13 de fevereiro de 2020

Resenha | A Sala das Borboletas - Lucinda Riley


Livro cedido em parceria com a editora.

Autora: Lucinda Riley

Tradutor: Alves Calado

Número de páginas: 496

Ano: 2019

Editora: Arqueiro

Skoob: AQUI

Compre: Amazon
Sinopse: Prestes a completar 70 anos, Posy Montague ainda vive na Admiral House, a mansão da família onde passou uma infância idílica e criou os filhos. A casa, porém, está caindo aos pedaços e Posy sabe que chegou a hora de vendê-la.

Em meio a essa angustiante decisão, ela precisa lidar com os filhos: Sam está cada vez mais amargurado com os fracassos nos negócios e  Nick acaba de retornar à Inglaterra depois de dez anos na Austrália.

Para completar, Posy reencontra Freddie, seu primeiro amor, que agora deseja explicar por que a abandonou cinquenta anos atrás. Ela reluta em acreditar nessa súbita afeição, percebendo que ele tem um segredo devastador para revelar.

Mesclando narrativas do presente e do passado, A Sala das Borboletas é mais uma prova da habilidade de Lucinda para criar uma saga familiar inesquecível.


Então veja só: tudo está em um equilíbrio delicado. E o bater das asas de uma borboleta pode fazer toda a diferença no mundo.

No ano de 1943, em Southwold, pequena cidade situada no condado de Suffolk, Inglaterra, Posy vive feliz ao lado do pai, Lawrence, e da mãe francesa, Adriana, na centenária Admiral House. No auge da Segunda Guerra Mundial, Lawrence, que a serviço do exército britânico é piloto de Spitfire, sofre um acidente e precisa retornar à propriedade da família enquanto se recupera. Botânico antes da guerra, Lawrence passa os dias ensinando a Posy tudo o que sabe a respeito das plantas e das borboletas, estas últimas sua secreta paixão. Porém, é chegado o momento de uma nova partida, o que deixa Posy muito triste. No momento da despedida, a menina de apenas sete anos não tem a mínima ideia de que aquela seria a última vez em que veria o pai com vida.

Adriana, que nunca demonstrou muito carinho pela filha, envia Posy para a casa da avó paterna na Cornualha, e no final de 1944 chega a triste notícia do falecimento de Lawrence. Posy precisa da mãe, mas esta, mais uma vez, arruma uma desculpa para adiar a reunião com a filha. Em 1949, Posy já está conformada e sabe que sua criação cabe agora à sua avó, que a envia para um colégio interno onde a menina se destaca com louvores. Em 1955, Posy começa sua gradução em Botânica na Universidade de Cambridge. Lá ela conhece Freddie, o amor da sua vida que parte seu coração repentinamente, e Jonny, um cais seguro onde ela atraca antes de afundar.

Southwold, 2006. Prestes a completar 70 anos, Posy, há muito tempo viúva, tem de lidar com a rápida deterioração da Admiral House, com a derrocada de Sam, seu filho mais velho, com o retorno de Nick, seu filho mais novo, à Inglaterra, e com a repentina reaparição de Freddie, que guarda um doloroso segredo que tem a ver diretamente com o término deles nos anos 50. Em meio a um turbilhão de acontecimentos, toda a vida de Posy será posta à prova e ela precisará lidar com as mudanças que um segredo é capaz de impingir não somente àqueles que o guardam, mas também àqueles a quem parece proteger.

Apoiou-se no parapeito, olhando as ondas suaves quebrarem na areia, e se lembrou da agonia pura que sentira na última vez que estivera ali. Sim, ele a amara. Talvez nunca mais amasse assim, e em retrospecto rezava para que não. Tinha percebido que aquele tipo de amor não era uma força do bem: era avassalador, destrutivo, abarcava tudo.

••••••••••

Não sei vocês, mas eu adoro quando termino um livro e fico com uma sensação embasbacada, refletindo sobre a qualidade da história que acabei de ler. Assim que peguei A Sala das Borboletas, já de antemão eu soube que, ao terminá-lo, seria esta a sensação que surgiria. E não me enganei. Lucinda Riley, mais uma vez, entrega uma história sobre relações familiares e tudo aquilo que as permeia; segredos, mágoas, arrependimentos, inveja e amor. Este último, dividido em suas tempestades e bonanças, ora presenteando com surpresas inesperadas e ora cegando aqueles que o sentem.

