9 de junho de 2020

Resenha | Esperança - Lesley Pearse


Livro cedido em parceria com a editora.

Autora: Lesley Pearse

Tradutora: Maria Silveira

Número de páginas: 560

Ano: 2019

Editora: Arqueiro

Skoob: AQUI

Compre: Amazon
Sinopse: Inglaterra, 1832. O nascimento de Hope pode ser o prelúdio de um escândalo. Prova do adultério da aristocrata lady Harvey, a menina é entregue a uma das empregadas e cresce sem saber de sua verdadeira origem.

Porém, quando completa 14 anos e vai trabalhar na mansão dos Harveys, ela vê algo que não deveria e é forçada a fugir para os cortiços de Bristol, em meio à miséria e à doença.

Durante uma epidemia de cólera, a coragem e a gentileza de Hope provocam uma reviravolta em sua vida e ela se vê envolvida em uma guerra, cuidando dos doentes. Mas o destino parece ter outros planos para Hope, e logo a jovem precisará enfrentar os segredos por trás de seu nascimento.

Esperança é um romance impactante sobre uma mulher que, apesar de todos os empecilhos, mantém em seu coração o desejo de um dia encontrar a felicidade que tanto merece.


Havia algo nela, a ousadia em seus olhos, a inclinação da cabeça, que insinuava que poderia encontrar o caminho de volta para o lugar a que pertencia.

Somerset, 1832. A aristocrata lady Harvey está prestes a dar à luz um bebê que será sua ruína. Sir William Harvey, seu marido, passara quase dois anos na América, logo, não poderia ser o pai da criança. Três semanas antes do retorno de William, lady Harvey entra em trabalho de parto. Em Briargate, propriedade dos Harvey, há apenas a idosa Bridie e a jovem Nell, duas criadas que fazem o parto se sua senhora. Quando o bebê, uma menina, nasce, Bridie acredita que ela esteja morta e manda Nell levá-la do quarto. Porém, no caminho para os aposentos do criado, a bebê dá sinais de vida. Bridie fica muito angustiada, pois a morte do bebê seria muito mais fácil. E é assim que Nell tem a ideia de levar a criança para ser cuidada por seus pais.

Meg e Silas Renton já têm muitos filhos, mas onde comem dez, comem onze. O casal acolhe a bebê, que recebe o nome de Hope. A criança, que desconhece sua origem, cresce cercada de amor, mas sofre com a miséria de sua família adotiva. Quando atinge idade suficiente, Hope precisa começar a trabalhar para ajudar no sustento de sua família. Sem muitas opções, ela vai parar em Briargate. Nell não acha uma boa ideia, mas sabe que não há muito o que fazer a não ser tomar muito cuidado.

Já uma mulher, Nell acaba se casando com Albert, o jardineiro de Briargate. Inicialmente, Albert parece íntegro e respeitoso, porém, depois do casamento, ele se mostra um verdadeiro tirano, afastando Nell de sua família e amigos. Após uma tragédia familiar, Hope passa a morar com Nell e Albert; sua vida, que já era difícil, fica ainda mais complicada. Albert é violento e isso mantém Nell e Hope sob constante ameaça. Ao menor deslize, elas pagam por isso.

Nell acaba precisando viajar com lady Harvey, deixando Hope sozinha com Albert. Enquanto está dentro de Briargate, Hope está segura, mas em uma das suas idas à casa onde mora com a irmã e o cunhado, acaba presenciado algo que a deixa em choque. Transtornado, Albert a espanca e a expulsa de Briargate. Perdida, Hope vai parar nos cortiços de Bristol, à mercê da violência e de diversas doenças. Sem ter com quem contar, onde viver e sequer o que comer, Hope se vê sem nenhuma perspectiva.

E assim seguimos acompanhando a jornada de Hope. O que será que a vida, que sempre a negligenciou e maltratou, lhe reserva?

Agora teria que enfrentar seus irmãos e contar que suspeitava que Hope tivesse sido assassinada pelo marido dela e, com franqueza, não sabia se aguentaria isso também. Sempre fora a pessoa plácida e sensata da família, a quem todos se dirigiam para obter conselhos e conforto. Mas não era verdade; se fosse mesmo sensata, teria se certificado de que Hope não manteria nenhum contato com Albert depois que ele a agrediu naquela ocasião. Nunca deveria ter pedido a ela que fosse arrumar a casa; era como deixar o coelho de estimação com uma raposa.

