26 de outubro de 2020

Resenha | Uma Paixão e Nada Mais - Mary Balogh

Livro cedido em parceria com a editora.

Autora: Mary Balogh

Tradutora: Livia de Almeida

Série: Clube dos Sobreviventes #4

Número de páginas: 288

Ano: 2019

Editora: Arqueiro

Skoob: AQUI

Compre: Amazon

Sinopse: Ao voltar para casa depois das Guerras Napoleônicas, Flavian, o visconde de Ponsonby, ficou arrasado ao ser abandonado pela noiva.

Agora a mulher que partiu seu coração está de volta, e todos estão ansiosos para que eles reatem o noivado. Exceto Flavian, que, em pânico, corre para os braços de uma jovem sensível e encantadora.

Apesar de ter sido casada por quase cinco anos, a viúva Agnes Keeping nunca se apaixonou, nem quer se apaixonar. Aos 26 anos, ela prefere manter o controle de suas emoções e de sua vida. Porém, ao conhecer o carismático Flavian, fica tão arrebatada que acaba aceitando seu impetuoso pedido de casamento.

Quando descobre que Flavian pediu sua mão apenas para se vingar da antiga paixão, Agnes decide fugir. Mas Flavian não tem a menor intenção de deixar a esposa partir, principalmente após descobrir que, para sua própria surpresa, está completamente apaixonado por ela.

 


E Agnes estava apaixonada. Loucamente, profundamente, desesperadamente, gloriosamente apaixonada.

Flavian Arnott, visconde de Ponsonby, passou pelo pão que o diabo amassou. Durante as Guerras Napoleônicas, ele foi ferido gravemente e suas lesões o tiraram do juízo perfeito. Quando soube das condições do jovem visconde, George Crabbe, o duque de Stanbrook, o levou para Penderris Hall, sua residência na Cornualha. Lá, junto aos demais integrantes do Clube dos Sobreviventes, Flavian se recuperou, mas nunca mais foi o mesmo.

Anos se passam e Flavian vive um dia após o outro apenas esperando o encontro anual do Clube dos Sobreviventes, que é quando seus amigos e ele se reúnem para dividir as alegrias e tristezas do ano que passou. Esse esquema tinha funcionado muito bem até seus amigos começarem a se apaixonar, e Flavian não lida muito bem com o amor desde que teve o coração partido por Velma, sua antiga noiva que o trocou por seu melhor amigo.

Flavian não se ressentia da felicidade de seus amigos, mas a nova configuração - com esposas e tudo mais - exigia algumas mudanças, algo que não o agradava por completo. Por conta do nascimento do filho de Vincent, um dos integrantes do Clube dos Sobreviventes, o encontro dos amigos acaba sendo transferido de Penderris Hall para Middlebury Park, residência do visconde de Darleigh em Gloucestershire, e é lá que Flavian conhece a jovem Agnes Keeping.

Agnes se casou muito jovem, pelos motivos errados e enviuvou cedo. Agora ela mora com Dora, sua irmã, em um modesto chalé e é feliz com a vida simples que leva. Agnes nunca almejou a paixão, mas tudo muda quando, em um baile, Flavian lhe tira para dançar. Agora ele está de volta para uma temporada muito mais longa, e a jovem pintora, que antes só sonhava com o distinto cavalheiro, vai precisar se acostumar com sua constante presença, já que, como amiga de Sophia, ela sempre está frequentando a propriedade.

Flavian se lembrava vagamente da dama com quem dançou em um dos bailes de Middlebury Park, mas não demora a perceber todos os encantos de Agnes. Deste modo, quando começa a sentir a pressão de sua família para que case com a agora viúva Velma, ele decide que a melhor saída é ir embora de Gloucestershire já casado. E quem é a melhor candidata a esposa? Agnes, é claro. 

Inicialmente, Agnes reluta bastante, porém, como estava completamente encantada por Flavian, por quem sentia coisas que jamais sentira antes, ela acaba cedendo. Agnes só não estava preparada para ser jogada no meio de um antro de víboras. Agora como Agnes Arnott, viscondessa de Ponsonby, ela precisará provar o seu valor - principalmente para ela mesma. Caso contrário, a paixão que tanto almejou poderá ser sua ruína.

A paixão matava. Talvez não liquidasse o corpo, mas, com certeza, matava o espírito e tudo o que era mais valioso na vida. A paixão matava o amor. Os dois sentimentos se excluíam mutuamente - uma estranha ironia. No entanto, não conseguia separar as duas coisas quando se tratava do visconde de Ponsonby. Sentia que não seria capaz de apenas amá-lo e de se manter intacta.

••••••••••

É com dor no coração que eu começo a escrever as minhas considerações, pois chegou o dia em que me decepcionei com um livro da minha fofíssima Mary Balogh. Antes mesmo de fazer esta leitura eu já tinha me deparado com algumas opiniões não muito favoráveis sobre a história e sobre o casal de protagonistas, mas não me deixei levar pelo tanto que amo a autora. Porém, infelizmente, no fim das contas acabei tendo as mesmas impressões.