O que admiro na Lucinda é que ela consegue fazer a gente se apegar até a coisas inanimadas, neste caso, a Admiral House, residência dos Montague há muitos e muitos anos. Assim como em A Casa das Orquídeas, a história de A Sala das Borboletas tem como ponto central uma casa centenária que carrega muitas histórias, e muitas delas não tão felizes.

Posy, eu diria, é o alicerce que mantém a Admiral House de pé. Não literalmente falando, claro, mas seu carinho pela casa é tão grande que se sobrepôs à sua razão durante muito tempo. Em sua cabeça, seu amor pelo pai estava diretamente ligado àquele lugar, e abrir mão dele seria como abandonar a memória do pai que tanto amara.

Durante a infância, Posy viveu seus melhores dias ao lado de Lawrence. Perdê-lo foi muito difícil, porém, com a ajuda da avó, já que a mãe a negligenciou desde sempre, Posy cresceu e se tornou independente em uma época em que tudo o que se esperava de uma mulher ainda era que ela se casasse e procriasse. Posy é forte, destemida, curiosa e justa. Por termos o privilégio de acompanhá-la durante várias fases de sua vida, somos testemunhas de seu amadurecimento e passamos por muita coisa junto com ela. Seu primeiro amor, sua primeira decepção amorosa, a primeira vez que seu coração é partido e a virada de página que faz com que ela se case e dê à luz seus dois filhos, Sam e Nick.

Eu vi muitas semelhanças das parábolas da ovelha perdida e do filho pródigo na construção de Sam e Nick. O primeiro, um homem ambicioso, porém, sem nenhum tino empresarial. Ele sempre gasta tudo o que tem e acaba colocando nos ombros da esposa, Amy, toda a responsabilidade pelo sustento da casa enquanto brinca de ser empreendedor. Nick, por sua vez, é um antiquário com uma visão muito aguçada, visão esta que o ajuda a acumular fortuna rapidamente. Nos assuntos do coração, porém, a história é outra. Após uma desilusão amorosa, ele parte para a Austrália, onde permanece por dez longos anos.

O antagonismo entre os irmãos não é muito explorado na questão do embate. Eles não batem de frente, até porque se evitam o quanto podem. Cabe a Posy ficar no meio deste campo minado assim que Nick retorna. E não se enganem achando que a matriarca dos Montague passa a mão na cabeça de Sam, muito pelo contrário, ela sente vergonha e sente vergonha de sentir vergonha, dá para compreender? Ele é filho dela no fim das contas, mas vê-lo consecutivamente apostando em negócios furados enquanto sua esposa e seus filhos vivem às minguas deixa Posy muito consternada.

Enquanto lida com os filhos, Posy ainda é surpreendida pela reaparição de Freddie, seu primeiro amor, e tem de lidar com a onda de sentimentos há muito tempo reprimidos. Freddie, entretanto, age de maneira estranha sempre que passam algum tempo juntos, dando a entender que suas intenções não possuem cunho romântico. Porém, o que ele guarda é um segredo que pode fazer o mundo de Posy desmoronar.

Aiiiii, gente!!! Acontece tanta coisa nessa história. Não tem como eu ficar esmiuçando e comentando cada uma delas. São diversos personagens e cada um tem sua própria história, histórias estas que envolvem os Montague direta ou indiretamente.

Amy, esposa de Sam que sempre foi uma super companheira para ele durante seus altos e baixos - mais baixos do que altos - começa a enxergar que merece mais do que um marido cada vez mais instável emocionalmente. Sebastian, um romancista que chega em Southwold a fim de escrever a sequência de seu livro best seller e que acaba ficando encantado por Amy. Tammy, uma ex-modelo que já teve sua cota de relacionamentos fracassados que mergulha de cabeça em um relacionamento com Nick sem desconfiar que ainda há uma história dolorosa e complicada entre ele e Evie, seu antigo amor e o motivo de sua partida para a Austrália.

