que não são mais os seres superiores.

Dentre os Incomuns, aqueles que manifestaram poderes após a Catástrofe, há aqueles que seguiram pelo lado da luz e aqueles que seguiram pelo lado das trevas. Logo, há o clássico embate entre o bem e o mal. Os Incomuns ainda precisam lidar com o preconceito de humanos que não os aceitam e querem eliminá-los, pois os enxergam como uma ameaça à ordem natural das coisas.

Pela minha nota muita gente vai pensar que não gostei do livro, o que não é o caso. Acho sim que o livro poderia ser muito melhor e que o grande erro da narrativa é o excesso de personagens e cenários, o que deixa a história bagunçada. Quando todos os núcleos se encontram, a história ganha um ritmo bem melhor. Uma outra coisa que demanda boa vontade do leitor é o excesso de elementos díspares, que não se complementam e conferem à história uma característica um pouco heterogênea e incômoda. Porém, no fim das contas, me vi entretida a medida que parei de tentar compreender a história. Parei de tentar adivinhar o caminho e deixei que Nora me conduzisse da maneira que quisesse.

Há uma profecia que justifica tudo o que está acontecendo e Nora não abre muito o jogo, sendo este mais um elemento sobrenatural/fantástico em uma história que aparentemente seria uma distopia.

Ao longo da narrativa, vamos acompanhar os três núcleos se movimentando, buscando um refúgio, um lugar em que pudessem recomeçar. Nessa busca, claro, eles vão se deparar com as mais diversas situações e vão descobrir que viver em comunidade não é mais tão simples quanto antes.

Como são muitos os personagens, vou me ater somente aos que eu considero como destaque. Arlys, a jornalista super ética que, mesmo em meio ao caos, preocupou-se em levar o mínimo de informação àqueles que estavam isolados e amedrontados. Arlys é osso duro de roer, mas possui uma delicadeza interessante. Ela quer estar sempre no controle da situação e evita demonstrar fragilidade, afinal, o mundo, aquele especificamente, era para os fortes. Outra que merece menção é Lana, uma jovem que antes mesmo da Catástrofe já manifestava alguns poderes, mas é somente após a mesma que ela alcança seu máximo potencial. A personagem tem momentos bem interessante e interage bem com basicamente todos com quem dialoga.


A edição de Ano Um está lindíssima. Quando a Arqueiro abriu votação para escolha da capa esta foi a minha primeira opção, adoro a coloração preta e branca, pois acho que combina com o teor desolador deste primeiro volume. Internamente a edição também está um arraso, com folhas amareladas, diagramação confortável e ilustrações que dividem as quatro partes da história. Ano Um é narrado em terceira pessoa e o foco se alterna entre os diversos personagens.

Como eu disse no início das minhas considerações, Ano Um é uma farofa; uma farofa cujo tempero pode agradar alguns e desagradar outros tantos. Acredito que o segredo aqui é esperar pouco, pois sendo uma história bem introdutória e um tanto confusa, há enrolação demais e desenvolvimento de menos. Ao final, quando as peças estão finalmente caminhando para os seus devidos lugares, a história vai ficando promissora e acredito que os demais volumes vão entregar algo mais substancial.



39 comentários

  1. Oi Tami,
    Infelizmente, eu e a Nora não nos damos bem, nunca consegui gostar de um livro dela, então não me animo muito quando vejo um lançamento dela.
    Nem vou insistir com esse, rs.
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com

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  2. Olá, Tamires.
    Quando vi sua nota já desanimei, ainda bem que li a resenha hehe. E mesmo com essa farofa toda eu me interessei por ele e vou querer ler. Acabei de ler o lançamento dela do Grupo Record e amei o livro, mas é policial e é meu gênero favorito dela. Não sou tão fã de suas fantasias e fiquei receosa por andar um pouco por esse lado, mas acredito que vou gostar.

    Prefácio

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  3. Oi, Tami!
    Pra mim, o melhor núcleo está sendo o que os bebês, porque de resto...
    Tu sabes que amo a Nora mas está difícil defender ela nas últimas leituras que fiz
    Beijos
    Balaio de Babados

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  4. Oi Tami,

    Olhando sua nota eu achei que não tinha gostado do livro, mas lendo sua resenha fiquei interessada na trama, apesar da bagunça de personagens e enredos.
    Eu estou com um livro policial para ler da autora, mas vou deixar esse na lista para ler mais para a frente.

    Bjs e um bom fim de semana!
    Diário dos Livros
    Conheça o Instagram

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  5. Oi, Tami!
    Nunca li nada da autora e não consigo ligar ela com nenhum gênero que não seja o romance e não me pergunte o motivo disso haha Eu gostei bastante da capa, mas me incomoda um pouco livros com muitos personagens e cenários. A tal farofa que você citou.
    Acho que vou começar com outros títulos da autora para depois me aventurar por esse.
    Beijinhos,

    Galáxia dos Desejos

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    1. Já eu, quando lembro da Nora, sempre me vem os romances policiais. Hahahahh

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  6. Oi Tami, eu geralmente não curto os livros da Nora, acredita? Sendo assim com um tanto de enrolação, capaz de não curtir rsrsrs

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  7. sempre tive bastante curiosidade em ler os livros dessa autora, gostei bastante de conhecer mais desse livro

