20 de novembro de 2019

Resenha | As Quatro Rainhas Mortas - Astrid Scholte


Livro cedido em parceria com a editora.

Autora: Astrid Scholte

Tradutora: Adriana Fidalgo

Número de páginas: 396

Ano: 2019

Editora: Galera

Skoob: AQUI

Compre: Amazon
Sinopse: Na efervescência de paixões proibidas, segredos e alguns mistérios, o reinado das quatro rainhas de Quadara está ameaçado – resta saber como, e por quem.

No continente de Quadara, há séculos quatro rainhas reinam absolutas, cada uma representando o próprio quadrante. Juntas, mas separadas. A decidida Iris fala por Archia, a ilha de terras férteis; a estoica Corra representa a tecnológica Eonia; Marguerite, a mais velha das rainhas, é a soberana de Toria e de seus curiosos habitantes; e Stessa, a mais jovem, é o rosto de Ludia, o quadrante da diversão e da arte.

As quatro mulheres dividem o poder, sempre respeitando as Leis das Rainhas, sempre pensando no povo e no melhor para a nação. Mas elas têm segredos, e estes podem ser letais. Tão letais quanto Keralie Corrington. Aos 17 anos, a toriana é a mais hábil larápia e a melhor mentirosa de Jetée. um distrito de excessos, contrabando e charlatões. O último lugar que Varin, um mensageiro eonista, deveria visitar.

Mas ele foi roubado… por Keralie, e a jovem é a única esperança de reaver a mercadoria e manter seu emprego. Um mensageiro nunca pode perder sua encomenda. Para piorar, há coisas muito mais sinistras nos chips de comunicação afanados por Keralie. Algo que pode enredar a larápia e o mensageiro em uma conspiração para assassinar as quatro rainhas de Quadara.
Sem opção, os dois resolvem se unir para descobrir o assassino e salvar a própria vida no processo.

Quando sua relutante parceria começa a se transformar em algo mais, os dois precisam aprender a confiar um no outro e a superar as diferenças entre quadrantes para viver esse amor. Mas será que uma curiosa toriana e um insensível eonista têm alguma chance?


Juntas, mas separadas

Há mais de cem anos, Quadara era um território unificado que tinha um rei irresponsável como soberano. Após a Guerra dos Quadrantes, que não conseguiam coexistir, houve a ascensão das quatro esposas do rei ao poder, que isolaram as quatro regiões pondo fim ao embate que já durava uma década. Archia, Eonia, Toria e Ludia passaram então a ser quadrantes de Quadara, onde cada um seria governado por uma rainha. Estas iriam conviver juntas em Concórdia, de onde trabalhariam da melhor forma pelo bem de seu respectivo território, cumprindo todas as Leis das Rainhas sem nunca questioná-las ou desobedecê-las.

Anos depois, Archia tem como soberana a rainha Iris e é o quadrante onde a natureza e a simplicidade são muito valorizadas. Por Eonia reina Corra, e este é o quadrante da tecnologia e evolução. Marguerite é a rainha de Toria, quadrante costeiro e comercial. E por Ludia, quadrante do prazer e da arte, reina Stessa. Todas reinam juntas na segurança do castelo, ouvindo as vontades e reclamações de seus respectivos súditos. Tudo funcionou perfeitamente bem por muito tempo. Até que, uma por uma, as rainhas começam a morrer.

Keralie é uma jovem toriana que não se conformava com seu destino. Filha de pescadores, a jovem sempre odiou o mar e foi seduzida pela vida fácil no Jetée, antro comercial de contrabando de itens de toda Quadara. Lá ela conhece, Mackiel, que a transforma na melhor ladra do continente. É ela quem rouba as melhores mercadorias para as noites de transação na casa de leilões, e agora Mackiel lhe dá uma nova missão: roubar o estojo de comunicação de um mensageiro eonita que estava de passagem.

Keralie é bem sucedida, mas estranha o fato de Mackiel não colocar o estojo à venda e é surpreendida com a presença do mensageiro, que ela descobre se chamar Varin, dentro da casa de leilões. Ele lhe encurrala querendo de volta o que lhe pertence. Como a boa larápia que é, Keralie tenta levá-lo na conversa, mas acaba descobrindo que há algo de muito estranho em toda essa situação, pois encontra o estojo de comunicação muito bem escondido no escritório de Mackiel. Dentro do estojo há quatro chips, e o fato de Mackiel não tê-los comercializado só pode significar uma coisa: ele conhece a mensagem que eles carregam.

