6 de abril de 2020

Resenha | A Padaria dos Finais Felizes - Jenny Colgan


Livro cedido em parceria com a editora.

Autora: Jenny Colgan

Tradutora: Thaís Paiva e Stephanie Fernandes

Série: A Padaria dos Finais Felizes #1

Número de páginas: 336

Ano: 2019

Editora: Arqueiro

Skoob: AQUI

Compre: Amazon
Sinopse: Um balneário tranquilo, uma loja abandonada, um apartamento pequeno. É isso que espera Polly Waterford quando ela chega à Cornualha, na Inglaterra, fugindo de um relacionamento tóxico.

Para manter os pensamentos longe dos problemas, Polly se dedica a seu passatempo favorito: fazer pão. Enquanto amassa, estica e esmurra a massa, extravasa todas as emoções e prepara fornadas cada vez mais gostosas.

Assim, o hobby se transforma em paixão e logo ela começa a operar sua magia usando frutos secos, sementes, chocolate e o mel local, cortesia de um lindo e charmoso apicultor.

A padaria dos finais felizes é a emocionante e bem-humorada história de uma mulher que aprende que tanto a felicidade quanto um delicioso pão quentinho podem ser encontrados em qualquer lugar.


Mas agora, com o sol aquecendo as costas dela, respirou fundo e tentou focar no futuro em vez de no passado. Sim, o futuro era um cenário assustador, mas que cenário não era?

O mundo de Polly Waterford acaba de ruir. A empresa de design que tinha com Chris, seu namorado, acaba de ir à falência e ambos estão arruinados. O apartamento onde moram será tomado pelo banco e agora ela se encontra sem emprego, sem dinheiro e sem ter onde morar. Seu relacionamento não anda muito bem e ela nem cogita ir para a casa da mãe ou da sogra, que é pra onde Chris se muda. Kerensa, sua melhor amiga, lhe oferece abrigo, mas Polly quer resolver a situação sozinha, com o pouco de dignidade que lhe resta.

E é assim que ela vai parar em Mount Polbearne, um pacato vilarejo nos confins da Cornualha que é o único lugar onde parece haver um imóvel cujo aluguel ela pode pagar. O imóvel em questão é um apartamento caindo aos pedaços, bem parecido com a vida dela no momento. Sem saída, Polly coloca a mão na massa para tornar o local habitável enquanto pensa o que fará em seguida.

Bom. Iria encarar um dia de cada vez. Já tinha tentado planejar a vida com anos de antecedência, e olha no que deu. Todos os planos de negócio e as metas de vida tinham caído por terra. Não dá para saber o que nos espera atrás de cada porta. Mas ela sabia muito bem o que a esperava atrás da porta da casa nova: uma bagunça terrível que precisava de faxina, urgente.

Mount Polbearne desperta algo há muito tempo adormecido dentro de Polly: seu amor pela panificação. Enquanto tenta se encontrar, ela começa a produzir pães. Ela rapidamente faz amizade com um grupo de pescadores, que logo se tornam grandes admiradores de seus talentos. Há somente uma padaria no vilarejo cuja dona é uma das moradoras mais antigas do mesmo, a senhora Manse. Ao contrário de Polly, a senhora Manse não é conhecida por seus maravilhosos pães. Suas receitas são limitadas a pães insossos e sanduíches questionáveis. Quando os moradores tomam conhecimento dos pães de Polly, começa todo um "comércio ilegal", já que a senhora Manse ficaria muito ofendida e poderia até despejá-la do apartamento, já que também era senhoria do mesmo.

Um acidente acontece e Polly acaba indo trabalhar na padaria da senhora Manse, mas não demora muito até conseguir convencer a sua senhoria a deixá-la abrir sua própria padaria na loja abandonada que existia abaixo de seu apartamento. Lá ela poderia fazer seus elaborados pães e os lucros seriam divididos entre ambas.

E assim começa a nova vida de Polly. Entre bancadas enfarinhadas e aroma de pães quentinhos, ela vai ressignificar sua vida, fazer grandes amizades e encontrar um grande amor.

De repente, ali, na pequena padaria à beira-mar, começou a sentir que nada era impossível. No fundo do coração.

••••••••••

Ano passado a Arqueiro iniciou um projeto que felizmente tem dado super certo. A coleção Romances de Hoje tem conquistado os leitores através da gostosura absoluta de suas histórias, que falam sobre temas importantes e atuais de uma maneira leve e divertida.

Em A Padaria dos Finais Felizes isso não é diferente. O livro vai contar a trajetória de uma mulher super forte e corajosa, de um papagaio-do-mar que insiste em ser um pet, de uma senhora que perdeu a vontade de viver, de um pescador 171 do bem e de um apicultor tão doce quanto o mel que produz. 

Falar que Polly não teve medo do seu recomeço seria mentira. Assim que a empresa de design que tinha com Chris, seu então namorado, vai à falência, ela se vê sem propósito algum. Mas é aí que começa a virada da personagem, que por muito tempo renegou sua verdadeira paixão em nome do sonho de outra pessoa. Ela era boa no que fazia, mas a pergunta mais importante - e que ela não fazia a si mesma com muita frequência - era se ela estava feliz. E não, ela não estava. Ela estava acomodada em uma vida boa que deu certo por algum tempo, mas durante a primeira grande tempestade houve aquele que aceitou o naufrágio com negatividade e rancor e houve ela, que viu uma oportunidade de renascimento e redescoberta.