••••••••••

Sabe aqueles livros que logo de cara chamam nossa atenção, mas que quando colocamos a mão nele a leitura simplesmente não rende? De tempos em tempos acontece isso por aqui, e Esperança se encaixa nesta situação. Eu não gosto de abandonar livros, vocês sabem, ainda mais quando sinto que a história tem potencial. Quando a leitura não rende, eu simplesmente paro e tento retomar em um outro momento. Com Esperança, foram necessárias três tentativas de leitura; na terceira, finalmente desempaquei e consegui ler normalmente. Não se deixem levar pela minha nota, se desprendam um pouco disto. Como eu sempre digo, na minha escala de classificação, três é bom. E bom é bom! 👍

Assim que terminei o livro, soube que esta seria uma resenha um pouco diferente, sem muitos pormenores, pois a história é tão intrincada que faz com que isso não seja possível. Acompanhamos a saga de Hope desde sua infância até sua vida adulta, e, durante este tempo, são muitas as mazelas que ela encontra pelo caminho. Acho até que este foi o motivo de inicialmente eu não ter me conectado muito com a história, já que, tratando-se de um romance histórico, não de época, há toda a crueza de uma época onde muitas coisas eram limitadas e onde mulheres, principalmente as pobres, tinham um destino servil e doloroso. Como leitora voraz de histórias que retratam majoritariamente o glamour daqueles tempos - títulos de nobreza, bailes, vestidos - senti o baque e travei.

Esperança aborda a amargura daqueles que não têm escolha e a negligência daqueles que as têm. Aborda a dor de não podermos ser quem realmente somos e consequências que batem à nossa porta quando temos coragem de fazê-lo. Aborda a doçura do primeiro amor e a desilusão de um amor inventado. Hope carrega no nome aquilo que carrega na alma. O significado de seu nome dá nome ao livro, e é o que lhe dá forças para continuar depois de ser tão maltratada pela vida e pelas pessoas.

Hope é uma personagem que possui muitas nuances e que evolui enormemente durante a história. Quando criança, é teimosa, afetada e parece sentir que há algo mais rondando sua existência. Ela jamais desdenhou do amor que os Renton lhe deram, mas dentro de si sentia que aquele, de alguma forma, não era seu lugar. Hope não se identifica com Nell em nada na forma de ver o mundo e de encarar a vida, mas é com ela que possui maior cumplicidade. E são as escolhas de Nell que, direta e indiretamente, mudam o destino de Hope. Em primeiro lugar, por ter pedido aos pais para acolher a filha de sua patroa, e em segundo, por ter se casado com Albert. Nell é uma pessoa muito abnegada e isso me causou certa irritação em diversos momentos, mas tive de compreender que não havia muitas escolhas para ela. Nell fazia de tudo para lidar com as suas escolhas, escondia até mesmo sua dor.

Uma das coisa mais bacanas a respeito de Hope é o fato dela despertar o melhor nas pessoas. Tirando aqueles que querem vê-la pelas costas por motivos óbvios, todos que passam por sua vida sentem o ímpeto de permanecer. Quando chega a Bristol, tudo parece perdido, porém, novamente, a vida lhe apresenta pessoas de quem aprende e a quem ensina.

Os personagens secundários de Esperança são muitos e adianto que todos têm sua função dentro da narrativa, até mesmo aqueles que pouco aparecem. Não vou entrar em detalhes sobre eles, pois, como já adiantei, há muitos pormenores, mas acho válido citar o egoísmo de lady Harvey, uma mulher difícil, mas por quem senti certa empatia. É difícil, não nego, afinal, ela virou as costas para seu bebê - e aqui não importa se ela achava que a criança estava viva ou morta - era uma criança inocente que não tinha culpa de suas indiscrições e por quem ela não demonstrou nenhum sentimento durante boa parte da trama, mas há tanta coisa envolvida, tanta frustração, tanto desamor, que não há como não sentir ao menos pena dela. Há também Bennett, um homem que chega como um bálsamo que tem o poder de minimizar as aflições de Hope. Um médico íntegro que não hesita em oferecer ajuda àqueles que não têm condições de pagar por seus serviços. Um homem que enxerga Hope quando todos somente a veem. 

A ambientação de Esperança vai desde 1832 até 1855. Lesley Pearse não deixou de fora a tifo e a cólera, graves doenças que eram comuns na época. As descrições dos sintomas chegam a ser incômodas de tão gráficas, nos fazendo agradecer a evolução da medicina. A autora também fala sobre a Guerra da Crimeia, mas a abordagem foca muito mais no papel de Hope e Bennett no conflito do que o conflito em si. O livro trata também da homossexualidade, e vocês podem imaginar como esta questão era abordada no século XIX, né?

Esperança é um livro longo. Eu levei quase um mês para terminar a leitura não porque eu não estava apreciando a história, mas porque é uma atmosfera que me deixava um pouco pesada, não conseguia lê-lo durante muito tempo apesar da excelente escrita de Lesley Pearse, com uma ótima tradução de Maria Silveira. Com folhas amareladas, diagramação confortável e boa revisão, a edição de Esperança está agradável. Sei que muitas pessoas torcem o nariz para a capa, mas ela fala sobre a história com Briargate ao fundo e o olhar obstinado daquela que representa Hope.

A leitura de Esperança foi muito enriquecedora. Há algumas particularidades da história que não me agradaram em um momento ou outro e em alguns momentos a trama se arrasta um pouco, por isso minha nota. Todavia, no geral, é um livro que merece ser lido.