Vendo que Mackiel acha que ela o traiu, Keralie usa seu poder de barganha, os chips, para trazer Varin para seu lado. Em numa atitude impensada para tentar fugir da casa de leilões, ela acaba engolindo os chips. Keralie só não esperava, com isso, testemunhar algo aterrorizante.

Eu queria berrar, mas não conseguia. Elas estavam presentes. Por toda a parte... as imagens. As coroas. Os rostos. Rostos que eu conhecia bem demais. Rostos que já vira muitas vezes nos Relatórios das Rainhas. Elas estavam ali. Todas elas. As quatro rainhas... mortas. Gravadas em minha retina. Dentro de minha cabeça.

Varin lhe jura que não sabia qual era o conteúdo dos chips, pois mensageiros apenas transportam as mercadorias sem fazer perguntas. Sendo assim, os dois partem para Concórdia e acham estranho o fato de não ter havido nenhum comunicado sobre as mortes. O palácio estaria escondendo as mortes para evitar o pânico? Eles já tinham alguma pista sobre o responsável pelos assassinatos? Só podia ser Mackiel, afinal, a rainha Marguerite queria acabar com o Jetée. Mas por que matar as quatro rainhas e não apenas a rainha de Toria?

Quando chegam ao palácio, Keralie descobre que começou a fazer parte de uma trama ainda mais diabólica. Ter engolido aqueles chips foi, de longe, a pior decisão de sua vida.

••••••••••

As Quatro Rainhas Mortas tem chamado a atenção desde que foi anunciado no Mochilão da Record, com uma proposta criativa e um book trailer instigante. É sempre complicado escrever uma resenha negativa. Escrever uma resenha negativa sobre um livro que está na boca do povo é mais complicado ainda. Procurei não criar muitas expectativas, pois as últimas experiências que tive com livros do gênero não foram muito agradáveis. O grande problema de As Quatro Rainhas Mortas, um standalone, é querer ser tudo e mais um pouco em apenas quatrocentas páginas.

Como assim? Bom, vamos começar com Quadara, onde a história é ambientada. Quadara é dividida em quatro quadrantes: Archia, Eonia, Toria e Ludia. Cada um com seus costumes, vestimentas e particularidades. Virou moda no gênero dividir a população da história em grupos distintos, algo que eu consigo relevar quando, pelo menos, há uma boa explicação político-social para tal; o que, infelizmente não encontramos aqui. A história de Quadara é mal explorada e mal explicada, e a grande pergunta que fica quando alguma coisa relacionada ao território é mencionada é um frustrante: por quê?

Levando em consideração que a trama central é o assassinato das rainhas, o livro não poderia pecar mais na impessoalidade das mesmas, tornando-as quase irrelevantes. Eu, Tamires, não consegui torcer por uma reviravolta tamanha era a minha indiferença. Preciso mencionar também que a linha que difere as personalidades de Iris, Corra, Marguerite e Stessa é bem tênue. Faltou força na construção de cada uma! Caso houvesse um diálogo onde as falas não fossem apontadas, o mesmo poderia facilmente se passar por um monólogo tamanha a semelhança das abordagens. E olha que a diferença de idade entre elas é bem significante...

As Quatro Rainhas Mortas promete ser uma fantasia com um toque de mistério, e aqui, mais uma vez, o livro peca pela falta. O foco nos elementos científicos do enredo - trens ultrassônicos, chips de memória, alterações genéticas, trajes inteligentes e curas milagrosas - é muito mais presente e importante para a narrativa, fazendo o leitor quase esquecer de que tem uma fantasia em mãos. E para falar sobre o mistério eu teria que entrar em méritos spoilorentos, porém, preciso mencionar a inutilidade da guarda do palácio. Sério, é risível. Sem condições de levar a sério!

E enfim chegamos na nossa protagonista, Keralie. E se você estava procurando uma boa anti-heroína, esqueça. Falta profundidade e sobra infantilidade. Keralie é uma coisa só, não há nuances em sua personalidade, não há complexidade em sua construção. Eu até tentei sentir alguma empatia, tentei compreender as razões que levaram-na a almejar uma vida como a que tinha no Jetée, mas não consegui. Até a culpa que ela sentia por conta de suas questões familiares me pareceu inverídica. E aí chegamos ao romance dela com Varin, cuja função no livro é tão aleatória que não vou nem me estender. Essa relação não funciona, não faz sentido e não deveria existir. Não há absolutamente nenhuma química, nenhuma!

