5 de fevereiro de 2020

Resenha | História de Um Grande Amor - Julia Quinn


Livro cedido em parceria com a editora.

Autora: Julia Quinn

Tradutora: Thaís Paiva

Série: Trilogia Bevelstoke #1

Número de páginas: 288

Ano: 2020

Editora: Arqueiro

Skoob: AQUI

Compre: Amazon
Sinopse: Aos 10 anos, Miranda Cheever já dava sinais claros de que não seria nenhuma bela dama. E já nessa idade, aprendeu a aceitar o destino de solteirona que a sociedade lhe reservava.

Até que, numa tarde qualquer, Nigel Bevelstoke, o belo e atraente visconde de Turner, beijou solenemente sua mãozinha e lhe prometeu que, quando ela crescesse, seria tão bonita quanto já era inteligente. Nesse momento, Miranda não só se apaixonou, como teve certeza de que amaria aquele homem para sempre.

Os anos que se seguiram foram implacáveis com Nigel e generosos com Miranda. Ela se tornou a mulher linda e interessante que o visconde previu naquela tarde memorável, enquanto ele virou um homem solitário e amargo, como consequência de um acontecimento devastador.

Mas Miranda nunca esqueceu a verdade que anotou em seu diário tantos anos antes. E agora ela fará de tudo para salvar Nigel da pessoa que ele se tornou e impedir que seu grande amor lhe escape por entre os dedos.


2 de março de 1810
Hoje eu me apaixonei.

Miranda Cheever teve que aprender a lidar com comentários maldosos desde muito cedo. Os mais velhos, inclusive sua mãe, faziam questão de enfatizar a desproporcionalidade de seus membros, bem como o tamanho exagerado de seus olhos. As crianças, claro, eram menos sutis e chamavam-na diretamente de feia. Ela estava conformada com seu futuro e já havia aceitado seu lugar perante a sociedade inglesa. Porém, no décimo primeiro aniversário de seus grandes amigos, os gêmeos Olivia e Winston, filhos do conde e da condessa de Rudland, Miranda Cheever, pela primeira vez, se permitiu sonhar.

Com sempre, o pai de Miranda, absorto na tradução de seus manuscritos gregos, acaba esquecendo de ir buscá-la na propriedade dos Rudlands. Ao invés de pedir para que um criado acompanhasse Miranda até sua casa, lady Rudland requisita os préstimos de seu filho mais velho a quem Miranda não conhecia, já que as férias da universidade dele coincidiam com o período do ano em que a menina ia para Escócia visitar os avós.

Nigel Bevelstoke, visconde de Turner, era o homem mais bonito em que Miranda, no auge de seus dez anos, já colocara os olhos. No caminho, ele lhe confessa que detesta o próprio nome e que prefere ser chamado de Turner, o que ela prontamente acata. Miranda fica encantada, já que aquele belo jovem de dezenove anos não lhe trata com nenhuma condescendência e mantém com ela um diálogo de igual para igual.

Nigel, ou melhor, Turner, acha Miranda uma jovenzinha com um futuro muito promissor, com sua sagacidade e comentários cheios de personalidade. Ele acha que ela vai crescer e aparecer, e ainda sugere que ela escreva um diário para que, no futuro, possa ler e dar risada de como estavam errados a respeito dela. Isso é tudo o que basta para fazer com que Miranda se apaixone... e que permaneça apaixonada pelos dez anos seguintes.

Nesse meio tempo, Turner se casa com Letícia, uma mulher que fez da vida dele um inferno desde o dia do casamento até o dia de sua morte em um trágico acidente. Ou não tão trágico assim na opinião de Turner, já que, para horror da sociedade, ele considerava a perda da esposa um verdadeiro alívio.

Durante os anos em que Turner permaneceu casado, Miranda pôde observar seu viço perdendo o brilho, seus olhos perdendo a vida, e sua transformação em uma pessoa completamente diferente daquele jovem que a levara para casa há tantos anos. Ele tornou-se rude e totalmente inconveniente, o que fica comprovado quando, em uma noite de bebedeira, ele lhe rouba um beijo totalmente inesperado.

