15 de janeiro de 2020

Resenha | Regretting You - Colleen Hoover


Autora: Colleen Hoover

Número de páginas: 363

Ano: 2019

Editora: Montlake Romance

Skoob: AQUI

Compre: Amazon

Sinopse: Morgan está determinada a impedir que sua filha cometa os mesmos erros que ela. Ao engravidar e se casar muito jovem, Morgan colocou seus próprios sonhos em espera. Clara não quer seguir os passos da mãe. A mãe previsível que não tem um osso espontâneo no corpo.

Com personalidades em conflito e objetivos conflitantes, Morgan e Clara acham cada vez mais difícil coexistir. A única pessoa que pode trazer paz à família é Chris - o marido de Morgan, pai de Clara e a âncora da família. Mas essa paz é destruída quando Chris se envolve em um trágico e questionável acidente. As consequências devastadoras e duradouras irão muito além de Morgan e Clara.

Enquanto luta para reconstruir tudo o que aconteceu ao seu redor, Morgan encontra conforto na última pessoa que ela espera e Clara se volta para o garoto com quem foi proibida de se encontrar. A cada dia que passa, novos segredos, ressentimentos e mal-entendidos fazem com que mãe e filha se afastem ainda mais. Tão distantes que pode ser impossível que elas voltem a se aproximar novamente.


"I'm confident that I'll never spend a single second of my life regretting you."
"Estou confiante de que nunca vou passar um segundo da minha vida me arrependendo de você."

Morgan namora Chris há quase dois anos, mas ultimamente vem se sentindo vazia, como se dentro dela não existisse mais nada. Ela só se sente completa quando está perto de Jonah, melhor amigo de Chris e, para completar, namorado de Jenny, sua irmã. Morgan não tem nada a ver com Chris. Jonah não tem nada a ver com Jenny. E eles sabem disso. Porém, a situação é muito complicada e envolve pessoas pelas quais eles nutrem um enorme carinho.

Quando Jonah toma coragem para colocar os pratos sobre a mesa, Morgan joga a bomba que faz seu coração se dilacerar em milhares de pedaços. Acidentalmente, Morgan fica grávida de Chris. Este, faz o que é certo e a pede em casamento. Sem conseguir conviver com o fato de que agora seu melhor amigo será marido da garota que ele ama, Jonah vai embora da cidade, levando um pedaço de Morgan junto com ele.

Dezessete anos se passam. Morgan e Chris continuam casados e agora são pais de Clara, uma jovem de dezesseis anos cheia de personalidade que sonha em se tornar uma grande atriz. No passado, Morgan não tinha um bom relacionamento com a mãe e não esperava que a história fosse se repetir entre ela e a própria filha. Clara e ela são como água e óleo, e o tratamento que ela gostaria de receber de Clara é reservado apenas para Jenny, por quem a menina nutre quase uma idolatria.

Mesmo depois de tanto tempo, Morgan ainda sente o mesmo vazio de tantos anos atrás. Ela precisou abandonar a universidade por conta da gravidez, mas agora que Clara já está praticamente criada seria ótimo voltar a estudar e trabalhar. Chris não leva essa história muito a sério, mas como um bom marido condescendente, diz apoiar a ideia para deixá-la feliz.

Os planos de Morgan, entretanto, são interrompidos por uma tragédia que vira sua vida de cabeça para baixo. Em um segundo ela tinha um vida confortável, a perfeita família de comercial de margarina para quem olhasse de fora. Agora, ela precisa enfrentar a dura realidade de ter que encarar sozinha a criação de uma adolescente que nunca lhe enxergou como um modelo de mãe. Não de verdade. Não como as coisas devem ser.

Em meio a este turbilhão, Morgan precisa lidar com os próprios sentimentos, coisa que sempre deixou em segundo plano desde quando era uma adolescente. Clara também luta com as próprias questões e com a própria confusão, tudo isso enquanto se apaixona pela primeira vez por um menino que ela achava inalcançável, e que, claro, sua mãe desaprova.

Como mãe e filha irão derrubar o muro que as separa se a cada dia que passa, ao invés de tentar transpô-lo, elas o tornam cada vez mais intransponível?