Em A Sala das Borboletas, não há sequer um personagem que seja subaproveitado. Lucinda consegue explorar tudo o que eles têm a oferecer e surpreende com as linhas intrincadas que os unem.

A autora, mais uma vez, entrega um texto impecável! Possuindo quase 500 páginas, A Sala das Borboletas alterna passado e presente, onde o passado se inicia no começo da década de 40 e vai até o final da década de 50. O presente retratado no livro se passa em 2006, o que faz com que haja um intervalo de quase cinquenta anos entre o grande segredo central e sua revelação.

A edição da Arqueiro está linda como sempre. A capa não poderia combinar mais com a história e ainda há centenas de borboletinhas em sua parte interna. A história é narrada em primeira pessoa quando a narrativa encontra-se no passado e em terceira quando encontra-se no presente. A edição como um todo segue o padrão da editora, com folhas amareladas, de boa qualidade, e com diagramação e fonte confortáveis.

A Sala das Borboletas foi mais um incrível acerto de Lucinda Riley. A cada novo trabalho, Lucinda mostra o porquê de ser uma das autoras mais renomadas do mundo. Deem uma chance a esta maravilhosa contadora de histórias, pois vocês não vão se arrepender!


34 comentários

  1. Oi, Tami! Tudo bom?
    Eu li um livro da Lucinda na vida e não curti muito a narrativa dela; o drama e os personagens não me prenderam, infelizmente, ai deixei passar os outros porque acho que vai ser na mesma vibe :/

    Beijos,
    Denise Flaibam.
    www.queriaestarlendo.com.br

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    1. Que pena. Acho que casa história é uma história, por mais que o autor tenha um estilo definido.

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  2. Que legal ver o quanto você gostou da história. Parece ser realmente incrível esse livro!

    www.vivendosentimentos.com.br

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  3. Olá, Tamires.
    Eu gosto tanto da Lucinda que só de ler uma resenha do livro dela já me dá um quentinho no coração hehe. Sou estranha hehe. Eu amei a capa desse livro e quero muito ler ele. Mas estou esperando aparecer uma promoção porque os lançamentos dela são bem caros hehe.

    Prefácio

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    1. É pq são bem grandes, né? Mas daqui a pouco aparece uma promoção.

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  4. oi Tamires tudo bem
    Estava querendo muito ler a resenha desse livro e pelo jeito a autora trouxe mais uma otima trama para seus leitores
    que bom que a leitura foi otima e mais um livro que ja vai para minha imensa lista

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    1. A Lucinda arrasa, tenho certeza que você iria gostar muito.

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  5. Oi Tami! Pretendo ler A Casa das Orquideas em breve, mas você me deixou tão empolgada com essa resenha que deu vontade de ler esse antes. A autora tem tantos livros elogiado, que fico até em dúvida sobre qual ler primeiro. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  6. Uau, amei a capa e a premissa desse livro, parece ser realmente muito bom! ❤

    https://www.kailagarcia.com

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  7. EU AMEI A Casa das Orquídeas e A Luz através da Janela, mas ja fiquei com vontade de ler A sala das borboletas

    a escrita da Lucinda nos surpreende , nos encanta e nos prende, né Tami?
    Que lindo que lindo que lindo!
    Quase 500 páginas de puro amor e imersão na história, já preciso pra ontem desse livro, você me convenceu

    Beijocas da Pâm
    Blog Interrupted Dreamer

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  8. Eu preciso voltar a ler algo da Lucinda. Li um livro ano passado, eu acho, mas acabei não curtindo muito. Depois daí fiquei sem ler mais nada da autora. Preciso voltar e conhecer mais a escrita da Lucinda.

    Beijos,
    Livros Engavetados

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    1. Eu acho que há determinados livros da autora que devem ser lidos em momentos muito específicos, onde o leitor está propenso ao drama mesmo.