Eu particularmente amo uma boa ambientação! Um dos meus maiores prazeres quanto leitora é ser facilmente transportada para o local, seja ele fictício ou não, em que a história é ambientada. E Jenny Colgan conseguiu esse feito com facilidade ao criar Mount Polbearne, um vilarejo antiquado e nada promissor na Cornualha. O curioso é que eu consegui fazer um paralelo entre o vilarejo e a própria personagem. Ambos florescem juntos, crescem juntos. É quase como se ele estivesse esperando por ela. Achei poético, juro! 😊

E não pensem que as coisas se desdobram facilmente para Polly em Mount Polbearne. A personagem precisa lidar com um apartamento caindo aos pedaços, com vizinhos desconfiados e com a própria insegurança. Demora um pouco até que ela redescubra o prazer da panificação, porém, quando ela finalmente e literalmente coloca a mão na massa, algo há muito tempo adormecido desperta dentro dela. Eu amo essa ideia da união através da repartição dos pães. É um alimento que tem seu lugar na história da humanidade e também há poesia na sua função dentro da trama de A Padaria dos Finais Felizes. Com seus pães, Polly recebe muito mais do que dinheiro; ela recebe de volta sua dignidade, recebe carinho, faz amigos, encontra o amor e encontra também seu lugar no mundo.

Sua relação com os personagens de Mount Polbearne é divertida até quando há certa tensão envolvida. Há aqueles que a recebem de braços abertos como o grupo de pescadores locais encabeçados por Tarnie, que nutre uma certa paixonite por ela, e há aqueles desconfiados, que não gostam de forasteiros, encabeçados pela senhora Manse, dona da única padaria do vilarejo e também do apartamento alugado por Polly.

A senhora Manse é uma figura muito respeitada em Mount Polbearne. Deste modo, muitos dos habitantes evitam Polly para não ir de encontro a opinião da padeira local. Ela nem sempre foi assim, seu comportamento atual tem a ver com uma tragédia, e Polly precisa ter muito jogo de cintura até conseguir convencê-la de que podem trabalhar juntas.

Além de Tarnie, que pisa na bola, mas é tão carismático que não dá para odiá-lo, há ainda o jovem pescador Jayden, cuja doçura e inocência deixam o coração do leitor super quentinho. Também temos Kerensa, a melhor amiga super doida de Polly que tem os piores conselhos, mas as melhores intenções. Chris, ex-namorado da protagonista, nem aparece muito. Confesso que fiquei um pouco confusa sobre o porquê da sinopse falar que ela estava fugindo de um relacionamento tóxico... ao meu ver não havia toxicidade na relação nem abuso por parte de Chris. Houve o desgaste de um relacionamento que não aguentou a crise financeira e houve um homem não sabendo lidar com a frustração.

E por fim há Huckle, forasteiro em Mount Polbearne assim como Polly. O foco de A Padaria dos Finais Felizes não é o romance, e sim a jornada da protagonista. Mas como também é filha de Deus, o amor bate à sua porta na forma de um apicultor americano que, assim como ela, fugiu em busca de um novo sentido para sua vida. O envolvimento deles é super orgânico e crível! Não há pressa, não há correria, mas há expectativas e alguns mal-entendidos. Há muita maturidade envolvida, são personagens com seus trinta e poucos anos que não se rendem facilmente aos seus desejos.

Ahhhhhhh, e eu já ia me esquecendo do Neil! O papagaio-do-mar surge na vida de Polly e os dois se tornam inseparáveis. Ela interage com o pássaro como se estivesse lidando com um cachorro, é muito engraçado. Esta situação traz uma leveza a mais e foi um super acerto da autora!

Eu sou apaixonada pelas capas da coleção Romances de Hoje e com esta o sentimento não foi diferente. Há um acabamento metálico em algumas partes das ilustrações bem como no nome da autora, o que confere a edição um charme super fofo. Internamente seguimos com o padrão de qualidade da Arqueiro: fonte e espaçamento confortáveis e diagramação bem feita. A revisão está ótima, não encontrei erros, e também gostaria de chamar a atenção ao fato do livro ser traduzido a quatro mãos por Thaís Paiva e Stephanie Fernandes. O texto está super coeso e em nenhum momento esse trabalho em dupla se torna perceptível.

A Padaria dos Finais Felizes é o primeiro volume de uma trilogia. Não sei se os demais serão trazidos pela editora, mas acho bem provável. Este é o tipo perfeito de história para ser lida nesta quarentena, pois nos mostra que há bonança depois da tempestade. Leiam, tenho certeza que vocês irão amar! 💜


27 comentários

  1. Oi, Tamires como vai? Este livro me parece ser fascinante, pois sua ambientação e trama parecem ser bem elaborados. Como você mencionou em sua resenha, aliás maravilhosa, que este livro é ideal para ler nesta quarentena que ja está insuportável. A editora Arqueiro é competentíssima na arte gráfica e diagramação de seus livros. A capa deste, apesar de simples é bonita. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  2. Eu acho essas capas super fofas! E como boa amante de romances, com certeza vou conferir.
    Só da ambientação ser na Cornualha (algo bem diferente), já me dá mais vontade de ler.
    Beijos
    Balaio de Babados

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    1. Momento curiosidade: a Arqueiro tem diversos livros ambientados na Cornualha!