Eu não sei se estava esperando muito da escrita da autora, que já trabalhou com James Cameron e Steven Spielberg. O fato é que eu fiquei realmente bem frustrada com o que foi entregue. O livro até possui reviravoltas, mas elas não empolgam. A resolução do mistério é bem no estilo Deus ex machina, inverossímil e ilógica. A proposta é criativa, mas não houve espaço para desenvolvê-la. Quem sou eu para falar algo sobre a escolha de um autor, mas As Quatro Rainhas Mortas tinha potencial para ser, pelo menos, uma duologia. Até a representatividade presente na história sofre, afinal, por que inserir personagens negros e LGBTQI+ se você não vai dar relevância para os mesmos e, pior, vai matá-los? Fica o questionamento...

Quanto ao trabalho da editora eu tenho apenas elogios. A capa é bonita e ao abrir a primeira orelha e a contra guarda temos o mapa de Quadara, que também pode ser observado ao final do livro. As folhas são amareladas e aparentemente houve uma melhora no papel de impressão, o que é ótimo. Encontrei alguns errinhos, mas nada muito gritante. A história é dividida em quatro partes e possuiu seis pontos de vista, sendo apenas o de Keralie em primeira pessoa.

Como vocês puderam perceber, a leitura de As Quatro Rainhas Mortas não funcionou para mim. E aqui eu quero enfatizar o PARA MIM. Você foi uma das pessoas que ficaram curiosas com o livro? Então não deixe a MINHA opinião te influenciar. Enxergue uma resenha como um termômetro que vai aumentar ou diminuir a sua expectativa, e não como um parâmetro para extingui-la. Afinal, você tem a sua própria opinião, não é mesmo? Sendo assim, caso tenha interesse, leia e tire as suas próprias conclusões! 😉


30 comentários

  1. Caramba, uma pena essa falta de aprofundamento para detalhes tão importantes. Fica aí uma boa lição sobre a importância de saber priozar e focar em muitos casos. AMEI a resenha <3

    semquases.com

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  2. Nossa!
    Eu ouvi sobre esse livro no mochilao e tinha achado super interessante! Mesmo não gostando do gênero... Hahahaha fiquei chocada quando as resenhas começaram a chegar, a maioria negativa.
    Os.: Personagens LGBTQ+ e negros sendo usados para morrer... Me poupe!
    Uma pena essa decepção.
    renatavarelaescreve.blogspot.com

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    1. Depois eu fui ver no Goodreads e também tem muita resenha negativa por lá...

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  3. Olá!
    Que pena que o livro não funcionou para você. Mas, entendo que vale a leitura, eu não tenho previsão de ler esse livro. Quem sabe um dia.
    Beijocas.

    https://www.parafraseandocomvanessa.com.br/

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  4. Oi, Tami!

    Adorei a resenha e a sinceridade, eu naturalmente não sou fã do gênero, histórias do estilo não me atraem a atenção, então já não pretendia ler, mas reconheço que a história tinha bastante potencial, e é uma pena não ter sido aproveitada! Dá a impressão que a autora teve uma ideia excelente, mas que não soube muito bem como executá-la. A capa realmente é de babar!

    xx Carol
    https://caverna-literaria.blogspot.com/

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  5. Olá, Tamires.
    Estou com minha resenha pronta do livro e infelizmente ele também não me agradou. É engraçado que quando não tem história para uma série, eles escrevem uma e quando tem, escrevem um livro único e dá nisso. Foi tudo muito mal aproveitado, principalmente as rainhas. E fui até conferir se era classificado como fantasia porque faltou na história hehe. Mas dei nota 3 de 5 hehe.

    Prefácio

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  6. Olá...
    Adorei a sua resenha, sempre admiro muito as blogueiras que tem coragem para ser sinceras assim!
    Esse livro está na minha lista de desejados e estava simplesmente loooooouca pra ler! Porém, só nessa semana já li três resenhas negativas sobre ele e olhando o comentário acima (da Sil- blog Prefácio) vejo que outra blogueira que admiro também não gostou... Desta forma pouco a pouco vou desanimando com a leitura, mesmo você enfatizando que cada um tem sua opinião e a experiencia pode variar de leitor para leitor.