What if all this time, I thought she was so great because I was a great mom, but this whole time, Chris is the one who brought out the best side of her? Because now that he's gone, she and I just bring out the worst in each other.
E se todo esse tempo eu achei que ela era tão boa porque eu era uma ótima mãe, mas esse tempo todo foi Chris quem trouxe à tona o melhor lado dela? Porque agora que ele se foi, ela e eu apenas trazemos à tona o pior uma da outra.

••••••••••

Quando penso que Colleen Hoover não pode mais me surpreender, ela vai lá e faz isso novamente! Em Regretting You, lançado em dezembro, temos o melhor dos dois mundos; a Colleen do YA que a consagrou e a Colleen do NA que fez com que ela se tornasse esse fenômeno de público e crítica que é hoje. Nessa história sobre escolhas, arrependimentos e segundas chances, podemos ver uma CoHo muito mais madura, muito mais livre dentro de sua própria criatividade, resultado de suas últimas escolhas como, por exemplo, a de abandonar a Atria Books, sua editora desde o comecinho.

E sim, Colleen Hoover é uma autora que não tem medo de ousar e já pecou - e se desculpou - por alguns deslizes oriundos dessa ousadia que não soube onde parar. Mas se você estava esperando que Regretting You fosse um desses livros arrebatadores da autora como All Your Perfects e It Ends With Us, esqueça. Regretting You tem sim sua parcela de drama e dor, porém, apesar de inicialmente não aparentar, é leve, jovial e, muitas vezes, fofo.

Falar sobre essa história e sobre seus desdobramentos é um pouco complicado, pois a maior parte dos acontecimentos ocorre depois de um super plot twist, por isso o resumo da história ficou tão pequenininho. Eu omiti muita coisa, pois acreditem, quanto menos vocês souberem, melhor! Regretting You, é uma história sobre relações familiares e amorosas. No primeiro caso, vamos refletir sobre os limites da proteção, sobre as consequências dos segredos e do excesso de zelo, e sobre o amor incondicional que faz a gente se preterir em beneficio de outro. No segundo, vamos refletir sobre como algo começa, sobre como - e sob quais circunstâncias - algo se mantém e sobre a salubridade das relações.

A principal relação que é abordada aqui é a de Morgan e Clara. Mãe e filha. Sangue do mesmo sangue. Mas muito, muito diferentes uma da outra. A sociedade como um todo costuma romantizar as relações familiares, como se todo lar fosse forrado de tapetes de algodão doce, mas sabemos que não é bem assim, pois há muitas relações familiares complicadas, dolorosas e cruéis. O caso de Morgan e Clara não chega a ser tão problemático, é mais um caso de filha adolescente que não consegue se identificar com a mãe e de uma mãe que nunca se impôs como tal.

Morgan teve uma relação muito conturbada com a própria mãe e talvez por isso temia forçar uma naturalidade que não existia entre a filha e ela. Vejam bem, existia amor, elas se amavam, mas não havia compatibilidade. Clara era muito mais próxima de Jenny, sua tia, a quem pedia conselhos e para quem contava seus segredos. Morgan nunca invejou essa relação, pois nunca colocou os próprios sentimentos em primeiro lugar. Para ela, o fato de Clara e Jenny serem tão próximas era algo conveniente, já que a irmã sempre a deixava a par de toda a situação. A relação, que já não era a das mais fáceis, fica ainda mais delicada quando Chris sofre um trágico acidente. Para preservar a filha, Morgan se fecha ainda mais em sua própria bolha, a mesma que fez com que ela, há tantos anos, fizesse as escolhas erradas pelos motivos errados.

E enquanto lutam para coexistir, as duas vão encontrar mansidão em outras pessoas. E aqui eu não vou entrar em muitos detalhes, pois esta é a história de Morgan e Clara e é por elas que eu quero que vocês se interessem. Mas me permito dizer que Jonah e Miller são maravilhosos, repletos de uma hombridade admirável que coloca o que é certo na frente de suas próprias vontades, assim como deve ser. A relação de Morgan e Jonah é delicada, pois envolve muitas coisas além de um amor que sobreviveu ao tempo. A de Clara e Miller é descomplicada, cheia de entusiasmo, descobertas e bom humor. Cada um, à sua maneira, contribui para que mãe e filha consigam se encontrar dentro da própria tempestade.