26 comentários

  1. Oii, que pesado tudo isso. Sinto empatia pela protagonista. e que confusão a vida dela se tornou desde que ela nasceu, ela bem que podia encontrar o amor da vida dela e ser rica haha Onde foi o pai dela? Aff acho que ficarei mais revoltada que qualquer outro sentimento por essa obra, naquela época tudo na sociedade era difícil.
    Jardim de Palavras

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    1. Muita coisa acontece com ela, só lendo para saber. Hahaha

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  2. Oi, Tamires como vai? Apesar de as ressalvas citadas por você eu leria este livro. Obras com alta carga dramática e toda essa confusão experienciada pela protagonista me fazem ser atraído para a leitura deste livro, muito embora este gênero não ser lido por mim com frequência. Que resenha maravilhosa. Gostei da capa. Abraço!

    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  3. Oi Tamires,
    Não sei, depois de ler toda sua resenha creio que não é um livro que leria nesse momento. Tenho alguns livros sobre guerras e lutas para ler na minha estante e acho que o momento dessas leituras é importante ser definido. Acho que nos últimos tempos estou mais para leituras leves.
    Muito boa sua resenha.
    Bjos
    http://www.kelenvasconcelos.com.br/

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    1. Como eu disse na resenha, a parte da guerra não foca nos conflitos, mas realmente há momentos para algumas leituras serem feitas, vide minha experiência com este livro mesmo.

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  4. Oiii Tami

    Não é um livro que fluiria pra mim no momento. Livros longos andam me cansando horrores e a trama, embora tenha uma boa premissa, não em empolgou. Tenho curiosidade em ler Belle, da mesma autora, e se eu gostar da escrita dela, quem sabe futuramente acrescente mais livros dela na lista.

    Beijos, Ivy

    www.derepentenoultimolivro.com

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  5. Oi Tami
    Sendo bem sincera, eu já vi a capa desse livro milhares de vezes por aí mas não leio por duas questões: a capa não é bonita kk e a história não me chama atenção. Ao longo da sua resenha fiquei um pouco mais balançada, confesso, mas nem isso me faz encher os olhos para conhecer melhor a obra. É uma pena que a leitura tenha arrastado, ás vezes é o normal mesmo quando não estamos conseguindo levar algo adiante, mas mesmo assim não me cativou kkkkk espero que para outras pessoas funcione melhor.
    Beijo!
    http://www.capitulotreze.com.br/

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    1. Você e seu negócio com capas. Já deu uma olhada no mau gosto das capas dos livros que tu lê, mulher? Hahahaha

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  6. gostei da sua resenha sincera, é meio frustrante mesmo quando uma leitura promete e acaba nao rendendo

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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    1. Mas eu elogie o livro à beça, não fiquei nada frustrada. Rs

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  7. Olá, Tamires.
    Eu já li 3 livros da autora um de suspense que devorei as páginas e dois históricos que seguem essa mesma linha. O desenvolvimento é bem lento e os livros são enormes. Mas eu não me importo com isso por isso ainda quero ler ele.

    Prefácio

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    1. Eu não me importo também, mas às vezes a história simplesmente demora a conversar com a gente.

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  8. Oi Tami, tudo bem?
    Fiquei surpresa lendo a resenha, porque de fato a capa não transmite nada do que a história se propõe.
    Eu achei mega interessante uma versão em que os verdadeiros problemas dessa época são abordados. A gente se acostuma com a doçura dos romances de época mas, na verdade, eu jamais gostaria de viver naquele século.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  9. Essa atmosfera pesada também deixa minha leitura mais devagar. Não conhecia esse livro, mas achei a narrativa diferente.

    www.vivendosentimentos.com.br

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  10. Oi
    eu estou com o e-book para ler, mas não sei quando irei ler, a autora parece possuir uma boa escrita, gostei da resenha e é bom saber que é um pouco pesada, para eu não ir com muita sede ao copo.

    http://momentocrivelli.blogspot.com/

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    1. É pesada apenas no sentido de mostrar a vida daqueles tempos como elas realmente eram na grande maioria das vezes.

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  11. ola Tamirez
    bom como fa de romances historico ou de epoca ja anotei a dica aqui
    pena que deixou a desejar em algumas coisas ,mas acho que vale a pena ler a obra e conhecer a escrita da autora

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    1. As ressalvas são super pessoais, Eli, por isso nem quis me aprofundar. O todo do livro é muito bom, por isso digo que vale a pena. ;)

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  12. Olá...
    Adorei sua resenha!
    Fiquei com muita vontade de ler esse livro, os fatores que compõe o enredo parece tornar a leitura sublime... Gostei bastante de seus comentários!
    Dica anotada!
    Bjo

    http://coisasdediane.blogspot.com/

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  13. Eu te admiro muito por persistir em livros, porque eu mesma não tenho essa perseverança kkkkkkkk mas também não seria um livro que me despertaria interesse, então.. sem risco de ser abandonado
    Beijos
    Balaio de Babados

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    1. Eu já teria perdido grandes histórias se as tivesse abandonado quando a leitura não estava lá aquelas coisas...

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