Sendo bem honesta comigo e com vocês, se eu tivesse que definir Uma Paixão e Nada Mais com apenas uma palavra, esta palavra seria entediante. Eu sabia que a leitura deste quarto livro seria um pouco diferente por conta de seu protagonista masculino. Flavian mal aparece nos três volumes anteriores e a conexão inicial que eu já sentia com os outros protagonistas - a não ser Hugo por motivos óbvios - não se repetiu com ele. Flavian teria que me ganhar ao longo das páginas, mas ele não consegue ser bem-sucedido nessa tarefa.

Para não ser injusta, devo admitir que Mary criou um personagem bem coerente dentro de suas particularidades. Durante as Guerras Napoleônicas, Flavian sofreu graves traumas, muitos deles na área da cabeça. Durante um bom tempo, o visconde de Ponsonby ficou fora de si e só veio a se recuperar quando George o levou para Penderris Hall. Apesar dos grandes avanços em sua condição, ele adquiriu uma gagueira e às vezes ainda perde o fio da meada. Seus pensamentos perdem o foco e essa confusão, apesar de não parecer, é muito bem-vinda. Flavian também possui uma falta de filtro que rende bons momentos, mas isso não supre a falta de densidade do personagem, que também vem a ser um defeito que se repete em Agnes, a protagonista feminina.

O que mais me atrai nas histórias de Mary Balogh é a profundidade emocional de seus personagens e a riqueza de conteúdo da narrativa no que diz respeito aos Romances de Época. A autora sempre nos presenteia com personagens cheios de nuances e cria camadas que vão sendo reveladas no decorrer das histórias. Porém, isso não acontece em Uma Paixão e Nada Mais. Flavian e Agnes não possuem nuances e camadas, eles são lineares e acomodados.

Outra coisa que Mary sabe fazer muito bem é trabalhar o background de suas histórias; aquela trama que, em maior ou menor intensidade, servirá como um fator impeditivo em determinado momento. O background de Uma Paixão e Nada Mais é até bem interessante, mas não funciona dentro da narrativa. Não havia, dentro de um pouco menos de trezentas páginas, espaço hábil para desenvolver a trama proposta pela autora. Há toda uma questão envolvendo segredos, mentiras, traições e armadilhas cujo desenvolvimento deixa muito a desejar.

Sobre Agnes nem vou me estender muito porque não tenho nem o que falar, pois nada nela chamou minha atenção. É uma personagem correta, uma irmã amorosa, uma amiga leal... mas falta brilho! Há toda a questão dela nunca se colocar em primeiro lugar, de sempre abdicar daquilo que sente por aquilo que acha ser o mais adequado e eu simpatizo com isso, mas faltou algo que a tornasse especial, sabe?

E o romancezZZzzZZZz... Flavian e Agnes são tããããão sem graça juntos! É um lenga-lenga repetitivo que não empolga, muito pelo contrário. Nos livros do gênero eu me pego sedenta pela parte em que os protagonistas finalmente vão se entender, mas aqui isto não aconteceu.

Desta vez a história se passa em Middlebury Park, a residência de Vincent e Sophia, protagonistas de Um Acordo e Nada Mais. Os demais integrantes do Clube dos Sobreviventes têm sua cota de participação, uns mais, outros menos, então dá para matar um pouquinho da saudade. De personagens novos temos Dora, irmã de Agnes - prestem atenção nela - e Velma, o tal fator impeditivo que promete, mas não cumpre.

A edição de Uma Paixão e Nada Mais segue o padrão das anteriores, com uma capa sóbria e muito elegante, uma diagramação confortável e folhas amareladas. O livro é narrado em terceira pessoa ao longo de vinte e três capítulos e, como eu sempre pontuo, é possível ler a série fora de ordem, mas muitas conexões serão perdidas já que algumas histórias se passam na mesma linha temporal.

Uma Paixão e Nada Mais foi uma leitura cheia de altos e baixos - mais baixos do que altos - e que acabou me deixando bem frustrada. Apesar dos pesares, meu amor pela série e pela autora segue incólume. E como sempre digo, esta é apenas a minha opinião, não levem-na como verdade absoluta! Leiam e tirem suas próprias conclusões. 😘


15 comentários

  1. Oi, Tamires. Como vai? Que chato que a leitura não tenha sido tão atrativa para você. Quando o casal passa a impressão de ser sem graça e insosso, é bastante frustrante mesmo. A capa deste livro é simples, mas é bonita aos meus olhos. Ótima resenha. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  2. Oi, Tamires. Poxa, é sempre triste quando a gente se decepciona com um autor do qual gostamos. Mas também, não dá para acertar "todas" nessa vida...rsrsrs. Pelo menos o background estava interessante. E concordo com o Luciano sobre a capa. Achei bem bonita (e se tirar a foto da moça fica inda melhor).
    Parabéns pela resenha.

    https://nsmoraes.com.br/

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  3. Olá, Tamires.
    Esse foi o ultimo livro lido da leitura coletiva que estou participando e achei ele o mais fraco até agora mas não pelos mesmos motivos que você. Achei o Flavian muito parecido com o Vincent, a única diferença é que o Vincent tinha a desculpa da idade. O que não gostei foi que ninguém descobriu o doce de garota que era a Velma. Queria ela exposta perante a sociedade ou pelo menos para a família de Flavian.