Mais inesperado ainda é o comportamento de Turner quando toma conhecimento das intenções de Olivia, que pretende casar Miranda com Winston para que assim elas possam ser irmãs de verdade. Na maior parte do tempo em que permaneceu casado com Leticia, ele mal notara a presença de Miranda, e olha que ela estava sempre presente na propriedade de sua família. Então qual é o real motivo de, justo agora, ela começar a chamar sua atenção?

Turner não tinha nenhuma pretensão de se envolver com uma mulher novamente, não depois de tudo o que Leticia lhe fez passar. Miranda não tinha nenhuma pretensão de se envolver com Turner que, para ela, era uma pessoa totalmente inalcançável. Duas pessoas com intenções completamente diferentes e expectativas mais diferentes ainda.

Seria esse um caso perdido ou o início da história de um grande amor?

Lembrava-se do exato momento em que se dera conta. Não quando ela trombara com ele. Nem quando a segurara pelos braços para evitar que caísse. O toque fora agradável, mas ele não havia exatamente registrado isso. Não desse jeito.
O momento... O momento que provavelmente acabaria com a vida dele viera meio segundo depois, quando ela erguera os olhos.
Foram os olhos. Sempre aqueles olhos. Ele é que fora burro demais para perceber o efeito que tinham.

••••••••••

Não é segredo para ninguém que, de uns tempos para cá, eu vinha me decepcionando com os livro de Julia Quinn. Sempre fiz questão de ser transparente com vocês e é desde o Quarteto Smythe-Smith que a autora não consegue arrebatar meu coração com suas história. É até mesmo por isso que venho começando as leituras de seus livros com minhas expectativas sob controle. Com História de Um Grande Amor ainda teve outro porém, que foram as opiniões negativas que vêm sendo compartilhadas por aí. O primeiro volume da Trilogia Bevelstoke não é perfeito, mas, na minha opinião, está longe de possuir tantos defeitos.

A questão que vem incomodando os leitores, pelo que pude constatar, é o comportamento de Turner. Sim, ele é rude e machista em muitos momentos, mas não é pior do que Sebastian, o protagonista idolatrado de Pecados no Inverno que é a personificação do macho lixo do século XIX, por exemplo. Turner carrega o batido clichê de homem que sofreu uma grande decepção amorosa e, por isso, não acredita mais no amor e trata as mulheres como meros objetos para satisfação de suas necessidades carnais.

Estou enjoada deste artifício? Sim. Curti o uso deste artifício para justificar as atitudes do personagem? Não. Mas Turner não é somente isso e o personagem tem, sim, nuances interessantes. Uma delas, que por sinal rende bons momentos, é seu esforço de se conter perante Miranda. Vê-lo tentando manter a fachada de suas convicções furadas é engraçado, pois é nítido que ele não faz a mínima ideia de como refrear sentimentos tão genuínos.

Uma outra coisa que acredito que também está incomodando os leitores, é a maneira impessoal com a qual Turner lida com a família. Neste ponto eu acredito que é muito mais uma questão de estarmos mal acostumados com as famílias carinhosas criadas por Julia e pelas demais autoras do gênero do que uma questão de demérito do próprio personagem. Seu modo de lidar tanto com a mãe, quanto com os irmãos, é distante e deferente, do jeito que, imagino, eram as relações familiares do século em questão.

Sobre Miranda, confesso que não a considero uma personagem marcante, mas ela compensa sua falta de força cênica com seu grande carisma. A personagem me conquistou desde o prólogo, quando ainda era uma criança de 10 anos! Ri em diversos momentos e ela seguiu me divertindo até o fim da narrativa. Miranda é bem linear, no bom sentido da palavra, não chegando a ser entediante em nenhum momento. Tive receio dela se depreciar muito, já que sempre faziam questão de enfatizar que ela não era nenhuma beldade, mas felizmente isso não acontece. Miranda apenas tem dificuldade de aceitar elogios, o que considero algo aceitável dentro do contexto da história.