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  3. Oi Tami! Eu acabei de ler o outro da autora e amei, tanto que já comprei este e estou só aguardando a Amazon entregar para ler. Em A Livraria eu fiquei empolgadíssima com a ambientação e pelo visto em A Padaria a autora repete o feito, além de trazer uma mensagem otimista. Quero ler todos os Romances de Hoje da Arqueiro. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  4. Oi Tamires,
    Amei sua resenha, curto muito esse tipo de livro gostoso de ler. Sabia que a Arqueiro estava com uns projetos novos de livros, vou passar no site da editora para conferir melhor.
    Obrigada pela resenha.
    Bjos
    http://www.kelenvasconcelos.com.br/

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  5. Oi, Tami
    Não sei o que aconteceu comigo porque eu tinha super me envolvido com esses lançamentos, mas assim que comprei o primeiro da autora, meio que a vontade sumiu. Agora eu tô tentando ver se quero ou não ler os outros, mas ao menos sei que são bons e não iria me arrepender.
    Beijo!
    http://www.capitulotreze.com.br/

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    1. É só você sentar seu bumbum e abrir o livro. Na primeira página você já vai estar fisgada!

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  6. Oi Tami, tudo bem? Eu li A Pequena Livraria dos Sonhos da autora e gostei bastante, já quero ler esse também! Estou precisando de algo assim no momento mesmo!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  7. Eu amo livros assim, se não me engano já tinha visto algo sobre ele, fiquei doida para ler depois do seu post! ❤

    https://www.kailagarcia.com

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  8. Adorei conhecer sobre o livro!
    www.achatadebatom.com

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  9. Olá, Tami. Tudo bem por aí?

    Primeiramente, preciso dizer que fiquei encantado pela capa. Muito harmoniosa e com cores lindas! Eu, particularmente, não costumo ler esse tipo de história, mas fiquei surpreso em saber desse projeto da Editora Arqueiro. Acho uma ideia maravilhosa! Apesar de eu não curtir muito o gênero, tudo o que incentiva pessoas a lerem, é válido, e ainda mais um projeto assim. E, realmente, parece ser a leitura perfeita e otimista para esses tempos de pandemia. Adorei a resenha!

    Abraços!
    Acampamento da Leitura

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  10. Oi
    tenho muita vontade de ler essa coleção de livros, parecem ser histórias gostosinhas de se ler e envolvente, já quero ler esse também e conhecer essa personagem, que bom que gostou da leitura.

    http://momentocrivelli.blogspot.com/

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  11. Olá Tamires, tudo bem?
    Amei essa indicação, está na minha lista de leitura faz tempo, amei saber um pouquinho mais sobre a história e fiquei ainda mais curiosa para ler esse livro.
    Beijocas.

    https://www.parafraseandocomvanessa.com.br/

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  12. Olá, Tamires.
    Acho que já disse aqui que compraria os livros dessa série só pelas capas. Mas como não tenho muito espaço aqui em casa infelizmente não vou comprar. Mas vou ver se futuramente leio os e books porque as histórias, essa em especial pela ambientação, me chamou bastante a atenção. Mas não agora porque fui ver e o e book está mais caro que o físico hehe.

    Prefácio

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  13. Olá,
    Estou casa vez mais curiosa para conhecer esses romances. Esse parece ser tão adorável quantos os outros.
    Já comecei simpatizando pelo cenário e o pet diferentão.
    E adoro esse climinha de localidades pequenas.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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  14. oi Tamirez
    que legal esse romance se passar em um lugar diferente dos outros gosto disso
    para variar to morrendo de vontade de adquirir essa serie rsrs haja grana para tantos livros maravilhosos que vao surgindo isso sem contar aqueles que já estáo na lista
    estou participando de um sorteio cujo livro e um dessa serie da arqueiro
    estou torcendo muito para ganhar

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  15. Oi Tami!

    Menina, antes de qualquer coisa: que gostosinho ler a sua resenha. Amei a atenção aos detalhes, conhecer tuas percepções da história e até mesmo falando a um nível mais profissional, na escaneabilidade do texto.

    Sobre o livro, eu não conhecia (nem ele e nem o projeto da editora). Fiquei afastada do mundo literário no último ano então estou colocando tudo em dia agora. E que delícia é ver uma história assim!

    Já me ganhou ao descrever a cidade, amo essa vibe!

    Queria Estar Lendo

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  16. Olá Tamires,


    Essa é a primeira resenha que eu leio desse livro, parece que a história é bem gostoso, faz um tempinho que eu não leio livros assim e espero ter a oportunidade futuramente.


    Beijos.


    https://devoradordeletras.blogspot.com/

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