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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  8. Oi Tamires.
    Devo admitir que fico confusa com você dizendo que é uma distopia sendo que aparenta mesmo ser uma fantasia. Ademais, tenho minhas dúvidas se esse enredo poderia me causar algum impacto. Ultimamente ando chatíssima para enredos confusos então devo deixar esse para outra hora.
    Adorei a resenha.
    Beijos.
    Fantástica Ficção

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    1. Aparenta, né? Mas não é tão confuso a ponto de ser ininteligível, dá pra entender! ;)

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  9. Confesso que fiquei meio assim receosa quando vi Nora Roberts escrevendo esse tipo de livro
    Gosto dessa autora mas quando escreve romances ou dramas familiares
    Mas como você deu uma nota boa ao romance acho que vou ler o livro
    Quando não sei mas anotei a dica

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    1. Agora vou partir pros romances dela, vamos ver o que acho.

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  10. Oi, Tami! Tudo bom?
    Eita que me surpreendi com a Nora Roberts escrevendo uma história nessa pegada??? Não esperava mesmo UHHUASHUSAHUSAUHSA tudo bem que a mulher tem 3276027670923 livros, mas ainda assim.
    Por ser uma farofa já não me interesso porque pelo que tu falou, a bagunça só me irritaria mesmo :v

    Beijos,
    Denise Flaibam.
    www.queriaestarlendo.com.br

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  11. Oi Tami!
    Eu tbm votei nessa capa! Adorei as fotos q vc tirou!
    Já li vários livros da Nora, mas a maioria deles com o enredo policial, onde eu acho q ela arrasa.
    Então fiquei curiosa sobre Ano um por gostar da escrita dela e de distopias, mas n tão empolgada de cara, estava esperando pelas resenhas na verdade kkk
    Então qnd ler n irei com tanta sede ao pote, já q foi uma intro farofa, hahah
    Bjs
    A Colecionadora de Histórias - Blog

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  12. Adorei você dizer que o livro é uma "farofa" hehehe. Bem colocado a história ser daquelas que agrada algumas pessoas enquanto desagrada outras.
    Achei essa edição muito linda.

    www.vivendosentimentos.com.br

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  13. Oiii Tami

    Dá um pouco de medo tantos personagens e tantos cenários, uma salada mesmo, mas fico curiosa em conferir essa nova versão da escrita da Nora, em um gênero diferente do que está habituada. Ainda não li nada da autora, mas este mês tem livro dela na minha TBR, e se gostar da escrita, pretendo conferir Ano Um mais pra frente.

    Beijos, Ivy

    www.derepentenoultimolivro.com

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  14. Oi Tami! Apesar de mudar de gênero, a Nora mantém alguns aspectos semelhantes as outras obras delas e em determinado momento eu achei que ela ia mesmo migrar para fantasia sobrenatural. Ainda assim eu gostei da obra, acho que ela se saiu bem e de fato, é um volume bem introdutório. Vamos ver como vai seguir. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  15. Até gosto de histórias assim, mas que se desenrolam rápido, esperar muito para ver tudo acontecer me irrita, rs. De qualquer forma, adorei a indicação!

    https://www.kailagarcia.com

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  16. Oi, Tamires!

    Adoro fantasia e misturada com distopia melhor ainda!
    Apesar dos pesares fiquei curiosa com a história, mas como vc mesma salientou não vou criar muitas expectativas com a leitura.

    Beijos
    Construindo Estante || Promoção de aniversário do blog

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    1. Nada contra fantasia misturada com distopia, mas a história é vendida como uma coisa e no fim das contas é outra.

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  17. Oi Tami,
    Conheci a Nora por uma adaptação dela primeiro, e recentemente que li meu primeiro livro dela, não gostei muito. Qualquer dia tento um dos policiais.
    Mas, eu tava lendo sua resenha e achando a coisa séria - militou toda com lance do bicho contaminado #govegan hehe - quando vc mencionou os seres que começam a surgir, eu comecei a dar risada.
    Achei mais fantasia também. Já vou torcer pra adaptarem.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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    1. Acredita que nunca assisti nenhuma adaptação. Pra te falar a verdade até bem pouco tempo nem sabia que ela tinha livros adaptados. Hahaha

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  18. Já tentei ler Nora umas 3x mas não consegue me conquistar.
    Agora que vi a nota que você deu ao livro, esse será mais outro que eu não leria haha

    Abraço,
    Parágrafo Cult

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    1. Três não é uma nota ruim, três é bom na minha escala de classificação.

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  19. Oi Tamires, tudo bem?
    Acredito que mesmo com a farofa, a autora conseguiu criar uma boa trama. Fiquei curiosa, mas vou aguardar os próximos livros, para me aventurar na leitura.

    *bye*
    Marla
    http://loucaporromances.blogspot.com

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  20. Oi Tami!
    Deus a definição como farofa foi perfeita KKKKKKKK. Eu detestei e Deus me livre de proximos volumes. Ate agora to perdido com o foco da historia e os dialogos entre os personagens PELO SANTO JESUS CRISTO. Parecem adolescentes de 13 anos. Aquele romance da Lana e do Max mais sem sal so 2 desses. Nao consegui me apegar a personagem nenhum e o final foi ainda mais tragico. Mas entendo sua posição. Talvez eu tenha esperado demais de fato.

    Abraços
    David
    http://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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