Miranda tem de lidar com um amor platônico durante dez anos, por isso achei natural o fascínio estabanado que se manifestou quando as coisas começaram a acontecer entre Turner e ela. Miranda fantasiou diversas situações durante metade de sua vida, e, de repente, tem de lidar com elas se tornando realidade. Quando o entusiasmo inicial dá lugar a sensatez, ela consegue observar melhor as atitudes de Turner e consegue ponderar acerca daquilo que oferece e daquilo que recebe em troca.

O romance entre os personagens não é arrebatador e não há muitos momentos "suspirantes". É algo mais sóbrio, mas ainda envolvente dentro dos limites de ambos, já que há uma questão que os mantém distantes mesmo quando eles estão juntos. As cenas sensuais são poucas, de bom tom e, arrisco dizer, as menos hot que a autora escreveu dentre os livros dela que já li.

Os personagens secundários, que não são muitos, não possuem um papel muito relevante dentro da narrativa, mas têm seu devido valor. Olivia, irmã de Turner e melhor amiga de Miranda, é a que mais aparece e vejo nela um grande potencial. Ela é a típica mocinha fora dos padrões que não tem filtro e faz os mais deselegantes comentários, levando sua mãe à loucura. O segundo livro, O Que Acontece em Londres, será protagonizado por ela e - não querendo criar expectativa, mas já criando - acredito que vai surpreender.

A única questão que, para mim, ficou muito mal explicada, foi a trama envolvendo Leticia, primeira esposa de Turner. Fiquei realmente sem entender qual foi o tipo de "trauma" que ela deixou nele...

Não era de hoje que os leitores estavam pedindo para a Arqueiro publicar os livros da autora com estas ilustrações. Eles finalmente atenderam e eu achei a edição linda e super delicada, com um acabamento soft touch e toques de verniz localizados em lugares estratégicos. A parte interna segue o padrão de qualidade da editora, com boa revisão, folhas amareladas e diagramação confortável.

História de Um Grande Amor me arrebatou? Não! Mas terminei a leitura aliviada, pois chegou perto. Não acho que Julia vai voltar a ocupar o topo do meu ranking de autoras de romances de época, mas agora acredito que ainda sou capaz de apreciar genuinamente um de seus livros do início ao fim.


36 comentários

  1. Oi Tami.
    Eu li esse livro ano retrasado e gostei bastante dele. Achei bem legal a construção do romance da Miranda com o Turner embora não seja um dos melhores da Quinn. Estou doida para o lançamento dos outros, pois quero tê-los com essa edição perfeita na estante.
    Beijos.
    Fantástica Ficção

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  2. Não li Smythe-Smith, mas estou lendo a dos Rokesbys e gostando bastante. Já sei que vou levar muito em consideração esse Turner aí e agora to curiosa sobre o tal trauma.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  3. Oi Tami!
    Acho que dos últimos livros que li da Julia Quinn esse foi o que deixou uma melhor impressão.
    Como disse na minha resenha fui arrebatada logo no prólogo porque adorei aquela interação da Miranda com Turner. Dei um bocado de risadas naquela cena da livraria.
    Mesmo a JQ demorando um pouco para acertar o casal, gostei do enredo e estou bem animada para conferir a história da Olivia.
    Beijos!

    Camila.