Aviso de antemão que Clara, às vezes, é um pouco intragável. Filha única, ela foi muito mimada pelo pai e sempre manteve a mãe a uma distância respeitável. Quado vê que o esquema que sempre funcionou para ela já não é mais possível, ela passa a ter umas atitudes muito autoritárias. Foram diversas as vezes em que me irritei com ela, mas é algo compreensível dentro da coerência da narrativa e felizmente, ao longo da história, ela tem um grande amadurecimento.

Os personagens secundários de Colleen Hoover, sempre muito interessantes, também estão presentes em Regretting You. Alguns têm até um certo antagonismo mesmo quando estão ausentes, mas infelizmente não posso discorrer muito sobre este ponto por motivos óbvios. Gramps, avô de Miller, também é um ótimo personagem, cheio de sarcasmo vintage que rende bons momentos. Só senti falta de um time de amigos mais marcantes na vida de Clara, mas isso é um mero detalhe que em nada atrapalha a história.

Acho que a capa de nenhum dos livros anteriores da CoHo teve tanto a ver com a história quanto a capa de Regretting You. A cor, os papéis rasgados que são uma questão e tanto dentro da história, e até mesmo o título. Fica a reflexão: é melhor se arrepender de ter feito ou se arrepender de não ter feito?

Eu li o eBook que está disponível no Kindle Unlimited. A formatação está ótima, mas aviso que alguns capítulos são um pouco extensos, porém, a escrita da autora é tão maravilhosa que nem dá para sentir o peso das páginas. Como vocês sabem, quem publica os livros da autora aqui no Brasil é o Grupo Editorial Record. Ainda não foi anunciado nada a respeito de quando Regretting You será publicado, mas acredito que seja ainda esse ano, já que teremos Verity agora no início de 2020 e no segundo semestre a autora já lança mais um livro lá nas gringas.

Bom, eu nunca acho que consigo transmitir direito o que eu sinto com os livros da Colleen, então não adianta eu ficar me estendendo muito. 😅 Fico na torcida para que minha resenha, um pouco esquiva, confesso (mas é para o bem de vocês), tenha feito vocês se interessarem por essa linda história. 💜

27 comentários

  1. Uau, amei conhecer o livro, pela capa ele já me conquistou, depois de ler a sinopse e a sua resenha fica impossível não querer ler! ❤

    https://www.kailagarcia.com

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  2. Olá, Tamires.
    Nem vou falar que não quero ler hehe. Brincadeira. Já quero ler sim porque gosto bastante de livros que abordam relacionamentos entre pais e filhos. Mas já peguei birra dessa garota só de ler que ela prefere a tia do que a mãe hehe.

    Prefácio

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  3. oI, Tami
    Quando estava lendo É assim que acaba recentemente fiquei pensando no quanto sentia falta dos livros mais "tranquilos" da autora. Eu gosto de temas complicados de serem tratados, mas isso leva muito a minha carga emocional e eu queria algo mais descomplicado da CoHo. Ainda tô pensando se esse livro seria uma dessas leituras. Eu fico com um pé atrás por causa da filha, eu me irrito muito fácil com personagens adolescentes, tenho certeza que isso iria pender pro lado negativo.
    Mas vamos que vamos haha
    Beijo
    https://www.capitulotreze.com.br/

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    1. Eu também me irrito, mas não foi um problema pra mim. Tem hora que dá vontade de dar uns tapas só. Hahahahah

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  4. kkkkk
    Eu te entendo completamente, quando lemos um livro da Colleen precisamos falar um pouco do lado dela, pra mim é impossível falar de um livro dela se falar sobre a escrita e o estilo dela. Essa história parece ser incrível e fico com inveja de você por ter lido já ele. Tô quase assinando o Kindle haha
    Essa história na verdade é bem diferente das que eu já li da autora, porque esse lida com uma passagem de tempo muito grande e narrar personagens mais velhos não é a mesma coisa do que os romances que ela já escreveu. Eu tô muito curiosa, ela não fica com o melhor amigo no final? Eles tinham que ficar juntos...
    Aff, agora é conviver com a ansiedade até ler esse livro kkk espero que a editora aqui publique logo o livro <3
    Jardim de Palavras