    Prefácio

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  4. Oiii Tami

    Ah que pena que essa da Mary não funcionou, quando o casal principal é sem graça junto em um romance de época fica complicado e se a trama fica entediante então... Espero que os próximos da autora continuem te encantando, e que este tenha sido a única experiência não tão boa com os livros dela.

    Beijos, Ivy

    www.derepentenoultimolivro.com

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  5. Oi Tami, eu preciso voltar pra série, parei no segundo! Eu gosto muito da Mary, mas às vezes sinto falta do clímax, uma pena não ter te agradado tanto....

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  6. Oi, Tamires! Tudo bom? ^-^
    Essa foi a primeira vez que vi alguém dizendo ter se decepcionado com algum dos livros dessa série, então preciso dizer que fiquei bem chocada. Mas acho que é inevitável acontecer né? Ainda mais em uma série tão extensa, sempre tem aquele livro que frustra um pouco as expectativas (ainda que isso não torne a decepção mais fácil de aceitar).
    Comprei os dois primeiros volumes recentemente mas ainda não consegui realizar a leitura. Espero conseguir ser fisgada como todos que leem e tanto elogiam e, no caso de dar continuidade a leitura da série, já vou ficar alerta pra quando chegar a vez desse volume u_u kkkkkkkk.

    Um super beijo e uma ótima semana! :* <3
    www.inconstantecontroversia.blogspot.com

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  7. Oi Tami,

    Eu vejo bastante elogios a essa série e entendo seu ponto com o livro, são ressalvas que talvez me incomodassem também, mas como você disse só lendo para saber mesmo.
    Espero achar uma oferta para adquirir alguns livros da autora, pois queria muito ler no livro físico.

    Bjs
    https://diarioelivros.blogspot.com/

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  8. Oi, Tami!
    Já ouvi falar na série e na autora, mas nunca li nada dela! Acho legal essa questão de descrever as diferentes particularidades do emocional dos personagens, porque dá pra conhecê-los melhor.
    Eu amo romances que demoram bastante pra acontecer, confesso haha. Gosto de acompanhar os dramas, mas quando eles não convencem eu entendo a frustração!

    Estante Bibliográfica

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  9. Apesar de ainda não ter lido nenhum livro da série, quando soube desse livro eu achei interessante pelo fato do protagonista ser homem e ter um problema de fala, mas é uma pena que o livro não tenha sido uma boa experiência pra você. É mesmo entediante quando os personagens são rasos e a gente não consegue criar um vínculo enquanto lemos o livro, tudo isso torna mesmo a experiência bem entediante. Ninguém merece um casalzinho morno, haha.
    Ahh e sobre a série Bom Dia, Verônica, obrigada por me responder, no mesmo dia que li sua resenha mostrei o trailer para o meu marido e a gente pretende começar a assistir.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

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  10. Oi, Tami! Tudo bom?
    Toda série tem seus escorregões né, acho que é inevitável (tirando Tessa Dare, ela nunca erra rainha perfeitah).
    Eu comprei os dois primeiros volumes dessas histórias da Mary e tô bem curiosa pra conferir porque todo mundo elogia muito!

    Beijos, Nizz.
    www.queriaestarlendo.com.br

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  11. Mulher, eu gostei muito do Flavian, mas Agnes me estressou um pouco. Mas o que realmente não curti muito foi a questão do conflito que bem... não teve muito desenvolvimento ne kkkkk
    Beijos
    Balaio de Babados

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  12. Oi, Tamires!

    A Mary Balogh também é minha queridinha. É tão triste quando um autor que amamos nos decepciona, espero que esse livro seja uma exceção. Ainda assim estou curiosa para ler essa série.
    Adorei a resenha!

    Beijocas.
    https://artesaliteraria.blogspot.com/

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  13. Amei a resenha. pelas resenhas dos outros eu já estou com muita vontade de ler os livros, mas fiquei surpresa por ter um livro não tão bom. Às vezes é melhor fingir que o livro não faz parte dos outros rs
    beijos
    http://www.dearlytay.com.br/

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  14. Oi Tami, tudo bem?

    É... chega um dia que até as nossas autoras favoritas acabam nos decepcionado. Só li o primeiro livro dessa série, mas estou bem curiosa para conhecer as histórias dos outros membros do Clube dos Sobreviventes.

    Quando chegar o momento de eu ler Uma Paixão e Nada Mais, vou com menos expectativas e já preparada para uma possível pequena decepção com a Mary.

    Beijos e um ótimo final de semana;*
    Ariane Reis | Blog My Dear Library.

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  15. Oi, Tami!

    Eu adoro essa série, e apesar de esse volume não ter sido o meu favorito, não achei tão ruim assim :( não foi uma leitura 100% envolvente, mas também acho que quando lemos muitos romances de época seguido, começa a tudo parecer meio igual hahaha

    xx Carol
    https://caverna-literaria.blogspot.com/

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