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  9. Oi Tami,
    Estou muito atrasada com os livros da Lucinda e olha que minha mãe tem uma senhora coleção aqui em casa, acho que só falta esse último lançamento e uns dois das Sete Irmãs.
    Mas sabendo que este mantém a qualidade, bora ficar de olho nas promoções para adquirir também!
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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    1. A série das Sete Irmãs eu ainda não conferi, mas farei isso bem em breve,já que solicitei o primeiro livro.

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  10. Oi Tami, tudo bem? Eu nunca li nada da Lucinda e sempre fico adiando, preciso parar com isso rsrsrs O enredo parece ótima, uma história forte e gosto tb quando fico dias pensando no livro que li!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  11. Oi Tami,
    Todo ano falo que vou ler algo da Lucinda, mas sempre passo.
    Eu adorei a premissa desse, ainda mais pelo drama ter passagem de tempo e esse segredo central.
    E a escrita dela vai muito nos laços, até em pertences... acho legal também.

    A capa é bem bonita, amei as cores.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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    1. Sim, ela gosta desse lance de destacar não só personagens, mas partes da ambientação e objetos também.

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  12. Hey Tami! Tudo bem?
    Eu nunca li nada na Lucinda, mas amo tramas que alternam passado e presente.
    Obrigada por comentar lá no blog.
    Volte sempre!

    | Blog Misto Quente |

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  13. Também gosto desses livros que nos deixa reflexiva por uns três dias, haha.
    Gostei de toda a trama familiar que envolve a base desse livro, eu ainda não tive experiência de leitura com a autora, mas vontade não me falta. Depois dessa sua resenha perfeita eu fui obrigada a colocar o livro na minha lista de futuras leituras, haha.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

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  14. Tami,
    Cada livro que leio da Lucinda me impressiono com a qualidade do enredo e de passear pelo passado e presente de forma impecável, tornando-se uma das minhas autoras preferidas.
    Fiquei com pena da Posy, mas ao mesmo tempo a força e bondade dela foram qualidades essenciais para deixar a trama ainda mais apaixonante.
    Tive pena da nora, não merecia um marido daqueles, mas isso só mostra o quanto a leitura tem pontos palpáveis bem próximo da realidade de muitas pessoas né.
    Adorei saber que amou esse enredo tanto quanto eu.

    Beijos,

    Camila.

    https://www.bookobsessionblog.com/

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    1. São poucos os autores que sabem explorar essa alternância temporal de uma forma tão natural!

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  15. Oi Tami!
    Eu gosto bastante de história assim: que tem vários personagens e histórias diferentes. Acho que dá uma riqueza muito maior para a construção do enredo.
    Nunca li nada dessa autora, confesso. Mas sempre vejo várias pessoas falando bem e fico curiosa para ler ☺ Depois dessa resenha, fiquei com ainda mais vontade.
    Os Delírios Literários de Lex

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  16. Tami, eu até tenho vontade de ler algo da Lucinda, mas ando fugindo de dramas como diabo foge da cruz. Só ando mesmo salvando as indicações para um dia tentar me arriscar.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe do sorteio Rumo aos 4K no instagram

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  17. Você sempre com ótimas resenhas! Super amei
    www.achatadebatom.com

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  18. Olá Tami, tudo bem?
    Também amo terminar o livro e ficar com essa sensação de embasbacada hahahahah
    Sinal que aprendemos, gostamos e nos surpreendemos. Gostei de conhecer esse livro aqui.
    Beijocas.

    https://www.parafraseandocomvanessa.com.br/

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  19. Oi Tammy!
    Nunca li nada da Lucinda mas tem um amigo meu que destestou uma obra dela que tentou KKKK. Ate hoje ele reclama desse livro. Gosto da pegada drama, mas a sinopse em si nao e geralmente o que eu leria.

    Abraços
    Emerson
    https://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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  20. Nunca li nada da autora, mas já ouvi falar bastante. Eu cliquei na resenha basicamente pq a capa e o nome me encantou, e conforme lia a resenha me encantava cada vez mais, sinto até que estou respirando mais profundo, suspirando, curiosa para ler o livro. Com certeza eu vou ler um dia, já vai para a minha lista do Skoob.
    Seu blog é uma graça, amei de mais <3

    Garota, Era uma vez

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