    Agora, não sei se leio ou não hahaha...

    Bjão

    http://coisasdediane.blogspot.com/

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  7. Oi Tamires,
    Confesso que realmente vi esse livro em todo lugar, facebook, instagram... Muito triste ser um livro tão mal escrito e sem a profundidade necessária. Eu estava só curiosa, mas agora não estou mais rsrsrs
    Obrigada pela sua resenha.
    Bjos
    http://www.kelenvasconcelos.com.br/

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  8. Uma pena esse livro não ter funcionado com você. Fiquei babando pela capa desse livro, linda demais. Uma pena a história não ter sido boa!

    https://www.kailagarcia.com

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  9. Esse livro chegou pra mim essa semana e estou empolgada para ler, mas estou receosa agora kkk

    Beijos

    Imersão Literária

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    1. Vai com fé que às vezes pra ti a leitura pode ser boa!

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  10. Uma pena que a história não funcionou tão bem para você. Eu recebi o livro mas ainda estou me decidindo se lerei ou não.

    www.vivendosentimentos.com.br

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  11. Oi Tami, eu estou bem afastada do gênero, mas confesso que achei até a premissa interessante e curti a capa, uma pena não ter realmente funcionado...

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  12. Oi Tami,
    No Mochilão, a obra até chamou minha atenção pela capa/proposta, mas sabe quando algo te diz que não vai funcionar? Tanto que nem me animei ao vê-lo sendo lançado oficialmente. Não sei... Foi só um feeling que permaneceu. Depois da sua resenha, acho que estou certa, melhor não arriscar a leitura.
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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    1. Eu sempre sou do time que fala pra ler e tirar as próprias conclusões.

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  13. Hey Tamires! Tudo bem?
    Eu tava doida pra ler esse livro, e essa foi a primeira resenha que leio dele. Deu uma desanimada? Deu, mas vou tentar ainda assim, mas sem pressa e sem expectativa kkk
    Arrasou na sua resenha, com sutileza e inteligência colocou muito bem os pontos negativos, parabéns.
    Obrigada por comentar lá no blog.
    Volte sempre!

    | Blog Misto Quente |

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  14. Oi Tami,

    Poxa que pena que o livro não foi tão bom.
    É a minha próxima leitura, mas já vou ir com menos ''sede ao pote'' e espero pelo menos que a história me agrade, pois não é o primeiro comentário negativo que vejo desse livro.

    Bjs e uma boa semana!
    Diário dos Livros
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  15. Oi Tami,
    Eu já tenho certa implicância com gênero ainda vem esses problemas.
    Talvez eu fosse ler do pelo lance dos chips pq me deixou super curiosa pra saber o que são e o que acontece com a moça.
    Uma pena, mas adoro sua sinceridade.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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  16. Oi Tami, tudo bem?
    Eu estava curiosa pelo livro, mas acho legal ler resenhas negativas também pra equilibrar as expectativas (ainda mais depois do meu trauma com A Mulher na Janela rs).
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  17. Oiii Tami

    Aii que complicado, eu tenho esse livro na estante, e por ser um stand alone estava bem empolgada, mas pelo visto melhor ir com o pé atrás, sem esperar muito. Uma pena que as reviravoltas não conseguem empolgar, acho que o grande problema foi as quatro rainhas serem tão irrelevantes sendo que o titulo do livro faz referência à elas. Enfim, vou tentar ler, espero gostar pelo menos um pouquinho...


    Beijos, Ivy

    www.derepentenoultimolivro.com

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  18. Oi
    uma pena que o livro acabou não entregando tudo o que prometeu e que a protagonista foi dificil de engolir, essa foi a primeira resenha que leio desse livro, a capa é bonita pena que não funcionou pra você.

    http://momentocrivelli.blogspot.com/

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  19. oi Tami.Tudo bem?
    Pena que a leitura não foi uma das melhores. Na verdade , passou bem longe disso.

    Tem muito livro que o autor quer nos encher de informações em um único livro e da nisso.
    Parabéns pela sinceridade, é chato escrever resenhas negativas porque já baixa expectativa de muita gente.

    Amei a resenha

    Beijos

    Meu mundinho quase perfeito

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