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  5. Oi Tami, td bem?
    Esse é um da CoHo que vou querer ler, gostei da temática! Da capa tbm. Pena que vai demorar pra chegar por aqui...
    Agora eu já li 3 dela, tô melhorando hahah
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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  6. Oi Tami, prefiro mil vezes assim, mais leve do que o drama exagerado, confesso rs Só li dois livros da autora, mas acho que esse será mais um que irei gostar!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  7. Oi Tami,
    Como ainda não leio em inglês, vou esperar esse livro chegar por aqui.
    Tenho altas expectativas simplesmente por ser uma obra da Colleen, minha diva literária! rs
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  8. Oi, Tami!
    Adoro a CoHo e fiquei super interessada no livro ao saber que ela consegue mais uma vez nos surpreender. Espero que o livro seja publicado logo por aqui.

    Beijos
    Construindo Estante || Instagram

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  9. Olá...
    Amei demais sua resenha!
    Tenho até medo de ler resenhas da CoHo que ainda não foram publicados no Brasil, porque, fico quase morrendo de ansiedade pra ler kkkk... Amo demais essa autora!
    Parece que fazer resenha da CoHo sempre é preciso ficar omitindo fatos, pois, caso contrário, acabamos estragando a leitura de possíveis leitores, né? Mas, são essas surpresas que são o diferencial de seus livros <3
    Amei demais a sua resenha e espero gostar tanto quando você quando for ler!
    Bjo

    http://coisasdediane.blogspot.com/

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  10. Oi Tami,
    Só de ler a resenha dá pra notar que a jóvi é insuportável. Paciência, né.
    Mas confesso que adoro esse tipo de abordagem, entre pais e filhos. Prefiro mais que romances dramáticos.
    Quero ler algo da autora, mas os ebooks dela aí tenho no Kindle é tudo continuação de alguma coisa.
    Quem sabe esse ano eu saia do flop e assine o K.U.
    Acho ela tão humilde colocando catálogo no programa. Até os famosinhos.E tem autor iniciante um poço de arrogância.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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    1. Verdade, ela mesma chegou a falar que uma das coisas que pesou na decisão de sair da outra editora foi que nessa ela poderia disponibilizar o livro no KU.

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  11. Gostei muito da sinopse do livro e da resenha! Ótima dica.
    www.achatadebatom.com

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  12. Oi, Tami!
    Eu já fui mais fã da Colleen, mas hoje em dia eu olho seus lançamentos e me dá preguiça (desculpa mas é a verdade) de ler. Sei lá.. acho que não ando mais na onda de dramas dela e por isso já não tenho aquela vontade alucinada de ler.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe do sorteio Rumo aos 4K no instagram

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    1. Mas esse não é dramático, tá bem explicadinho ali. Hahaha

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  13. Oi Tami, tudo bem?
    Não sei bem o motivo, mas não consigo me interessar pelos livros da CoHo. Pra não generalizar, Verity é o único que cogito comprar. Acho que essa vibe de sempre esperar uma história pesada, tensa e cheia de sofrimento me cansa de antemão. Sabendo que, nesse caso, essa fórmula não é tão utilizada (tendo momentos fofos), talvez eu desse uma chance.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  14. Oi Tami, não sou das maiores fãs da CoHo mas gostei bastante dessa sinopse. Embora não goste de dramas infinitos, o que me chama atenção é a construção dos personagens secundários. Amei a resenha. Beijos.
    Blog: Fantástica Ficção

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  15. Olá!
    Amei a capa desse livro e gostei de saber que ele está disponível para leitura. No momento só estou lendo livros que estão disponíveis ou que estou pegando emprestado. Gostei muito da sua resenha, acho que a leitura valerá a pena. Será a minha primeira experiência com a escrita dessa autora.
    Beijocas.


    https://www.parafraseandocomvanessa.com.br/

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