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  4. Oi, Tami
    Como falei no post lá, eu não quero mais ler as obras da Julia. Acho que tenho minhas autoras favoritas já, e infelizmente a Julia saiu desse posto há muito tempo. Eu nem me animei a ler essa obra, mas vou tentar manter minha mente aberta para poder fazer a leitura futuramente.
    Eu já gostei da Miranda mesmo sem conhecê-la, iludida que nem eu haha
    Beijo!
    http://www.capitulotreze.com.br/

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    1. Eu nunca vou deixar de ter vontade de ler um romance de época. Hahahha

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  5. Oi Tami! A Julia me marcou muito com Os Bridgertons, mas depois não trouxe nada que tenha me deixado de queixo caído. Ainda assim, eu sempre gosto de conferir as novidades em busca de algo que supere a série mencionada. Comprei este livro essa semana e vou ler logo, espero ter um boa leitura e pela sua resenha já vi alguns detalhes que acho que vou gostar. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  6. Oi Tami,

    teve um da Julia Quinn que o pessoal meteu o pau por causa do protagonista eu acho que vai acontecer o mesmo aqui rs No entanto, é meu livro preferido da autora! Gosto demais da Miranda!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Da outra vez foi em Mais Lindo Que a Lua e eu até entendi, mas dessa vez não vi muitos motivos...

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  7. Oi Tami, tudo bem?
    Que pena que o livro não conquistou 100% seu coração, lembro do quanto você me indicava a autora quando comecei a ler esse gênero. E entendo super seu ponto de vista: mocinhos meio escrotos e boy lixo que passam por "recuperação" também não são meu estilo favorito. :(
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  8. faz um tempo to querendo pegar essas series de romance histórico dessa autora, adorei mais essa resenha

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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  9. Olá, Tamires.
    Eu comprei esse livro por causa da capa, confesso. Porque faz tempo que um livro da Julia não tira uma nota maior do que 3 nas minhas leituras. Mas vou tentar gostar desse porque a capa é realmente linda hehe. E como só li sua resenha até agora sobre ele, não vi nada tão negativo assim da história, então quem sabe eu acabo gostando hehe.

    Prefácio

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  10. Olá!

    Estou louca para ler esse livro. Como fã da Julia, eu não consigo ficar muito tempo sem ler nada dessa autora. Eu sempre acabo gostando muito das histórias que a Julia cria e de seus personagens. Espero conseguir ler logo esse livro.

    Beijos,
    Livros Engavetados

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  11. Uma pena você não ter se surpreendido muito com os livros da Julia Quinn. Sempre que vejo algo sobre os livros dela fico com vontade de ler! ❤

    https://www.kailagarcia.com

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  12. Eu nunca li nada da autora e do gênero, faz anos que não leio algo. Só vejo elogios para a autora e é uma pena que a obra não tenha te surpreendido e que no fim tenha sido só ok. Eu vejo tantas indicações de livros da autora que nem sei qual leria primeiro rs

    Abraço,
    Parágrafo Cult

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  13. Oi Tami,
    Saber que a Julia Quinn voltou a boa forma me deixa animada... Há tempos eu não me apaixono por uma obra dela de verdade, sabe? Tanto que parei, mas quero voltar e talvez essa seja a hora!
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  14. Este comentário foi removido pelo autor.

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  15. oi Tamires
    Eu tenho esse romance no formato de romance de banca da Nova Cultural
    Acho que foi uns dos primeiros livros lançados dela por aqui
    Gostei do romance
    Como voce escreveu náo e um romance arrebatador mas e muito bom

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  16. Hey Tamires! Tudo bem?
    Eu nunca li os livros da Julian Quinn e é a primeira vez que vejo uma resenha sob esse ponto de vista.
    Obrigada por comentar lá no blog.
    Volte sempre!

    | Blog Misto Quente |

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  17. Oi Tami,
    Gostei da feiura mencionada, finamente vou me identificar com um romance. hahaha
    Eu gostei da premissa, sua resenha me deixou impressão de que acontece bastante coisa nesse rolê. Mas uma pena que fica no ar sobre a ex esposa.
    Essas capas estão lindas. Por mim, poderiam seguir para todos os romances de época.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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    1. Para com isso, hein?! A Miranda não era nada feia assim como você não é!

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  18. Parece ser tão maravilhoso esse livro! Adorei demais saber mais dele.
    www.achatadebatom.com

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